Brasil mostra tua cara

A foto de Dilma acima esta publicada no livro de Ricardo Amaral “A vida quer coragem”. Foi tirada em novembro de 1970. Dilma Rousseff tinha 22 anos e ,segundo o jornalista, após 22 dias de tortura foi posta em interrogatório numa auditoria militar.

A imagem é de uma revelação espantosa.

Em tempos de instalação da Comissão da Verdade, que tem por missão desvendar fatos nebulosos ocorridos entre 1946-1985, principalmente no período da ditadura militar, esta fotografia dá uma amostra de como será duro, penoso, difícil, árduo e, por vezes, perigoso o trabalho de se buscar  a verdade.

Percebam,  no retrato , além da Dilma, estão dois militares. A posição deles  é muito peculiar. Ambos estão de cabeça baixa com a mão na frente da face. Para mim é um gesto típica de quem não quer se mostrar. Talvez sintam vergonha, talvez medo, talvez constrangimento ou, como relatou um colunista da Veja eles estão pesquisando uns papeis(?). No entanto o motivo não importa. O que interessa é a essência da atitude. Eles e muitos outros não desejavam se expor.

Agora, pensem comigo:  se naquela época que a ditadura estava no seu auge, estavam, como diz a dito popular, “por cima da carne seca”, faziam e aconteciam; não necessitavam dar satisfação a ninguém e mesmo assim eles não se mostraram, optando pelo anonimato, calculem então,  o que essas pessoas  serão capazes de fazer para impedir ou dificultar ao máximo o trabalho desta comissão. Visto que, um dos objetivos deste grupo da verdade é justamente  a identificação desses personagens . Complicado.

A comissão da verdade tem dois anos para terminar a tarefa. Pouquíssimo tempo e muitos obstáculos pela frente. Espero que consigam.

E, assim que finalizarem os trabalhos que divulguem para sociedade todas as informações e conclusões.  Que digam toda a verdade de forma clara e concisa. Quem torturou. Quem matou. De que forma foram mortos.  Onde estão os desaparecidos.  Pois, só desta forma muitos brasileiros terão a real dimensão do que é uma ditadura. Do que é capaz um grupo tirânico no poder.

Só conhecendo a verdade podemos evitar que a mentira se torne verdade.

 

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Ensino fundamental para crianças surdas

Em  São Paulo há apenas seis escolas municipais para surdos. A cidade tem ainda o mesmo número de escolas particulares e uma, a Escola Especial para Crianças Surdas (EECS), mantida pela Fundação de Rotarianos de São Paulo. Todas as escolas têm fila de espera, especialmente para o ensino fundamental, da 1ª a 4ª série.

Segunda reportagem da Folha de São Paulo há 150 mil surdos na cidade de São Paulo. Em geral, são pobres e carregam a surdez principalmente como consequência de uma rubéola que a mãe adquiriu durante a gestação. Os surdos argumentam que enfrentam muitas dificuldades em seu dia-a-dia. Ficam isolados e sem condições de participar de um debate na sala de aula. São “esquecidos” pela família, por falta de diálogo, e praticamente excluídos do mercado. Quando vão a uma consulta médica, não conseguem se comunicar. A TV praticamente ignora sua existência.

Bem, fomos nos inteirar de como se dá o processo educacional. Fomos à escola Municipal de Educação Especial Neusa Bassetto. Localizada à Rua Taquari 459,  Mooca São Paulo. A escola possui 11 salas de  aula, 272 alunos matriculados , 42 educadores, 9 funcionários entre inspetores de pátio, faxineiras e merendeiras. As salas estão  dispostas formando um círculo. Com um jardim no centro.  Tem biblioteca e um espaço recreativo com brinquedos. Possui um único portão de entrada.  A escola propicia pré-escola, ensino fundamental ciclo I e ciclo II, além de oferecer curso de alfabetização para adultos surdos,  à noite. No mural da escola há frases de conscientização, tais como:

Lutamos pelo direito:

De sermos surdos.

Pela nossa união e organização como indivíduos participantes de uma comunidade e sujeitos de uma história construída por nós mesmos.

Contra a história oficial de fracassos e incertezas que nos é imposta como única forma de sobrevivência nesta sociedade injusta com tudo que possa vir a ser diferente.

“Sem linguagem não somos seres humanos completos e, por isso, é preciso aceitar a natureza e não ir contra ela. Obrigados a falar, algo que  não lhes é natural, os surdos não são expostos suficientemente à linguagem e estão condenados ao isolamento e à incapacidade de formar sua identidade cultural.” Oliver Sacks.

Chegamos na escola na entrada do período da tarde. Havia várias crianças e pais esperando o portão se abrir. As crianças se comunicavam através de sinais. Ouvíamos de vez em quando sons, grunhidos emitidos pelos estudantes. Fomos recebidos pela coordenadora pedagógica de educação infantil Beth, pela professora Cristina e pela secretária Selma.

Segunda a coordenadora as classes infantis são de oito alunos. Não existem vagas garantidas para pré-escola. As classes são criadas dependendo da demanda, se houver número suficiente é efetivada a matrícula.  Caso contrário a criança terá que esperar o próximo ano. Não há diferenciação de grau de surdez para seleção das crianças. Todas são tratadas igualmente. As professoras são treinados em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e em técnicas de como  interagir com essa crianças. A escola não oferece educação em LIBRAS para os pais.  Elas aconselham aos mesmos a procurarem locais que ofereçam este curso. Como igrejas e associações para surdos. Os funcionários:  merendeiras, faxineiros e inspetores – não são treinados em LIBRAS. Os motoristas de transporte escolar também não tem treinamento. Eles aprendem na prática a lidar com as crianças.  Disse ela que, fora a surdez, as crianças são exatamente como as outras. Correm, brincam, brigam, fazem as pazes, são curiosas, têm seu imaginário.  De acordo com ela  muitas vezes os surdos são tratados como doentes mentais. Pra exemplificar contou-nos dois casos de discriminação e como a educação resolveu o problema. A mãe tinha dois filhos um surdo e outro não. Ela é separada. A mãe se recusava a levar a criança surda a passeios, pois a criança para chamar a atenção ou pedir algo emitia grunhidos altos. Chamava muito a atenção dos outros. Ela sentia vergonha do filho, então, propôs para a avó, mãe dela, que cuidasse da criança surda e ela ficaria com outro não-surdo. A avó se recusou e assumiu os dois netos. Atualmente a menino surdo estuda na escola e é um dos melhores alunos da turma. O outro caso de falta de consciência descrito por ela foi de um  pai que amarrava a mão da criança nas costas para evitar que ela fizesse sinais. Achava que assim a criança falaria.

Os implantados, como a coordenadora chama as crianças com aparelho de surdez, são aceitos na escola, e recebem o mesmo tratamento. As crianças são alfabetizadas em português e aprendem LIBRAS. Eles não treinam a oralidade. Este trabalho é feito por fonoaudiólogos.

A coordenadora não concorda com o projeto de inclusão em que surdos são colocados para estudar com crianças ouvintes e em escolas regulares. Os professores  em muitos casos não recebem o treinamento necessário e não tem como dar uma atenção especial,  visto que a classe têm entre trinta e quarenta alunos. A criança se sente discriminada e fora de seu ambiente, coisa que não acontece na escola especial.

A sala  de aula é composta de uma mesa única central com 8 lugares, uma lousa, um espelho, um armário, uma pia e vários jogos educativos. Turma de oito alunos, incluindo ai o menino citado à cima desprezado pela mãe . Acompanhamos duas atividades: a primeira consistia no jogo da memória. Eram plaquinhas de madeira de 5 x 5 cm. Com figuras de animais em umas e em outras  os nomes e os respectivos sinais dos animais. Por exemplo:  um desenho de um macaco numa plaquinha e na outra escrito macaco e o sinal representativo do macaco ou seja, uma mão coçando cabeça, e assim para as outras figuras. Eles  jogavam aos pares.  Ganhava quem relacionava o maior número de animais aos nomes e sinais. Em certo momento houve discussão entre os alunos. Com sinais ou gritos eles pediam a interferência da professora. O jogo se repetia mudando as duplas. Segundo a professora Cristina este era o início da alfabetização. Os  pais são também  orientados  a colocar em casa o nome dos objetos com os respectivos sinais.

 

Alunos interagindo na entrada da escola.

Outra atividade consistia no aluno ficar em frente ao espelho e ir treinando expressões faciais. Alegria, tristeza, raiva, espanto, dúvida, choro, identificando assim suas emoções. O Objetivo desses dois eventos era treinar a memória visual. Os alunos não sabem nomes de ninguém.  Os pais são conhecidos por sinais. A professora é conhecida por sinal. Os amiguinhos são conhecidos por sinais. Quando perguntado qual era o sinal da professora  a criança levava a mão ao cabelo e girava o dedo. O sinal da professora era cachinho, porque seu cabelo era cacheado. Quem escolhe o sinal são os próprios alunos.

Para finalizar segundo a coordenadora a escola busca desenvolver um tratamento justo a todas as crianças, independente do grau de deficiência, valorizando o potencial de cada um, cultivando um ambiente de respeito e autoestima. Todas as propostas veem a criança surda enquanto cidadão, participante de uma comunidade. Respeitando sempre os aspectos culturais e sua identidade em formação.

Desta forma as crianças surdas começam o processo de alfabetização e integração na sociedade.

Privatização dos Aeroportos – 2

Como foi prometido no posta anterior, eis a  segunda alternativa e, para tanto, tomo a liberdade de reproduzir a análise feita pela IATA – International Air Transport Association em reportagem publicada no JT do dia 10 de fevereiro.

“Jamil Chade *

A privatização dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília na segunda-feira significará passagens ainda mais caras e maiores impostos para as empresas aéreas. Foi assim que o setor aéreo mundial reagiu ao processo no Brasil, atacando abertamente o governo federal por ter adotado um modelo que ameaça prejudicar a indústria aérea e ainda não resolver o problema da falta de eficiência dos aeroportos nacionais.

A Iata — entidade que reúne as 280 maiores empresas do mundo — denuncia a falta de transparência no processo e diz que a inflação no preço da compra, comemorada pelo governo, não conseguirá ser compensada apenas com a exploração dos três aeroportos e acabará em novos impostos para os passageiros.

Numa avaliação interna feita pela Iata e obtida pela reportagem, o processo da venda dos aeroportos provocou “forte preocupação” no setor privado. A entidade constatou que o valor das vendas foi muito acima do antecipado, chegando a R$ 24,5 bilhões, contra uma base de R$ 4,45 bilhões. Além disso, os contratos de concessão estipulam investimentos de R$ 16,2 bilhões nos três aeroportos.

Para a Iata, não haverá como recuperar esses recursos apenas na exploração da licença dos aeroportos, e o resultado será maiores impostos para todos. “Mesmo considerando que uma quantidade substancial de recursos pode ser atingida por meio de melhorias na eficiência dos aeroportos, em especial em Guarulhos, é difícil conciliar o montante pago com o potencial de receita”, alertou a entidade. “Essa diferença é de grande preocupação para a indústria”, indicou.

O que preocupa as empresas é o fato de que os impostos sobre combustíveis, sobre o espaço para escritórios e outros serviços “deixam espaço para interpretação”. Na prática, temem que a margem de manobra nesses setores abra a possibilidade de que esses impostos sejam elevados.

Caso Acsa
Para Perry Flint, chefe de Comunicações Corporativas da Iata nas Américas, um dos temores vem justamente do histórico da empresa sul-africana Acsa, que faz parte do consórcio que venceu a licitação do Aeroporto de Guarulhos.

Segundo ele, uma das primeiras medidas dessa companhia na África do Sul foi elevar de forma dramática os impostos quando assumiu nove aeroportos no País há uma década.

Preço alto
Segundo a Iata, o problema dos aeroportos do Brasil não é o fato de que as taxas aeroportuárias são baixas. “O problema é a baixa eficiência”, disse Flint. Um levantamento feito pela indústria revela que, na realidade, Guarulhos está entre os aeroportos mais caros do mundo. Para o pouso e decolagem de um avião A330, Guarulhos cobra taxas que seriam 93% superiores às do Aeroporto de Miami.

O Aeroporto Internacional de São Paulo também é 27,5% mais caro que o movimentado Charles de Gaulle, em Paris. Em comparação com o Aeroporto de Cingapura, Guarulhos é 2,5 vezes mais caro.

“É por isso que vamos monitorar essas negociações entre operadores e usuários”, alertou Flint. Segundo ele, porém, não ajuda o fato de o governo ser ao mesmo tempo o regulador dos aeroportos e ainda receber parte dos lucros.

“Isso dará margem para muita coisa. Antes e durante o processo de concessão, a Iata expressou suas preocupações em relação à estrutura da privatização, que deixa o governo na posição de ser parceiro dos novos proprietários e regulador”, acrescenta o executivo da Iata. * CORRESPONDENTE / GENEBRA”.

Outra hipótese aventada pelos economistas, para explicar o alto valor pago, diz respeito à participação da Infraero como acionista, a chamada Golden Share com 49%, visto que o preço pago poderia forçar a diluição dessas ações, e, portanto diminuir a influência do governo nas decisões da concessionária. Será? Como diz a sabedoria popular: empresário não dá ponto sem nó. Não acredito que eles erraram a avaliação.

É esperar para ver o que irá acontecer.

Privatização dos Aeroportos

O governo esperava arrecadar R$ 5,777 bilhões com a concessão dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília, isto com os preços mínimos. Vai embolsar R$ 24,5 bilhões. Quase cinco vezes mais. Ágio médio de 347%. Foi uma ótima arrecadação, sem dúvida. Mas, o que intriga é a diferença entre o que o governo esperava receber e o que foi pago.  No caso específico de Guarulhos cujo valor estipulado era de R$ 3,4 bilhões e o valor ofertado foi de R$ 16,213 bilhões!!  o lance provocou Ós de espanto nas pessoas presentes ao leilão. O segundo colocado tinha um oferta de aproximadamente R$ 12 bilhões. Diferença brutal.

E por que desta discrepância tão grande?

Há duas alternativas: primeiro, o governou subestimou, de propósito ou não, o valor e o potencial dos aeroportos. Segundo, as empresas participantes do pregão erraram feio na sua avaliação, de caso pensado ou não.

Se a primeira alternativa estiver correta o governo Dilma agiu de modo semelhante ao  governo de Fernando Henrique Cardoso – que tanto criticou no passado – no que diz respeito a privatização.

Como exemplo de equivalências vou proceder a uma comparação  entre a privatização da Vale do Rio Doce e dos aeroportos.

A Vale foi vendida por 3,3 bilhões de dólares, aproximadamente. Na ocasião FHC contratou dois bancos estrangeiros para avaliar a companhia, um dos Bancos era o a Merrill Lynch, o mesmo que participou recentemente da jogatina financeira que culminou com a crise mundial de 2008. Os bancos foram acusados, na época, de trabalhar pelos interesses únicos dos compradores. O relatório, apresentado pelas duas instituições, foi acusado de desvalorizar ao máximo o preço da Vale do Rio Doce. O governo aceitou todos os argumentos e, ainda por cima não levou em conta o potencial de exploração de minérios, principalmente a reserva estratégica de minério de ferro. FHC abriu mão da soberania sobre essas mesmas reservas. Elas entraram no negócio por valor zero, detalhe: o Brasil tem potencial de exploração por centena de anos. O financiamento da compra foi subsidiado pelo BNDES e houve participação de fundo de pensão.

Bem, voltemos à maneira que foi privatizado o aeroporto. O governo contratou a empresa Mckinsey para emitir parecer sobre a INFRAERO. A Mckinsey jamais poderia ser contratada para executar esta tarefa, visto que era, publicamente, a favor da privatização. Segundo reportagem da revista capital “O sistema federal que, a partir de agora, começa a ser desmontado em benefício das regras ortodoxas da privatização seguiu cegamente à seleção feita pela McKinsey, que se norteou somente pelos grupos interessados na privatização”. O governo só precisava de alguém que lhe desse embasamento para tocar a concessão e não de um parecer isento. A INFRAERO emitiu documento alertando o governo Dilma. Este documento descaracterizava completamente “o relatório da multinacional McKinsey, que, contratada pelo governo, elaborou o relatório ‘Estudo do Setor do Transporte Aéreo no Brasil’, que norteia as decisões tomadas agora”, conforme reportagem de Maurício Dias da Carta Capital. O governo simplesmente ignorou. Será que o sindicato dos aeroportuários, SINA, também foi avisado deste disparate? Se foi avisado e não agregou esta informação para lutar contra a privatização foi um grave erro. Outro ponto semelhante: o BNDES, assim como no caso Vale, financiará a compra e haverá participação de fundos de pensão.

Será que o governo agiu com o mesmo descaso e também não levou em consideração o potencial de exploração e pôs o preço lá embaixo?

Como se nota houve semelhanças.Concordo, também,  que existem muitas diferenças entre a privatização do governo atual e a do governo FHC. A Dilma concedeu serviços, não vendeu o patrimônio e se acautelou contra futuros desleixos, ao contrário de FHC que dilapidou o patrimônio. Vendeu trator, esteira, mesa, cadeira, caneta, etc. e deu de graça a riqueza para exploração. Riqueza não renovável. Extraiu, vendeu, acabou! Só resta o buraco e o dinheiro no bolso dos donos da empresa. Porém o “modus operandi” nos dois casos foi o mesmo. Uma observação: o termo “privataria” (vocábulo criado pelo jornalista Elio Gaspari) nasceu da venda da Vale.

Há diversas perguntas que ficam no ar. A privatização é boa para o país? Poderia ter sido melhor? Haveria outra maneira de atuar sem privatizar?O governo se portou de modo claro e honesto?

A segunda alternativa fica para o próximo artigo.

Não esqueçam: o nazismo só foi derrotado militarmente.

O título deste artigo foi inspirado nas  decisões e atitudes tomadas pelas  autoridades envolvidas  nos casos da cracolândia  e do Pinheirinho.  A maneira estreita de atuar e de pensar dos nazistas com  suas práticas, a sua  visão de mundo, o seu  entendimento de democracia e de estado,  de justiça,  de liberdade individual e coletiva  e  de desrespeito a sociedade e aos seres humanos  foram revividas com as ações tomadas pelo estado nos dois eventos.

Vejamos o quão equânimes  foram os modos de proceder dos nazistas e dos mandatários de São Paulo.

Na cracolândia expulsaram as pessoas dos locais  e estão forçando o internamento dos dependentes. Hitler também agiu desta forma: forçou a internação dos cidadãos que apresentassem alguma forma de deficiência  física ou mental, ou comportamento não condizentes,  segundo eles, com as regras da sociedade. Exemplos:  os alcoólatras e os homossexuais.  Apenas Adolfo Hitler foi  mais competente. Teve a ideia de construir as clínicas  antes de iniciar o programa de internação obrigatória.

No caso do Pinheirinho colocaram pulseiras nos braços e números escritos em papel  colado na altura do  peito dos moradores. Conforme disseram: era  para identificá-los e permitir acesso aos locais onde foram postos e garantir a posse de algum objeto que, por acaso, estivesse no barraco onde moravam no momento da demolição. No entanto, houve casos de perdas de pulseirinhas  e extravio de papeis com os números. Mais uma vez a maior competência demonstrada pelos  alemães evitaram desconfortos futuros. Em vez de pulseiras eles gravaram a identificação nos braços, tipo tatuagem. Em vez de papel os nazistas usaram panos costurados nas roupas, em amarelo e em forma de estrela. Brilhante, não é? E por que aqui não fizeram isso também? Se é para esculachar que escancare logo a faceta neo-nazista deles.  E Olha que os asseclas de Hitler tiveram esta ideia na década de quarenta do século XX.

E a maior das semelhanças :  assim como os nazistas o governador, o prefeito,  a  juíza e a polícia passaram por cima de tudo; jogaram no lixo a  constituição brasileira , o estatuto do idoso, o  estatuto da criança e do adolescente,  a liberdade de imprensa  e de informação e  os direitos de cidadania. Mas por sorte e pela sabedoria dos moradores  eles também não se mostraram competentes o suficiente , pois, caso contrário não tinha sobrado um para contar história. E não duvidem que fizessem isso. O holocausto e Canudos estão aí para provar. E desculpa para legalizar o massacre não iria faltar.