O idoso e a proposta de eutanásia do ministro japones.

Tornar-se idoso, atualmente, está se tornando perigoso. Eles estão expostos as mais diversas espécies de violências e de desrespeito. E, pouco podem fazer.

Só vou me ater a três tipos mais comuns. Não irei comentar sobre assassinatos, atropelamentos e etc.

A violência física. Hoje em dia, com a facilidade de aquisição de câmeras, vemos cenas de torturas contra pessoas da terceira e última idade. É uma realidade revelada. Impotentes, diante dos maus tratos, chegam a falecer. Dói ver alguém, que um dia foi ativo, orgulhoso, sonhador, ser tratado como um saco de batata. Jogado prá-lá-e-prá-cá.  Levando socos e pontapés. Ficamos horrorizados diante dos constrangimentos a que são submetidos. E mais perplexos quando sabemos que quem cometeu tal ato foi um parente. Um filho. Uma filha.

O abandono. Quando são largados em asilos. Quem, algum dia, teve oportunidade de visitar este tipo de estabelecimento sabe a excitação com que ficam os idosos à espera de uma visita. De um parente. Que muitas vezes não vem. Esquecem essas pessoas, que largam seus idosos, que por trás das rugas, dos olhos caídos, das mãos frágeis, do exitante andar ainda bate um coração. Eles esperam um gesto de carinho, uma palavra de conforto ou apenas atenção. E sabem, isto não acontecerá. Sabem de seu eterno esperar.  “Dois cuidaram de cinco, e cinco são incapazes de cuidar de dois” disso o ator Ziembinsk, numa peça, um pouco antes dele e da mulher serem conduzidos ao asilo pelos filhos. Conformados com o destino de ser velho.

O suicídio. Segundo a colunista da folha, Cláudia Colluici, no artigo do dia 23/01/13, as maiores causas de desse ato são “… a perda de parentes referenciais, sobretudo do cônjuge, solidão, existência de enfermidades degenerativas e dolorosas, sensação de estar dando muito trabalho à família e ser um peso morto, abandono, entre outros. Para ambos os sexos, os principais fatores de risco são a depressão e transtornos mentais. No caso dos homens, a solidão e o isolamento social são os principais fatores”.  Walmor Chagas se encaixa num desses fatores, possivelmente.

Pensava que esses itens seriam os únicos a atingir a dignidade de quem muito contribui para chegarmos aonde chegamos. Ledo engano. Cada vez mais sou surpreendido pela hipocrisia de alguns.

O ministro japonês das finanças, Taro Aso, adicionou mais um cláusula ao rol de Asobarbaridades contra quem já passou dos 60 anos: a eutanásia. Em pronunciamento, afirmou que: “eles (os idosos) deveriam ter permissão de morrer rapidamente em vez de ter a vida prolongada por tratamentos médicos, que custam uma fortuna para os cofres públicos”.

Evidentemente que essa afirmação gerou muita controvérsia e um pedido de desculpa, dele. Digamos que a declaração foi um ato falho. É nas brincadeiras que as verdades são reveladas, diz um dito popular.

Um personagem público tem que medir a cada momento suas palavras. Economias podem ruir. Guerras começar. Apenas com uma declaração infeliz.

No entanto, o que ele falou é realmente no que ele acredita. E, infelizmente, muitos irão concordar com o ministro. Pra que manter um velho vivo a base de remédios e aparelhos? Ele já está no fim mesmo e só dão despesa, calculam.

Porém, não estamos falando sobre uma mercadoria. Uma peça. Ou um número. Estamos falando sobre gente. Há sentimentos. Histórias e laços envolvidos.

Reflitamos. Como será que se sente um idoso ouvindo essas palavras de Taro Aso? Como será que se sentiram quando ouviram um ex-presidente chamá-los de vagabundos? O que será que pensam quando um dono de operadora de saúde diz que velho só marca consulta pra conversar com a recepcionista e tomar café?

Como se sentem quando o ônibus não para, quando são humilhados na fila? Quando são desconsiderados nos seus direitos? Quando não têm reconhecimento?

De desprezo em desprezo esses senhores irão exterminá-los.  Como será bom para as contas do país. Fecharemos com superávit. Para esses hipócritas será o fim de um trambolho.

Ainda bem que no Brasil, o que deveria ser algo natural, o respeito à dignidade dos idosos, há uma lei. Temos o Estatuto do Idoso.

E apresso-me em publicar um artigo. Antes que algum governante ache logico a lógica do japonês.

“Art. 2o – O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde, em condições de liberdade e dignidade.”

Grifei “à pessoa humana” porque ser velho não é perder a condição de ser humano.

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