A gangue da “liberdade de expressão” censura Luiz Carlos Azenha.

azenhaReproduzo, abaixo, o pronunciamento que fez, o agora censurado, Luiz Carlos Azenha no seu blog “viomundo”.

Famoso jornalista, trabalhando atualmente na Record, foi proibido de expressar suas ideias, e dar espaço a outras vozes, por aqueles que tanto defendem a “liberdade de expressão”. As organizações Globo, na figura do sombrio Ali Kamel, conseguiu calar a voz de mais um.

A imprensa hegemônica ( Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, Veja, Globo e afiliadas) trabalha para incutir o pensamento único na sociedade brasileira. Seja  mentindo, manipulando ou criando factoides. Referendado pelo Instituto Millenium, criado por eles mesmos, em suas alucinações patológicas, sonham com a democracia “sem o povo”. Sem contraponto. Sem soberania. Sem discussão.

Esses seres agem como os marcadores de um grande craque de futebol. Para não serem expulsos, se revezam nas faltas violentas. Cada uma bate uma vez. E fica tudo bem.

A folha e A Globo já fizeram sua parte. Quem serão os próximos?

por Luiz Carlos Azenha

“Meu advogado, Cesar Kloury, me proíbe de discutir especificidades sobre a sentença da Justiça carioca que me condenou a pagar 30 mil reais ao diretor de Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, supostamente por mover contra ele uma “campanha difamatória” em 28 posts do Viomundo, todos ligados a críticas políticas que fiz a Kamel em circunstâncias diretamente relacionadas à campanha presidencial de 2006, quando eu era repórter da Globo.

Lembro: eu não era um qualquer, na Globo, então. Era recém-chegado de ser correspondente da emissora em Nova York. Fui o repórter destacado para cobrir o candidato tucano Geraldo Alckmin durante a campanha de 2006. Ouvi, na redação de São Paulo, diretamente do então editor de economia do Jornal Nacional, Marco Aurélio Mello, que tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser “esquecidas”– tirar o pé, foi a frase — porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula.

Vi colegas, como Mariana Kotscho e Cecília Negrão, reclamando que a cobertura da emissora nas eleições presidenciais não era imparcial.

Um importante repórter da emissora ligava para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, dizendo que a Globo pretendia entregar a eleição para o tucano Geraldo Alckmin. Ouvi o telefonema. Mais tarde, instado pelo próprio ministro, confirmei o que era também minha impressão.

Pessoalmente, tive uma reportagem potencialmente danosa para o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, censurada. A reportagem dava conta de que Serra, enquanto ministro, tinha autorizado a maior parte das doações irregulares de ambulâncias a prefeituras.

Quando uma produtora localizou no interior de Minas Gerais o ex-assessor do ministro da Saúde Serra, Platão Fischer-Puller, que poderia esclarecer aspectos obscuros sobre a gestão do ministro no governo FHC, ela foi desencorajada a perseguí-lo, enquanto todos os recursos da emissora foram destinados a denunciar o contador do PT Delúbio Soares e o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, este posteriormente absolvido de todas as acusações.

Tive reportagem sobre Carlinhos Cachoeira — muito mais tarde revelado como fonte da revista Veja para escândalos do governo Lula — ‘deslocada’ de telejornal mais nobre da emissora para o Bom Dia Brasil, como pode atestar o então editor Marco Aurélio Mello.

Num episódio específico, fui perseguido na redação por um feitor munido de um rádio de comunicação com o qual falava diretamente com o Rio de Janeiro: tratava-se de obter minha assinatura para um abaixo-assinado em apoio a Ali Kamel sobre a cobertura das eleições de 2006.

Considero que isso caracteriza assédio moral, já que o beneficiado pelo abaixo-assinado era chefe e poderia promover ou prejudicar subordinados de acordo com a adesão.

Argumentei, então, que o comentarista de política da Globo, Arnaldo Jabor, havia dito em plena campanha eleitoral que Lula era comparável ao ditador da Coréia do Norte, Kim Il-Sung, e que não acreditava ser essa postura compatível com a suposta imparcialidade da emissora. Resposta do editor, que hoje ocupa importante cargo na hierarquia da Globo: Jabor era o “palhaço” da casa, não deveria ser levado a sério.

No dia do primeiro turno das eleições, alertado por colega, ouvi uma gravação entre o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno e um grupo de jornalistas, na qual eles combinavam como deveria ser feito o vazamento das fotos do dinheiro que teria sido usado pelo PT para comprar um dossiê contra o candidato Serra.

Achei o assunto relevante e reproduzi uma transcrição — confesso, defeituosa pela pressa – no Viomundo.

Fui advertido por telefone pelo atual chefão da Globo, Carlos Henrique Schroeder, de que não deveria ter revelado em meu blog pessoal, hospedado na Globo.com, informações levantadas durante meu trabalho como repórter da emissora.

Contestei: a gravação, em minha opinião, era jornalisticamente relevante para o entendimento de todo o contexto do vazamento, que se deu exatamente na véspera do primeiro turno.

Enojado com o que havia testemunhado ao longo de 2006, inclusive com a represália exercida contra colegas — dentre os quais Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e Carlos Dornelles — e interessado especialmente em conhecer o mundo da blogosfera — pedi antecipadamente a rescisão de meu contrato com a emissora, na qual ganhava salário de alto executivo, com mais de um ano de antecedência, assumindo o compromisso de não trabalhar para outra emissora antes do vencimento do contrato pelo qual já não recebia salário.

Ou seja, fiz isso apesar dos grandes danos para minha carreira profissional e meu sustento pessoal.

Apesar das mentiras, ilações e tentativas de assassinato de caráter, perpretradas pelo jornal O Globo* e colunistas associados de Veja, friso: sempre vivi de meu salário. Este site sempre foi mantido graças a meu próprio salário de jornalista-trabalhador.

O objetivo do Viomundo sempre foi o de defender o interesse público e os movimentos sociais, sub-representados na mídia corporativa. Declaramos oficialmente: não recebemos patrocínio de governos ou empresas públicas ou estatais, ao contrário da Folha, de O Globo ou do Estadão. Nem do governo federal, nem de governos estaduais ou municipais.

Porém, para tudo existe um limite. A ação que me foi movida pela TV Globo (nominalmente por Ali Kamel) me custou R$ 30 mil reais em honorários advocatícios.

Fora o que eventualmente terei de gastar para derrotá-la. Agora, pensem comigo: qual é o limite das Organizações Globo para gastar com advogados?

O objetivo da emissora, ainda que por vias tortas, é claro: intimidar e calar aqueles que são capazes de desvendar o que se passa nos bastidores dela, justamente por terem fontes e conhecimento das engrenagens globais.

Sou arrimo de família: sustento mãe, irmão, ajudo irmã, filhas e mantenho este site graças a dinheiro de meu próprio bolso e da valiosa colaboração gratuita de milhares de leitores.

Cheguei ao extremo de meu limite financeiro, o que obviamente não é o caso das Organizações Globo, que concentram pelo menos 50% de todas as verbas publicitárias do Brasil, com o equivalente poder político, midiático e lobístico.

Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão — entre outros que teriam se beneficiado do regime de força — houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento e Pasquim.

Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual.

E, por mais que isso me doa profundamente no coração e na alma, devo admitir que perdemos. Não no campo político, mas no financeiro. Perdi. Ali Kamel e a Globo venceram. Calaram, pelo bolso, o Viomundo.

Estou certo de que meus queridíssimos leitores e apoiadores encontrarão alternativas à altura. O certo é que as Organizações Globo, uma das maiores empresas de jornalismo do mundo, nominalmente representadas aqui por Ali Kamel, mais uma vez impuseram seu monopólio informativo ao Brasil.

Eu os vejo por aí.

PS do Viomundo: Vem aí um livro escrito por mim com Rodrigo Vianna, Marco Aurelio Mello e outras testemunhas — identificadas ou não — narrando os bastidores da cobertura da eleição presidencial de 2006 na Globo, além de retratar tudo o que vocês testemunharam pessoalmente em 2010 e 2012.

PS do Viomundo 2: *Descreverei detalhadamente, em breve, como O Globo e associados tentaram praticar comigo o tradicional assassinato de caráter da mídia corporativa brasileira”.

Lastimável, para não dizer outra coisa, o comportamento dessa mídia, não acham?

Ranço da senzala e as empregadas domésticas.

empregada_domstica_3Finalmente, após várias tentativas, o serviço de empregado doméstico será regulamentado. Já não era sem tempo.

Percebam o quanto demorou até chegarmos nesse ponto.

O primeiro embrião desse reconhecimento se deu no ano de 1886. Através do Código de Posturas do Município de São Paulo.  Ele definia o que era “criado” e seus direitos.  “Criado”, toda pessoa de condição livre que mediante salário tiver ocupação de copeiro, cozinheiro, engomadeira, ama-de-leite ou qualquer serviço doméstico e etc.“. O empregado teria que ser registrado na Secretaria de Polícia e teria direito ao aviso prévio por prazo indeterminado, caso houvesse quebra de contrato.

Como se percebe essas regras foram estabelecidas dois anos antes da abolição da escravatura. Então, por que desse código? Evidentemente não era para reparar uma injustiça com os cativos ou uma concessão aos seres humanos de cor preta, os forros. Naquela época o fluxo de imigrantes europeus já se pronunciava. E muitas das senhoras começaram a dar preferência por pessoas de cor branca.  O código servia aos imigrantes.

Anúncios como esses abaixo davam a indicação da mudança de postura:

“(A Província de São Paulo, 11/01/1883) Ama de leite. Precisa-se de uma que seja sadia, preferindo-se a côr branca. Para tratar rua da Imperatriz n.2, 2o andar.”

“(A Província de São Paulo, 03/03/1883) Ama. Precisa-se de uma preferindo estrangeira.”

“(A Província de São Paulo, 04/10/1880) Criada. Precisa-se de uma para carregar criança. Prefere-se branca e estrangeira. Tratar na r. Direita n. 8.”.

Em 1943 a função de empregada doméstica não foi incluída na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas, criada por Getúlio Vargas) por entenderem que este tipo de trabalho não tinha “valor econômico”.

1972 foi aprovada a lei 5859 que as integrava à Previdência Social.

1973 foi admitido o registro em carteira.

1988. Estendidos benefícios como salário mínimo, 13° salário, repouso semanal, férias , licença gestante.

2002. As atividade de empregados domésticos são descritos no CBO (Classificação de Brasileira de Ocupações)

2013. Garantia de salário, nunca inferior ao mínimo. Proteção do salário na forma da lei. Jornada de 8 horas diárias e 44 horas semanais. Hora extra remunerada em 50%. Reconhecimento de convenções e acordos coletivos. Proibição de diferença de salários por motivo de sexo, cor, idade ou estado civil. Trabalho noturno proibido para menores de 18 anos.

Falta regulamentar o FGTS.  A data para entrar em vigor desses novos direitos é 2 de abril. Vamos ver.

Agora, por que o regulamentação dos direitos dessa classe trabalhadora foi tão “lenta, gradual e segura”, como disse um velho ditador, é que são elas.

O serviço doméstico sempre foi relegado ao posto mais baixo na hierarquia de trabalho. Na idade antiga eram os escravos que faziam o serviço. Independente de sexo. Na idade média eram os serviçais. Na idade moderna, os criados. Pessoas estas oriundas das camadas sociais mais desprivilegiadas.

No fim do século XIX e início XX o trabalho doméstico era executado quase exclusivamente pelas mulheres. E como sabemos o sexo feminino é discriminada até os dias atuais. Cozinha é lugar de mulher. Mulher; cama, mesa e fogão e outras coisas mais. Há também o eufemismo. Trabalhar em casa é “fazer por amor”. O lar é parte constituinte da mulher.

No Brasil, em particular, o serviço doméstico sempre esteve ligado aos escravos. Ou índios ou africanos. Sem distinção de sexo, no início da colonização.

Com o passar do tempo e com a proibição de se aprisionar índios este trabalho ficou a cargo exclusivamente das pessoas de cor preta.

Cozinhar? Serviço de preto. Lavar? Serviço de preto. Passar, engomar, varrer etc.? Serviço de preto. Diziam à época. E assim ficou.

Então não há como esta função não ficar estigmatizada, discriminada.

A arquitetura de uma moradia de classe média alta atual traz o modo de ver as domésticas. Diz o anúncio: “Apartamento, com dependências de empregadas”. Ou seja, quarto e banheiro isolados do resto da casa. Localizado perto da cozinha e da lavanderia. Assim como eram a casa-grande e senzala.

O filme “Histórias Cruzadas”, de Tate Taylor, mostra bem essa relação empregada/patroa/discriminação.

Continuando. Existe outro problema que alimentou a não regulamentação.

A falta de união entre esses operários do lar.

A empregada tem seu local de trabalho dentro da casa. Ficando confinada à casa. E fica sujeita às regras desse ambiente. A chefa ou chefe desse lugar fazem suas próprias regras.  É o conflito público X privado.  A fiscalização não pode simplesmente entrar na morada de um cidadão. E, atuar como se fosse numa empresa. A casa é fechada a esse tipo de auditoria. Constitucionalmente.

As empregadas ficam subjugadas pelos patrões. Ou pela doçura ou pelo medo. O receio de perder o emprego.

Esse tipo de trabalhador, com o passar do tempo, vira um “membro” da família. E como tal não precisa de grandes salários nem de grande direitos, não é mesmo? Então tornar-se difícil uma luta coletiva por seus direitos.  E sem união , não há vitória.

E por tudo isso e também por isso, a reação contra a regulamentação já se faz notar.

85% das trabalhadoras perderam emprego, ameaçam.

Ora bolas! Para quem já mantém a trabalhadora doméstica dentro da legalidade o aumento não é exorbitante. Segundo reportagem do Estado de S. Paulo, de 27 de março, página B3, para quem paga um salário de R$755,00 tem um custo de total de R$973,95. Com as novas regras o custo total, com o mesmo salário, será de R$ 1.174,49. É um absurdo?

Agora, o empregador que paga menos de um salário mínimo, ou apenas isso, mantém a trabalhadora na informalidade ou exige que ela durma no emprego e acha que está fazendo um favor, aí sim ele terá que demiti-la.  Pois essa pessoa não tem condições de empregar ninguém.

Aliás, ela não quer uma profissional do lar. Ela quer uma semi-escrava.

Sobre essa condição a Associação das Empregadas Domésticas do Rio de Janeiro disse que: a necessidade maior que a empregada tem é diminuir o “ranço da senzala”, quando vinculam a doméstica à “mucama, a escrava que serve”.

O Brasil precisa reparar as injustiças com os seres humanos de cor preta. Com os perseguidos. Com os discriminados. Rever a história que é ensinada nas escolas. Não adianta esconder as verdades sobre atrocidades.

Sites consultados:

www.cni.unc.br, www.scielo.or.br, www.capes.gov.br, www.n-a-u.org.

Morro do Bumba, quilombola Tapera e o descaso.

moradia do bumbaMe dói n’alma quando o governo federal e estadual falam em liberar verbas para ajudar na reconstrução das cidades atingidas por desmoronamentos.

A vontade é de gritar: esperem! Não façam isso. Vamos primeiro encontrar um homem honesto. E, como o filósofo grego Diógenes, o Cínico, acender uma lamparina e sair procurando tal cidadão.

Não é para menos. Com as recentes chuvas, outra vez, a região serrana do Rio ficou em evidência. De novo devido a uma tragédia. Foram 33 vítimas do descaso público.

E com elas ficamos sabendo que até agora as casas prometidas, quando de outras calamidades equivalentes a essas, ainda não foram entregues.

A favela do morro do Bumba veio abaixo em 2010. A tragédia aconteceu em Niterói, Rio de Janeiro. Ceifou a vida de 47 pessoas. E deixou milhares de desabrigados.

Verba federal foi liberada pra construção de novas moradias. Após três anos de espera 450 famílias terão que aguardar por mais algum tempo para terem de volta um lar. Pois, do total de 11 prédios, que ainda estão em construção, dois terão que ser demolidos. Apresentaram problemas estruturais. Os outros nove serão avaliados.

A comunidade quilombola Tapera, localizada em Petrópolis, RJ, também tiveram suas casas condenadas após a catástrofe de 2011. Passados dois anos eles continuam morando, provisoriamente, em um estábulo.  As novas moradias ainda não foram terminadas. E pior, as obras agora estão paralisadas. O atual prefeito da cidade, Rubens Bomtempo (PSB) irá reavaliar os contratos. Quanto tempo que irá gastar nesta cruzada é que são os quinhentos. Um, dois, três anos, quem sabe?

Estes são dois casos que ilustram bem a falta de sensibilidade das autoridades para com a população.

E não só sensibilidade. Fica difícil não pensar em corrupção. Em desvio de verbas. Superfaturamentos. E tudo mais que se enquadre como crime do colarinho branco. Afinal, foram muitos casos denunciados e constatados de delitos. Há ex-prefeito dessa região foragido.

Estas pessoas dão razão a Thomas Hobbes: o homem é o lobo do homem. Triste constatação.

Roubar é deplorável. Enterrar esperanças de quem pouco tem é abominável.

Usar politicamente esses eventos coloca os manipuladores no mesmo patamar dos marginais.

Nos fatos relatados acima os únicos que se pronunciaram sobre os atrasos e erros nas obras foram os representante da Caixa Econômica Federal.  Quem viu a reportagem saiu com a nítida ideia de que existe um único culpado desse descalabro: a Dilma.

Prefeituras, secretários, engenheiros, construtoras não foram se quer ouvidos. Mas isso tem que acabar.

Despejo dos índios do Museu do Índio.

museu do indioCom a retirada forçada dos índios que habitavam o Museu de mesmo nome, fica claro que quando há interesses econômicos envolvidos no assunto, não existe lei nem poder que impeçam o avanço do mundo civilizado.

Como trator, os interessados arrasam a terra. Apagam a reflexão.  Modificam a paisagem. Destroem a memória.

Mais um pouco da história indígena é apagada.  As gerações futuras ficarão espantadas quando souberem que Maracanã é uma palavra tupi. Semelhante a maraca.  Que chacoalha. E que o estádio recebeu esse nome devido a uma espécie de papagaio. O maracanã-guaçu. Não saberão que aquele lugar um dia abrigou o Museu do Índio.  E pior talvez nem deem mais importância a esse fato. O índio estará excluído da formação cultural do povo brasileiro. Não compreenderão porque é importante a preservação da memória de um povo.

E quem sabe, daqui a décadas, alguma empreiteira, escavando buracos, encontre as antigas fundações deste edifício. Cientistas extasiados irão então recolher algum fragmento.  Descobrirão indícios de que ali já foi o habitat de tribos desconhecidas. Irão estudá-las. Medi-las. Catalogá-las.  E colocaram o resultado do extenuante trabalha num museu. Que ironia. A lembrança do lugar ficará restrita a trabalhos acadêmicos. Que não serão lidos.

Após o anúncio da descoberta deste sítio arqueológico reportagens serão feitas. Entrevistas e palestra serão proferidas, em locais de difícil acesso e repressores para o cidadão comum. Teses de mestrados e doutorados. Ativistas perguntarão: como pessoas daquela época deixaram essa preciosidade histórica desaparecer? Poetas declamarão poesias à perda irreparável. Cantores cantarão as tristezas.

No entanto, esses meus devaneios não teriam razão de ser se as autoridades fossem sensíveis ao problema indígena.

A princípio queriam transformar o lugar num estacionamento. Após pressão da classe artística ,decidiram transformá-lo no museu olímpico, como se o Brasil tivesse tradição nesses jogos.

Seria muito mais atrativo, digno e justo se reativassem o museu. Se a aldeia maracanã fosse oficializada. Se seus habitantes respeitados. Por lá passarão inúmeros estrangeiros. Tanto na copa do mundo, como nos jogos olímpicos. Demonstraríamos ao mundo que mudamos. Que não somos esses genocidas de povos. Que estamos aprendendo com os erros.

Já aconteceu fato parecido na nossa história. No começo do século XX era proibido jogar pretos nos times de futebol, pois os dirigentes da época tinham vergonha de mostrar ao mundo nossa formação. Será que essas autoridades, após quase cem anos, têm o mesmo pensamento? Será que  estão com vergonha também? O mundo mudou. Vergonha foi feita agora.

Como a países europeus, por exemplo, reagirão diante desse evento? Estamos remando contra a maré.

Segundo o Jornal do Brasil, do dia 24/01, “A ministra da Cultura, Marta Suplicy, conversou com o governador em exercício do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, para manifestar a posição do Ministério da Cultura (MinC) a favor da preservação da Aldeia Maracanã, antigo Museu do Índio, prédio datado de 1862, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.

A ministra disse que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC) já recomendou ao estado o tombamento do imóvel.

“O Brasil é um país que respeita e valoriza a diversidade. Cada vez mais isto é reconhecido no mundo. Esperamos que prevaleçam o interesse na preservação do patrimônio material e imaterial e a sensibilidade do governo do estado””.

Prevaleceu a ordem de despejo. A rapidez do cumprimento. E o interesse capitalista.

É interessante essa reportagem: “O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Rio (MP-RJ) se juntaram nesta terça-feira para mover uma ação pública com pedido de liminar para que o processo de licitação da concessão do Maracanã, em andamento desde fevereiro, seja suspenso. A alegação é de que o BNDES deve dar um parecer  sobre o estudo de viabilidade financeira. Os órgãos pedem também que o estudo usado como base para promover a licitação seja publicado na internet para conhecimento público. O BNDES emprestou R$ 400 milhões ao governo do Rio como parte do financiamento da obra de adequação do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014.

Segundo o MPF e o MP-RJ, algumas irregularidades foram encontradas no edital de licitação, como, por exemplo, a falta de justificativa para o valor de investimento de R$ 594 milhões e a outorga no valor mínimo de R$ 4,5 milhões”, conforme jornal o LanceNet.
Leia mais no LANCENET! http://www.lancenet.com.br/minuto/MPs-estadual-suspensao-concessao-Maracana_0_885511492.html#ixzz2OIzW7amt
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Como se pode ver há muita podridão na construção/reforma do Maracanã. Que moral tem estas autoridades para tratar um patrimônio brasileiro com tão pouco caso?

As explicações técnicas/econômicas/antropológicas que respaldaram a retirada dos índios do Museu do índio não são válidas. Quaisquer que sejam. São balelas diante do acontecido. Nada justifica essa amostra grátis de atrocidade contra os povos indígenas.

Onde está a Comissão dos Direitos Humanos e das Minorias numa hora dessas?

A ditadura continuada e a pluralidade.

ditadura continuadaA imprensa brasileira não é democrática. As informações são monopolizadas. Controladas por poucos empresários (famílias). Contam-se nos dedos os detentores deste “quarto poder da república”. Isto é um fato. Não mera especulação.

Que os donos sejam contra a quebra do monopólio da imprensa é compreensível  (não aceitável). Nenhum empresário quer perder mercado, poder e dinheiro.

Escudados atrás da liberdade de expressão e se opondo a toda forma de censura estes senhores feudais se protegem contra qualquer iniciativa de perda do status quo.

E mais, a imprensa hegemônica combate ferozmente a internet e seus “blogueiros”, apelidados por José Serra de “sujos”, censurando-os. Processando-os. Está certo que a grande mídia também sofre processos judiciais. Porém um jornalista independente não tem o mesmo poder econômico que eles. É presa fácil.

Então, pelo visto, para esses barões, existem dois tipos de liberdade de expressão e de censura: a que reza na cartilha monopolista deles e a que não reza.

Agora, que jornalistas, intelectuais, profissionais do meio defendam a continuação deste sistema, sabedores que são que há muitos interesses escusos de baixo do manto de candura e imparcialidade que a mídia passa ao cidadão comum, é que é estranho.

No entanto Celso Lafer, em seu artigo publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, página A2, do dia 17 de março, lançou uma luz sobre essa incoerência de posição dos detentores da informação.

Após citar Raymond Aron, Kant, Hannah Arendt, padre Antonio Vieira, Bobbio escreveu: “Ao repassar dezenas de artigos que escrevi nestes dez anos com o propósito de ser um “observador engajado”, verifico que não são textos de uma nota só. São a expressão de uma visão pluralista da realidade. Partem do pressuposto de o julgar e o apreciar de um intelectual público devem caracterizar –se pela inquietação da pesquisa, pela vontade de diálogo, pelo espírito crítico”.

Deixando de lado o seu autodeslumbramento intelectual, o que sobra é o respaldo científico que forneceu aos que desejam continuar donos absolutos da informação.  A grande mídia pode estar nas mãos de poucos, mas ela dá espaço a “visão pluralista da realidade” (??). Nem que seja de um homem só (??). No caso, a do emérito professor. Será que Celso Lafer é dono de todas as verdades e de todos os pontos de vistas do planeta? É muita prepotência. Aliás, este é um mal generalizado na classe a que ele pertence.

Bom, é o primeiro monopólio pluralista que tenho noticia no mundo. Se bem que para um país que tem o primeiro partido, Rede Sustentabilidade de Marina Silva, apartidário e apolítico não é de se admirar que isto também aconteça. Monopólio Pluralista.

Ainda, sobre a internet afirmou que o jornal “Contribui, assim, para o papel do jornalismo responsável no ajudar o manuseio e a seleção do imenso e desordenado fluxo de informação que a internet vem multiplicando exponencialmente, num ambiente também permeado pelo sectarismo de múltiplas redes sociais”. Conclusão: a internet não presta. Tem que ser manipulada por ilibados profissionais desta mídia, pois os que aí estão ou são sectários ou não tem o capacidade para discernir sobre suas próprias opiniões. Compreendeu Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Paulo Moreira Leite, Azenha e outros “sujos”?

Esse é o pensamento geral da mídia hegemônica. Ou simples desculpa.

Atrelado a esse falso, ou inocente, pluralismo da imprensa fica a dica de leitura do livro “A Ditadura Continuada”, de Jakson Ferreira de Alencar, editora Paulus.

Nesta obra  o autor analisa o comportamento da grande imprensa durante a campanha presidencial de 2010. O pacto anti Dilma entre Globo, Veja e Folha de S. Paulo. A falta de pluralismo. E o jornalismo partidário.

Foco maior é sobre a Folha. Mostra através de provas e argumentações jornalísticas o mau comportamento e a falta de respeito do diário para com a verdade e para com seus leitores. A decantada imparcialidade é desmascarada durante a leitura dessa obra.

O livro está dividido em três capítulos: 1 – O caso da ficha falsa de Dilma Rousseff, 2- A pré- campanha, 3- Operação Segundo Turno.

No primeira parte Jakson mostra através de depoimentos e fatos a inverdade da Dilma guerrilheira.  Os factoides criados em torno dessa notícia.  As cartas não publicadas desmentindo a atuação da então candidata na luta armada, em assalto a bancos e no sequestro, que não houve, de Delfim Neto. A falta de provas. A não confirmação de depoimentos. E as entrevistas tendenciosas.

Na segunda parte vem descrito o esforço do jornal para “ressuscitar” escândalos passados. Os elogios para a campanha de Serra. A coesão em torno de seu nome. Enquanto a campanha de  Rousseff é noticiada como problemática e desunida. Quando na verdade era o contrário. Os temas negativos do candidato do PSDB não abordados. Ou a publicados em notas minúsculas escondida num canto secundário.

Terceira parte. O Jornal destaca o caso do “dossiê”. Quando o PT foi acusado de vazar dados fiscais sigilosos de várias pessoas. Mais tarde descobriu-se que não eram fiscais e não foram feitos pela equipe de Dilma e sim elaborados a pedido de pessoas ligadas aos tucanos.  O caso Erenice Guerra, chefe da casa civil, e dita como braço direito da presidenta. A reverberação e sincronia entre as manchetes da Folha, o Jornal Nacional e o horário de propaganda eleitoral de José Serra. Como se sabe atualmente não houve o destacado tráfico de influência.

E em vários trechos do livro Jakson Ferreira fala sobre a falta de ética do jornal com seus profissionais. Pois, autoritariamente  estupra seu próprio Manual de Redação. Manual  este que dita as regra e limites para o bom jornalismo. Os Frias seguiram à risca o conselho de FHC: “esqueçam tudo que escrevi”.

O estrago na campanha, segundo o autor, só não foi maior porque  blogueiros fizeram o contraponto. Basicamente ouviram “o outro lado”. Quem teve oportunidade de ler os posts percebeu claramente o objetivo da Folha.

No twitter começou a pipocar declarações desmoralizantes em relação às manchetes sensacionalistas do jornal. “Erro de Dilma na coordenação do PAC  atrasa conclusão do Coliseu romano em 2000 anos”, ou “Errar é humano. Colocar a culpa na Dilma está no manual da Folha”. E por aí vai.

O grande mérito desta obra é mostrar como se manipula informações. Como mentiras se transformam em verdades.

A imprensa pode se posicionar a favor de um ou outro candidato. O Estado de S. Paulo fez isso; declarou-se a favor de Serra. O que não deve é agir como um partido. E através de noticias manipular o leitor. Isto que fizeram é de um mau-caratismo e de uma covardia patológicas.

O Brasil terá eleições para presidente em 2014. A oposição está angustiada, assustada e com ódio, depois de sucessivas derrotas. Que factoides ou escândalos criarão? Que mentiras inventaram?

Então para o amadurecimento pessoal do leitor e da democracia. Do fim do monopólio. Da manipulação da informação. Do pluralismo de opiniões. E da verdadeira liberdade expressão  é interessante a leitura deste livro. Afinal, conhecimento nunca é demais.

E a respeito da Folha de S. Paulo sigo o pensamento de Paulo Henrique Amorim: “Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores”.

Argentina, mais uma lição de justiça.

reacao o golpe 64A Argentina nos dá mais uma lição de civilidade. Foram condenados à prisão perpétua o ex-ditador Reynaldo Bignone e mais quatro ex-oficiais. “A sentença foi apresentada com base nas provas obtidas na investigação de crimes contra a Humanidade cometidos em Campo de Mayo, conhecida como “Grávidas”, já que incluiu os desaparecimentos de sete casais nos quais as mulheres esperavam filhos no momento dos sequestros.

Além das cinco condenações à prisão perpétua, o tribunal ditou sentenças a penas de entre 12 e 25 anos de prisão para outros seis acusados, indicou o CIJ.

Bignone, sobre quem pesa outra condenação à pena máxima, assim como outras duas sentenças de 25 e 15 anos de prisão, foi o último governante do regime militar (1982-83), que deixou cerca de 30 mil desaparecidos”, conforme o portal G1.

Essa atitude do governo argentino está em consonância com as praticadas por outros países que também sofreram nas mãos de ditadores. É uma tendência à justiça internacional.

Nas décadas anteriores a 90 os facínoras eram protegidos pelas leis soberanas de seus países, hoje, se pegos, são julgados por tribunais internacionais.

Nomes de alguns líderes julgados por crimes genocídio, homicídio, tortura e perseguição religiosa.

Ieng Sari –um do líderes do Khmer Vermelho (Camboja).

Slobodan Milosevic – líder Sérvio

Augusto Pinochet – Ditador Chileno.

Jorge Videla – Ditador Argentino

Chales Taylor – presidente da Libéria

Omar al-Bashir – presidente do Sudão. E etc.

Enquanto isso no Brasil o máximo que conseguimos foi montar uma equipe denominada “Comissão Nacional da Verdade”. Cujo objetivo é investigar, e não punir, os crimes contra os direitos humanos perpetrados pelo estado brasileiro no período compreendido entre 1946 e 1988. E principalmente durante a ditadura militar (1964-1988).

E por que não punir se abertamente se fala em crime?

Porque existe a tal Lei da Anistia. Casuísmo elaborado em 1979 pelos próprios golpistas. Um pouco antes de pegarem o boné e caírem fora.

E para maior espanto da sociedade o STF ratificou-a após parecer do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, que afirmou: “Com perfeita consciência do contexto histórico e de suas implicações, com espírito conciliatório e agindo em defesa aberta da anistia ampla, geral e irrestrita, é que a Ordem saiu às ruas, mobilizou forças políticas e sociais e pressionou o Congresso Nacional a aprovar a lei da anistia”. Ele referia-se à participação da OAB e de políticos na corroboração da dita cuja.

Pergunto: havia outra opção? Era isso ou nada. Escolham, diz o general. Com a baioneta no seu peito.

Agora por que uma instituição democrática aprova uma lei elaborada por golpistas é que é estranho?

Segundo a constituição de 1946, então vigente à época do golpe, “Art 1º – Os Estados Unidos do Brasil mantêm, sob o regime representativo, a Federação e a República. Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”.

O poder do povo foi retirado à força. Todos os atos dos golpistas então foram ilegais, pois os representantes do povo foram calados.

Essa falta de punição leva a que se diga ou cometa atos digno dos anos de chumbo.

Notem a arrogância do delegado e ex-torturador Carlos Alberto Augusto, conhecido nos anos 70 como carteira preta. Este senhor ainda está na ativa, lotado na delegacia de Itatiba, interior de São Paulo. Foi braço direito do falecido chefão do Dops paulista, Sérgio Paranhos Fleury.

“Vou contar tudo e não só a verdade que a comissão deseja ouvir. Quero que a sessão seja acompanhada pela imprensa ou, se possível, transmitida ao vivo”. Palavras de quem sabe ser inimputável.

E os antiterroristas recentemente explodiram uma bomba na sede da OAB, no Rio de Janeiro, com intuito de intimidar a CNV.

Essas figuras tem receio da verdade. Têm medo que seus segredos venham à tona. Eles querem continuar invisíveis. Atuando nas sombras.

O clube militar exige que a comissão relate também os atos terroristas. Caros senhores, para este casos não há necessidade de investigação, está tudo relatado nos seus vários departamentos da repressão. DOPS. DOI-CODI.OBAN

Agora contra as torturas e mortes protagonizadas pelos golpistas não há uma linha. É isto que a CNV tem o dever de investigar. Ou será que os usurpadores imaginam que os perseguidos montaram arquivos como provas das atrocidades cometidas pelos órgãos repressores?

E no momento que as forças armadas derrubaram o governo legitimamente eleito, estes militares e civis apoiadores se tornaram automaticamente criminosos.

“Se um governo ou um particular fizer uso da força sem ter o direito de fazê-lo, “como todos aqueles que o fazem na sociedade contra a lei, coloca-se em estado de guerra com aqueles contra os quais a usar” (II, 232)”, segundo John Locke, pai do liberalismo.

O golpe foi dado com o apoio da imprensa hegemônica. De uma minoria da população. A alegação era salvar o país dos comunistas. Aqueles que comiam criancinhas. E eram criaturas muito maldosas. Evitar a falência inevitável da nação. Para a elite militar e civil o país estava à beira do abismo.

Pois bem. Os golpistas assumiram o governo para saná-lo. Social e economicamente, pelo menos era essa a ideia. Nada a ver com os Estados Unidos e sua política de submissão, diziam.

E como entregaram o país 20 anos depois?

Entregaram dessa maneira: inflação em torno de 80% ao mês. A diferença entre ricos e pobres aumentou. Renda concentrada. Divida externa de 105 bilhões de dólares. Índice de analfabetismo de 20%. Salário “arrochado”. Os pobres mais pobres. E sem perspectivas. 64,5 % da população considerados subnutridos ou desnutridos. Incremento de 10% na mortalidade infantil. Um país dependente das decisões do sistema financeiro e do FMI.  Das multinacionais e de suas ameaças (Alguém tem saudade da Auto-latina?) Destroçado culturalmente. Sem respeito. A constituição jogada no lixo. E a decantada soberania entrega a decisões americanas.

Só pela inconsequência dos seus atos econômicos e políticos já mereceriam punição.

Mas infelizmente estamos atrasados historicamente.

A Argentina está se reconciliando com seu passado. Está devolvendo a cidadania aos perseguidos. Deu um aviso aos futuros candidatos a ditador. A justiça tarda, mas não falha. Exceto no Brasil.

Ponte estaiada, uma obra faraônica.

estaiada 38Há no Brasil inúmeras obras inacabadas. Pontes, viadutos, ruas, prédios, escolas, hospitais, postos de saúde, rodoviárias, estádios e etc. Por algum motivo pararam e encontram-se abandonadas. Sejam por suspeita de corrupção, fraude, imbróglios judiciais, falta de pagamento, erros técnicos ou suspeita de superfaturamentos. São os chamados de elefantes-brancos. Pode ser público ou privado. As Encol’s da vida deixaram e continuam deixando pelo país um rastro de edifícios semiacabados. E compradores frustrados em seus sonhos da casa própria.

Há também as obras chamadas de faraônicas. Consideradas grandiosas e cara demais. Prontas ou pela metade. E, devido à falta de planejamento o custo-benefício não justificou ou não justifica o dinheiro investido.

Geralmente tais obras são idealizadas por megalômanos, pode ser uma autoridade governamental ou algum bilionário.

Exemplos de falta de visão ou de preparo encontramos em vários projetos.  Fordlandia um exemplo clássico do setor privado (1927).

Públicos temos: a construção da Ferrovia do Aço (MG) interrompida em 1979. O Acordo Nuclear com a Alemanha para construção de 8 usinas nucleares. Apenas Angra I e Angra II encontram-se em pleno funcionamento. E, finalmente, a emblemática Transamazônica. Que alguns carinhosamente apelidaram de Transmiseriana ou Transamargura.

transamazonicaTodas essas obras públicas citadas acima foram elaboradas pelos generais-presidentes. O executivo, do período da ditadura, não tinha obrigação de dar satisfação a ninguém de seus gastos.

Pois bem, com o advento da democracia, e de uma maior fiscalização dos atos do executivo, pensei ser óbvio que essas obras grandiosas não tivessem mais espaço. Ledo engano.

Antes de continuarmos faço um adendo. Como sabemos São Paulo é conhecida mundialmente pelo seu trânsito pesado e caótico. São quilômetros de congestionamento. Na hora do “rush” as marginais se transformam em um grande estacionamento. É um transtorno diário para os seus moradores. Esse problema paulistano é fartamente noticiado nos principais telejornais.

Os governos estadual e municipal abrem novas ruas, alargam outras. Constroem viadutos, pontes. Temos rodízio de carros e caminhões. E parece que nada soluciona o problema.

Inaugurou uma nova via no outro dia está ela está parada. É uma regra. Mas há uma exceção.

Voltando. Aqui em São Paulo, capital, a prefeitura construiu uma ponte que podemos enquadrá-la perfeitamente como faraônica.

Chama-se ponte Octávio Frias de Oliveira, ou simplesmente ponte estaida. Fica sobre o rio Pinheiros. Interliga dois bairros nobres, Morumbi e Real Parque, com a Avenida Espraiada e jornalista Roberto Marinho.

Foi inaugurado no dia 10 de maio de 2008, pelo prefeito Gilberto Kassab. A um Custo de R$ 184 milhões.

Irá, portanto, fazer 5 anos. E até o momento não justificou o alto investimento. Ela é subutilizada.

Quem assiste o Bom dia Brasil ou SPTV, ambos da Globo, sabe que a ponte a que me refiro serve de pano de fundo para os programas. Principalmente para o SPTV. E se prestar atenção na estaida irá perceber que ela nunca está congestionada, apesar das marginais estarem paradas. Passo um carro. Ás vezes 5, 6. Não mais que isso em cada enquadramento. E é diariamente. Independente do horário.

A ponte em questão  se transformou num cartão postal. Num cenário para comerciais. Num palco para desfile. Num caminho para corridas de ruas.  De bicicletas. No natal vira uma gigantesca árvore de natal. Os jogos de luzes são bonitos de se ver.

estaiada natal2Porém como fica a sua principal função, que é fazer o tráfego fluir mais rápido? Quantos foram os beneficiados? Ou melhor, quem foram os beneficiados?

Já ouvi jornalista comentar que essa ponte foi construída neste ponto para satisfazer a um capricho da emissora prateada. Será?

O termômetro para se medir se uma obra viária deu certo, quando o assunto é melhorar o trânsito, é a quantidade de veículos que a utilizam. No caso pontuado, a “Octávio Frias de Oliveira” não deu certo. Tem que ser investigada, portanto.

A solução para São Paulo é o investimento em transporte público de qualidade. A maioria de nossas autoridades concordam. Só não fazem.