A descriminalização das drogas e o debate.

A comissão de juristas, constituída para dar apoio ao senado na elaboração do novo código penal, deu parecer favorável, entre outras questões, à descriminalização das drogas ilícitas.

Pessoa portando certa quantidade de droga não seria considerado crime. Desde que fosse comprovadamente para uso próprio. E, conforme o relator da comissão, Luiz Carlos Gonçalves, “a quantidade de droga tolerada para uso pessoal será definida de acordo com o tipo da substância. Quanto maior o poder destrutivo da droga, menor a quantidade diária a ser consumida”.

O debate promete ser caloroso.

Se houver o debate. Pois, para o congressista Osmar Terra- PMDB RS, este item não passará. E pronto.

Ele e um grupo de congressista são contra este parecer.  E, ainda por cima, são favoráveis ao endurecimento das leis como solução final. A lá Bolsonaro.

Visto que já está decidido não há necessidade de debate para o nobre deputado democrata. Então, para que abrir discussão sobre o tema?

Aos cidadãos. Esta é uma questão tão delicada, com enorme influência na sociedade e na vida atual e futura de cada um que tem que haver sim discussões sobre o tema. E não podemos simplesmente acatar de forma única a decisão desses congressistas.

Os que são contra nos mostram um futuro apocalíptico. Aumento do vício. Aumento do tráfico. Aumento dos roubos. Dos homicídios. Dos acidentes. Das doenças. Neurônios irremediavelmente destruídos. Desestruturação da família. Declínio da produtividade e etc. Fim dos tempos.

Para está corrente de pensamento só a lei, e consequentemente a polícia, poderá nos salvar deste fim trágico.

Será que um estado policialesco é a solução?

Devemos lembrar que a droga só foi criminalizada em 1968. No governo Costa e Silva. Época da ditadura. E, como podemos notar este ato não pôs fim ao problema da criminalidade ligada ao vício. Ao tráfico. E havia vida antes do golpe militar no Brasil.

É sabido que não adianta reprimir uma criança. Pelo contrário. Quanto mais falamos não, aí sim que eles (as crianças) fazem. Já ouvimos isso tantas vezes de vários de pais desconsolados. Por que então não usar essa sabedoria familiar e promover o diálogo ao invés de impor a simples repressão?

O governo e a sociedade podem promover campanhas publicitárias. As escolas, clubes, igrejas, templos, sinagogas, mesquitas, associações podem difundir o perigo do vício. A mídia bem usada é uma grande aliada. Assim como elas nos impinge quinquilharias e pensamentos ela pode atuar contra o uso de drogas. O cigarro é um grande exemplo.

Países como Portugal e Espanha descriminalizaram o uso de entorpecentes. Porém, não deu certo, segundo o deputado Osmar.  Pelo contrário houve aumento. E cita a Suécia como exemplo de repressão e sucesso no combate ao tráfico.

Se for para dar exemplo de país repressor que obteve vitória contra o vício cite então, a Coréia do Norte.

E ainda, se não deu certo não significa que nunca dará certo.

Se desistíssemos no primeiro revés não haveria avião, carro, programa espacial, ipad, ipod, sonhos e tudo mais. Não existiria nem o capitalismo. Nem o modo burguês de viver. Não podemos nos esquecer das constantes crises da economia. Da miséria crônica.

E mais uma coisa. Caso não passe no congresso a descriminalização das drogas e se aumente a repressão, como o senhor deseja, quem você acha que pagará o “pato”? Em outras palavras: quem a polícia irá reprimir e prender com mais veemência? O rico ou pobre? E descer o porrete? No negro ou no branco?

Outra coisa. A comissão é a favor da descriminalização das drogas. E não da liberação do uso, da venda e da fabricação.

Nobre deputado vivemos numa democracia. Por favor, sem decisões prontas. Tem que haver debate sim. Sempre.

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