O estudo atrapalha, segundo Beto Richa, governador do Paraná.

Mais uma pérola dita por uma autoridade de estado.

O governador Beto Richa (PSDB), em entrevista a rádio CBN, disse que achava positivo o policial militar não ter diploma superior. Porque quem estuda tem tendência a ser insubordinado.

Vamos fazer um exercício de imaginação e tentar descobrir o que leva um ser humano a chegar a esta conclusão.

Primeiro: ele tem que achar que a pessoa só pensa se estudou. Consequentemente, quem não estudou não pensa.

Segundo: só “burro” se dispõe a ganhar um salário de fome, arriscar a vida e ainda por cima dizer amém a tudo. E o “burro” não estuda.

Terceiro: a educação, no Brasil, atingiu um nível tão elevado que ensina os alunos a refletirem sobre a sociedade como um todo, e seu papel na mesma. Quem não estudou não reflete.

Quarto: a inteligência é inerente ao grau de estudo. Portanto, quanto menor for o grau menor será sua inteligência.

Quinta: quem não estuda é indolente e conformado.

Sexto: somente quem não estuda é manipulável.

Sétimo: quem relaciona estudo à insubordinação tem que ter medo da democracia, da sociedade igualitária, justa e consciente.

Oitavo: a hierarquia é baseada na quantidade de conhecimento. E só adquire conhecimento quem estuda.

Nono: ele sabe que as ordens nem sempre são corretas, mas não quer questionamentos. Quem estuda automaticamente questiona.

Décimo: a vida do policial militar se resume a acatar ordens. Então, para que estudar, se tem quem faça isso por ele?

Décimo primeiro: ele quer ser endeusado pelos subalternos, como o ápice do esforço e da inteligência.

Por ora, paro por aqui, pois há muitos outros ingredientes para se fabricar um déspota. Se, você leitor, tiver alguma outra sugestão, por favor, envie.

Bem, a história mostra o quanto estão equivocadas as pessoas que assim pensam a sociedade.

O ex-presidente Lula tem mais reconhecimento internacional de estadista que Fernando Henrique Cardoso. E, como sabemos, o Lula estudou só até o primário. O FHC é doutor.

A polícia militar brasileira é conhecida pela sua ineficácia e truculência. As policias do Japão e da Europa pela sua eficiência e civilidade. Os policiais desses países têm curso superior.

Então, o governador não deveria ter receio de os PMs terem estudo e sim, como uma autoridade, estar preocupado em elevar o nível do quadro da polícia do estado. E, também, não desestimular o estudo, colocando-o como fator negativo.

Agora, que funções mais Beto Richa presume que o estudo atrapalhe? Já não basta a mulher do José Serra dizer que o Lula estava impedindo a contratação de empregadas domésticas com o “bolsa família”, por que com essa ajuda elas iriam estudar e procurar outras funções?

Dizem que quem gosta de pobre é intelectual. Então, está na hora da mudança. Que antropólogos, sociólogos estudem a elite brasileira. Tracem seu perfil. Seus costumes. Danças.  Caso contrário, continuaremos a fazer exercício de imaginação.

O sistema de cotas é constitucional.

O STF, Supremo Tribunal Federal, julgou constitucional o sistema de cotas para a UnB, Universidade de Brasília. Consequentemente, esta legalização é válida para todo território nacional. Foi uma excelente decisão. Uma sociedade, dita democrática, tem que ser a mais justa possível. Os participantes da sociedade têm que ter oportunidades iguais. O acesso à universidade é uma delas. O Brasil, sabemos, é um país de injustiças. É racista. Tem uma péssima distribuição de Renda. A saúde pública é precária. A educação deixa muito a desejar. Não existem políticas de moradias. E etc.

No entanto, há um senso comum entre os cidadãos: a educação é o grande fator de crescimento, de reparação e de amadurecimento da democracia.

Logo, agiu bem o governo adotando a política do sistema de cotas. Ao mesmo tempo em que minimiza a dificuldade dos estudantes em entrar numa universidade ele garante, como se fosse um efeito colateral, a estabilidade e o desenvolvimento do país. Seja econômico, social ou político.

É um raciocínio simples: a educação trás benefícios para todos.

Mas, não foi tão fácil essa aprovação. Houve debates calorosos. A elite, ou quem se acha elite, foi contra a legalização das cotas. Achavam injustas. Por incrível que pareça, argumentaram que esse sistema de cotas era racista. E, para essa camada da sociedade, o Brasil não é racista. Inclusive, dizem essas mesmas pessoas, eles têm amigos que são negros.  Como são caridosos. Talvez fosse melhor, para suas consciências, continuar mantendo os preconceitos debaixo do tapete.

A mídia, como sempre, atuou de maneira sórdida. Até uns quinze dias antes do julgamento da legalidade telejornais deram exemplos de pessoas que “chegaram lá”. Uma catadora de lixo que entrou na faculdade. Uma empregada doméstica que, com muito esforço, colocou o filho numa universidade.  O roceiro que também conseguiu, com muita dedicação, estudar numa escola de nível superior.  E tome choro.

Um país não é feito de milagres e sim de políticas.

Conclusão lógica: para mídia e para  elite o sistema é correto. Dá todas as oportunidades, como ficou comprovado pelas reportagens. Quem não consegue estudar é porque é preguiçoso, indolente ou vagabundo. Coisa naturalmente de pobre. Jogou toda a culpa nas costas da grande maioria da população.

Do que eles têm medo? Será puro preconceito? Será um saudosismo da época do escravagismo? Coisa de casa grande e senzala?  Ou de formigueiro?

De nada adiantou.  O supremo legalizou o sistema de cotas. Este veio pra ficar. Para o bem do Brasil.

Produto Interno Bruto ou Felicidade Interna Bruta.

Segundo reportagem da folha do dia 25/04 “A economia do Reino Unido voltou a entrar em recessão após registrar uma queda do PIB de 0,2% no primeiro trimestre de 2012, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Escritório Nacional de Estatística (ONS, na sigla em inglês).”.

O Brasil, se continuar essa tendência, irá se firmar como a sexta economia do mundo.  Sem dúvida uma boa conquista para o país. Porém, apesar dos vários programas federais, há 16,7 milhões de brasileiros em condições de extrema pobreza.  Desse total 4,8 milhões tem renda zero, os outros 11,43 milhões possuem renda de R$ 1 a R$ 70, conforme dados do IBGE.  Constata-se que para essa faixa da população ser o sexto ou centésimo no PIB dá, absolutamente, na mesma. Eles não participam do festim de prosperidade.

Não podemos comparar a qualidade de vida dos brasileiros com a dos ingleses. Eles são infinitamente superiores neste quesito.

Parece que este negócio de sexto lugar é coisa pra inglês ver. Como podemos ser superiores aos britânicos? É só olhar a nossa volta para notarmos que há algo errado. Vemos pedintes, mendigos, violência, crianças abandonadas, favelas, cracolândias, corrupção e etc. O Brasil é um país injusto, com certeza. E o PIB, que nos coloca em sexto, pelo jeito, não reflete a realidade de uma nação. É um índice equivocado. Veja este exemplo dado por alguns economistas: cidades do Japão foram destruídas pelo tsunami. O dinheiro gasto na reconstrução será incorporado ao PIB, como riqueza.  A reconstrução não é riqueza. E, esta é apenas uma das incoerências citadas. Já se fala em incorporar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) ao cálculo do PIB.

É um bom momento para se colocar em discussão a utilidade, a fragilidade e a incompletude do PIB com índice exclusivo par medir a riqueza.

O FIB, Felicidade Interna Bruta, é uma ferramenta a ser estudada com mais apreço e seriedade. É bem mais abrangente. Leva em consideração a qualidade de vida, a satisfação da população do país, o grau de sustentabilidade, problemas de meio-ambiente e o que mais se achar necessário para se obter um retrato fiel do país. E não exclui o PIB.

O termo Felicidade daria uma boa discussão.

Seria de grande utilidade para direcionar políticas sociais. A Fundação Getúlio Vargas esta estudando o FIB. Criando índices para efetuar os cálculos. Porém é voltado apenas para clientes que aplicam na Bolsa.

Quem desejar saber mais sobre a origem deste termo indico o site www.felicidadeinternabruta.org.br, é bem completo. Existem outros.

PIB ou FIB? Qual a sua opinião?

Torcida organizada e torcedores.

Após brigas e mortes, entre torcedores rivais, a sociedade exigiu uma ação enérgica por parte das autoridades. Ações foram tomadas contra essas facções.

A polícia investigou e prendeu. Ministério Público promoveu uma devassa nas sedes das torcidas. Os presidentes dessas agremiações tiveram que assinar termos de princípios de condutas. Cadastrar seus sócios. A federação paulista proibiu a entrada das organizadas. Os clubes envolvidos podem perder o mando de jogo. Os presidentes dessas agremiações firmaram acordo de cavalheiros entre si (?).

Todas essas medidas já foram perpetradas em outras ocasiões. Não apenas neste último caso de assassinato ente seus membros. Porém, até agora, os responsáveis em coibir  tais atos não lograram êxito. A violência continua. As mortes continuam. O ódio aumenta.

As organizadas reagiram. Como uma empresa, mudaram de nome. Trocaram a diretoria. Aperfeiçoaram a logística.  Viraram escolas de samba. Usaram a tecnologia a seu favor. Aumentaram seu poder.

Dessa forma que esta, será um nunca acabar. O cachorro correndo atrás do rabo.

Falta envolver a mídia nesta empreitada. Ela tem parcela de culpa no crescimento dessas organizações. Quem não se lembra da Globo dando uma panorâmica pelas arquibancadas e seu Galvão Bueno gritando “Que Bonito!” para alguma coreografia que eles fizessem? Ou Cleber Machado elogiando o tamanho da bandeira da torcida? E as outras emissoras mostrando as brigas e o linchamento de alguém? Claro que eles não estimularam a violência. Esses meios de comunicação fizeram o seu papel na busca de audiência e da informação.  Mas foram o fermento do bolo da barbárie.

Qual a empresa não gostaria de propaganda gratuita na televisão? Pois é, as torcidas organizadas têm. Inclusive da Globo. Sempre tão zelosa quanta a divulgação de marcas que não esteja debaixo de contrato.  Quando a emissora entrevista algum jogador ou técnico de time, para não exibir o patrocinador, eles fecham tanto no rosto da pessoa que, daqui a pouco, só irão mostrar a fossa nasal dela. Então, por que não ter esse mesmo cuidado com essas torcidas organizadas? Elas são empresas comerciais.

Vejam esses itens comercializados pelas organizadas.

E, assim como a mídia infla ela tem o poder de esvaziar. O Tiago Leifert, apresentador do Globo Esporte, percebeu isso.  Para ele não são torcedores e sim “destorcedores”. E não irá mostrá-los. Parabéns.

A mídia tem que colocá-los no ostracismo. Não divulgá-los de nenhuma forma. Não entrevistá-los. Não tornar sua marca conhecida. Não enaltecê-los. Silêncio total. Ou seja, levá-los à falência.

Talvez, com mais essa medida se termine com esses disparates. E o estádio volte a ser do torcedor comum. Concordam?

Nomeação do presidente do Metrô SP

Peter Walker, atual secretário-adjunto dos Transportes Metropolitanos foi anunciado ontem, pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), como o novo presidente do Metrô.

Tudo normal, se não fosse um detalhe: ele foi condenado, em primeira instância, por improbidade administrativa em 2010.

Segundo o jornal Diário do Grande ABC  “Junto a outros 17 executivos, o novo presidente foi condenado por improbidade quando esteve à frente da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa), empresa de Campinas responsável pelos serviços de água e esgoto. O Ministério Público Estadual os acusou de terem contratado servidores de forma irregular entre 1988 e 1996.

Pela sentença de outubro de 2010, Walker foi condenado à perda de direitos políticos por três anos e, pelo mesmo período, proibido de manter contratos com o poder público. Além disso, o juiz Mauro Iuji Fukumoto, da 1.ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, determinou pagamento de multa equivalente a dez vezes seu salário como presidente da Sanasa.  Walker apelou contra a decisão e, como o processo ainda corre, ele não teve de cumprir as penalidades.”.

No mês passado,  Kalil Neto teve a nomeação, para presidente do metrô,  abortada devido acusação de improbidade. E agora o governador escolhe este outro que também tem o mesmo problema. É um absurdo. E com um agravante: Geraldo Alckmim já sabia dessa condenação.

Então, por que ele nomeou um condenado?  Será que Peter Walker é o único em todo estado capaz de exercer esta função? Ou ele quis mostrar que quem manda é ele e ponto final? Será que ele ficou melindrado em ter que voltar atrás no caso do Kalil Neto? Bom, de qualquer forma foi um ato típico de governo autoritário. Uma ofensa à população honesta de São Paulo.

O governador justificou a nomeação pela “capacidade técnica, de engenheiro eletricista, sua competência e sua expertise” e também por  ter sido “secretário adjunto desde o começo do governo”  e por  “conhecer tudo de Metrô e CPTM”. Esta última declaração assusta. Ele conhece tudo. Bem, ele usou critério técnico, disse.

Naturalmente podemos concluir  que mandatário máximo  também contrataria um empregado condenado para trabalhar dentro de sua casa. Desde que tivesse capacidade, evidentemente. Particularmente duvido.

Dois pesos, duas medidas. Enquanto isso, dos funcionários públicos comuns, aqueles que prestaram concurso, é exigido todo tipo de atestado de honestidade. E de vários é solicitado a apresentação anual da declaração de imposto de renda. Se houver qualquer irregularidade são afastados ou não assumem o cargo. Questão de postura. A pessoa tem que ter um passado ilibado e um futuro probo. O simples servidor é, a princípio, desonesto, para as autoridades. Ou propenso a ser. Daí o rigor na escolha e no acompanhamento. Sabe como é: deu moleza eles roubam mesmo. No entanto, Peter Walker, por fazer parte da panelinha, não esta sujeito a esse tipo de exigência. Ele é honesto e não precisa provar. Errado é o juiz que o condenou. Errado é o promotor que o denunciou.

É a velha máxima: para os amigos tudo, para os inimigos a lei.

Concordam com essa nomeação?  Dê sua opinião.

Veja a VEJA

 

A montagem acima foi feita com as capas das seis últimas edições da revista VEJA.

Quando as vi, num primeiro momento, pensei que fossem as revistas: Super Interessante, Contigo, TITITI, INFO e do UFC. Mas pasmem, era a VEJA!

Para quem sempre se dedicou ao dito “jornalismo investigativo” e denunciou tanta roubalheira lançar umas capas com estes assuntos, neste momento em que veio à luz tantas falcatruas, é de se estranhar. Só faltou, como na época da ditadura, aparecer uma capa com o “niver” de algum coronel ou outra com receita de bolo.

Nestas últimas semanas a polícia federal desmontou um grande esquema de corrupção e tráfico de influências. Até agora foram envolvidos: o senador Demóstenes, o governador de Goiás Marconi Perillo, O governador do DF Agnelo Queiroz, o informante Dadá, juiz, deputados, vereadores, policiais estaduais e federais, assessores e outros. O contraventor Carlinhos Cachoeira surge como o chefe dessa organização. Um escândalo. Atualmente assunto de qualquer rodinha. Coisa de Al Capone.  E a revista calada. Não estampou uma capa sobre este tema.

E, por que ela tomou esta atitude? Simples. Porque a VEJA esta mergulhada neste mar de lama.

Em escutas, autorizadas pela justiça, foram gravadas conversas entre o editor-chefe da revista em Brasília Policarpo Júnior e Carlinhos Cachoeira. Segunda a PF, são mais de 200 ligações feitas. O jornalista foi o autor da maioria das denúncias de corrupção no governo Lula.  E a fonte dele era um contraventor, pessoa obrigatoriamente sem escrúpulos.

A folha, o Jornal Nacional (sempre os mesmos) saíram em defesa do Policarpo. Dizem: às vezes o jornalista tem que meter o pé na lama par conseguir informação. Ou que os promotores também agem desse modo. Concordo. No entanto, 200 ligações é demais. Seria como uma pessoa matar a outra com 90 facadas e alegar legítima defesa. E quanto ao promotor ele está cumprindo com sua função. Já imaginaram um promotor de justiça que não fala com marginal? E, tem mais uma coisa: ele não deixa de punir o bandido porque este deu informação. Em tempo: estes mesmo meios de comunicação tentaram desqualificar o deputado, e ex-delegado, Protógenes afirmando que ele foi pego em ligações com Dadá. Claro que foi pego. Outra vez, qual policial que não fala com bandido? Colocação ridícula. Duzentas ligações é parceria, namoro, conluio menos uma relação jornalista-fonte. É difícil negar.

A VEJA sabe disso e por isso ficou muda até agora. Age como alguém sendo pego em flagrante delito e não sabe o que dizer. Mas fica maquinando como sair dessa.

Ela tenta se salvar, pois sua máscara pode cair. A credibilidade pode ser detonada. E alguns de seus leitores podem perceber que a revista age de má fé. Que é manipuladora.

Com ajuda dos parceiros habituais (Folha de São Paulo, Globo, Estadão) ela tenta tirar o foco do Carlinhos, e consequentemente deles, colocando todos os holofotes sobre o “mensalão”.  Além do que, eles querem que o julgamento seja realizado o mais rápido possível. E o STF vem trabalhando nesse sentido. O boi de piranha da vez é o Zé Dirceu. Vide abaixo a capa desta semana.

Pelo jeito, para VEJA,  desde 2005/2006 não aconteceu mais escândalos de corrupção no Brasil. Inclusive este do Cachoeira envolvendo seu editor-chefe não existe. Por falta de assunto requentaram o mensalão.

No entanto, esperar o que de uma revista que beira ao fascismo e que o dono, Roberto Civita, jurou derrubar o governo Dilma, segundo Jose de Abreu. Que tem jornalistas que usam palavras grosseiras quando se referem ao ex-presidente Lula. Que tem como base para reportagens agressivas o preconceito contra nordestinos.

Aliás, para escrever o que escrevem e da maneira como escrevem não basta ser um profissional. Tem que acreditar. Tem que ser realmente reacionário e preconceituoso.

Fica a pergunta: diante dessa linha editorial, como será que a VEJA seleciona sua equipe? De que modo ela garimpa novos “talentos”? Vocês têm alguma ideia?

Cúpula das Américas. Não somos iguais.

Durante Fórum Empresarial, evento paralelo à Cúpula da América, realizado na Colômbia, Dilma Rousseff propôs um “diálogo entre iguais” como forma de resolver os problemas comerciais entre os EUA e a América Latina.

Participavam, além da presidenta do Brasil, Barack Obama dos EUA e Juan Manuel Santos da Colômbia.

Com a ideia “diálogo entre iguais” Dilma acertou e errou na avaliação.

No meu entender,  ela acerta com a palavra diálogo. Sem sombra de dúvida o diálogo é o caminho mais seguro para a estabilidade e o entendimento. Em qualquer tipo de relacionamento é importante. Pode ser pessoal.  Profissional. Comercial.  Amoroso.  O pior insulto é a mudez. Há algo mais irritante do que o silêncio? Uma criança sabe instintivamente que para “agredir” os pais basta não conversar.  A falta de conversação pode ser início de uma catástrofe.

Nisso, nos últimos dez anos, o governo brasileiro deu, e está dando, uma lição ao mundo. Sempre colocou como forma de resolver as questões o diálogo. E nunca abriu mão desse princípio.

No entanto, Dilma erra quando fala em conversar como “iguais”. Os EUA não são iguais a nenhum país sul-americano. Eles não se acham iguais a ninguém. Eles são superiores economicamente, politicamente e militarmente. São os protetores do mundo, segundo concepção própria. Um império.

A história mostra: eles pensam unicamente e egoisticamente nos seus interesses.  Na manutenção do “status quo”.  No padrão de vida de seu povo. Nas suas empresas. Nos seus bancos. Tentam impor o seu modo de vida. Os seus valores. O seu domínio. E, não tem escrúpulos para atingir esses objetivos. Todos os países sul-americanos já foram vítimas de golpes patrocinados pelos “yankees”.

Quanto a eles terem sido colônia, guerreado pela independência e o país ser o berço da democracia, como Dilma lembrou no discurso, para ilustrar a importância da igualdade, os americanos não está nem aí. Esses valores que nortearam a luta pela liberdade e pela democracia, desde o fim da primeira guerra mundial, foram jogados no lixo.

Temos que saber com quem conversamos.  Nós não estamos em pé de igualdade com eles. E, em vez de iguais talvez o melhor termo seja “respeito”. Não que eles nos respeitam. Ou vão nos respeitar. Isso não acontece. Temos que conquistar a respeitabilidade. Começando por ter  respeito por nós mesmos. Respeito pelos nossos interesses. Pelo povo brasileiro. Pelo nosso futuro. A partir daí dialogar. Ou melhor, negociar condições comerciais melhores para o país.

Dilma tão bem disse: ela não protege, ela defende os nossos interesses.

No livro de George Orwell, a Revolução dos Bichos, os porcos quando tomam o poder na fazenda escrevem uma constituição. Começam com: “Todos os animais são iguais”. No final do livro os porcos acrescentam a seguinte frase: “mas existem animais mais iguais que os outros”. Para justificar a continuação no poder. É o caso dos americanos.

Diálogo com respeito. Qual a sua opinião?