A comissão da verdade e a importância dos livros.

A Comissão da Verdade foi criada com a missão de investigar crimes de violação dos direitos humanos ocorridos no período compreendido entre 1946 e 1988. Notadamente durante a ditadura militar (1964-1985).

No entanto, esta medida deveria ter sido criada muito anos antes.  Pois, muitos destes violadores já estão mortos.  Outros, com idades avançadas. Viveram e gozaram suas vidas plenamente e impunimente. Construíram suas famílias. Viram seus filhos crescerem.  Eventos roubados de suas vítimas.

Não foi nada fácil estabelecer este grupo de trabalho. Houve debates calorosos entre os deputados. Os militares foram contra. Apelaram para lei da anistia. Lei elaborada por eles mesmo, pouco antes de abandonarem o poder.  Lei alicerçada no medo que sentiam que fatos covardes praticados por eles pudessem vir à tona. E ainda sentem medo. Lei  condenada por vários organismos internacionais. Os violadores preferem que o país continue a ser um imenso aterro sanitário de seus atos.

Deixaram, como legado, um país destroçado, política e economicamente. E um povo sem rumo histórico. E com um lapso de memória de 21 anos.

Como a comissão da verdade não é punitiva que ao menos ela preencha este vácuo. Os membros desta equipe terão que fazer um trabalho gigantesco de garimpagem. Porque muitos documentos foram destruídos. Seriam provas contundentes dos crimes cometidos pelo estado.

Mas, graças aos bons ares democráticos, vários brasileiros estão se mobilizando para resgatar esta parte usurpada de nossa história.

Uma série de livros, filmes, reportagens e depoimentos estão sendo lançados sobre “os anos de chumbo”.

Historiadores, escritores, sociólogos, jornalistas, cineastas e pessoas que se insurgiram contra as arbitrariedades, praticadas pelos que detinham o poder, contribuem para montar este quebra-cabeça. Resgatar a verdade.  E, por tabela, fornecer, também, material de pesquisa para os membros da comissão.

O livro “A MULHER QUE ERA O GENERAL DA CASA”, do jornalista Paulo Moreira Leite, é uma dessas obras relevantes. Visto que traz luz sobre alguns personagens que tiveram a coragem e lucidez para, de alguma forma, afrontarem o sistema vigente.

Therezinha Zerbini, Jaime Wright, Florestan Fernandes, José Mindlin, Armênio Guedes, Plinio de Arruda Sampaio, Henry Sobel, Washington Novaes desfilam pelas páginas suas situações, atitudes e indignações. Fecha o livro uma entrevista com o embaixador americano Lincoln Gordon. Artífice e sustentáculo do golpe de 64.

Recomendo a sua leitura. Além de uma redação agradável traz o perfil de cada um deles. E tem também o mérito de tirar o mito de que a elite e todos militares apoiaram o golpe. Não foi bem assim.

Eis a grande importância desse livro. Ser o retrato de uma época.

A ditadura não deve, como alguns meios de comunicação querem, ser chamada de “ditabranda”. Correu sangue e horror. Houve gritos e dor. Torturas e torturadores. Mortos e desaparecidos. Houve vítimas. E, se existem vítimas existem algozes. Cadê eles?

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