Israel e o povo palestino.

Antes da invasão, por terra, dos exércitos israelitas em Gaza foi declarado cessar-fogo. Morreram 200 palestinos ou mais e 6 israelenses. Foi comemorado com júbilos pelo povo palestino e com alivio pelos israelenses. É um cessar-fogo temporário, como afirmou o primeiro ministro Benjamin Netanyahu.

O Hamas, grupo que controla a faixa de Gaza, cantou vitória e segundo seu porta –voz, Sami Abu Zuhri: “As massas que foram às ruas para celebrar enviaram uma mensagem para o mundo de que Gaza não pode ser derrotada”.

A tensão continua e vai perdurar até que se encontre uma solução definitiva para região.

O povo palestino luta por liberdade, dignidade e respeito. Afirmação e reconhecimento como nação.  Politicamente deseja a devolução de áreas tomadas, recentemente, pelos colonos judeus. E a Criação de um estado soberano.  Esses pontos eles deixam bem claros nas negociações. Israel não mostra a mesma clareza.

Os palestinos já demonstraram sua insatisfação com a situação. Tentaram, e tentam, de várias maneiras chegar a uma solução. Até o momento atual usaram de todos os meios disponíveis conhecidos. Foram violentos. Pacíficos. Promoveram intifadas. Atos de sabotagem. Foram diplomatas. Fizeram greves. Cometeram Suicídios. E imolação.

Seus lideres entabularam conversação com todos os países com influência na região. Notadamente os EUA, grande aliado de Israel. Em 1992, Yasser Arafat e Yitzhak Rabin assinaram um termo conjunto de Declaração de Princípios Israelense-Palestino, em Washington, sob a supervisão do então presidente Bill Clinton. Ganharam o prêmio Nobel. Mas de solução concreta nada.

Em 2000 aconteceu o que chamam de segunda intifada, a primeira foi 1987. Revolta provocada após visita de Ariel Sharon a  Esplanada das Mesquitas/Monte do Templo, em Jerusalém.  Foi uma visita provocativa. Acintosa mesmo.  Havia na ocasião mais de 1000 palestinos reunidos em torno da Esplanada. Este senhor chega com arrogância e truculência, cercado de seguranças, e desafia os que lá estavam, passeando no meio deles . Com aquele ar de que o dono chegou.

Em tempo. Ariel Sharon é o sombrio personagem acusado de omissão e facilitação no caso do massacre de Sabra e Chatila, ocorrido em 1982. Calculem o ódio que os palestinos sentem por ele.

Como se nota todos os esforços possíveis foram feitos pelos palestinos. O mesmo não acontece do lado Israelense.

Percebam que a cada ano de eleição o governo de israelita provoca um conflito. E faz ameaça de guerra. Desculpem, guerra não, genocídio é o termo certo. O Hamas é utilizado por eles como cabo eleitoral, moeda de troca do partido que está no poder em Israel.

Desviam deliberadamente o real motivo do conflito. Geopolítico. Atualmente o que mais enfatizam é o lado religioso. Judaísmo versus islamismo.

Ou se apegam em casos pontuais para justificar o estado contínuo de beligerância. Uma pedra acertou o rosto de um cidadão israelense. Um soldado foi sequestrado. Ou foguetes que, em sua grande maioria, atingem áreas desabitadas.

E quando tudo falha recorrem ao antissionismo. Querem destruir o estado de Israel.

O estado de Israelense foi criado em 1948, num momento de comoção mundial. O povo judeu afinal, foi vítima de um dos maiores programas de extermínio. O holocausto.

O mundo compadecido apoiou a criação do país incondicionalmente, sem pensar nos outros habitantes da região. E nas suas consequências.

Mas, apesar das guerras posteriores (árabe israelense e guerra dos seis dias) à sua fundação não precisavam expulsar os palestinos, também habitantes dessa região.  Pois, antes da existência de Israel no território conviviam judeus e árabes em perfeita harmonia. A mesma convivência pacífica que existe aqui no Brasil. Expulsá-los e confiná-los numa faixa foi um crime.

É visível que a uma nação não se faz alicerçada no preconceito, racismo e ódio. Se não, como está acontecendo, correm o risco de passar a vida toda sob o domínio do medo. Faltou para o povo judeu um Nelson Mandela. Um líder tranquilo, com coragem e com visão de futuro.

O governo de Israel deixa patente que é contra a criação de um estado palestino. E também não consente o livre trânsito dos habitantes da faixa. Controla entrada de alimentos. De remédios. De água.  Não permite a construção de aeroportos e de portos. Impõem constantes embargos.  Levantam muros. Fazem constantes ameaças. Encareceram crianças, por arremessarem pedras, durante anos, sem julgamento.

A faixa de Gaza é a região com maior densidade demográfica do mundo.

Então, diante desse quadro fica a pergunta: o que Israel quer? O que pretende? O que espera do povo palestino?

Israel deseja o extermínio dos palestinos? Encarcerá-los eternamente? Torná-los escravos? Conformados? Submissos? Que desapareçam?

Como dito logo no início do artigo pelo porta-voz palestino “Gaza não pode ser derrotada”. Mas pode ser massacrada. Como está acontecendo.

Massada, orgulham-se os judeus, não foi derrotada. Antes da tomada da fortificação pelos romanos todos seus habitantes cometeram suicídio. Será que o governo de Israel espera uma atitude desta dos palestinos? Entrar em Gaza e só encontrar corpos?

O povo judeu tem mais de 5000 anos de história. Contribuíram muito para o desenvolvimento da humanidade. Nos deram grandes artistas, cientistas, pensadores e pacifistas. Não é possível que queiram manchar de sangue uma história tão espetacular.

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A mídia e o medo da esquerda.

Qual o motivo da esquerda brasileira ter tanto medo da Globo, da Veja, da Folha?

Como se diz: eles deitam e rolam.  Todos os dias há escárnio de alguma situação ou de alguma personalidade política. Se prevalecem da liberdade de expressão para ocultar a verdadeira intenção: manipular “corações e mentes”.  Pegam a parte pelo todo. Fermentam e distribuem suas heresias como se fosse a mais cândida análise.

Citam os mais baixos chavões da época da guerra fria, insinuam que: comunista come criança, socialista é criminoso, vagabundo e perdulário. Que os esquerdistas querem dar o golpe e transformar o povo em escravo.

Os jornalistas, de quem se espera o mínimo de sensatez e lisura, usam palavras grosseiras e idiotas para se referirem a uma autoridade.

O GLOBO apoiou o golpe de 64. A Folha emprestou seus carros para os agentes da ditadura. A Comissão Nacional da Verdade irá investigar a participação destes meios nos crimes de tortura? Ou também não terá coragem de peitá-los?

O Jornal Nacional investiu 18 minutos falando sobre o mensalão. Foi um investimento e tanto. Quanto custa 18 minutos da TV no horário nobre? E tudo para tentar emplacar o Serra, ou derrubar o PT, aqui em São Paulo. O ministro das comunicações diante deste disparate disse que achou estranho e esta de olho nesse estranho comportamento. Morre aí.

A Globo editou, de maneira inescrupulosa e covarde, o debate entre Collor e Lula.  Roberto Civita prometeu derrubar o governo Lula e agora a Dilma. O STF foi pressionado pela mídia na ação penal 470.

O projeto dessa imprensa é desconstruir a imagem de estadista do ex-presidente Lula. O respeito internacional que ele adquiriu. Destruir e ridicularizar.

E por que o governo e os partidos da esquerda ficam quietos? Do que vocês têm medo?

O PT ganhou a eleição para presidente. Lula teve que passar por um vestibular. Fazer conchavos com Deus e o Diabo. Paz e amor. Mas não se enganem. Essa elite conservadora apenas o atura. Esquerda brasileira vocês nunca farão parte do seleto clube da seleta elite.

Os que mandam têm ódio de vocês. Os paus- mandados também. Então, do que você tem medo?

Não desperdicem a oportunidade que lhes foi dado no voto e nas condições internacionais. Talvez seja a única. Outro Lula será difícil aparecer.

Fortaleçam definitivamente a democracia no Brasil. E em todas as camadas de nossa sociedade. Diga não ao monopólio da mídia. Não é possível a Globo ter 60% da publicidade no país. Tem algo errado. Muito errado.

Os metalúrgicos do ABC enfrentaram a ditadura com suas greves nos anos 70/80. Lula não se vendeu aos partidos da época. Fundo seu próprio partido, o PT.

Então, do que vocês têm medo?

Para o filósofo Martin Heidegger (1889-1976), “o medo nos convida a viver na impropriedade, não atribuímos sentido, deixamos que os outros e as circunstâncias o atribuam, nos alienamos de nós mesmos, vivemos sempre correndo, com nossas agendas cheias de distrações que nos ocupam. Vivemos num sentido impróprio que não aponta em direção alguma, como uma finalidade sem fim.”

É dessa maneira que a esquerda esta se comportando, imprópria.  Senão atribuírem sentido a vocês. A mídia atribui. E não será boa.

O medo nos permite viver. Nos ajuda a crescer. Porém, o medo sem fim nos leva ao desaparecimento. Tem que ter coragem e enfrentar. Como já disse: é uma grande oportunidade. Não joguem fora.

O que está em jogo é a lisura dos julgamentos.

O que está em jogo com a ação penal 470, pelo STF, não é exatamente e unicamente o processo e o final em si. Os réus foram considerados culpados. Nada demais, se existe culpabilidade tem que haver punição. É algo que não se discute. Porém o que se questiona é se realmente houve a decantada imparcialidade da justiça. Se realmente ela foi baseado em provas incontestes. Se os réus tiveram direito a ampla defesa. Se todos os trâmites jurídicos foram cumpridos. Se não foi casuísmo. Se não foi motivado por preconceito e ódio, que uma parte da elite nutri pela esquerda de um modo geral, e pelo PT em particular. Eis a grande questão.

O Partido dos Trabalhadores lançaram uma nota, dia 14 novembro, justamente levantando pontos importantes sobre a condução do processo e a condenação de seus filiados.

Segundo o comunicado o “STF não garantiu o amplo direito de defesa”, pois o supremonegou aos réus que não tinham direito ao foro especial a possibilidade de recorrer a instâncias inferiores da Justiça. A Constituição estabelece, no artigo 102, que apenas o presidente, o vice-presidente da República, os membros do Congresso Nacional, os próprios ministros do STF e o Procurador Geral da República podem ser processados e julgados exclusivamente pela Suprema Corte. E, também, nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os ministros de Estado, os comandantes das três Armas, os membros dos Tribunais superiores, do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática em caráter permanente”.

Ainda, “O STF deu valor de prova a indícios”, ou seja, “À falta de elementos objetivos na denúncia, deduções, ilações e conjecturas preencheram as lacunas probatórias”. Usaram e abusaram de palavras como “é plausível”, “é lógico”, “não é possível” e outras. Deduziram que havia preparação para um gole de estado, conforme pronunciamento do ministro Ayres Brito.

O domínio funcional do fato não dispensa provas, conforme nota. A teoria do Domínio do Fato foi muita citada por Joaquim Barbosa para fundamentar a condenação José Dirceu.  Seu autor é o teórico Claus Roxin que em entrevista na Folha do São Paulo afirmou que: “Quem ocupa posição de comando tem que ter, de fato, emitido a ordem. E isso deve ser provado”. Só que no caso o ministro Barbosa simplesmente ignorou a parte do tem que ser “provado”.  Manipulou como bem quis a teoria.

Ou talvez ele tenha se baseado e alguns dos muitos exemplos que pipocam na internet, algumas como piada, outras sérias. Tipo: não precisa provar que o fogo queima. Que a água molha. Que um homem escondido no armário e a mulher nua na cama transaram. Que a bola é esférica. Que o coração bate.  Que o filme “Minority Report” está certo. E outras tantas aberrações sem noção.

O ministro Lewandowski já tinha advertido seus pares sobre a leitura distorcida e parcial que estavam dando a essa teoria. Foi ignorado. E ridicularizado por parte da sociedade.

No comunicado afirmam que o STF fez um julgamento político. O tribunal esteve sob “intensa pressão da mídia conservadora—cujos veículos cumprem um papel de oposição ao governo e propagam a repulsa de uma certa elite ao PT – ministros do STF confirmaram condenações anunciadas, anteciparam votos à imprensa, pronunciaram-se fora dos autos e, por fim, imiscuiram-se em áreas reservadas ao Legislativo e ao Executivo, ferindo assim a independência entre os poderes.”.

Não resta dúvida que grande parte da mídia estourou champagne em comemoração ao resultado. Que agora chegou o momento da humilhação. Prisão de segurança máxima. Algemas. Escárnio. Passaportes retidos.

O que resta então aos condenados fazer? Pedir asilo é uma saída. Acionar o STF junto a OEA, ONU. Escancarar a democracia ateniense a que os brasileiros estão submetidos. Democracia que um operário ousou enfrentar.

O que está em jogo é a lisura. O fortalecimento de nossas instituições. É a confiança na justiça. No congresso. No executivo.

As portas estão abertas para os desmandos da elite. O gran finale dessa comédia está pronta. Expurgar a figura máxima, Luis Inácio Lula da Silva. Condená-lo ao ostracismo.

No entanto, agora podemos processar e condenar muitos generais e oficiais da época da ditadura. Os coronéis pelos massacres. Muitos ex-presidentes. Governadores. Delegados. Pessoas que financiaram a tortura e outros mais.

Podemos, também, condenar pais pelos atos de seus filhos. Empresários pelas atitudes de seus funcionários. Donos de mídias pelo que seus jornalistas escrevem.

Com este procedimento do STF, 95% dos cidadãos ficaram vulneráveis a injustiças. Negro correndo, fugindo da polícia. Branco, fazendo exercício. É lógico.

Crise espanhola e o suicídio de Amaia Egaña.

A crise econômica na Europa continua a fazer vítimas. Espanha e Portugal estão em recessão.  A Itália anda flertando com essa senhora inescrupulosa.

A população protesta contra as medidas de austeridades adotadas pelo governo. Os “belos” economistas apressam-se em explicar o porquê de tais providências. Ameaçam com o apocalipse, com o fim do mundo caso as dívidas não forem honradas.

Em particular, na Espanha a taxa de desemprego beira os 25%, um quarto da população ativa. É evidente que, com o passar do tempo, os desempregados irão perder a capacidade de pagamento. Aos poucos entrarão para o clube dos inadimplentes.

Os credores, dentro do direito estabelecido pela sociedade, cobram o pagamento. Cobram até o limite do que eles consideram suportáveis. E, finalmente, quando se esgotam todos os meios de negociação, pegam a mercadoria de volta. Prejuízos não podem ter.

A mercadoria é qualquer coisa que possa ser vendida e dela ser tirado o lucro. Pode ser um jogo de panela, um carro, uma moto, uma bicicleta, uma televisão, um sofá, um animal de estimação ou uma casa. Tudo está no mesmo saco.

O capitalismo, como Midas, transforma tudo que toca em mercadoria. Até substantivos abstratos, como o amor, a benevolência, a gentileza. Não há fronteira para suas garras.

É o seu grande erro. Capitalistas, nem tudo é mercadoria.

Para não nos tornarmos reflexivos ou filosóficos demais vamos nos ater ao concreto.

Uma habitação não pode ser considerada como objeto de comércio. E como tal ser tratada. Porque, para quem nela habita paredes e telhados se transformam em lar.

Se a família é considerada o núcleo da sociedade, a casa é o núcleo de uma cidade. Tem primordial função social. O cidadão, nela, cria raízes. Carinho. Para os moradores significa segurança, conforto e tranquilidade. Ele sabe que quando sair terá para onde voltar. É a sua referência. Portanto, não é justo, muito menos prudente, credores simplesmente pega-la de volta. Despejar seus habitantes.

A pessoa perde seu chão. Fica sem eira nem beira. Chegando a medidas extremas. Ao suicídio.

Foi o que fez a espanhola Amaia Egaña, de 53 anos. Na sexta-feira última, diante dos oficiais de justiças que estavam ali para cumprir a ordem de despejo, desesperada pulou do seu apartamento. O suicídio foi o jeito encontrado, por ela, para protestar contra a violência autoritária.

Uma observação. Para Freud não há suicídio sem o desejo reprimido de matar alguém. Quem será que ela gostaria de matar naquele momento?

Bem, este ato teve repercussão por toda a Espanha. Gerando nova onda de manifestações.

E, como num passe de mágica, o governo lembrou que existe um povo espanhol.  Que o sacrifício e compreensão que as autoridades pedem da população, eles não estariam pedindo dos banqueiros e dos investidores.

Num primeiro levantamento foi constatada a existência de 400 mil moradias desabitadas, por ordem judicial. Ou seja, os bancos retomaram 400 mil habitações por falta de pagamento.

Diante deste absurdo o governo negociou uma trégua com os credores. Atitude correta. Pena que para Amaia Egaña esta trégua chegou tarde demais.

Por enquanto, a moderação nos despejos é uma promessa. Portanto, espanhóis, fiquem em alerta máximo. Pois, um dos representantes da tróika anda sobrevoando seu país. Angela Merkel esta semana foi verificar a quantas andam a economia espanhola.

Se acatarem o mesmo modelo econômico imposta aos gregos… Sei não, é melhor começarem a aprender falar a língua dos futuros donos, o alemão.

Premio Innovare, Globo e o Tribunal de exceção.

O julgamento da ação penal 470, codinome mensalão, chegou ao seu final. Os réus foram considerados culpados pelo desvio de verbas públicas para compra de apoio de deputados do congresso.

Finalmente, dirão os mais precipitados, a sociedade pode sentir-se orgulhosa, vingada pelos anos de descalabros. Pois, pela primeira vez atos de corrupção foram levados a julgamento. E os culpados punidos. Alma lavada. Coração aliviado.

A democracia e o estado de direito prevaleceram.  As instituições democráticas triunfaram. Delinquentes do passado, do presente e do futuro os seus dias estão contados, gritarão muitos diante do ineditismo desse processo.

No entanto ficou aquela sensação de que está faltando algo. As pessoas ficaram “com a pulga atrás da orelha”. Este foi um julgamento justo?  Cadê as provas? Aquelas provas contundentes, que desmascaram o criminoso. Onde estão?

Pode-se, então, condenar sem as tais provas robustas? E a Carla Cepollina, acusada de matar o ex-coronel Ubiratan Guimarães, não foi inocentada por falta de provas? Não estava na “cara” que ela era a assassina? Não é lógico que foi ela? Como pode ser um peso duas medidas? E se fosse políticos de outros partidos? O tratamento seria igual?

Este sentimento de desconfiança irá perdurar por muito tempo entre os cidadãos. Pois, os ministros, que deveriam se basear unicamente nas leis, usaram e abusaram de conjecturas e de expressões subjetivas. É plausível que. É lógico que. Não é possível que.  Ayres Britto lucubrando sobre a preparação de um futuro golpe de estado.  Conversa de boteco. A maneira como foi conduzido essa ação penal leva a crer que não houve julgamento e sim linchamento.

O que está sendo julgado agora é o próprio STF. Os ministros aturam com a necessária imparcialidade? Este tribunal pode ser considerado de exceção?

Bem, pela rapidez no trato com a matéria e decisões tomadas, sem o lastro de provas cabais, este julgamento pode ser enquadrado, sim, como de exceção.

Segundo a revista “Âmbito Jurídico” Tribunal de Exceção é aquele instituído em caráter temporário e/ou excepcional. Tal corte não condiz com o Estado Democrático de Direito e/ou dentro de qualquer Estado, motivo pelo qual é mais comum em estados ditatoriais.

O tribunal de exceção não se caracteriza somente pelo órgão que julga, mas, fundamentalmente, por não ser legitimado pela própria Constituição para o regular exercício da jurisdição. O tribunal de exceção é uma farsa judicial.

De acordo com o art. 5º inciso XXXVII da Constituição Federal de 1988, não haverá juízo ou tribunal de exceção.

Há outra razão para desconfiarmos da legitimidade do tribunal. A mídia (Globo e a VEJA, principalmente) foi acusada de pressionar, influenciar e direcionar as decisões do STF.  Ou seja, os ministros se comportaram como a grande imprensa desejava. É notório o ódio que a elite e esses meios de comunicação sentem por tudo e todos que não rezam na sua cartilha. Além do quê, esta parte mórbida da sociedade esta acostumada a manipular mentes e corações.

E, se havia alguma suspeita sobre a relação promíscua Elite, Globo, Veja e STF esta foi desfeita recentemente.

Durante a entrega do prêmio Innovare o ministro Ayres Brito recebeu homenagem especial.

Conforme Antônio Cláudio Ferreira Netto, diretor do Instituto Innovare. “Não há como não reconhecer em sua atuação algo inovador que areja e torna o judiciário mais próximo da sociedade”.

Sem dúvida alguma, ele fez “algo inovador”. Transformou o tribunal numa arena de gladiadores. Criou uma nova jurisprudência.  Expos o STF e a democracia brasileira a questionamentos internacionais. Alavancou a audiência do Jornal Nacional e a venda da revista VEJA. Deixou claro, ainda, para a sociedade que: quem pode, manda.  Quem não pode, obedece. Que, dependendo da origem dos fatos, cada caso é um caso. O resultado depende de quem está sendo julgado.

O presidente do supremo dá vida a um dos artigos escrito no livro “Revolução dos Bichos”, de George Orwell: “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”.

Para exemplificar. O ministro Joaquim Barbosa quando perguntado sobre o tratamento que o supremo daria ao caso do mensalão mineiro. Deu um sorriso amarelo. Desconversou e foi embora. Este mensalão envolve gente do PSDB.  Marcos Valério está envolvido e usou o mesmo modus operandi.  Este não será julgado.

Retornando. O prêmio é uma iniciativa do Instituto Innovare, Ministério da Justiça, associações e tem o apoio das Organizações Globo. Não há como não imaginar: é a típica homenagem dada a um obediente subalterno.  No troféu bem poderia estar escrito: “operário padrão”, “funcionário do mês”, “melhor aluno da classe” ou “pelo bom comportamento”. Coisas do gênero.

Diante desse cenário, e após receber a homenagem, disse: “O judiciário precisa mesmo se dotar dessa coragem de assumir a sua independência para ser aquilo que ele efetivamente é, um poder da República que, se não governa, impede o desgoverno”. Belas palavras, para a primeira aula, do primeiro semestre, de um curso qualquer de Direito. E só.

Porém, o Ayres Britto não esta sozinho na prepotência e no acinte. No lançamento do livro “O País dos Petralhas II – O Inimigo Agora é o mesmo”, de Reinaldo Azevedo, estava presente outro ministro do Supremo, Gilmar Mendes.  O comparecimento deste juiz no evento esta carregado de simbolismo. Podemos traduzi-lo como um gesto de concordância: o inimigo é o mesmo, o PT.  Então, a defesa dos réus deveria questionar a competência de Gilmar no julgamento. Não o fizeram. Ou irão fazer.

A Globo, sempre preocupada com a imagem do Brasil e por via indireta, solicitou ao tribunal a detenção dos passaportes de todos os condenados. Alguns deles, noticiou nos telejornais, haviam viajado ao exterior. Apesar de voltarem era preciso evitar a fuga desses marginais. Imagine se eles fizessem igual ao Cacciola ou ao Roger Abdelmassih.

Actore non probante, reus absolvitur. Não foi o caso.

Intolerância religiosa.

Estes fatos aconteceram no dia 29 de outubro de 2012, na câmara de vereadores de Piracicaba, interior de São Paulo

Na abertura da sessão o presidente da câmara, João Manoel dos Santos, mandou que todos ficassem em pé, pois ele iria ler um trecho da bíblia. O servidor público Régis Monteiro, se em sinal de protesto ou não, permaneceu sentado.  João Manoel não gostou da atitude do cidadão e pediu para que fosse retirado do recinto. A polícia ergueu-o pelos braços e cumpriu o que sua excelência ordenou. Outro ouvinte, de nome Guilherme, também foi expulso. Motivo?  Filmou o acontecido.  E, segundo outro vereador, ele não tinha permissão para filmar.

Entre tantas, esta foi mais uma arbitrariedade e uma violência cometida em nome de um Deus, no caso o cristão.

Precisamos lembrar a estes vereadores, e a muitos outros, que o Brasil é um estado laico. Não há religião oficial. O estado deve garantir o respeito entre as religiões e combater a intolerância. E a câmara é um local público. Tem que está aberto aos munícipes em geral. Independente da cor, credo ou condição social. E a todos respeitar.

Deste evento lastimável podemos extrair uma lição. Ou seja, o verdadeiro significado da palavra IGNORÂNCIA. Ainda, a truculência usada mostra a falta de sensibilidade em relação ao outro e suas diferenças.  E, o presidente da câmara afirmando que continuará agindo do mesmo modo deixa claro a sua falta de reflexão. De autocrítica. Estes são os ingredientes para a formação de preconceito.

E mais, os vereadores de Piracicaba, em 2010, aprovaram a chamada Lei Contra o Candomblé, segundo o blog de Luis Nassif de 17/11/10. Nesta cidade existe um movimento chamado de “Aliança para Supremacia Cristã”. Supremacia? Hitler pregava a supremacia. Ariana. Sabemos bem as consequências de quem prega a superioridade absoluta. Agora, junte-se isto o poder que João Manoel dos Santos tem de disseminar o ódio. Então, tudo leva a crer que esta turma tem a capacidade de influenciar na formação de muitos jovens. Ao estilo dos skinhead.

Por isso, este fato tem que ser combatido por todos os meios disponíveis. Seja através de protestos. Do ministério Público. De não reeleição. De atos de repúdio. De processo. Da polícia. Ou da cassação do mandato. De todos os vereadores que apoiam essa sandice. Tolerância zero.

Pode parecer tempestade em copo d´água. Mas imagine o contrário. O presidente da câmara, mulçumano, antes da cada sessão, obriga todos a se curvarem em direção à Meca e orarem. Com certeza este João Manoel não iria fazer. Gritaria: “não me curvo diante de outro Deus”, “meu Deus é único” e coisas do tipo. Sairia, então, arrastado do plenário se achando um mártir.

Peço desculpa aos islâmicos por usá-los como exemplo. Já não basta o que a mídia ocidental faz com religião maometana. Sistematicamente e continuamente estereotipada. O mal personificado. O radicalismo puro. O fanatismo alucinado. O foco de terroristas. O inimigo a ser derrotado. E vem alguém e põem mais lenha na fogueira do preconceito. Não foi minha intenção.

O islamismo, ao contrário do que alardeiam os radicais de plantão, prega o amor e o respeito a outros credos.

O Brasil não precisa de ódio, de amor é que necessitamos.

A campanha pelo voto facultativo pode estar começando.

No artigo “Lula, o visionário, e o aumento do número de ausentes nas eleições” refleti sobre o destaque dado pela mídia sobre o grande número de ausentes nas recentes eleições para prefeito. Procurei ler nas entrelinhas o que realmente estava escondido por trás de tal ênfase.

Após seguidas derrotas do PSDB a elite começa a questionar o voto obrigatório. Procurando minimizar a derrota de seu candidato em São Paulo a mídia deu destaque para as abstenções.

Praticamente voltou a velha ladainha de que o povo não sabe votar. São os menos esclarecidos. Somados brancos, nulos e abstenções a coligação vitoriosa na verdade não tem representatividade. Só faltou reviver a Regina Duarte e seu medo.

Bem, sobre este assunto li o artigo de Paulo Moreira Leite sobre o mesmo tema. Transcrevo-o na íntegra. Além de brilhantemente escrito, creio que ele matou a charada.

O Mito Desfeito – 30/10 – Revista Época.

“O mais novo mito das eleições municipais de 2012 informa que tivemos um alto número de brancos, nulos e abstenções. Até a presidente do TSE, Carmen Lucia, se disse preocupada com isso.

Como também tivemos um alto número de votos a favor dos candidatos do PT — partido que mais cresceu entre os grandes, tornou-se lider nacional de votos, além de levar o troféu maior que é São Paulo —  é fácil imaginar que há muita gente associando uma coisa a outra. Assim: baixa participação popular, alta votação para o partido de Lula. Nós sabemos aonde essa turma quer chegar, certo?

Querem dizer que a população está se cansando de votar.

E, claro, querem dizer que certas vitórias do PT foram representativas. Como, por exemplo, a de Fernando Haddad.

Ainda bem que existem repórteres interessados em descobrir a verdade por baixo das aparências e do senso comum. Roldão Arruda revela, no Estado de hoje, que o problema não está na vontade de votar — mas no registro eleitoral.

Em cidades onde o cadastro eleitoral não é atualizado, a contabilidade das  ausências produz números maiores. Uma consulta a votação nas capitais mostra isso. Em São Paulo e São Luiz, onde o cadastro não é atualizado há mais de 20 anos, a abstenção bateu em 20% entre os paulistanos e chegou a 22% entre os moradores da capital do Maranhão.

Já em Curitiba, onde o cadastro foi feito há um ano, a abstenção fica em 10%. Os cadastros velhos mantém como eleitores aqueles cidadãos que já morreram, que se mudaram, que já não tem obrigação de votar. “Se todos os eleitores forem recadastrados, a abstenção tende a cair para 10%, soma razoável de pessoas doentes, que viajaram ou que tem mais de 70 anos e não querem mais votar,”afirma Jairo Nicolau, um dos mais respeitados estudiosos do comportamento do eleitor.

A má interpretação dos abstenções animou a turma que combate o voto obrigatório e prentende instituir o voto facultativo.

Há bons argumentos a favor de uma coisa ou de outra mas é bom lembrar que a distribuição de renda favorece o voto facultativo.

Ou seja: nos países onde o voto é facultativo, há uma proporção maior de ricos que comparecem às urnas, por motivos fáceis de explicar. A  pessoa tem  mais recursos, mais tempo livre, mais facilidades de locomoção, mais facilidade para deixar o trabalho e exercer o direito de escolher o governante.

Imagine o voto facultativo no interior de um estado pobre, dominado por nossos coronéis. Bastaria suspender o transporte nos bairros adversários para se ganhar uma eleicão, não é mesmo? Como lembra um leitor: imagine aquele cidadão que não tem folga aos domingos, tradicional dia de eleição, e só poderá escolher o presidente se o chefe lhe der licença. Bacana, né?”.

Como se pode perceber o assunto tem que ser muito bem debatido. Todos os pontos colocados à mesa. Desde locais de votação até tipos de propagandas veiculadas na mídia. As limitações. E como combater as manipulações e interesses escusos. Estes são apenas alguns pontos a serem abordados. Há vários outros.

Voto obrigatório ou facultativo? Qual sua opinião?

Paulo Moreira Leite – Jornalista desde os 17 anos, foi diretor de redação de ÉPOCA e do Diário de S. Paulo. Foi redator chefe da Veja, correspondente em Paris e em Washington. É autor do livro A mulher que era o general da casa — Histórias da resistência civil à ditadura.