Lula e Maluf, quem diria.

O sistema eleitoral brasileiro permite e estimula essas alianças absurdas. Transforma a procura pelo poder num vale tudo. E depois o mesmo sistema cobra uma postura mais consciente do eleitorado.  Apregoam: procure saber quem é o candidato, qual sua plataforma, o que fez, se tem ficha limpa e etc.

Essa postura, pelo visto, vale para somente para os eleitores comuns. E só para eles.  Ou para nós. Visto que os candidatos não se importam o mínimo para as regras básicas de clareza e lisura. É um deus nos acuda.

O Lula estabeleceu parceria com Maluf. Conseguiu seu apoio para o Haddad, candidato a prefeito de São Paulo. Obteve um minuto e meio a mais no horário de propaganda gratuita.

Erundina desistiu de ser vice na chapa. Quem a viu como prefeita sabe de seu caráter. Da sua postura e honestidade com as coisas públicas. Da sua retidão.

Muitos ficaram decepcionados com o ex-presidente. Outra parcela criticou Erundina por ter desistido.

O Maluf é o mesmo que um dia disse: “estupra, mas não mata”. É o rouba, mas faz. O homem das grandes obras superfaturadas. É o homem que Newton Cruz acusou, em entrevista, de propor o assassinato de Tancredo Neves. Apoiou e foi colocado como prefeito de São Paulo pela ditadura militar. O que deu um carro para cada jogador de futebol, na campanha do tri, usando dinheiro público. O que torrou recursos do estado na criação da PauliPetro. Contrariando os especialistas que afirmavam que não havia petróleo em São Paulo. Foi o deputado federal com mais falta nas sessões do congresso. O procurado pela Interpol por crimes do colarinho branco.

O Paulo Maluf tem seu eleitorado fiel. Cerca de 13% no estado.  Se for nesses eleitores que Lula está de olho talvez ele tenha se esquecido de uma coisa: o cidadão que volta no Maluf é anti-petista. Tem asco pelo PT. Não vota de jeito nenhum. Não há líder que os convença do contrário.

Haddad não contará com esses votos e perderá os eleitores com que já contava.

Pode ser que ganhe a eleição. Há vários exemplos de alianças ou acordos que deram certo durante um período. EUA e União Soviética, durante a segunda guerra. Coréia do Sul e Japão. Alemanha e Israel.

Yasser Arafat, líder palestino já falecido, após firmar acordo de paz com Israel foi duramente censurado. Para acalmar os ânimos falou: “só se faz paz com o inimigo”.

Pode ser o caso. Mas que o sistema eleitoral está errado, está. Concordam?

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A descriminalização das drogas e o debate.

A comissão de juristas, constituída para dar apoio ao senado na elaboração do novo código penal, deu parecer favorável, entre outras questões, à descriminalização das drogas ilícitas.

Pessoa portando certa quantidade de droga não seria considerado crime. Desde que fosse comprovadamente para uso próprio. E, conforme o relator da comissão, Luiz Carlos Gonçalves, “a quantidade de droga tolerada para uso pessoal será definida de acordo com o tipo da substância. Quanto maior o poder destrutivo da droga, menor a quantidade diária a ser consumida”.

O debate promete ser caloroso.

Se houver o debate. Pois, para o congressista Osmar Terra- PMDB RS, este item não passará. E pronto.

Ele e um grupo de congressista são contra este parecer.  E, ainda por cima, são favoráveis ao endurecimento das leis como solução final. A lá Bolsonaro.

Visto que já está decidido não há necessidade de debate para o nobre deputado democrata. Então, para que abrir discussão sobre o tema?

Aos cidadãos. Esta é uma questão tão delicada, com enorme influência na sociedade e na vida atual e futura de cada um que tem que haver sim discussões sobre o tema. E não podemos simplesmente acatar de forma única a decisão desses congressistas.

Os que são contra nos mostram um futuro apocalíptico. Aumento do vício. Aumento do tráfico. Aumento dos roubos. Dos homicídios. Dos acidentes. Das doenças. Neurônios irremediavelmente destruídos. Desestruturação da família. Declínio da produtividade e etc. Fim dos tempos.

Para está corrente de pensamento só a lei, e consequentemente a polícia, poderá nos salvar deste fim trágico.

Será que um estado policialesco é a solução?

Devemos lembrar que a droga só foi criminalizada em 1968. No governo Costa e Silva. Época da ditadura. E, como podemos notar este ato não pôs fim ao problema da criminalidade ligada ao vício. Ao tráfico. E havia vida antes do golpe militar no Brasil.

É sabido que não adianta reprimir uma criança. Pelo contrário. Quanto mais falamos não, aí sim que eles (as crianças) fazem. Já ouvimos isso tantas vezes de vários de pais desconsolados. Por que então não usar essa sabedoria familiar e promover o diálogo ao invés de impor a simples repressão?

O governo e a sociedade podem promover campanhas publicitárias. As escolas, clubes, igrejas, templos, sinagogas, mesquitas, associações podem difundir o perigo do vício. A mídia bem usada é uma grande aliada. Assim como elas nos impinge quinquilharias e pensamentos ela pode atuar contra o uso de drogas. O cigarro é um grande exemplo.

Países como Portugal e Espanha descriminalizaram o uso de entorpecentes. Porém, não deu certo, segundo o deputado Osmar.  Pelo contrário houve aumento. E cita a Suécia como exemplo de repressão e sucesso no combate ao tráfico.

Se for para dar exemplo de país repressor que obteve vitória contra o vício cite então, a Coréia do Norte.

E ainda, se não deu certo não significa que nunca dará certo.

Se desistíssemos no primeiro revés não haveria avião, carro, programa espacial, ipad, ipod, sonhos e tudo mais. Não existiria nem o capitalismo. Nem o modo burguês de viver. Não podemos nos esquecer das constantes crises da economia. Da miséria crônica.

E mais uma coisa. Caso não passe no congresso a descriminalização das drogas e se aumente a repressão, como o senhor deseja, quem você acha que pagará o “pato”? Em outras palavras: quem a polícia irá reprimir e prender com mais veemência? O rico ou pobre? E descer o porrete? No negro ou no branco?

Outra coisa. A comissão é a favor da descriminalização das drogas. E não da liberação do uso, da venda e da fabricação.

Nobre deputado vivemos numa democracia. Por favor, sem decisões prontas. Tem que haver debate sim. Sempre.

A navegação por GPS e o futuro.

O GPS – Sistema de Posicionamento Global – é um sistema de posicionamento por satélites.

O receptor de sinais GPS integrado a mapas se transforma numa ótima ferramenta de navegação.

Inserindo o endereço o aparelho nos indica a rota. Além disso, alguns nos dizem onde há radar, lojas, pontos turísticos, postos e etc.

Era a tecnologia que faltava para o aperfeiçoamento do sistema de transporte em geral.

Será o fim ou pelo menos a redução da necessidade de condutor veicular.

E o que parecia um sonho esta se tornando realidade.

Recentemente o estado americano de Nevada emitiu licença para que um carro, adaptado pela Google com sensores e utilizando GPS, pudesse trafegar pelas ruas locais.  Este veículo tem uma peculiaridade: ele dispensa motorista. É só ligar e apontar para onde se deseja ir e ele te leva. Com total segurança.

Vejam o vídeo  abaixo.

As vantagens desta autonomia seriam enormes. No transporte de cargas terrestre o caminhoneiro não precisaria tomar “rebite“ para dirigir por mais tempo.  Poderia dormir enquanto o caminhão continuaria a viagem por conta própria.

Fim da terrível escolha e dependência do “motorista da rodada”. Todos beberiam sem temor da “blitz” da lei seca e sem receio de colocar a vida em risco. O carro se encarregaria de levá-los de volta.

Nos engarrafamentos você poderia dormir. Ler. Estudar. Trabalhar. Namorar. Papear. Falar ao celular. A mulher se maquiar. E o que mais viesse à sua mente.

Seria também a independência para boa parte dos portadores de deficiência física.

Fim dos estacionamentos e seus preços exorbitantes. O carro te deixaria, por exemplo, no trabalho. Você o mandaria de volta para casa. No fim do dia ele viria buscá-lo.

Taxi sem taxista e suas infindáveis estórias.  E sem suas espertezas.

Não haveria a figura do motorista de ônibus mal-educado e estressado.

Acidentes, atropelamentos, brigas, desrespeitos às regras e discussões inúteis no trânsito cairiam quase à zero.

Este exercício futurístico nos remete a um cenário tão gratificante e tão realístico que chega a assustar este sistema de navegação, adotado mundialmente, nas mãos de um país só. E é o que esta se delineando.  A direção aponta para os americanos.

Os EUA desenvolveu o GPS. Gastou alguns bilhões. A sua utilidade primeira é militar. É o mais usado. Eles podem de uma hora para outra começar a cobrar. Podem inclusive desligar a emissão de sinais quando desejarem. Isto já aconteceu. As consequências econômicas e sociais seriam catastróficas. Caso as previsões acima se concretizassem.

Mas alguns países, já se antecipando a estas possibilidades, estão com seu próprio sistema de navegação. A Rússia criou o GLONASS, militar. A Europa o GALILEO, civil. A China o COMPASS, civil e militar.

Porém o caminho não é cada um ter o seu sistema de posicionamento global e navegação. O ideal é ter um único. Mundial.  Acima de qualquer interesse particular.

Seria como ar que respiramos. Sem dono e fronteiras. Poderíamos confiar. O que acham da sugestão?

Uma jornalista com segundas intenções.

Eliane Catanhêde, em artigo publicado na Folha de São Paulo do dia 29 de maio agora, insinuou que Lula realmente fez pressão sobre o STF, na figura de Gilmar Mendes, para adiar o julgamento do “mensalão”.

Para uma jornalista renomada ela agiu como uma pessoa venenosa, tendenciosa, preconceituosa e mexeriqueira.  E assumiu essas qualidades.

No artigo cita: ”Nem Lula, nem Nelson Jobim, nem Gilmar Mendes desmentem que houve um encontro entre eles, no dia citado pela “Veja” e no escritório de Jobim. Esses são os fatos, o resto são versões e especulações. A elas.”. E começa a escrever uma série de especulações. Derramando uma cachoeira de maledicências e insinuações.

“Lula não gosta de ninguém que não o endeuse”. É mesmo?  Quando foi que o ex-presidente disse isso? Por que tirou esta conclusão? Ou ela esta na base do “quem convive com ele sabe disso”? Ou “um passarinho me contou”? Coisa de fofoca e não de uma profissional.

E ironicamente divaga: marcaram a dita para bater um papo. Tomar cerveja. Comer amendoim. Será que eles conversaram sobre o Timão na libertadores? Sobre Rio + 20? Sobre a Dilma? Ou foram sobre outros assuntos do mundo do faz de conta?

Como o jornalismo tem a função de informar se a Eliane não sabe então, ela tem por obrigação perguntar.

Poderia perguntar ao próprio Gilmar Mendes o porquê da reunião? Qual o assunto? Ela pode inclusive especular como um ministro do STF foi tão ingênuo a ponto de comparecer a um encontro com alguém que lhe causa tanto asco como o Lula. Não parece estranho?

Mas, quanto a esta suposta ingenuidade do Gilmar, Eliane se preveniu: ”Jobim foi ministro de Lula e é (pelo menos era até sexta-feira passada) amigo pessoal de Gilmar”. Então, o Mendes só compareceu porque foi convidado por Jobim. E enganado pelo grande amigo caiu numa armadilha. Alma bondosa que é.

Visto que ela não pode concluir nada, jogou no ar o seu pensar. Que cada um tire suas conclusões. E suas opiniões.

Porém, deste modo como foi escrito e conduzido o pensamento, ao leitor só restou concluir o que ela desejava que se concluísse: Gilmar Dantas esta falando a verdade. O Lula não tem caráter nem escrúpulos.

Para relembrar.

Gilmar Mendes foi o mesmo que libertou, por duas vezes, o banqueiro Daniel Dantas em questão de horas. Esta decisão dele provocou briga com o juiz Fausto de Sanctis. Até hoje muitos profissionais da mídia o chamam de Gilmar Dantas.

Falou que o STF foi grampeado. Após intensas investigações nada foi comprovado. É o tal do grampo sem áudio.

Foi acusado de ter viajado no avião de Calinhos Cachoeira. De estar envolvido com Demóstenes Torres em acertos escusos.

Em 2010, na véspera das eleições presidenciais, o Supremo julgava a exigência da apresentação de dois documentos para votar nas eleições. O placar estava 7 a 0 quando o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo. O julgamento foi interrompido. Mais tarde, circulou a informação, confirmada depois em reportagem da Folha de S. Paulo, de que a decisão de Mendes foi tomada depois de conversar com o então candidato do PSDB, José Serra. Segundo Dalmo Dallari “O pedido de vistas não tinha razão jurídica alguma, não havia dúvida a ser dirimida”.

Aliás, o jurista e professor da USP, Dalmo de Abreu Dallari, já avisava, em artigo publicado na Folha de São Paulo em maio de 2002 que: “Gilmar Mendes no STF é a degradação do judiciário”.

Sobre, especificamente, a acusação de Gilmar Mendes de que o ex-presidente fez pressão para que ele postergasse o julgamento do mensalão Dallari diz, em entrevista ao 247: “A outra coisa é que as acusações de Gilmar são extremamente duvidosas. Feitas com atraso e sem o mais básico, que é a confirmação da única testemunha. Pelo contrário: o ministro Jobim (Nelson Jobim, que foi ministro de FHC, de Lula e do próprio STF) negou o conteúdo do que foi denunciado”

Bem, como se pode notar o Gilmar Mendes não é uma pessoa confiável.

Assim como A Veja e a jornalista. Agora tirem suas conclusões.