O STF e a manipulação da constituição.

cega

Como é brilhante o jogo de palavras. E de cálculos. Com o mesmo expediente podemos chegar a conclusões diferentes.  A resultados que queremos que se chegue.

Certa vez, assim que o Lula ganhou a primeira eleição para presidente, um colega me disse: meu filho já não gosta de estudar e agora piorou.  Como vou explicar para ele a importância do estudo, se o presidente do Brasil é a um analfabeto?  Ele vai me atirar na cara esse absurdo.

Procurando consolá-lo contei a este amigo um caso semelhante. Um sobrinho meu também andava desinteressado pelos estudos. Um dia disse a ele: veja como é bom estudar. O Fernando Henrique Cardoso estudou, se dedicou e chegou à presidência da república.  E você também não quer chegar a ser presidente? Perguntei. Ele olhou pra mim e disse: tio, mas se for pra fazer essa droga que FHC fez no governo não precisa estudar… Conclusão: os dois não gostavam de estudar. O motivo pode ser qualquer um.

Vejam mais um caso interessante de jogo de palavras, especificamente cálculos matemáticos. As pirâmides do Egito.

Alguns cientistas somando, multiplicando, subtraindo, dividindo, extraindo a raiz quadrada das dimensões piramidais chegaram à seguinte conclusão: a pirâmide registra a exata distância entre a terra e o sol.

Outros , novamente somando, multiplicando, subtraindo, dividindo, extraindo a raiz quadrada chegaram a resultado de que não é à distância e sim a lei de variação da obliquidade eclíptica que está escrito nas pirâmides.

Continuando, estudiosos diversos, a partir das mesmas medidas, descobriram o seguinte: na pirâmide vem descrito a lei de variação da constante de gravidade sobre a superfície da terra, a lei das variações periódicas das estações e da frequência dos terremotos, a medida do ano solar, a medida do ano sideral e do ano anomalístico, as leis da precessão dos equinócios e a variação de longitude do periélio, etc. Ou seja, o que eles desejarem concluir, concluíram. E com propriedade. Com paciência e dedicação você pode descobrir que nestas construções está escondida até a data do seu aniversário. É só trabalhar bem com as operações

Poderia continuar citando vários casos de interpretações manipuladoras e argumentativas a que estamos sujeito. No entanto, nenhum deles irá superar a do STF.

Os ministros do supremo já tinham decidido pela cassação dos mandatos. Só precisavam lastrear com argumentos e leis. E dar um cala-boca no congresso.

Usando do mesmo jogo de palavras e de contas e depois de ler, reler, debater, pensar, filosofar, refletir, bocejar, cochilar, consultar a mãe Dinah afirmaram: somado o artigo 15 e 37 da constituição, multiplicado pelo ao artigo 92 do código penal, menos o artigo 2 da constituição e derivando o artigo 55 da mesma concluímos: quem manda aqui somos nós. Cassem os mandatos. E o congresso? Ora, o congresso. Mero detalhe. Se não cumprirem serão incriminados por prevaricação. Presos. Cassados. Deportados. Excomungados e o que mais a mídia quiser.

E a imunidade parlamentar? Bem, isto requer novas operações e jogos. É outro processo.

Com isso podemos então rasgar a constituição de 1988, correto? O que está escrito não vale. Ou vale da forma que esses ministros interpretarem.

O STF virou um estado dentro do estado. Imperial, como o antigo poder moderador de D. Pedro I.

Isto está cheirando a preparação de um golpe de estado. Desmoralizar o congresso de todas as formas.

Os poderosos sabem que pelo voto democrático não irão retornar tão cedo ao planalto. Ficar longe do poder é inconcebível na cabeça dos que estão acostumadas a mandar e desmandar. Para esses senhores do destino a democracia é boa, o que atrapalha é o povo.

Agora, finalmente encontraram um elo fraco da república: o judiciário. Com esses ministros, de um conservadorismo e deslumbramentos exacerbados, o palanque para manobras futuras está armado.

Ricardo Boechat, sem querer ou não, no jornal da band, externou seu espanto diante da afirmação de Marco Maia de que não irá cumprir o que o Supremo decidiu. O jornalista acha impensável alguém desobedecer a uma ordem do judiciário. Segundo o ancora, ela pode até não concordar, mas tem que cumprir.

Para alguém que tem por profissão o trabalho com a informação achei a análise de um simplismo exasperante. No entanto foi bem significativo. Pois, mostrou como grande parte da população vê e interpreta os atuais acontecimentos.

Será que ele se esqueceu de que não é um cidadão comum que fala, mas sim o presidente da câmara de deputados do congresso nacional, um dos três poderes independentes da União? E se Maia afirmou tal é porque ele também tem respaldo da constituição. Ninguém é louco ou inocente nesse mundo político.

Nós vemos o que queremos e interpretamos como desejamos. Só que não somos formadores de opinião, nem autoridades da república e nem representantes do povo.

Particularmente acho um absurdo como os astrólogos antigos viam e decifravam o mundo. Eles, olhando para as estrelas, viram touro, balança, escorpião, peixes, gêmeos, câncer, virgem e etc. Eu, olhando para o céu, não enxergo nada disso… O máximo que vejo é o rosto da minha amada.

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