Faleceu aos 95 anos Stéphane Hessel. Pensador francês.

hessel1Um dia iria acontecer. Faleceu Stéphane Hessel. Político, escritor, ensaísta, ativista. O filósofo morreu aos 95 anos de idade.

Nasceu em Berlim em 1917. Cedo saiu do país com a família para viver na França. Tendo conseguido a cidadania francesa. Com a ocupação nazista, entrou para resistência. Foi preso em 1944. Transferido para o campo de concentração de Buchenwald.  Escondendo sua origem judaica, sobreviveu e escapou da prisão nazista.

Com o fim da guerra seguiu a carreira diplomática. Trabalhou na ONU, entre 1946 e 1951. Foi um dos autores da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ocupou vários cargos públicos. Se aposentou em 1983.

Ente suas obras estão os livros:  “Danse avec le siècle” (“Dança com o século”, 1997), “Dix pas dans le nouveau siècle” (“Dez passos no novo século”, 2002), “Citoyen sans frontières” (“Cidadão sem fronteiras”, 2008) e “Le Chemin de l’espérance” (“O caminho da esperança”, 2011), escrito junto com o sociólogo Edgar Morin.

Escreveu também os livros-manifestos “Indignai-vos” (2010) e “Empenhai-vos” (2011).

“Indignai-vos!”  obteve grande repercussão . Traduzido para 35 países. Vendeu 4 milhões de exemplares.

Conclamava aos cidadãos a se insurgirem pacificamente. A não aceitar as coisas como uma verdade única. Porque, segundo ele, em entrevista a EFe,  as pessoas “Nunca devem desanimar. O mundo é menos injusto hoje do que quando eu era jovem, mas ainda continua injusto”.

Quebrou a inércia, o conformismo,  e clamou por uma resistência. Fonte inspiradora para vários movimentos sociais.  As manifestações da Espanha, Portugal, Grécia empunharam a bandeira dos indignados. Os levantes dos países árabes e o movimento “Occupy Wall Street” beberam nessa fonte.

A ideia deste blog nasceu à partir deste pequeno livro também.

Quanto ao sucesso surpreendente da obra o autor disse: “Isto se explica por um momento histórico. As sociedades estão perdidas, se perguntam como fazer para avançar e buscam um sentido à aventura humana”.

O que causou grande admiração foi o fato dele ter escrito este livro-manifesto aos 93 anos. A chama do inconformismo, das mudanças, da indignação, características marcantes da juventude, estava presente num senhor quase centenário. Foi uma tapa na cara.

O livro pergunta, em cada página lida: por que vocês estão parados? As injustiças estão acontecendo ao seu redor. É só olhar.  Essa sociedade não é o ápice. Não é respeitosa. Os direitos fundamentais não são garantidos. Aqui não é o fim.

“A pior das atitudes é a indiferença, é dizer: não posso fazer nada, estou me virando”. É isso mesmo.  A sociedade atual exige que sejamos egoístas. Existe até o mito de que o humano é individualista por natureza. Esse mito é o sustentáculo para muitos crimes. Para muitas aberrações. E para inércia reflexiva.

Coube ao senhor nonagenário nos alertar. A coisa não é bem assim. Lutemos sempre.

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Crime num estádio de futebol da Bolívia.

Kevin EspadaNesta semana  aconteceu um crime de morte numa arena de entretenimento.

A história foi a seguinte: um time brasileiro foi jogar na Bolívia, contra um time boliviano, pela taça Libertadores da América. Torneio tradicional disputado anualmente aqui no continente sul-americano.

Pois bem. O estádio estava lotado. Torcedores bolivianos na expectativa de ver seu time em campo contra o atual campeão do mundo em campo. Ocupava, evidentemente, a maioria no dos lugares.

Aos torcedores da agremiação visitante restou uma pequena parte da arquibancada. Espremidos, se viravam como podiam.

Durante a peleja estes fanáticos estrangeiros. Pulavam. Cantavam. E no gol, explodiam de alegria. Ou de ódio.

Mas, para eles, somente o agitar não basta. Eles têm que marcar a presença, seja de que forma for.  Afinal, os membros dessa torcida são conhecidos  por serem doentes, roxos e acho que loucos. E não sei por que, se orgulham disso.

Bem, continuemos. Um dos modos encontrados pelos “doentes” para marcar sua comparência é o uso de um sinalizador marítimo. Acionado, uma engenhoca é disparada a uma velocidade de 300 km/h, segundo especialistas, deixando no seu rastro um feixe de luz. Reconheço, é bonito o efeito. Porém pode ser trágico.

A todo um protocolo para ser usado. Não direcionar para pessoas é uma dessas exigências. No entanto, vem um energúmeno e dispara esse dispositivo em direção à torcida local. Atingindo mortalmente uma pessoa.

Kevin Espada era seu nome. Tinha 14 anos, estudava e, como tantos, amava o futebol.  Com um futuro todo pela frente. Um futuro único, porque só a ele pertencia. Feito de sonhos.  E de esperanças.  Interrompido brutalmente. Violentamente. Sem explicação, foi enterrado.

O país ficou estarrecido diante da estupidez dessa morte.

Por aqui já estamos acostumados a cenas de violência. De assassinato entre torcedores.  E mais, estamos conformados com a impunidade. Lá não. Este foi o primeiro assassinato ocorrido na Bolívia por causa do esporte.  Prenderam 12 torcedores alienígenas. Sem fiança. Detidos, para evitar fugas.

A Conmebol, entidade que reúne as federações de futebol do continente, até então inerte diante de atrocidades cometidas durante o torneio resolveu penalizar o time pátrio.  De agora em diante somente jogos com portões fechados. Ou seja, sem torcida.

O clube reagiu contra tal ato de barbaridade. Vai recorrer. E ameaça abandonar o torneio.

Só bravatas. Não farão isso nunca.

Consideram-se injustiçados com a severidade da pena. Segundos os cartolas, eles não são responsáveis pelos atos de outrem. Será?

Esses patrícios que estavam no campo são torcedores profissionais. São apoiados pela entidade futebolística. Ganham ingresso.  Tem local reservado no estádio. E apoio logístico para deslocamento.

Influenciam nas eleições para presidente da associação. Tiram jogadores. Batem. E ameaçam. Sentam-se à mesa com os dirigentes. E são considerados o décimo segundo jogador.

Então, isso não basta para estabelecer uma conexão, direta?

Os diretores estão preocupados com o dinheiro apenas. Venderam 80 mil entradas. O que farão agora? E as cotas de transmissão? E os patrocinadores?

Quanto à morte do adolescente. Não falaram nada.  Nenhum um pronunciamento mais contundente. Exceto os de praxe.

Por que, em vez de balelas, não prestam auxílio á família desse garoto. Indenizando-os. Já fizeram isso por jogador.

Não pode porque com esse gesto eles admitiriam a culpa e os advogados não deixam. E a hipocrisia também não permite, não é verdade?

Ah! Já ia me esquecendo. Os jogadores atuaram com uma faixa preta no braço. Emocionante. A família enlutada do garoto irá ficar sensibilizada com essa demonstração de solidariedade.

A penalização foi branda. Deveria ser exclusão do torneio. De  imediato, e por certo período. Como aconteceu com o Chile, em 1989.

Os cubes nunca se dizem responsáveis porque é a PM que faz a segurança dentro das arenas. Está errado. Deveriam acabar com isso. É um espetáculo como outro qualquer.

O clube mandante seria obrigado a contratar seguranças. Quantos fossem necessários. Como é feitos nos países mais civilizados. Leis rigorosas para atos ilícitos. Como acontece na Europa. Dessa maneira essas agremiações não teriam como jogar a culpa no Estado. Não poderiam se esconder atrás da desgastada falta de segurança. Ficaria claro a sua parcela de responsabilidade.

Banir, também, os marginais dos estádios. Acabar com uniformizadas. E proibir a mídia de fazer apologia a essas torcidas. Principalmente a TV Globo, com seu Galvão Bueno.  Sempre ávida por dinheiro e poder. Os países de primeiro mundo já perceberam a parcela de culpa das  transmissões. O show ao jogador pertence.

Se nossas autoridades são incompetentes para aturarem contra esses marginais, que pelo menos os outros países mostrem vergonha na cara e respeitos aos seus cidadãos.

enterro de kevinKevin Espada, assim como o sinalizador, também deixou um rastro, não de luz, mas de tristeza. De dor.

Yoani Sanches, a blogueira cubana.

yaone sanchesA blogueira cubana Yoani Sánches está cá na nossa pátria.  Considerada uma dissidente do regime da ilha, veio proferir uma série de palestras, ou apenas falar mal, dos governantes da Ilha. É uma “guerreira” pela liberdade de expressão e pelos direitos humanos.

Em suas aparições houve manifestações contra sua presença. Que a mídia tratou de transformar em um quase linchamento.

Sánches, assustada, não entendeu o porquê dessa demonstração de repúdio contra sua pessoa. Apesar de dizer que prefere isso ao controle exercido em Cuba contra os discordantes.

Vamos aos motivos. Para o Brasil ser considerado um país pleno de justiça falta percorrer um longo caminho. A sociedade carece de democracia em muitos setores da sociedade. Educação, saúde, segurança, oportunidades estão longe de receber esse ar puro. Cuba está muito na frente nesses quesitos.

Liberdade de expressão então… Por estas bandas, não há.

Somos um país carente de pluralismo de opiniões. Lutamos contra o monopólio de informação.

Porém, cada vez que tocamos no assunto de regulamentação da mídia os empresários do setor colocam no circuito um ente mítico, a senhora “liberdade de imprensa”.

Pintam um quadro apocalíptico. Apavoram a população com uma ditadura que está por vir. Diga-se de passagem, ditadura que já tivemos e que foi apoiado por esses mesmos senhores que aí estão.

O que temos, definitivamente, é a imprensa controlada por uma pequena oligarquia.  Que não deseja perder seus privilégios. Manipulam, mentem e criam fatos segundos os seus interesses. Constroem e destroem pessoas.  Os latifundiários da informação estão acostumados a ter a seus pés a grande maioria dos políticos. Esses homens públicos tornam-se capachos. Ou menos ainda. Com as sucessivas derrotas nas eleições cooptar fantoches não ficou tão simples assim.

E o domínio fácil diminuiu mais ainda graças a internet. Agora temos a oportunidade te ler outros pontos de vistas diante dos fatos.

Mas, jornalistas, que tentam dar essa outra visão ou denunciar as maracutaias, são punidos com censura ou perseguidos e processados. Até se calarem. Não é o que acontece com você? Aqui não é o pode executivo que censura, é o judiciário.

Esta grande imprensa, não contente em ficar apenas no ambiente nacional, tripudia também sobre os outros governos progressistas da América do Sul. Equador. Bolívia. Venezuela. Uruguai. Argentina. São os seus pratos preferidos. Rafael Correa foi anunciado como um grande censor porque vai regular a “ley dos medios”.  Enquanto o golpista do Paraguai é citado como exemplo de governante.

Cuba, então, nem se fala. É demonizado. É o país da ditadura. Da miséria. Da opressão.

Talvez os nossos oligarcas estejam com saudade daquela Cuba de Fulgêncio Batista. Quando a ilha era o grande cassino/prostíbulo do continente.

A oposição brasileira está raivosa, como disse Lula. Sem perspectiva. Sem direção.  E você sabe: pra quem está morrendo afogado, jacaré é tronco. Eles se agarraram, então, a essa mídia. O sonho é um golpe de estado. À volta ao poder.

O Supremo Tribunal Federal é usado para enfraquecer a situação. De maneira vil.

O PSDB abriu espaço no congresso nacional para recebê-la.  Pagou o seu deslocamento e estadia. Pergunto: é justo parar um poder da república para receber uma simples ativista, que nem tão ativista é?

Você foi cercada e apoiada pelo que de mais retrógrado existe neste país. Você sabe quem é Jair Bolsonaro? Ronaldo Caiado?

Você tem noção que estamos num estágio crítico de consolidação das instituições democráticas? Que pela primeira vez, em quase oitenta anos, não estamos sendo governado pela elite? E que, por isso mesmo, este governo é combatido de formas execráveis? Que pessoas são vilipendiadas em sua honra? E que a imprensa assumiu o papel de oposição?

Claro que não sabe de nada disso. Pois você se deixou levar como uma cordeirinha. Não sei se é uma sem noção ou a mais esperta das mocinhas desse filme de hollywoodiano.

Os Estados Unidos tentam matar Fidel Castro desde sempre. Nunca conseguiram.  Por que acha que até hoje ele se mantém no comando?  É à toa?  E por que com todo embargo econômico à ilha ela sobrevive e prospera? Acha que é sorte? Não há governo que perdure por tanto tempo sem apoio do povo? Ou você acha que os americanos teriam escrúpulos em invadir o seu país e restabelecer a o antigo “status quo” se sua população estivesse sendo massacrada? Cuba não é a Coreia do Norte.

Os yankees estão sonhando com uma “primavera árabe” cubana. Você é o meio. Está sendo usada. E está gostando.

Senão fosse tão patético daria uma boa anedota. Cara blogueira, para ilustrar, você está contando piada racista num encontro contra o racismo. Ninguém vai achar graça. Não pode.  Só por ignorância.

Você está falando em liberdade de expressão num país onde não há.

Estamos lutando para que isso aconteça. E você está vitaminando os nossos reacionários.

Eis as razões dos apupos. E da gritaria. E viva a democracia.

Venda da Heinz e a privatização da VALE.

heinz1A venda da Heinz, multinacional americana com 144 anos de existência e dona do ketchup mais famoso do mundo, causou alvoroço e espanto no mercado. Tanto pelo valor da compra, US$ 28 bilhões, como pela origem de alguns dos compradores. Os brasileiros Marcel Telles, Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira, criadores da Anheuser-Busch InBev (Ab Inbev) agora controlam uma das gigantes do ramo de alimentos. Eles já são donos de outra marca famosa, a Burger King.

Warren Buffett, megainvestidor americano, também entrou como sócio nesta empreitada. Estima-se que ele investiu entre US$ 12 bilhões a US$ 13 bilhões.  O restante ficou por conta da 3G Capital, do trio de brasileiros. Em entrevista à rede de TV CNBC disse: “Esse é o meu tipo de negócio e o meu tipo de parceiro”, justificando a aquisição.

Segundo matéria publicada no jornal Valor “foi uma operação celebrada por analistas… a consideraram a aquisição um negócio fabuloso” e que para “Heinz, o negócio pode ser o atalho para um crescimento mais rápido.” ainda conforme a reportagem “a Heinz pode ser muito melhor do que é… Não que a empresa seja um problema, mas ela cresce devagar” afirmou a analista Beth Ann Loewy ao Valor.

A Heinz tem uma fábrica aqui no Brasil. Fruto da compra da Quero Alimentos.

Essas informações ficam mais a título de curiosidade. A matéria completa foi publicada no jornal Valor Econômico, do dia 16 de fevereiro.

No entanto, o que chamou a atenção mesmo foi: a quantia envolvida – US$ 28 bilhões por uma fábrica de molho de tomate – e o respeito e comportamento responsável que os, agora, antigos executivos demonstraram pela empresa, pelos seus acionistas e pelos seus consumidores. É louvável.

Pois tudo que representa a Heinz foi devidamente calculado e cobrado. Venderam a linha de produção. Os prédios. Os maquinários. A carteira de clientes. A logística.

Mas não só isso. Venderam, também, o potencial, o fetichismo da marca. A cultura da empresa, enfim.

Tudo muito bem discutido e equalizado. É óbvio. Estamos falando de negócios e ninguém é bobo nesse mundo. Certo?

E mais, foi utilizado nesta transação capital próprio. Os brasileiros não recorreram ao BNDES.

Os telejornais deram a informação derramando orgulho. Não por serem brasileiros os envolvidos no negócio, mas por ser uma transação no melhor estilo capitalista. Afinal, o capitalismo desde 2008 só vem gerando notícias ruins, catastróficas. Foi um alento nesse mar de crises.

Nada a reclamar. Só não sei que benefícios trará par o Brasil, enquanto nação. Pelo menos á curto prazo.  Dizem que irão investir em fábricas. É esperar para ver.

Agora, como uma empresa de alimentos vale US$ 28 bilhões, um aeroporto é concedido por R$ 16 bilhões (US$ 8 bilhões) e a mineradora Vale do Rio Doce, já na época da privatização uma das maiores do mundo, é vendida por apenas US$ 3,4 bilhões?!

Não questiono nem a privatização em si, mas o valor pago por ela. Só US$ 3,4 bilhões, não é possível.

Houve tramoia nesta negociata. Ou Fernando Henrique Cardoso é um trouxa. Algo que decididamente não acredito.

Tem que ser investigado de modo sério essa transação. Foi crime de lesa-pátria. Os corruptos terão que ser punidos.

Outra coisa, por que os envolvidos nessa privatização não se comportaram como os executivos da Heinz? Com respeito e responsabilidade ao Brasil. Por que não valorizaram a nossa riqueza? Que interesses escusos havia?

É como vender um carro e, tanto o vendedor e como o comprador, desvalorizam o veículo. Daqui a pouco o vendedor paga para o comprador adquirir o produto.

O país precisa aproveitar esse momento de punição de corruptos para apurar esse caso escabroso.  Ou será que José de Abreu tem razão quando diz que “neste país só é punido pobre, preto, puta e petista”?

Uma observação. A Vale , em janeiro de 2012, foi eleita a pior empresa do mundo, no que se refere aos direitos humanos e meio ambiente.  Prêmio concedido pela “Public Eye People´s”. Em segundo ficou Tepco, empresa japonesa responsável pela usina de Fukushima.

Renúncia Papal

raiovaticanoO sumo pontífice Bento XVI, no último dia 11 de fevereiro, anunciou sua renúncia ao papado.

Tal fato não acontecia desde 4 de julho de 1415 quando Gregório XII deixou o comando da igreja católica. O papa desse período renunciou com a intenção de por fim as lutas internas pelo poder, durante do Grande Cisma do Ocidente.

Bento XVI não explicitou diretamente o motivo que o levou a tomar esta atitude.

Porém, após seus pronunciamentos, é possível que sua abdicação ao trono de Pedro tenha sido pelos mesmos motivos de Gregório, desavenças internas de seu pontificado.

Será que foi esse o motivo?

Bem, como não sou um estudioso dos assuntos do Vaticano resta especular sobre as razões desse ato.  Vejamos.

Motivo 1. A igreja católica tem a mesma estrutura de uma corte de monarcas, de séculos passados. O rei é o papa e os nobres, os cardeais. E, assim como esses antigos senhores feudais, o pontífice só abandona o poder através da morte, natural ou não, ou da abdicação. E sofre dos mesmos problemas que afligiam os soberanos: intrigas e fofocas.

Porém quem se permite assumir ao comando máximo dos católicos não deve estranhar esse tipo de comportamento por parte de seus pares. Ele, obrigatoriamente, sabe gerenciar esses eternos jogos de vaidades. Pois, em algum momento Ratzinger também participou desses eventos. Esteve do outro lado. Certo?  Não creio nessa causa.

Motivo 2. Ele disse que com sua desistência seria promovida uma “verdadeira renovação da Igreja Católica”.

Há oito anos no poder e agora ele fala em verdadeira renovação? Então estava fazendo uma renovação de mentira? Ou estava sofrendo boicote por parte de algum grupo?

Jânio Quadros, ex-presidente do Brasil, alegou que “forças ocultas” o impediam de governar. E deixou o governo e um país estupefato.  Mas esse político brasileiro tinha tendências ditatoriais e mandato por um período. O santo padre, ao contrário, não precisa se preocupar com o tempo que ficará no poder. E o cargo lhe confere poderes quase absolutos.

Motivo 3. Político. Será que foi uma queda de braço entre a direita e a esquerda?

O papa é um conservador, ala que domina a igreja. E, como João Paulo II, combateu a teoria da libertação. Linha mais à esquerda do catolicismo.

Não acredito neste conflito, pois Joseph Ratzinger, na década de 80, ocupou o cargo de prefeito da Congregação para Doutrina da Fé. Um cargo que exigia um perfil direitista. Ele foi comparado aos antigos inquisidores.  Não é qualquer um que consegue esse feito. Joseph está alinhado com o grupo dominante.

Motivo 4. Tem a ver com o motivo 3. Será que existe um poder paralelo, totalmente radical? Que não aceita a resolução do Concilio Vaticano.

O bispo de Roma defendeu, após anunciar que deixará o papado, que sejam mantidas as metas deste Concilio.  Será que alguns cardeais estavam trabalhando contra as metas do Concílio?

Esta assembleia foi realizada entre 1962 e 1965, comandada por João XXIII. O objetivo era modernizar e atrair mais fiéis para o catolicismo.

Entre algumas modificações apresentadas nessas conferências estão:

Missa rezada no idioma de cada país, com o padre de frente para o público. Mulheres e homens leigos (que não são do clero) podem ajudar na celebração.

Posição contrária ao sexo antes do casamento e ao aborto, mesmo em caso de estupro.

Respeito a outras crenças. Aceita a ideia de que, por meio de outras religiões, também é possível conhecer Deus e a salvação.

“Santos” não canonizados são abolidos. Cristo volta a ser o centro das atenções na missa.

Cai o uso obrigatório da batina: agora, os padres podem usar trajes sociais. Segue a proibição ao casamento e ao sexo.

Só se for isso, certos cardeais querem retroceder ao período anterior ao concílio.

Motivo 5. Não aguentou a sequência de escândalos e protestos que se abateu sobre a igreja católica. Casos de pedofilia. Má conduta do Banco do Vaticano. Protestos dos mulçumanos e etc.

O papa demonstrou não ser hábil no gerenciamento dessas crises. Preferiu não enfrentá-los de frente. Principalmente nos que diz respeito à pedofilia. Optou por esconder e transferir sacerdotes. Achou melhor conviver com a impunidade, a princípio.

Quanto a isso escreveu Christopher Hitchens, na Newsweek: “Remova mentalmente as vestimentas papais e o imagine num terno, Joseph Ratzinger se transforma apenas num burocrata bávaro que tem falhado na única tarefa que lhe foi estipulada – a de controle de danos”.

Motivo 6. Crise intelectual. O sumo pontífice cansou da burocracia preferiu voltar aos livros, aos alunos, às discussões, às reflexões.  O cargo exigia que renegasse aos seus pensamentos. Vai ver não concordou. Totalmente diferente de certo político da América do Sul que orgulhosamente pediu para que as pessoas esquecessem tudo que havia escrito, um pouco antes de assumir o poder.

Motivo 7. Estava com a saúde abalada. Sentiu que não tinha mais condições físicas de suportar as exigências do cargo. Pediu para ir embora.  Ele criticou o comportamento de João Paulo II, que mesmo gravemente enfermo continuou a ocupar o cargo.

A verdade verdadeira nunca saberemos.

Ele falou também em hipocrisia. Ao que se referia?

bento xviJoseph Ratzinger terá, ainda, que viver enclausurado. Escondido.

O novo bispo de Roma terá a sombra de um ex-papa a espreitá-lo. Calculem o estrago que Ratzinger pode fazer se der uma declaração pública desdizendo o sumo pontífice em exercício.  Principalmente sobre o entendimento de Deus. Teremos um novo cisma.

O diletante,o apedeuta e a Infraero.

O nobre “colonista” da veja, Reinaldo Diletante Azevedo, em seu artigo de 1 de fevereiro de 2013, escreveu: “Luiz Inácio Apedeuta da Silva foi a Havana participar de um troço chamado “Conferência pelo Equilíbrio Mundial”. Atacou aquela velha senhora, a Dona Zelite, especialmente a imprensa, que perseguiria democratas e humanistas como Cristina Kirchner, Evo Morales, Hugo Chávez… No Brasil, disse ele, a “mídia” não gosta de ver pobre andando de avião. Vai ver é por isso que o fanfarrão tentou reinstaurar a censura no Brasil: para que passássemos a elogiar aeroportos fedorentos, caindo aos pedaços, entregues a uma gestão ineficiente, lotada de larápios”.

Evidentemente que quando alguém é caluniado de uma forma tão estúpida como essa tem que tomar providências. Afinal, não foi qualquer um  que escreveu.  E não foi em qualquer publicação de bairro. Foi na sempre imparcial VEJA.

A diretoria da INFRAERO respondeu de forma veemente. Reinaldo Diletante Azevedo publicou no seu blog a íntegra da resposta, assinado por todos os diretores.

Os gestores da estatal escreveram o seguinte trecho: “O ineficiente, apesar de termos condições de mostrar que o senhor esta enganado, é uma mera opinião, não merecendo maiores considerações de nossa parte.

No entanto, “uma gestão lotada de larápios” não constitui mera opinião, mas uma afirmação. Isso mesmo: uma afirmação que atinge a honra e a dignidade de pessoas. Com efeito, a liberdade de imprensa ou qualquer outra espécie de liberdade não dá ao senhor, nem a qualquer outro profissional, o direito de vilipendiar a honra alheia.

O senhor será notificado judicialmente para que informe em que fatos concretos se baseou para fazer essa afirmação.”.

Este “colonista” não é conhecido por sua coragem. E sim por sua triste falta de poder de análise imparcial.

Então, tratou rapidamente de tirar o dele da reta, dizendo: “Refere-se ao presente uma ova! Se vocês cuidarem dos aeroportos da mesma maneira como leem um texto, estamos feitos. Sim, é verdade. Alguns aeroportos continuam fedorentos. O estacionamento do Aeroporto de Cumbica, por exemplo, que leva o nome do grande governador Franco Montoro, é um lixo. Mas basta ler meu texto para constatar que me refiro ao período em que Lula tentou instaurar a censura no Brasil. Se os senhores não sabem a que período me refiro, a ação judicial prometida terá a chance de esclarecer. Se querem gastar o dinheiro do contribuinte com isso, não tenho como impedi-los.”.

O problema, caro bloguista, é a vírgula colocada, pelo senhor, entre “gestão ineficiente” e “lotada de larápios” e mais a palavra “lotada”. Creio que Reinaldo usou a palavra lotada como sinônimo de “cheio”, então deveria usar a “lotado”. Caso haja interesse, procure o significado de “lotada”. Portanto o senhor chamou de larápios todos que trabalham nos aeroportos “fedorentos” e não só a diretoria.  Também é uma interpretação.

Uma observação: para um estudioso da língua portuguesa o senhor seria considerado um apedeuta devido ao uso errôneo desse substantivo feminino. Que chato, não é mesmo?

Porém numa coisa Reinaldo Diletante Azevedo está certo. Ele não desejou atingir a diretoria da empresa. Isso foi apenas um meio de falar mal do ex-presidente, da Dilma, de Cuba e do que ele chama de Petralhas.

“Atirou no que viu e acertou no que não viu.”, como diz o provérbio português. Agora é tarde ínclito escrevinhador.

E não adianta apelar para o contribuinte. Se o dinheiro gasto for público, será bem gasto. Será um favor que estes cidadãos estarão fazendo pela democracia.

Agora não sei se a estatal ganhará esse processo.

Gilmar Dantas, perdão Gilmar Mendes (confundi, assim como uma entrevistada da Globo News, com Daniel Dantas) ministro do Supremo Tribunal Federal compareceu, enquanto se julgava o processo 470, ao lançamento do livro “O Pais dos Petralhas”, escrevinhado por este “colonista”. Sinal de muita consideração.  E respeito.

Assistam a este vídeo.

E quando Reinaldo Diletante Azevedo fala sobre a censura que Lula iria impor à imprensa está completamente enganado.

O que se pede atualmente é justamente o contrário. Liberdade de expressão. O pluralismo de opiniões. E não esse monopólio da mídia. Restrito a 10 famílias. Que falam o querem. Manipulam a bel-prazer. Se escondem atrás dessa tal “liberdade da imprensa” para continuar destilando seus detritos sólidos, como bem disse Paulo Henrique Amorim.

E por mais que ele tente ser irônico soa sem graça o que escreve, por falta de talento.

Talvez ele nem merecesse tanta atenção assim. Mas pra quem trabalha para desestabilizar o governo é uma boa.

Pais rico é um pais sem pobreza, e não sem conforto.

Ops! Será que ele tentou fazer piada ou é ignorância mesmo?

Eleição no congresso nacional e o PGR.

congressoComo previsto, foram eleitos Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves presidente do senado e da câmara dos deputados, respectivamente.

Henrique está no seu, espantoso, décimo primeiro mandato consecutivo como deputado federal pelo PMDB do Rio Grande do Norte. São 44 anos de congresso.

Renan orbita o poder desde 1985. Atualmente é senador por Alagoas (PMDB).

O comum entre eles, além de pertencerem ao mesmo partido, são as denúncias de tráfico de influência e corrupção.

Renan Calheiros foi ministro da justiça de Fernando Henrique Cardoso, 1998. Exerceu a presidência do senado no período de 2005-2007. Deixou o cargo após acusação de que a empreiteira Mendes Júnior pagava a pensão devida à jornalista Mônica Veloso, com quem tinha um filho. Acusado também de ter comprado rádios em nomes de laranjas. De passar notas frias para justificar gastos e etc.

Contra Henrique Alves paira a desconfiança de uso de verba para beneficiar certa construtora, cujo dono seria um ex-assessor de seu gabinete. Corre ainda julgamento de improbidade administrativa.

São acusações sérias, sem dúvidas. Obrigatoriamente, terão que ser investigadas. E os culpados punidos. E, depois de transitado em julgado, perderem o mandado e tornarem-se inelegíveis.  Fichas sujas. No entanto até isto ocorrer… Aguarda-se.

Por serem acusações antigas (algumas da década de 90), pergunto: por que não foram encaminhadas ao tribunal competente antes? Aliás, bem antes? Por que só agora?

Pelo comportamento da grande imprensa, do procurador geral e pela forma que o STF conduziu o processo 470 é possível imaginar que por trás dessa aparente denúncia há algo a mais. Outro propósito maior. 2014, talvez.

Roberto Gurgel lembra muito outro procurador. Inclusive já foi comparado a ele.

Geraldo Brindeiro. Nomeado por Fernando Henrique Cardoso, foi procurador geral da república por quatro mandatos. Entre 1995 e 2003. Ficou conhecido como “Engavetador Geral da República”, pois dos 626 inquéritos criminais que recebeu, engavetou 242 e arquivou outros 217. Somente 60 denúncias foram aceitas. As acusações recaiam sobre 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e quatro ao próprio presidente FHC.

Das 60 denúncias aceitas nenhuma envolvia figuras do PSDB.  Brindeiro blindou o governo Fernando Henrique. Por causa disso, passados dez anos, muitos acreditam que no governo dos tucanos não houve corrupção.  E se existiu não foi com essa magnitude da atualidade.

Vejam o porquê desta comparação. Gurgel levou até o STF o caso do “mensalão”, do PT. Mas engavetou o mensalão mineiro, ligado ao PSDB. Aceitou acusações de corrupção contra Lula, feito por alguém totalmente sem crédito, e não deu procedimento a acusações de corrupção nas privatizações à época de FHC. O livro “Privataria Tucana” mostra o modus operandi da corrupção. Tudo documentado. E o que faz o procurador? Trata a obra como se fosse ficção científica. Nem levou em consideração o trabalho do repórter investigativo  Amaury Ribeiro JR.

Também, foi acusado de não dar procedimento as investigações feitas pela Polícia Federal. Como no caso de Daniel Dantas e Demostenes.

Roberto Gurgel é tendencioso. E não se importa que achem isso dele.  Um rei não leva em consideração o que o povo pensa, pelo menos na idade média era assim. Ele não procede com lisura e independência.  Ele dá procedimento aos inquéritos dependendo da pessoa ou do partido envolvido.

Por tudo isso, não há como não desconfiar de que o alvo não são esses velhos conhecidos e sim o governo federal. E que toda essa repentina sede de justiça se dá porque os governantes são o que são. Aos amigos tudo, aos inimigos a lei.

A democracia tem dessas coisas.  A oposição está fragilizada. Aturdida na sua prepotência. Sem projeto. Sem discurso.

Então outros assumem a função contestatória. O que não poderia acontecer.

Em 2010 em discurso, proferido no Instituo Milenim, Maria Judith Brito, então presidente da ANJ (Associação Nacional dos Jornais) disse: “A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”.

A impressa reconheceu que faz o papel de partido de oposição.  Então não há como garantir a fidedignidade da informação. Não há a preconizada liberdade de expressão. E sim que as notícias são manipuladas. Direcionadas. Descaradamente.

O congresso, com Renan e Henrique, será desmoralizado perante a opinião pública. Não é tarefa difícil. Os parlamentares providenciaram um banquete para as raposas.

O judiciário foi posto em embate com o congresso. Crise institucional. Carlos Chagas, comentarista do SBT, já perguntou qual dos poderes irá primeiro chamar o exército.

Esses senhores estão amaciando os militares. Estão preparando um golpe. A cor não importa. Branco, azul, marrom. Tanto faz.

Conforme artigo primeiro da constituição “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Algumas autoridades que deveriam interpretar ou cumprir a constituição simplesmente esquecem este artigo. Ou não estão nem aí.

Gurgel e Joaquim Barbosa foram nomeados pelo Lula. E não eleitos pelo povo. Cumprir o papel para os quais foram designados é uma coisa. Agir inescrupulosamente e malevolamente é outra, bem diferente.