A volta do debate sobre transgênicos.

“Transgênicos aumentam em até três vezes ocorrência de câncer emratos”.

Este foi o título da reportagem publicada no portal IG do dia 19 de setembro. O artigo versava sobre o experimento que cientistas fizeram com ratos alimentados com organismos modificados geneticamente (OMG).

Segundo os estudiosos os dados revelaram “que ratos alimentados com milho geneticamente modificado morreram mais rápido.”. E que os “resultados da pesquisa são alarmantes”. Foi a pesquisa com maior duração, dois anos, que fizeram com os produtos transgênicos.

Conforme os cientistas disseram foram observados “por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com OGM. Há entre duas e três vezes mais tumores nos ratos tratados dos dois sexos”, explicou Gilles-Eric Seralini, professor da Universidade de Caen, que coordenou o estudo. E que “o primeiro rato macho alimentado com OGM morreu um ano antes do rato indicador (que não se alimenta com OGM), enquanto a primeira fêmea, oito meses antes. No 17º mês foram observados cinco vezes mais machos mortos alimentados com 11% de milho (OGM)”, explica o cientista.

Os tumores aparecem nos machos até 600 dias antes de surgirem nos ratos indicadores (na pele e nos rins). No caso das fêmeas (tumores nas glândulas mamárias), aparecem, em média, 94 dias antes naquelas alimentadas com transgênicos.

Os pesquisadores descobriram que 93% dos tumores das fêmeas são mamários, enquanto que a maioria dos machos morreu por problemas hepáticos ou renais”. A íntegra deste estudo encontra-se na revista “Food and Chemical Toxicology”.

É extremamente preocupante o quadro descrito na revista. Como sabemos muitas experiências sobre a causa de doenças nos humanos passam antes pelos ratos. Se forem constado malefícios nas cobaias então, passasse a pesquisar o efeitos nos humanos.

Bem, diz o bom senso que a partir da conclusão que chegaram os cientistas é bom reabrirmos o debate sobre a produção e o uso de cultivares transgênicos na nossa dieta.

Na segunda metade da década de 90 houve o primeiro intenso debate sobre os OGM. Reproduzo abaixo parte dos argumentos a favor e contra o uso e consumo de produtos transgênicos.

A favor do uso das sementes modificadas dizia-se sobre: a necessidade do aumento da produção de cultivares, a baixo custo. Tendo Malthus como referência, afirmavam que a demanda por alimentos era maior que a capacidade de produção. As sementes transgênicas teriam maior índice de produtividade.

As vantagens ambientais. Como as sementes OMG eram mais resistentes a pragas haveria diminuição do uso de agrotóxicos. Com a diminuição do uso de inseticidas e herbicidas haveria menor uso de tratores e consequente queima de combustíveis. Menor poluição por gases.

A competição no mercado mundial de produtos agrícolas. Caso o Brasil não adotasse essa tecnologia ele ficaria defasado em relação a outros países e perderia o mercado. Os outros produziriam mais e com menor custo.

A ausência de riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Segundo os defensores vários testes já tinham sido feitos pelos americanos, considerados rigorosos, e nenhum malefício foi detectado. E que a pressão por parte da sociedade e de empresas levaria indubitavelmente a adoção desse tipo de sementes.

A inevitabilidade da presença dos transgênicos no Brasil. O ele estaria cercado e invadido por países que já plantam e industrializam os transgênicos como Argentina e EUA. E ainda mais, no Rio Grande dos Sul se plantavam sementes OMG contrabandeadas.

Os argumentos contra a liberação de produtos transgênicos eram que: os riscos de contaminação genética da biodiversidade. Possível cruzamentos com cultivares nativo ou “domesticado”. Ou uma planta com caráter “inseticida” afetar, além das pragas, insetos benéficos.

Os riscos de poluição ambiental aumentariam. Ao contrário dos que defendem a liberação o uso de agrotóxico irá expandir.

Os riscos à saúde humana e animal seriam grandes. À época afirmavam que havia poucos estudos sobre as consequências que teria o uso desse tipo de alimento pelos humanos e animais.

Levaria a desnacionalização da pesquisa brasileira.

Haveria formação de oligopólios na produção de sementes.

A vulnerabilidade dos mecanismos estatais de controle face ao poder econômico.

A perda de mercados de produtos agrícolas brasileiros.

Estes foram os pontos mais significativos da discussão. Não houve tempo para um mais detalhado debate. Pois, vivíamos nos tempos FHC. Neoliberal. O então presidente impôs o uso dos transgênicos. Usando de MP deu plenos poderes a CTNBio. Que aprovou seu uso. Os contras foram chamados de dinossauros. A Monsanto venceu.

Temos plantações de transgênicos. Consumimos transgênicos. E “especialistas” atuais afirmam que o aumento do índice de câncer é devido a estarmos vivendo mais. Só devido a isso. Será que, a partir dos estudos realizados pela revista, eles irão rever seus conceitos sobre a origem do aumento dessa doença tão devastadora?

E, atualmente o que sabemos é que houve uma diminuição na plantação de transgênicos por parte dos americanos. Eles já não têm tanta certeza na sua eficiência. A fome se dá mais por desperdícios de alimentos, por parte dos ricos, do que pela baixa produção. Que produtos agrícolas não devem ser encarados como mercadorias.

Está aí mais uma herança da prepotência dos tempos de Fernando Henrique Cardoso.

Por que será que o ex-presidente, um cientista, liberou de forma abrupta a plantação do OMG?

Necessitamos urgentemente rever conceitos.

A inocência e a “A Inocência dos Mulçumanos”.

“Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram, mas a areia é quente, e há um óleo suave que eles passam nas costas, e esquecem” – Carlos Drummond de Andrade.

O filme “A Inocência dos Mulçumanos” é um insulto ao profeta Maomé e ao Islã. E Apenas isso. Não é artístico. O roteiro é péssimo. Atores medíocres. Cheio de clichês. E se a intenção foi fazer graça, passou longe. De um diletantismo que chega a chocar.

Em certos aspectos recorda, me desculpe a turma do “Casseta e Planeta”, o quadro “No cafofo do Osama”.  Evidentemente que sem a sutileza, a graça, o profissionalismo e o objetivo do programa humorístico.

Montagem simplória que poderia muito bem ter sido feita por pessoas inconsequentes que, deslumbrados com a própria condição social, se achando muito engraçados e acima do bem e do mal, falam o que bem entendem e agem com prepotência.

O filme é tão carregado de ódio, preconceito e racismo que mesmo quem não conhece a língua inglesa entende perfeitamente a mensagem.  Maomé, para o diretor, é um aproveitador, pedófilo, assassino e mau caráter. E que Cadija, sua mulher, é a verdadeira guia espiritual do islã.

O que se poderia esperar, então, diante dessa ofensa explicita aos mulçumanos? No mínimo revolta e repúdio. Do povo. E foi o que aconteceu. Pois, governantes e clérigos, até agora, não se manifestaram. Ou melhor, a secretária de estado Hillary Clinton, apesar de achar repugnante o filme, disse: que nos Estados Unidos “pessoas que expressam seus pontos de vista não são presas”.  Ou seja, não esperem nada do governo norte americano.  Dois pesos, duas medidas. Vários árabes ou descendentes foram detidos neste país somente por emitir, ou não, seu ponto de vista. Tolerância zero.

Bem, quando o dueto “omissão e intromissão” são usados ao bel prazer, e exclusivamente, pelos norte-americanos o ódio explode. E se transforma em violência. Resultado: embaixadas depredadas. Mortes. Inclusive do embaixador americano na Líbia, Chris Steven.  A fúria se espalha pelo mundo árabe.

Alguns ainda acreditam que os árabes exageram. Será? Experimente trocar a palavra Maomé por Jesus Cristo, islã por cristianismo e mulçumanos por cristãos neste artigo. Ou, assista ao filme imaginando essas trocas de nomes propostas. Qual a sua sensação ou desculpa?

Por nada de ofensa já tivemos verdadeiras expressões artísticas proibidas no Brasil. “Je vous salue, Marie”, de Jean-Luc Godard, proibido em 1985. Joãosinho Trinta, no desfile carnavalesco de 1989, teve seu Cristo crucificado proibido.

Agora, resta saber o que os autores pretendiam? Que os mulçumanos desistissem de sua religião? São quinze séculos de amadurecimento, de discussões, de estudos e crenças. O profeta sublimou. Ele é a síntese de diversos valores. Extrapolou a compreensão humana. Não há como atingi-lo ou transfigurá-lo. Não será essa trupe a desacreditá-lo.  Nem outra. Não somos o ápice da intelligentsia.

Pretendiam provocá-los? Conseguiram. Então ponham as várias mortes e depredações na conta dos produtores do filme.

Queriam provar que os islâmicos são inocentes na sua crença? Erraram. De inocente eles não têm nada. Sabem exatamente quem são os culpados de seus dissabores e medos. Quem tenta, de todas as formas, submetê-los. Quem os humilha, mesmo quando se mostram amigos.

Querem mostrar que também são ultrarradicais? Conseguiram. E, como qualquer atitude ultrarradical ela se mostra desastrosa. E estúpida.

E, como senão bastasse, para por mais lenha na fogueira, a revista francesa Charlie Hebdo publicou na capa uma charge sobre Maomé.  Aliás, mais uma. Editor oportunista. Ícone do capitalismo. Aproveitou o momento para alavancar as vendas. Por conta disso a França resolveu fechar suas representações em alguns países. Teme a onda de protestos.

Como se pode ver: a inocência está morta e enterrada. Há muitos anos. Infelizmente.

Manifestação e Eleição.

Sexta-feira, dia 13 de setembro de 2012, amanheceu com o trânsito congestionado em diversos pontos. Para quem mora na cidade de São Paulo isto não é novidade. Acontece sempre.  O que chamou a atenção, e enervou o motorista, foi um engarrafamento que não estava no programa. Fugiu da normalidade. Da rotina, digamos.

Um protesto de cidadãos por moradia interditou o chamado Rodoanel por mais de uma hora. O principal objetivo desta rodovia é retirar os caminhões da área metropolitana, diminuindo consequentemente o trânsito da cidade, interligando as principais estradas que chegam à capital.

A fila de carros e caminhões parados chegou a 10 Km. Foi um teste de paciência. E de impotência. Alguns usuários buscavam se livrar desta angústia dirigindo na contramão.  Vã tentativa.  Nem pra frente, nem pra traz.  Quem leu “Não Verás País Nenhum”, do escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão, com certeza se sentiu no próprio engarrafamento descrito pelo autor.

Porém, diferentemente do que acontece no livro, havia uma esperança para aquela gente presa no trânsito.  A polícia. Ela resolveria rapidamente o problema. Era só chegar, e com a costumeira educação e civilidade que lhe é peculiar, eles poriam fim à manifestação.

No entanto, os minutos passavam. E nada de polícia para solucionar aquele problema social. Os noticiários matutinos mostravam as imagens do movimento. Colocaram fogo pra bloquear o fluxo, informavam. Havia um caminhão de som. Muitos manifestantes. Bandeiras vermelhas desfraldadas.

As horas passavam. E, cadê a PM, os bombeiros? Geraldo Alckimin! Onde estás que não responde? Será que ele não estava sabendo do caos no rodoanel? Será?

Em outros eventos parecidos com este. E pelos mesmos motivos, a resposta das autoridades foi rápida. Bomba, cassetete e bala de borracha. Pronto. Fim do transtorno. Por que eles não tiveram a mesma atitude?

Ano de eleição é problema.  O José Serra, no pleito de 2010, aproveitou que lhe atiraram uma bolinha de papel e tentou capitalizar o fato. Foi para o hospital quase em coma. Foi a turma do PT. Esses assassinos, baderneiros. Bradavam a tropa do PSDB. Religiosos já lhe davam a extrema-unção. No fim sobreviveu. E continuou firme, rumo à derrota.

Bem, isso são acontecimentos passados. Voltemos ao engarrafamento. Como se vê, pelo histórico do PSDB e de José Serra, não é de se estranhar que o governador tenha segurado a sua policia de propósito.

Eles sabem que qualquer manifestação popular está, no imaginário do cidadão , automaticamente ligado ao PT. Então, é lícito pensar que estes senhores usaram politicamente o evento para angariar votos. Olha só a bagunça em que vai se transformar  São Paulo se o Haddad vencer, alertam. Vivem do ódio e do medo.

Só que passaram do ponto. E o leite ferveu. Pois, as providências que se faziam necessárias demoraram tanto, mas tanto que os manifestantes foram embora. O fogo se apagou. Os obstáculos foram retirados. E a tropa de choque e os bombeiros não chegaram.

Foi mais um ato de total descaso com a população por parte de nosso governante mor. Uma covardia. Concordam?

Amazônia Adentro, o documentário.

Para quem se interessa pelas coisas da floresta amazônica. Seus povos, suas lutas e histórias fica uma dica: “Amazônia Adentro”. Documentário produzido por Edilson Martins, jornalista e escritor acreano.

De forma harmônica são citados vários episódios marcantes. Como o genocídio dos índios na construção da BR-174, os Waimiri-Atroari. Mostrado na mídia da época, década de 60, como uma tribo extremamente violenta e brava. E, após, o seu quase extermínio, viu-se que não eram tão bravos assim. Certamente destemidos. Com intuição agudíssima, não permitiram que o mundo civilizado interferisse no seu modo de vida.  O isolamento e a luta foram suas armas. Não bastavam contra bombas atiradas contra suas aldeias. Foram amansados. Viva a civilização ocidental.

O problema do desmatamento.  E, de que maneira se dá o embate entre quem sabe manusear  e viver de forma integrada com a floresta, sem destruí-la ou feri-la, e a civilização que, com a força tecnológica e através da violência, tenta impor o jeito capitalista de ser.  E, obviamente quando se fala na batalha travada entre o homem da floresta e os civilizados é obrigatório falar sobre Chico Mendes.  Sua luta e sua morte.

Como e quando o Acre passou a fazer parte do território brasileiro. Entende-se por que Evo Morales, presidente boliviano, levantou recentemente a questão acreana. Reivindicando o pagamento prometido pelo então ministro das relações exteriores, barão do Rio Branco, de 2 milhões de libra esterlinas ou a devolução do território.

O projeto Jari. O sonho ou devaneio do bilionário Daniel Ludwig de implantar fábrica de celulose. Implantar mesmo. A fábrica foi construída no Japão e rebocada totalmente montada para o Brasil. E o contraste entre o capitalismo e seu subproduto, a miséria. Separados apenas pelo rio Jari encontra-se de um lado a fábrica de Ludwig e do outro o munícipio de Laranjal do Jari. Uma grande favela. Considerado o maior centro de prostituição do país.

A biodiversidade ameaçada e a importância da floresta para manutenção da vida não são esquecidos.

A expedição de nazistas, na década de 30 do século XX, está lá. Diziam que eram científicas. A grande maioria acredita sim em espionagem. Vale como história. O que evidência é o eterno interesse de outros países pela região amazônica. Podemos lembrar que até nos dias de hoje temos uma reserva indígena batizada com o nome de Roosevelt, ex-presidente americano. Um acinte.

Fica claro que a civilização necessita rever seus valores. Compreender a relação que existe entre a natureza e o ser humano. Respeitar mais quem nunca o desrespeitou. Enxergar o outro não como um inimigo. Mas como um outro que tem direito à vida digna.

O planeta é um todo. Um único. Esses senhores do mundo civilizado talvez acreditem que podem criar a segunda natureza.  O eldorado dos dias de hoje.

A Amazônia é uma escola. Aprendamos com ela e seus habitantes. Amazônia Adentro.

Para quem se interessar este documentário encontrasse no youtube.

Corrupção, STF e a manipulação da mídia.

O STF atualmente julga o caso dos “Mensaleiros”.  São políticos, banqueiros, publicitários envolvidos num grande esquema de corrupção. O maior beneficiado? O governo do presidente Lula, do PT.

Os chefes da suposta quadrilha seriam: José Dirceu, José Genoino e Roberto Jeferson.  O articulador, Marcos Valério.

É uma história já amplamente divulgada.  É justo punir culpados. O desvio de dinheiro público é um dos crimes mais antigo da humanidade.

Em São Paulo o primeiro caso de corrupção data do século XVI, quando o povoado foi elevado à condição de vila. Na construção do que seria a câmara de vereadores houve o superfaturamento dos tijolos.

Então, como se pode notar, a corrupção no Brasil já vem de longa data.  Para relembrar, vou citar e não detalhar alguns escândalos que aconteceram em governos passados. Vamos a eles.  Muitos irão recordar.

Governo João Baptista Figueiredo-(1979-1985) Anistia de 1979.

Caso Capemi, caso do Grupo Delfim, caso Brasilinvest, caso das polonetas e etc.

Governo José Sarney 1985-1990
Escândalo do Ministério das Comunicações (grande número de concessões de rádios e TVs para políticos aliados ou não ao Sarney, caso Imbraim Abi-Ackel, escândalo do Contrabando das Pedras Preciosas e etc.

Governo Collor (Fernando Collor de Mello) (1990-1992)

Escândalo do INSS, caso do FGTS, caso da Eletronorte, Esquema PC, caso da Merenda, caso da Vasp e etc.

Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003).

Escândalo do Sivam, Pasta Rosa, BNDES, da Compra de Votos Para Emenda da Reeleição, Precatórios, da Telebrás, dos Medicamentos (grande número de denúncias de remédios falsificados ou que não curaram pacientes), venda da Companhia Vale do Rio Doce, da Sudam, da Sudene, abafamento das CPIs no Governo do FHC e etc.

Não escrevi sobre os escândalos do governo Lula porque eles estão em evidência até agora.

Não houve punição, condenação.  Abafaram todos esses eventos.  Acobertaram todos os corruptos.

Agora, no entanto, a mídia trata este julgamento como um marco. De maneira veementemente. Do modo como falam e informam os passos desse processo fica a certeza que a corrupção só passou a existir depois do governo do PT. Antes era um mar de rosas. De ética e de lisura.

Essa mídia é golpista. É tão forte a campanha contra o governo federal, nos meios de comunicação, que os ministros do supremo se sentiram acuados. Ou julgavam ou seriam execrados.

Atentem para  a capa da Veja.

Reparem na frase: “o Brasil reencontra o rumo ético: volta a saber distinguir o certo do errado”. Percebam a sentido da palavra grifada. E tirem suas conclusões.

Do que será que o governo federal tem medo que não bate de frente com essas mídias?