O retrato da ditadura.

Esta foto é obra da intolerância. Da ignorância. Do ódio. Da arrogância. Do autoritarismo.

Produzido no afamado estúdio “DOI/CODI” do mundialmente desconhecido coronel XXXXX.  Teve início em 31 de março de 1964 e só foi concluído em 25 de outubro de 1975.

Equipe formada por vários “trainees” de torturadores. Inúmeros torturadores seniores. E instrutores do respeitado instituto CIA, americano.  Os membros deste grupo tinham uma característica em comum relevante: as mãos sujas de sangue.

Apesar de o coronel ser um homem avesso a publicidade ele concedeu entrevista a renomada revista “Brasil, Ame-o ou Deixe-o” narrando como foi o processo de criação desta obra. “A ideia surgiu durante o sonho. Sou místico. Nele me via como um grande general.  Garboso.Todos baixavam a cabeça. Ninguém ousava contrariar minhas opiniões . Eu pensava por todos . A população não pensava. Eu era o dono da verdade.  A minha verdade era absoluta. Não me afrontavam. Um país perfeito.  Uma beleza. Até que um dia caminhando pelo meu quartel presenciei uma cena que me paralisou.  Um homem devorando uma criancinha. Não acreditei . Incontinente mandei que ele parasse. Ele se levantou. Veio em minha direção. Cheirava a vodka. Ficou me encarando durante algum tempo.  Perguntei quem era. Sou um comunista e avançou em minha direção.  Quando fui sacar minha arma acordei. Não pude matá-lo.  Mas fiquei  convicto de uma coisa: não! Com certeza o Brasil não precisa do socialismo, do comunismo ou qualquer coisa deste tipo. E só há um jeito de evitar essa catástrofe. Exterminá-los.

E antes que você me pergunte como fiz para chegar ao cenário perfeito do retrato. Digo: fizemos várias experiências. Pau-de-arara. Afogamento em urina. Choque elétrico. Esmagamento de testículos. Apertar mamilos com alicate. E outros que não me recordo. Porém, estes meios deixavam marcas visíveis. Pessoa alguma acreditaria em suicídio. Então, decidi pelo enforcamento. Foi a melhor opção. Não ficou “the Best”? E quanto à assinatura da obra preferimos não assinar. Somos modestos. Preferimos o anonimato. Fazemos por amor”. Terminou assim a entrevista.

O estúdio DOI/CODI sempre se destacou pela discrição. Infelizmente. Vamos torcer para que o grupo de restauradores de obras chamado de “Comissão da Verdade” consiga identificá-los.

Interpretação da fotografia.

O retrato foi tirado com uma KAPSA, duas máscaras nos visores, 8 poses. Filme branco e preto de 16mm.

O cenário é composto de: uma cela onde se vê parte da janela gradeada. Paredes sujas, com reboco. Uma porta.  Assoalho taqueado. Rodapé. Uma cadeira escolar com alguns papeis em cima. Um colchonete. Um corpo masculino adulto pendurado com um cinto pelo pescoço. Apresentando calvície. Está vestido. Usa Meias. Aparece um sapato. A perna esquerda esta arqueada.

O desamparo e o desalento ficam estampados com sua cabeça levemente tombada para esquerda. A impotência é transmitida pelas pernas dobradas como alguém extenuado pedindo para descansar. A tristeza está na falta do olhar. O sofrimento, no cabelo em desalinho.  A submissão, no seu braço sem força. A ameaça, nas cores mórbidas de sua vestimenta.  A prepotência, na maneira do suposto suicídio. O corpo em pé é mais alto do que altura do nó dado na grade da janela.

Fiz a análise da foto como se fosse uma obra de arte. Meu intuito é que esta cena do Vladimir Herzog enforcado nunca perca a força. E que, assim como: “O Grito” de Munch, “Retirantes” de Portinari, “Guernica” de Picasso, e outros tantos trabalhos, que ainda hoje causam impacto, esta “obra” da ditadura provoque sempre perplexidade. Independente do tempo decorrido e de quem as vê. E esta força impactante nos sensibilize. Nos faça refletir. E impeça que o estado de exceção outra vez se instale no Brasil. Que a verdade sobre as atrocidades cometidas pela turma do golpe venha à tona. Que as gerações vindouras não pense que a ditadura foi branda (como nos quer fazer crer o jornal Folha de São Paulo, apelidando a ditadura de ditabranda). Ela foi cruel.

A arte tem esse poder.

Geraldo Alckmin e a democracia.

Definitivamente do Governador de São Paulo Geraldo Alckmin não sabe o que é democracia. Ou não quer saber dessa tal democracia. Nem conviver com o sistema multipartidário existente no país

Em recente prévia do PSDB, para escolha do candidato a prefeito, o governador disse em entrevista que o Brasil “tem partidos políticos demais”.

Vejamos o conceito de partido político: são associações dotadas de personalidade jurídica (pessoas jurídicas de direito privado – art. 44 doC.Civil) além de instrumentos eficazes de participação da sociedade no exercício do governo, impondo-se como veículo natural da democracia representativa (art. 14, parágrafo 3º, inciso V, da C.F.).

Conceituado o que seja partido político vale ressaltar: o Brasil ocupa um território de dimensões continentais. A sociedade brasileira é de uma diversidade espetacular. De muitas expressões culturais. É justo concluir que um ou dois partidos jamais serão representantes da totalidade da sociedade.

Querer que direita e esquerda sejam representados por uma única agremiação evidentemente que não dá. Então, criam-se dois partidos, da direita e da esquerda. E tem ainda o pessoal do centro. Institui-se mais um partido, o terceiro. Por essa lógica simples a democracia necessita de no mínimo três partidos.

E agora o que dizer das ideias de centro-direita, centro-esquerda? E os ortodoxos e os anarquistas? E aqueles que não se sentem representados por nenhuma dessas correntes ideológicas, como os aposentados e os sem teto?  E outras tantas ideologias? O que fazer com essas correntes? Ficam sem representação? Claro que não. Elas podem constituir novos partidos. Aí reside a beleza da representatividade.

Um dos pilares da democracia é a pluralidade. A sociedade como um todo tem que ter voz no governo. É constitucional. A representatividade é inerente à democracia.

Antes que alguém cite os Estados Unidos como exemplo de bipartidarismo, fica uma observação: lá não há só o partido Democrático e o Republicano, estes são os maiores. Há centenas deles, inclusive o partido comunista. Mas o sistema eleitoral americano é diferente, no entanto esta discussão fica para uma próxima vez.

Na Alemanha há também vários associações, podendo ser inclusive regional. No Brasil os partidos têm caráter nacional.

Nestes países não se discute o fim dessas associações. Houve uma adaptação do sistema eleitoral e partidário.

Seria mais útil e producente se governador discutisse a reforma política. Ela esta aí para tentar aperfeiçoar o sistema partidário brasileiro. Coibir que eles sejam personalistas. Que partidos pequenos sejam oportunistas. Que os gastos com eleições sejam caríssimas. Que um candidato tenha que disputar eleição com adversário de outro partido e com candidato da própria agremiação.  Aprimorar as coligações. A fidelidade. A disciplina. E etc.

O que não se pode é proceder como na ditadura. Após o golpe de 64 a conversa era a mesma: no Brasil há muitos partidos. É muita confusão. Em vez de reforma política, extermínio dos partidos existentes e a imposição do bipartidarismo. ARENA e MDB. Matemática simples. O vencedor sempre seria maioria. Após a redemocratização estabeleceu-se o segundo turno eleitoral como meio de garantir que o eleito fosse representante da maioria.

Não sei não. O governador de São Paulo só tem atitudes e pensamentos que remetem a ditadura? Será saudade?

Diga ao povo que fico, aliás que ficamos.

João Gilberto é considerado um artista perfeccionista. Criador da Bossa Nova, não tolera em seus shows qualquer barulho que possa prejudicar a musicalidade. E numa dessas apresentações reclamava do barulho do ar condicionado quando um senhor da platéia protestou contra as suas constantes interrupções. João Gilberto, em vez de simplesmente abandonar o palco, como já fizera em outras ocasiões, perguntou aos espectadores se eles achavam correto pagarem entradas caríssimas e não terem o melhor do espetáculo. Se eles se contentariam com apresentações “meia-boca” (palavras minhas).

Fica registrado este questionamento. Será que nós brasileiros pagamos caro por um espetáculo inteiro e nos contentamos em receber a metade?  Ou nem percebemos que nos entregaram apenas a metade? Precisa vir o João Gilberto e mostrar nossos direitos e nossa incapacidade de discernimento? Será que não somos enganados de todas as formas?

No futebol com certeza falta um João Gilberto para dizer: vocês são ludibriados. Ingressos caros, exploração no estacionamento, flanelinhas, cambistas, péssima acomodação, banheiros poucos e sujos, gramados sofríveis. E o espetáculo não vale o que se paga. Os jogadores são comuns, os técnicos burocráticos, as partidas medíocres.  Só sendo fanático para não perceber que está errado.

Paga-se para ver um espetáculo sem artistas. A paixão do brasileiro pelo esporte é explorada de maneira criminosa por quem enche as burras de dinheiro. E talentos quando surgem são imediatamente vendidos para Europa.  Ou eram. Jogadores como Neymar, Lucas, Oscar, Leandro Damião, Dedé, Ganso teimam em contrariar essa regra. Para espanto de muitos.

Mano, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Denílson e outros não se conformam.  Tendo oportunidade repetem: eles precisam jogar lá fora para adquirirem experiência, maturidade e etc. … No caso Neymar então, não entra na cabeça deles que ele opte em continuar jogando no Brasil. Por quê? É pecado jogar por aqui?

O Ronaldo tem interesse monetário, esse não conta. O Mano deseja se manter no cargo. Os outros citados desfilaram na Europa e quando voltaram não eram nem a caricatura do que foram e pelo jeito querem que aconteça o mesmo com estes atletas. Vide Ronaldinho. Jogadores que viraram suco. Robinho forçou a saída. Tinha certeza que seria o melhor do mundo jogando do outro lado do Atlântico. Agora pena para se manter como titular.

A vocês que fazem pressão para que esses craques sejam vendidos respondam a uma pergunta: de que serve para o torcedor aqui no Brasil e que vai ao estádio que Neymar, Lucas estejam realizando jogadas maravilhosas no exterior? Satisfaz ao ego de vocês? Ou nós não temos direito de ver um show com verdadeiros artistas da bola?

Bem, como atualmente não existe um craque brasileiro se destacando pelas belas jogadas na Europa, para exemplificar o que acabo de escrever, recorro ao país vizinho. É um argentino vendo um gol espetacular do Messi pela televisão e depois ir ao estádio ver o Riquelme em fim de carreira. Tem comparação. Quanta hipocrisia.

Pode parecer egoísmo. Mas do outro lado também tem egoísmo. Temos que apoiar a permanência desses craques no Brasil.

João Gilberto, não sei se de propósito ou não, com essa postura você nos ensina muito. Obrigado.

Aeroporto – o macaco tá certo.

Ainda sobre a privatização de aeroportos. Reproduzo abaixo parte do texto publicado no site da SINA – Sindicato Nacional dos Aeroportuários.

A integra encontra-se no seguinte endereço: “www.sina.org.br/turbulencia”

“11/03 – SINA – Concessão de Aeroportos
Comissão Paritária de Transição faz primeira reunião

Como estava previsto… Na abertura estiveram presentes o diretor de Administração, José Eirado, superintendentes regionais e de aeroportos, destacando-se os de Campinas e Guarulhos, em São Paulo, de Brasília, no Distrito Federal, e de Natal, no Rio Grande do Norte.

O diretor da Infraero, José Eirado, falou em nome de toda diretoria da empresa e na ocasião disponibilizou os recursos necessários para os trabalhos avançarem, tais como: arquivos, cadastros, assessoria jurídica e de tecnologia da informação, etc.

Mas o que chamou a atenção foi o seu pronunciamento em relação aos primeiros contatos entre a Infraero e as concessionárias vencedoras do leilão do dia 06/02. De acordo com Eirado, não foi realizado nenhum tipo de contato com os grupos que têm a pretensão de estarem à frente de Viracopos, em Campinas, e JK, em Brasília. Porém, a Invepar, que levou Guarulhos, já iniciou conversas com a direção da Infraero e o presidente do consórcio expressou interesse em ter a Infraero como operadora desse aeroporto…”.

O SINA acredita que essa informação não pode criar expectativas nos aeroportuários/as dessa localidade…”.

Após ler esta reportagem fiquei abismado. Parado. Sem palavras. Me lembrei da fala do personagem macaco Sócrates no programa humorístico  “Planeta dos Homens”.  Exibido pela  Globo, na década de 80.  Ele fazia uma pergunta qualquer e antes que alguém pudesse responder, Sócrates encarava a câmera e dizia: “Não precisa explicar. Eu só queria entender”.  Este bordão resumiu a minha perplexidade.

Por que lembrei? Explico. Para mídia, para os especialistas e para os passageiros a Infraero é incompetente. Não sabe gerir.  Não sabe trabalhar. É culpada de todos os problemas do aeroporto. Essa imagem ficou impregnada na empresa. E nos funcionários.

E, agora, o consórcio ganhador do leilão vêm e, segundo esse diretor, mostra interesse em contratar a Infraero incompetente para operar o aeroporto privatizado. Não parece no mínimo um absurdo?

Pergunto: com essa contratação, o consórcio quer perder dinheiro?  Quer falir? Quer dá um golpe? Quer restabelecer o caos? Quem, dentro do seu juízo perfeito, contrataria uma companhia com fama de incompetente?  Afinal, a Infraero é ou não é despreparada para gerir o aeroporto?  Ou apenas parte dela não é preparada? Quem eles querem contratar? Os gestores ou os funcionários operacionais da empresa?

E existe algo curioso: a Infraero participa como acionista do consórcio, então ela será patrão e empregado ao mesmo tempo. É o síndico se contratando para trabalhar no condomínio. É jogar xadrez consigo mesmo. Pode?

É Sócrates, o difícil será  a sociedade entender e aceitar essa operação.

Bom dia Brasil e a violência escolar.

O “Bom dia Brasil” da semana passada exibiu, outra vez, a violência nas escolas públicas.  O telejornal teve o cuidado de mostrar as agressões em todos os níveis hierárquicos da escola.  Cenas de diretora, professores, funcionários e alunos sendo agredidos. Matéria tapa-buraco. Requentada.Todo começo de ano eles trazem este assunto à tona.

E por ser sempre exibida no começo do ano letivo fica a impressão que existe uma mensagem subliminar: “Senhores pais olhem só o que vai acontecer com teus filhos caso eles estudem em escola pública (cenas de porrada). Coloque-os em escolas particulares (cena de fisioterapeuta ensinando como se sentar na cadeira escolar)”.

Será que as escolas particulares pagam para mídia inserir estas matérias?São 44 milhões de alunos no ensino público. Pelo menos dois milhões têm condições de pagar escola…  Bem, em se tratando de capitalismo não podemos duvidar que esteja acontecendo isso.

Mas, voltemos ao assunto. “Espera lá fora”, “Vou te pegar”. São frases que a maioria dos brasileiros adultos já ouviram nos tempos idos de estudante.  Toda semana havia quebra-pau na saída da escola. Por vários motivos. Era raríssimo vermos briga entre alunas, porém acontecia. Desacatar professores era o cúmulo. Diretora era um absurdo.  Não que não pensássemos mal destes entes, apenas não externávamos. A violência não é de agora.

Há algo, porém, que enquanto estudante nunca ouvi. “Sabe com quem esta falando?”. “Quem pago o teu salário sou eu”. “Que celular de pobre!”. “O carro do seu pai é bem velho”. “Nossos clientes sempre ficam satisfeitos…”. ”Aluno, papel higiênico é você que tem que comprar”. “Não vou reclamar com a diretoria porque posso ser demitido”. “Caramba! todo mês tem excursão… Lá vai dinheiro”. É, não podia ouvir mesmo. Sempre estudei em escola pública. Estas frases uma professora me ajudou a escrevê-las. Elas pertencem ao mundo exclusivo das escolas particulares. É mais um tipo de violência. Concordam? Acrescente a isso as habituais brigas.

Então, diferentemente do que “O Bom dia Brasil” tenta passar: a violência não é exclusiva do ensino público. Ela também esta presente  no ensino particular.

É uma covardia o que o jornal faz. Os pais não podem ser induzidos a levarem  em conta apenas o critério da violência para optarem pelo ensino público ou privado. Existem outros. Bem mais civilizados e inteligentes para a escolha.

A escola pública não pode ser tratada como esmola para pobre.  A escola particular não pode ser simplesmente uma empresa de negócios.

E a Globo não perde mania de querer manipular mentes e corações.

TV Folha na TV Cultura

Venderam espaço público para empresa privada. Alugaram espaço público para empresa privada. “Parceirizaram” espaço público para empresa privada. Tanto faz se o presidente da TV Cultura João Sayad vendeu, alugou ou montou uma parceria. Sei que não poderia ter feito isto. Não é ético. Não é honesto.
Público não significa que é de alguém. Não significa que o ocupante do cargo de presidente pode dispor do bem que administra da maneira que achar melhor . Público também não significa que não é de ninguém. Público significa que é de todos. Tem que haver respeito. Transparência nas decisões.
Esta é ou deveria ser a ótica do homem público. Aquele que sabe o que é viver num regime democrático.
O presidente da TV Cultura já ocupou vários cargos públicos. Trabalhou nos governos de Franco Montoro, de José Sarney, da Marta Suplicy, de José Serra e, atualmente, trabalha no de Geraldo Alckmin. Ele tem experiência.

Alguns destes governos são tão antagônicos e conflitantes que só consigo imaginar um tipo de ser humano capaz de trabalhar em diferentes ambientes políticos: o funcionário muito obediente. O famoso “pau-pra-toda-obra”. O que não questiona. Mandou ele faz. O tecnocrata. É o caso do João Sayad. Com um agravante: ele tem uma aura de credibilidade. Porém, para pessoas com esse perfil falta iniciativa.O que concluo é que ele por si só não teria essa ideia. Então, alguém mandou estabelecer esta parceria. E quem mandou ceder este espaço na grade? Dedução óbvia: o governador de São Paulo. Outro que de democrático não tem nada.

E por quê? O PSDB esta desesperado. Não pode perder seu último reduto. São Paulo. O partido usará de todas as armas para mantê-lo sob seu domínio. Questão de sobrevivência. A mídia é a principal delas. A mídia tão bem definida no “conversaafiada.com.br”, de Paulo Henrique Amorim, como PIG, Partido da Imprensa Golpista.

A Folha de São Paulo topou a parceria. Apesar da baixíssima audiência. No horário cedido a média de telespectadores é de 0.6. No passado o jornal pediu o fechamento da TV Brasil devido a esta mesma contagem. Argumentava que se gastava dinheiro público com uma teve que ninguém assistia. O grupo ainda deve ter esta mesma visão, no entanto o objetivo é outro: evitar a vitoria do PT e levar vantagem.

O grupo Folha esta certo que aumentará o “IBOPE”. No momento já canta loas. Na apresentação do seu TV Folha a audiência subiu para 1 ponto. Hipocrisia.

A TV Cultura dispensou 50 funcionários. Com a vinda da TV Veja e da TV Estadão quantos mais funcionários serão dispensados?

  É Preciso Despertar (ou Caminhando com Maiakoviski)

(…)
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história:
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer mais nada..

Presente de Grego

” Parece-me que a crise está passando ” frase dita pela diretora-gerente do FMI Christine Lagarde, após os credores perdoarem 50% da dívida grega e chegarem a um acordo.

“Perdoar” e “está passando” belas palavras. Inúteis palavras.
Perdoar não sei se é bem este termo que deveria ser usado. Talvez, iludir fosse melhor. Porque trocaram os papeis antigos (em outras situações diriam papeis podres) por outros de menor valor. Uma operação que nós brasileiros conhecemos bem. Já tivemos tantas moedas diferentes que seria como trocar, hoje, 50 bilhoes de cruzeiros por cinco milhóes de reais. Sem fazer cálculos inflacionários, juros e etc, só levando em consideração o montante, alguém não trocaria imediatamente? Pois, foi deste modo que parte da divida foi absolvida pelos credores. Cambiaram o que não valia nada por algo de valor. Então, a dívida foi realmente perdoada? Os helenos não serão punidos? Muito bonzinhos estes senhores.Zeus

E, para chegarem a este acordo incrível levaram quase um mês de negociação. Um mês!! Um mês não é nada. O dobro deste tempo levei eu para negociar minhas dívidas. E, no caso da Grécia a importância é de bilhões de euros. Agora, se os credores chegaram a um consenso tão rápido é porque foi uma ótima negociação. Para os banqueiros, é claro. Negociação só é boa quando é boa para os dois lados. Não foi o caso. Inclusive Sarkosy e Merkel deram um golpe de estado quando o primeiro ministro grego tentou incluir o povo na negociação. O governo necessitava do aval de seus governados. Afinal de contas, eles seriam os mais penalizados. Não deu tempo para fazer um plebiscito. Uma pena. A democracia perdeu grande oportunidade de se fortalecer.

Lagarde tem razão quando diz que a crise esta passando. Para os banqueiros e afins com certeza. Agora que não correm mais risco de calote. É só receber. Visto que, quem irá fiscalizar, regulamentar, garantir e cobrar é a denominada “troika” – Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e União Européia (UE). Os financistas podem demitir seu respectivos departamentos de cobrança.
E novamente a diretora do FMI acerta: a crise está passando. Passando, como trator, por cima da nação grega. E paciência se este trocadilho é infame. Infame, porém verdadeiro.

A Grécia e consequentemente a população grega irão pagar um alto preço por este acordo. Tecnicamente perderam a soberania- todas decisões terão que ser aprovadas pela trinca. Os salários e aposentadorias foram reduzidos. O governo terá que demitir perto de 200 mil funcionários públicos. Cortar gastos sociais. Cortar investimentos. Logo ,a taxa de desmprego irá aumentar. Haverá deterioração das relações. A autoestima do povo diminuirá. O orgulho de ser grego estará em baixa. Haverá derrocada do amor-próprio. E o pior de tudo: o aumento do preconceito. Vale ressaltar: este aumento já está ocorrendo. Em recente reportagem os gregos foram tachados de preguiçosos, de mentirosos e de serem os únicos culpados pela crise. Mesmo o nome troika é depreciativo. Em russo significa três cavalos alinhados que puxam carroça. Não precisa muito para deduzir quem é a carroça.

Gregos vocês são os criadores do mundo ocidental. Cobrem pelo uso das palavras “democracia” e “logo”. Cobrem pelos direitos autorais do uso de seus mitos. Cobrem pelos seus filósofos, artistas, matemáticos, médicos, físicos. Sócrates, Platão, Aristóteles ajudem o povo grego. Pitágoras, Sófocles, Parmênides, Heráclito, Eratóstenes se rebelem. Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dioniso esqueçam as suas picuinhas e se unam em torno da Grécia.Herois ajam antes que seja tarde.