Eduardo de Oliveira, um cidadão contra a injustiça.

Faleceu nesta quinta-feira, dia 12, o professor Eduardo de Oliveira.

Reproduzo abaixo a nota emitida pela câmara de vereadores de São Paulo.

O professor Eduardo de Oliveira, primeiro vereador negro eleito na cidade de São Paulo, que faleceu aos 86 anos nesta quinta-feira, é velado na Câmara Municipal. As homenagens ao ex-vereador, fundador e presidente do Congresso Nacional Afro-brasileiro são prestadas no Hall do Plenário.

 Nascido em São Paulo, Oliveira foi eleito em 1963. Poeta e jornalista, era considerado um dos expoentes do movimento negro no país, apontado com um dos responsáveis pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, em 2009. É autor do Hino à Negritude e de diversas obras sobre a cultura negra,  entre elas “Quem é Quem na Negritude Brasileira”, que reúne 500 biografias de personalidades nos diversos setores da vida nacional.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial emitiu nota de pesar pelo falecimento do presidente da CNAB. Diz trecho da nota: “O movimento negro brasileiro perde hoje, 12 de julho de 2012, um dos seus mais longevos e ilustres militantes. Sem nunca perder a crença de que ainda poderemos viver uma sociedade livre do racismo, o autor do Hino à Negritude nos deixa contribuições importantes.”

Oliveira foi vítima de uma insuficiência renal, causada por arritmia cardíaca. Deixa seis filhos, 14 netos e cinco bisnetos. O enterro está marcado para as 15h desta sexta, no Cemitério da Lapa.

Como se lê acima antes de tudo este senhor foi militante da luta contra o racismo.

Nasceu e viveu num estado provinciano, São Paulo. Dominado por uma elite que não admite perder seus privilégios. Com ranços racistas e preconceituosos. Onde os principais jornais, com influência nacional, são: A Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo.

Que governantes se julgam dono de verdades absolutas. Que acreditam que aqui só não é a Suíça devido à imigração e aos negros. Que a causa da baixa qualidade do ensino é por causa de crianças e adolescentes oriundos de outras localidades (pensamento de José Serra). Lugar em que a palavra etnocentrismo adquiri o significado de ignorância. Onde a dominação se faz pela força. Tanto  física como mental.

Foi neste cenário que este cidadão, já na década de 60, lutou contra a desigualdade. E consequentemente pela justiça e pela democracia.

Soube que o fim da escravidão legal só se deu depois que os grandes “senhores de escravos” foram regiamente indenizados pelo império.  Enquanto os escravos eram descartados sem nenhum amparo.

Combateu duramente o cassado senador Demóstenes quando este disse: “As mulheres negras do Brasil escravocrata é que seduziam e gostavam de se deitar com seus senhores, não havia estupro, pois elas consentiam em se relacionar sexualmente com os “sinhozinhos”!”.

Proferiu palavras duras sobre a condição do negro: “Eu sempre falo que o negro, não só no Brasil, mas no mundo, é sempre uma afirmação de um crime perpetrado contra a Humanidade. Cada rosto negro é um corpo de delito. É a prova de uma perversidade feita por um grupo sobre outro grupo”.

Foi este cidadão que nos deixou. E, infelizmente não saiu uma só nota na mídia. Parece que não existiu. Alias, sobre existir ele disse: “Dizem que o negro não existe, que não existe raça e que o povo não tem mais referência racial, mas até pouco tempo tinha, para ser escravo, para trabalhar muito, para ficar na senzala, era a raça que servia, eram os filhos do continente negro”.

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