Repórteres sem Fronteira e o país dos 30 Berlusconis.

rsfimagemA ONG “Repórteres Sem Fronteira”, RSF, publicou nessa última semana o Relatório Anual sobre as condições de trabalhos de jornalistas e da liberdade de expressão pelo mundo.

Sobre o Brasil relata  as recentes conquistas no campo social, econômico e político. Cita que o país “aparece como um novo poder mundial, feito conseguido durante os dois últimos mandatos de Inácio Lula da Silva como presidente, 2003-2011” e que “Apesar de uma previsão de redução da taxa de crescimento para 2013, os indicadores de crescimento são favoráveis ​​mesmo com um mundo em crise”.  Lembra, ainda, que o país é o único a quem foi concedido o direito de sediar os dois maiores eventos  esportivos, sucessivamente: a copa do mundo de futebol e os jogos olímpicos. Um evidente sinal de prestígio mundial, conclui.

No entanto, quando o  assunto é mídia o país recebeu inúmeras críticas.

O Brasil é o quinto em assassinato de jornalistas. Foram 11 mortes em 2012. A imprensa continua  monopolizada.

Somos a nação dos “30 Berlusconis”, segundo Eugênio Bucci, professor universitário e colunista regular do jornal O Estado de São Paulo e da revista Época.  Referindo-se a Silvio Berlusconi detentor de grande parte dos meios de comunicação na Itália.

Escreve que “A forma da propriedade da mídia no Brasil afeta diretamente o livre fluxo de notícias e de informação e obstrui o pluralismo. Os Dez principais grupos empresariais são  propriedade  de famílias que controlam  o mercado de mídia de massa.

A radiodifusão é dominado pela  carioca Globo, de propriedade da família Marinho, seguido pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), de propriedade do Grupo Silvio Santos, Rede Bandeirantes propriedade do grupo Saad, e Record (de propriedade do bispo protestante evangélico Edir Macedo). Na mídia impressa, o pacote é novamente liderado pelas organizações Globo, como diário O Globo, que é rival a nível nacional, do grupo “Folha de São Paulo”, de propriedade da família Frias Filho, e do grupo “O Estado de São Paulo”, de propriedade da família Mesquita, e pela Editora Abril, que publica semanalmente a revista Veja, entre outras revistas.”

Afirma que a “Concentração dos meios de informação, nacionalmente e regionalmente, e o  assédio e a censura no nível mais local são características distintivas da ditadura militar de 1964-85”.

Em relação a Internet somos a mais censurada da América do Sul. Como exemplo cita o blog de Fábio Pannunzo, que entre vários processos destaca  dois que “são o resultado de uma queixa apresentada pelo secretário de  Segurança Pública do Estado de São Paulo Antônio Ferreira Pinto, acusado por Pannunzio  de encobrir abusos de direitos humanos por parte da polícia.  Conforme Fábio “Cobri os mesmos casos no ar para a TV Bandeirantes como eu fiz no meu blog, mas, curiosamente, eu nunca foi processado como um repórter de TV, apenas como um blogueiro “. Ele terminou com o blog.

Há vários outros blogueiros sendo processados ou mortos. José de Abreu está nesse rol por ter criticado Gilmar Mendes, ministro do supremo, no seu microblog.

“Você conhece algum país democrático, onde os políticos são os donos de canais de notícias e ao mesmo tempo têm a competência para atribuir concessões onde ele mesmos serão os beneficiados? ” Bucci perguntou. “A Constituição proíbe expressamente tal sobreposição de interesses. Assim como proíbe monopólios e oligopólios. Mas nenhuma lei define um monopólio ou oligopólio, aí eles podem colocar um irmão, primo ou tio como homem de frente” reclama Bucci.

Há também a questão da verba publicitária. O relatório qualifica de quase incestuosa essa relação.

“Em 2009, o governo federal gastou mais de 1,5 bilhões de reais (600 milhões de euros) em publicidade nos meios de comunicação de propriedade privada.  Em 2010, o governo municipal de São Paulo gastou dos 110 milhões de reais (40 milhões de euros) e o governo do estado de São Paulo passou dos 266 milhões de reais (97 milhões de euros) em anúncios de mídia. “Os principais grupos de mídia, como Folha, Estado e Globo sobreviveriam sem esses pagamentos no entanto a média  e pequena empresa não sobreviveria “.  Dessa forma o estado contribui para a continuidade da monopolização dos meios de comunicação, pois 60 % deste total fica com a grande imprensa.

A grande imprensa sempre se refere ao ex-presidente Lula como um caudilho, demagogo, populista, direta ou indiretamente. E tentam passar essa imagem para a população.

Porém se formos analisarmos os verdadeiros coronéis, caudilhos e manipuladores são os donos desses conglomerados. Eles se portam realmente como os antigos “coronéis”. Mandam e  desmandam. Abrem e fecham. Constroem e destroem.

Atualmente graças a tecnologia e a coragem de alguns jornalista o cidadão comum tem acesso a outras informações. E não só aquelas que eles tentam transmitir. O pluralismo de informação faz a diferença num estado democrático.

Acabar com esse monopólio não é fácil. Mas não é impossível.  A Argentina trava atualmente uma briga enorme com o grupo Clarin. Ley dos Medios, assim é chamado a lei que obriga o fim dos privilégios desses grandes grupos.

O pluralismo e o livre fluxo de informação faz bem para a democracia.

Mais uma tragédia no Brasil, agora em Santa Maria, RS.

incendio kissMais uma tragédia.  Dessa vez em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Muita indignação. Desespero. Tristeza.  Perplexidade.  Vozes embargadas. Autoridades emocionadas.

Este foi o terceiro incêndio em números de mortes do mundo. Boston e China estão na frente.

E daí? Pra que saber dessa lúgubre colocação? Nos ajuda em quê? Precisamos sim é saber quem falhou. Dar nomes-aos-bois. Punir. Mudar legislação e normas. É o correto e justo a fazer. Aprender com os erros.

Será que algo mudará a partir dessa desgraça?

Infelizmente, no Brasil já presenciamos outros eventos catastrófico, ligados ao lazer. E pouco mudou desde então.

O incêndio do gran-circo norte americano. Ocorrido em 17 de dezembro de 1961. Em Niterói, RJ. Oficialmente morreram 503 pessoas. A grande maioria crianças.

Como agora, houve mobilização nacional. Autoridades esbravejaram.  Exigiram mudanças nas leis. Punições severas aos culpados. E etc. E, semelhante à casa-noturna, havia superlotação. O livro “O Espetáculo mais Triste da Terra”, de Mauro Ventura, descreve os acontecimentos daquele fatídico dia. Leiam e verão quanto semelhança.

E o que dizer do naufrágio do Bateau Mouche, em 31 de dezembro de 1988 no Rio de Janeiro. Morreram 55 pessoas, de um total de 142 pessoas. Havia também superlotação. E o comportamento e indignação foram parecidos com o que presenciamos em Santa Maria.

Somados essas três calamidades chegamos ao incrível número de 789 vítimas.

Vítimas da ganância. Do despreparo. Da arrogância. Da corrupção. Do pouco caso. Da incompetência. Da falta de fiscalização. De leis. De normas. De respeito.

O Brasil no quesito vítimas de incêndio está em primeiro lugar. Significa, então, que nada foi feito para evitar essas tragédias.

O tempo, dizem, tudo cura. As autoridades de Santa Maria sabem bem do dito popular e procuram utilizar desse subterfúgio para fugir de responsabilidades. Percebam.

O prefeito da cidade, Cezar Schirmer (PMDB), reeleito para o cargo, disse em entrevista que a boate “tinha todos os documentos e registros que a prefeitura exige para o funcionamento” e que “Por mais que exista regularidade e que todos os documentos estejam em dia, às vezes, existem circunstâncias que causam a tragédia. Houve problemas na saída e mais de 90% das vítimas morreu por asfixia. Talvez se o incêndio fosse grande, as pessoas teriam percebido rapidamente”. E que faltava apenas o atestado do corpo de bombeiros para liberar o alvará. E os bombeiros afirmaram que a casa estava toda regular. Sobre o extintor que falhou o comandante da corporação disse que no dia da vistoria eles funcionaram.

Não sei como classificar o prefeito. Ou esse senhor sofre de idiotia, ou é um covarde, ou um irresponsável ou não tem a mínima competência para exercer o cargo para o qual foi eleito.

Creio que o alcaide possui todos esses predicados, pois, como se não bastasse, afirmou que a prefeitura disponibilizou carros para as pessoas que chegam de fora da cidade e querem seguir para os hospitais possam fazê-lo e que o munícipio está dando auxilio financeiro para o enterro. Mórbido. Macabro. Fúnebre. Nojento.

Houve falhas gritantes, como sempre acontece nos grandes desastres. Isso é mais que evidente.  O que matou as pessoas foi a fumaça tóxica, claro. A polícia irá descobrir as causas do incêndio, óbvio. Se foi criminoso. Se foi acidental. Haverá uma resposta. Mas só isso não basta.

Existia na boate outras irregularidades. Não havia saídas de emergências. O extintor não funcionou. E os seguranças não eram treinados para estas situações.  Portanto as autoridades fiscalizadoras da cidade foram omissas e devem ser responsabilizadas também.

Acidentes de enormes proporções dificilmente é fruto de um único fator.  E sim de uma cadeia de fatores. O chamado efeito dominó.

O incêndio numa discoteca da Argentina, em 30 de dezembro de 2004, matou 194 pessoas. O prefeito de Buenos Aires, Aníbal Ibarra, foi alvo de um processo de impeachment e destituído dois anos depois.

É o que tem que acontecer em Santa Maria, no mínimo. Concordam?

O idoso e a proposta de eutanásia do ministro japones.

Tornar-se idoso, atualmente, está se tornando perigoso. Eles estão expostos as mais diversas espécies de violências e de desrespeito. E, pouco podem fazer.

Só vou me ater a três tipos mais comuns. Não irei comentar sobre assassinatos, atropelamentos e etc.

A violência física. Hoje em dia, com a facilidade de aquisição de câmeras, vemos cenas de torturas contra pessoas da terceira e última idade. É uma realidade revelada. Impotentes, diante dos maus tratos, chegam a falecer. Dói ver alguém, que um dia foi ativo, orgulhoso, sonhador, ser tratado como um saco de batata. Jogado prá-lá-e-prá-cá.  Levando socos e pontapés. Ficamos horrorizados diante dos constrangimentos a que são submetidos. E mais perplexos quando sabemos que quem cometeu tal ato foi um parente. Um filho. Uma filha.

O abandono. Quando são largados em asilos. Quem, algum dia, teve oportunidade de visitar este tipo de estabelecimento sabe a excitação com que ficam os idosos à espera de uma visita. De um parente. Que muitas vezes não vem. Esquecem essas pessoas, que largam seus idosos, que por trás das rugas, dos olhos caídos, das mãos frágeis, do exitante andar ainda bate um coração. Eles esperam um gesto de carinho, uma palavra de conforto ou apenas atenção. E sabem, isto não acontecerá. Sabem de seu eterno esperar.  “Dois cuidaram de cinco, e cinco são incapazes de cuidar de dois” disso o ator Ziembinsk, numa peça, um pouco antes dele e da mulher serem conduzidos ao asilo pelos filhos. Conformados com o destino de ser velho.

O suicídio. Segundo a colunista da folha, Cláudia Colluici, no artigo do dia 23/01/13, as maiores causas de desse ato são “… a perda de parentes referenciais, sobretudo do cônjuge, solidão, existência de enfermidades degenerativas e dolorosas, sensação de estar dando muito trabalho à família e ser um peso morto, abandono, entre outros. Para ambos os sexos, os principais fatores de risco são a depressão e transtornos mentais. No caso dos homens, a solidão e o isolamento social são os principais fatores”.  Walmor Chagas se encaixa num desses fatores, possivelmente.

Pensava que esses itens seriam os únicos a atingir a dignidade de quem muito contribui para chegarmos aonde chegamos. Ledo engano. Cada vez mais sou surpreendido pela hipocrisia de alguns.

O ministro japonês das finanças, Taro Aso, adicionou mais um cláusula ao rol de Asobarbaridades contra quem já passou dos 60 anos: a eutanásia. Em pronunciamento, afirmou que: “eles (os idosos) deveriam ter permissão de morrer rapidamente em vez de ter a vida prolongada por tratamentos médicos, que custam uma fortuna para os cofres públicos”.

Evidentemente que essa afirmação gerou muita controvérsia e um pedido de desculpa, dele. Digamos que a declaração foi um ato falho. É nas brincadeiras que as verdades são reveladas, diz um dito popular.

Um personagem público tem que medir a cada momento suas palavras. Economias podem ruir. Guerras começar. Apenas com uma declaração infeliz.

No entanto, o que ele falou é realmente no que ele acredita. E, infelizmente, muitos irão concordar com o ministro. Pra que manter um velho vivo a base de remédios e aparelhos? Ele já está no fim mesmo e só dão despesa, calculam.

Porém, não estamos falando sobre uma mercadoria. Uma peça. Ou um número. Estamos falando sobre gente. Há sentimentos. Histórias e laços envolvidos.

Reflitamos. Como será que se sente um idoso ouvindo essas palavras de Taro Aso? Como será que se sentiram quando ouviram um ex-presidente chamá-los de vagabundos? O que será que pensam quando um dono de operadora de saúde diz que velho só marca consulta pra conversar com a recepcionista e tomar café?

Como se sentem quando o ônibus não para, quando são humilhados na fila? Quando são desconsiderados nos seus direitos? Quando não têm reconhecimento?

De desprezo em desprezo esses senhores irão exterminá-los.  Como será bom para as contas do país. Fecharemos com superávit. Para esses hipócritas será o fim de um trambolho.

Ainda bem que no Brasil, o que deveria ser algo natural, o respeito à dignidade dos idosos, há uma lei. Temos o Estatuto do Idoso.

E apresso-me em publicar um artigo. Antes que algum governante ache logico a lógica do japonês.

“Art. 2o – O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde, em condições de liberdade e dignidade.”

Grifei “à pessoa humana” porque ser velho não é perder a condição de ser humano.

Aron Swartz e a liberdade na Internet.

aaron swartzNo dia 11 de janeiro último Aaron Swartz foi encontrado morto dentro de seu apartamento, em Nova York. Enforcou-se aos 26 anos de idade.

O motivo do suicídio seria um processo, movido pelo governo americano, em que era acusado de ter “hackeado” cerca de 5 milhões de trabalhos acadêmicos, protegidos por direitos autorais. Poderia pegar uma pena de 35 anos de reclusão e multa de 1 milhão de dólares. Ele negava que tivesse feito isso por dinheiro.

Este jovem era considerado um gênio. Do nível de um Steve Jobs. Muito criativo e com futuro brilhante.

Participou na criação do RSS,  do Reddit , Creative Commons,  WatchDog, Open Library, Demand Progress.

RSS é uma tecnologia que nos permite receber informações atualizadas de blogs e sites diferentes sem a necessidade de visitá-los um por um.

Reddit  é um site em que as pessoas podem votar e discutir assuntos  de links publicados em sua plataforma.

Creative Commons  é uma organização que tem por meta divulgar, compartilhar e expandir obras sem cobrança.

WatchDog permite a criação de petições públicas.

Open Library. Bibiloteca Universal. O Objetivo era ter uma página para cada livro publicado no mundo.

Demand Progress é uma plataforma ativista. Ajuda a petições ganharem forças através de campanhas na internet.

Fica claro, pelos projetos que participou, que em sua alma havia uma grande preocupação: a divulgação da informação sem restrição. Segundo ele:   “A informação é poder. Mas tal como acontece com todo o poder, há aqueles que querem guardá-lo para si”. E lutou contra essa tentativa de monopolização da informação.

A sua briga era para que a internet não perdesse ao seu objetivo principal: a livre circulação da informação.

A rede mundial , no seu início,  teve grande influência dos jovens da contracultura. Da utopia de um mundo sem fronteira. Da liberdade de expressão. E assim foi desenvolvida.

Como escreveu Manuel Castells em seu livro “A Galaxia da Internet”, o poder tem medo da internet.

Tem medo porque o conhecimento é o poder. Tem medo porque o poder é centralizador. É pra poucos, imaginam eles. E para sempre.

E a internet é a ferramenta que  trabalha contra esse interesses da elite. Contra o privilégio e a manipulação.

Governos tentam controlá-la. Até o momento, sem sucesso absoluto. Julian Assange, fundador da WikiLeaks que o diga. É perseguido de maneira implacável.

Mas aos poucos as oligarquias estão conseguindo seu objetivo de fiscalizar. Os capitalistas querem transformar a informação  em mercadoria. Querem  estabelecer protocolos de censura. Os Estados Unidos quase conseguiram emplacar o tal de SOPA (Stop Online Piracy Act, Lei de Combate à Pirataria Online).  O que parecia uma simples medida contra delitos se revelou na verdade um ato contra a independência da internet .

Os efeitos colaterais seriam graves, se aprovado. Qualquer expressão artística, científica, política, notícia, ou declaração teria que ser autorizada. Pelo autor ou pelo governo. Censura prévia. As manifestações contra o ato foram intensas. Por enquanto está engavetado. Mas pronto para ser disparado.

E quantos trabalhos científicos não podem ser divulgados devido a lei de autoria? Qual o grau de prejuízo que uma atitude dessas está acarretando para a humanidade?

Podemos fazer um exercício de imaginação. Um desses relatórios trancados, por exemplo, pode conter o caminho para cura do câncer. Falta pouco, porém o laboratório não libera. Quantos cientistas, pelo mundo, com essas informações, poderiam ajudar a encontrar a terapia contra esse flagelo? Mas não. O conhecimento é mercadoria. Só pagando, caro. E às vezes nem assim.

Outra coisa, a empresa Google tem um projeto de digitalizar obras de artes, livros das mais diversas áreas, museus, teses universitárias  e o que mais lhe der na cabeça. Num primeiro momento parece ser algo muito bom. Por exemplo, muitas pessoas, que não podem conhecer o Louvre pessoalmente teriam a oportunidade de fazê-lo virtualmente.

Só que teríamos um problema, caso esse projeto for adiante. Qualquer tipo de pesquisa terá que, necessariamente, passar por eles.

O que ocorreria então? Lembrem-se, estamos tratando com empresa capitalista. Eles, num futuro, poderiam cobrar. Manipular. Transgredir. Restringir o acesso de determinadas universidades. De grupos. De certos países. Teriam o controle. Ou seja, teriam o poder. E quanto poder.

A centralização é contra o conceito da internet. Não podemos permitir que esta poderosa e, por enquanto, democrática ferramenta sucumba nas mãos de poucos. Se elitize.

Foi por essa liberdade, por esse espalhamento de conhecimento que Swartz batalhou. Até o fim.

Ele tranquilamente poderia estar rico. Ser um Zuckerberg, criador do facebook.  Preferiu trilhar outras estradas.

Que seu ativismo não seja em vão.

Apagões, apaguinhos e o setor elétrico.

itauipuApós o  governo federal  afirmar que irá reduzir a conta de energia elétrica três estados se posicionaram contra. São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Todos governados pelo PSDB.

As críticas contra essa medida foram as mais diversas.  Desestabilização das finanças estaduais. Corte em áreas cruciais. Notadamente educação, segurança e saúde. Óbvio.  Reclamaram que justamente agora que os esses três estados estavam indo tão bem veem a Dilma e estraga tudo. Mais uma vez. Etc..

Bem, discurso de oposicionistas que vislumbram uns bons anos na triste posição de oposição.

Há de ser perceber outra coisa: se tivermos a paciência de retirar o que há de comum nos discursos dos tucanos em relação aos diversos programas do governo federal notaremos que: toda vez que se fala em algo para proteger a economia ou melhorar a vida da população menos favorecida eles são contra. Reclamam. Do bolsa-família à redução de IPI dos automóveis e dos eletros-eletrônicos. Usam e abusam de palavras tais como: demagogia, populismo, clientelismo, caudilhismo.  Como se fosse os maiores palavrões do mundo.

Para eles essa diminuição, pelo visto, só irá atrapalhar. Talvez o que resolva mesmo é aumentar os impostos, como é feito nesses estados.

Agora, o estranho é que  esta redução atingirá todas as camadas da sociedade. Do rico ao pobre. Da mais poderosa indústria à mais simples residência. Todos serão beneficiados.  Então, o que os deixa nervosos com essa medida?  Por que eles são contra? Será que falta inteligência política? Ou as empresas do setor foram chorar no ombro amigo dos tucanos? Ou simples vaidade? Ou ambos? Não partiu deles, não presta.

Creio que seja isso: vaidade e conluio. Os tucanos já mostraram que são especialistas em retirar o mérito dos outros e atuar as escondidas. Fizeram isso várias vezes ( Itamar Franco que o diga, se fosse vivo). Fernando Henrique é doutor neste tipo de manobra.

Os noticiários da Globo apressaram-se em provar que os governadores desses estados estão certos.

Demostraram, através de gráficos, que as ações das operadoras tiveram perdas gritantes. Bilhões, disseram.  O lucro diminuiu.  Desse modo as empresas sairão do Brasil. E mais, as represas estão secando. Se São Pedro não fizer chover logo o fim do mundo estará próximo. E terminaram a reportagem olhando para câmera, balançando a cabeça negativamente,  com aquele olhar de “a gente avisa, mas vocês continuam votando no PT, o que mais posso fazer?”.

Eles escondem que essa diminuição na cobrança foi fruto de negociação.  Nada foi imposto. E, se os empresários do setor concordaram é porque eles não terão prejuízo. Ou alguém acredita que estes senhores aceitaram porque são altruístas?

Aliás, pode haver uma armadilha preparada contra o governo.

O PSDB anda de mãos dadas com os grandes financistas e investidores estrangeiros. E eles são gananciosos. Não tem comprometimento nenhum com o desenvolvimento do país.

Estamos num ano crítico para as pretensões políticas.  2014 teremos eleições presidenciais.

O que será que a oposição, a grande imprensa e esses homens do setor de energia elétrica  podem tramar, na calada da noite, para boicotar o governo federal?

Coincidência ou não, depois do anúncio da diminuição da conta de luz em 20% houve 6 apagões no país.

Segundo a Folha de São Paulo: “Os consumidores brasileiros tiveram de conviver em 2012 com um recorde incômodo: o de cortes de luz. Ao longo do ano passado, entre “apagões” e “apaguinhos”, houve queda de pelo menos 64 mil MW (megawatts) de energia em todo o país.
A quantia equivale a deixar o Brasil inteiro sem luz durante quase um dia”.

São considerados apagões queda de fornecimento de energia acima de 1000 MW. Menos que isso apaguinhos.

A presidenta Dilma Rousseff recentemente visitou o Piauí. Pouco antes de sua chegada houve interrupção no fornecimento de energia em 33 municípios do estado. Foi um “apaguinho” ou um “recadinho”?

As explicações para o corte são muito simplórias: vão de perturbações no sistema a curtos-circuitos. Entendi. Só que este tipo de esclarecimento não serve pra quase nada. Seria o mesmo que dizer: a pessoa morreu devido a um tiro, caso encerrado. Só isso basta?

Queremos saber se foi pontual? Se foi falha de equipamento ou humano? Se foi falta de manutenção? De investimento? Quem foi o responsável? Se foi ato de sabotagem? E tudo mais relacionado ao ocorrido.

O governo, através de suas agencias reguladoras, tem que fiscalizar com mais veemência. Não deixar passar nada. Não ser ingênuo a ponto de acreditar no que eles dizem de bate-pronto. Lembrem-se há muitos interesses envolvidos. Inclusive de outros países.

A Argentina teve sua imagem arranhada devido a um episódio recente. O jogo entre Brasil e Argentina não foi realizado por falta de luz. Foi uma vergonha. Afinal, o jogo seria transmitido para todos os continentes. Eles estão investigando.

O Brasil sediará a copa do mundo de futebol. Já imaginou o estrago que um apagão poderá fazer com a reputação do país?

As eleições serão realizadas depois do torneio. Preparem seus corações.

A democracia e a medicina.

adriellyÉ de conhecimento este fato. O neurocirurgião, Adão Orlando Crespo Gonçalves, faltou ao plantão no Pronto Socorro do hospital Salgado Filho. Em consequência a menina, Adrielly dos Santos Vieira, de dez anos, vítima de uma bala perdida, demorou oito horas para ser atendida. Não resistiu e veio a falecer.

Não sei se com a presença desse profissional a garota seria salva.  Mas, com certeza, teria muito mais chance de sobreviver.

O médico disse que se ausentou e avisou a direção do hospital com 72 horas de antecedência. E mais, a sua atitude foi um sinal de protesto contra as péssimas condições de trabalho. Segundo ele deveria haver dois neurocirurgiões. E também estava demissionário.

Se negligência houve a culpa do ocorrido foi do seu chefe imediato, José Renato Ludolf  Paixão, que não tomou as devidas providências, afirmou Adão. E que a morte da menina foi devido ao tiro. E que os pais foram irresponsáveis por deixarem uma criança brincar na rua sabendo que vivem num ambiente perigoso (declaração venenosa, maldosa e de extrema covardia).  Que o estado não oferece segurança. E por aí vai.

Bem, essas são explicações imediatistas. De quem se sente acuado. De quem tem peso na consciência. De um, aí sim, irresponsável. Não devem ser levadas a sério. Sabemos que há vários outros meios de se protestar. De se indignar. Além do que, ele continuou a receber o salário.

Mas vamos adiante. Percebesse, pelas declarações, claramente que o neuro não tem a mínima identificação com os menos favorecidos. Não tem sensibilidade. Nem competência intelectual para entender os direitos de um cidadão pobre.

No entanto esse médico não é um caso isolado de alienação social. A maioria deles sofre dessa síndrome.

O curso de medicina, assim como a engenharia e a advocacia, ainda é considerado uma profissão que proporciona status social. E por isso seu vestibular é muito concorrido. Principalmente para as faculdades consideradas de primeira linha.

A grande maioria que entra nesses cursos é proveniente das camadas mais abastadas da sociedade. Fazem medicina porque dá prestigio.  Não tem vocação para coisa. São educados para tratar com seus pares. O desejo maior deles é exercer a profissão em bairros nobres. Trabalhar em hospitais badalados. Aí quando acabam trabalhando em Prontos Socorros das regiões mais afastadas não criam vinculo com o local. Tem aquilo como pura obrigação. Atuam displicentemente. E fazem o que fazem.

Esses profissionais só sabem da existência da periferia devido aos noticiários. Não têm capacidade de dialogo e de entendimento. Não conhecem nada da realidade dos outros.

E, apesar de todos os programas que governo federal está implementando as mudanças ainda são pequenas. Ou seja, a medicina continua elitista.

Dou em exemplo de como é injusto o vestibular tradicional. Uma conhecida, moradora de um bairro pobre, queria ser médica. Tentou por cinco anos entrar na faculdade. Dedicou-se aos estudos.  Nunca conseguiu. Porém adorava tanto a área que virou enfermeira.  Uma ótima enfermeira.

Pergunto: uma pessoa dessa não merecia conseguir uma vaga na faculdade? Alguém põe em dúvida sua vocação? Ela não daria mais valor ao juramento que todo médico faz quando se forma?

Temos que aproveitar esse momento que o Brasil atravessa para criar políticas educacionais igualitárias. Incisivas. Radicais, até.  Cotas por regiões, talvez. Ou por classe social.

Talvez médicos oriundos dessas localidades menos favorecidas tivessem comportamentos diferentes. A probabilidade de entender melhor as necessidades, sonhos e angústias dessas pessoas seriam maiores. A ética, intrínseca a eles.

Enquanto não houver uma verdadeira democratização das universidades fatos lastimáveis como esses continuarão a acontecer. Temos que lutar pela mudança. Sempre

Pronunciamento do delegado-geral de São Paulo.

Aconteceu num bar na zonal sul de São Paulo, Capital. Eram 23h30min de sexta-feira, dia 4 de janeiro de 2013. Homens rotineiramente encontravam-se conversando e bebericando no estabelecimento comercial. Fato comum nas periferias das grandes cidades. Quando de repente chegaram três carros. Desceram 14 homens armados gritando “polícia, polícia” e começaram a disparar. Total de mortos: sete pessoas. Os que fugiam eram perseguidos e mortos.

Bem, seria mais uma chacina senão fosse a presença do delegado-geral da Polícia Civil, Maurício Blazeck, na cena do crime.  O que provocou muita surpresa. Visto que, quem geralmente comparece no local desses morticínios são investigadores. E, às vezes, delegados de distritos.

E mais espanto ainda causou a declaração concedida, a rede Globo, por Blazeck: um dos mortos era a pessoa responsável pela gravação do vídeo em que é mostrada uma guarnição da PM executando um provável suspeito de crime, após este já estar detido. Traduzindo: a principal testemunha deste crime foi assassinada. Em represália, apenas. Pois a filmagem feita, por si só, deixa evidente quem foram os autores do homicídio.

E por que do espanto? Porque não foi qualquer um que deu a entrevista. E sim a autoridade máxima da polícia civil. E ele não seria leviano para ligar um caso ao outro senão tivesse certeza.

O problema foi que com esta entrevista ele ligou, automaticamente, a PM aos assassinatos. E mais, deixou claro que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não possui controle algum sobre sua força de segurança. E que o mesmo não possui a liderança, coragem e apoio suficientes para resolver a questão da violência no estado.

Por isso, rapidamente o governo tratou de desmentir as declarações de Maurício. Disse Geraldo que não há indícios, que ninguém sabe quem é o autor da filmagem, que um caso não está comprovadamente ligado ao outro, que todas as hipóteses serão investigadas e etc. e tal. Coisas já ditas anteriormente.

Caramba! Se a polícia não sabe quem é o autor da filmagem nós estamos ferrado. Cidadãos a espera de justiça, esqueçam. Nenhum delito será esclarecido. O governador confirmou: os agentes da secretaria de segurança pública não têm a mínima capacidade de investigação.

O Bar fica em frente da casa do primeiro crime, o vídeo foi feita a partir da residência vizinha. A rua é estreita. Os moradores ainda estão lá. São os mesmos. O horário do ocorrido se sabe. E dizer que ninguém conhece a pessoa que filmou?!  Assim não!

Agora governador não há como reparar. Está gravada a fala do delegado-geral. A não ser que a mídia dê, mais uma vez, uma mãozinha e esconda a fraqueza dos atuais governantes.

Há um dito, de aproximadamente seiscentos anos, que diz: só há três coisas que não podem voltar atrás. Os chamados três erres. Rei, raio e rio. Acrescento mais um “R”, o de “record”.

As polícias deveriam ter sido imediatamente unificadas após o fim da ditadura. A segurança pública dividida só atrapalha.

Qualquer reunião tem que haver a participação de vários militares e outros tantos delegados. É muita gente. É um trabalhando contra o outro. A vaidade falando mais alto que a prioridade. As informações cruciais não são repassadas. É Civil trocando tiro com PM. É PM invadindo delegacia para resgatar militar detido. Operações que não são comunicadas. Um matando o outro. Um passando por cima da função do outro. São salários e bônus diferenciados. Só há desvantagens. Um balaio de gato.

Então, por que não unir? Qual a dificuldade? É política? São melindres? Ou poderíamos dizer medo de tomar esta atitude? Para que manter a mordomia de meia dúzia de coronéis?

Estas observações e questionamentos valem para todos os estados da federação. Para qualquer país democrático.

Outra coisa, o Ministério Público Estadual e a polícia mantém uma relação promíscua aqui em São Paulo.  Como pode ser secretário da segurança pública um promotor público, se um deve ser independente do outro? Como pode haver cobrança? Uma das causas desse absurdo também é esta divisão das polícias.

Bem, há uma segunda solução. Desmembrem a Secretaria de Segurança Pública em duas.  Uma ligada à PM e outra à Civil. E, quem sabe, daqui a mais vinte anos de governo do PSDB se chegue à conclusão, após mais um chacina, de que São Paulo precisa é de dois govenadores. Um civil e outro militar. Unificar, nunca!