Marco Feliciano presidente da CDHM. Sim ou não?

marco felicianoA eleição do deputado Marco Feliciano para presidência da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDHM) causou muita polêmica, indignação e manifestações em vários setores da sociedade.

Por que causou tanta revolta? Porque o nobre deputado tem posições preconceituosas, racistas e homofóbicas. Ele não poderia, então, presidir uma comissão que tenta combater justamente essas injustiças. Aliás, seu nome nem deveria ser aventado. Mas…

Apenas para marcar o absurdo do acontecido, pergunto: alguém escolheria Josef Mengele para cuidar da saúde dos judeus podendo indicar outros médicos? Os judeus não reclamariam dessa escolha, com toda razão? A escolha com certeza seria uma insensatez. Não acham?

Um pouco sobre a CDHM. A comissão  foi criada em 1995, quando o país passava por processo de reconstrução democrática.

As suas atribuições são “receber, avaliar e investigar denúncias de violações de direitos humanos; discutir e votar propostas legislativas relativas à sua área temática; fiscalizar e acompanhar a execução de programas governamentais do setor; colaborar com entidades não-governamentais; realizar pesquisas e estudos relativos à situação dos direitos humanos no Brasil e no mundo, inclusive para efeito de divulgação pública e fornecimento de subsídios para as demais Comissões da Casa; além de cuidar dos assuntos referentes às minorias étnicas e sociais, especialmente aos índios e às comunidades indígenas, a preservação e proteção das culturas populares e étnicas do País”.

O objetivo da comissão é “contribuir para a afirmação dos direitos humanos. Parte do princípio de que toda a pessoa humana possui direitos básicos e inalienáveis que devem ser protegidos pelos Estados e por toda a comunidade internacional. Tais direitos estão inscritos em textos e diplomas importantes de direitos humanos, que foram construídos através dos tempos, como são, no âmbito da ONU, a Declaração Universal dos Direitos  Humanos (1948) e, no âmbito da OEA, a Declaração Americana de Direitos Humanos (1948). O Brasil é signatário desses e de outros instrumentos internacionais, o que significa que assumiu compromissos com os direitos humanos perante a Humanidade e diante de seu povo”.

Como se pode notar pelas atribuições e objetivos é condição “sine qua non” que o presidente ou magistrado, como Marco costuma se referi,  seja uma pessoa no mínimo isenta de preconceitos. Que aceite o outro e suas diferenças. Saiba o significado de minoria em estado de vulnerabilidade.  E compreenda o conceito de democracia como sistema de justiça social.

Não é o caso de Feliciano, como fica claro por suas declarações.

“Sobre homossexuais minha posição é mais tolerante que se possa imaginar, como cristão aprendi no Evangelho, que somos todos criaturas de Deus, portanto nunca me dirigi a nenhum grupo de pessoas com desrespeito, apenas ensino o que aprendi na Bíblia”, diz Marco Feliciano.

Tolerar não é aceitar. É suportar . É sofrer com paciência. Em “apenas ensino o que aprendi na Bíblia”,  será que quis dizer que se alguém discrimina esse alguém  é a bíblia? Ele mesmo não faz isso. Bem, no mínimo foi deselegante este pronunciamento, concordam?

Em um discurso durante um congresso evangélico, ele afirmou que a Aids era o “câncer gay” e que  “a própria ciência revela o predomínio de infecção por esta doença em pessoas manifestamente homossexuais, tanto é verdade que quando se doa sangue na entrevista se for declinada a condição de homossexual essa doação é recusada”.

Conclusão: ser homossexual é doença e como tal deve ser cuidada. Então, para  o deputado o único direito que essa pessoa tem é o direito, gratuito, a tratamento médico na rede hospitalar pública.

Ainda sobre a homossexualidade  Marcos Feliciano declarou que o amor entre pessoas do mesmo sexo leva ao ódio, ao crime e à rejeição. Então, nesse caso específico,  a solução é da esfera policial e psiquiátrica.

Sobre o que escreveu no Twitter que os descendentes de africanos seriam pessoas amaldiçoadas. “A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre o continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!”, disse que “ ao longo deste ano de trabalho na comissão todos poderão constatar que não sou nada disto. Se eu tivesse algum comportamento racista, a primeira pessoa a quem eu deveria pedir desculpas é para minha mãe, que não tem pele negra, mas tem o cabelo negro, os lábios negros e o coração negro, como eu”.

Essa é uma pérola de desculpa. Os racistas quando pegos de surpresas na sua condição sempre saem com essa. A maioria diz: não, não sou racista, inclusive tenho um amigo negro… Este usou a mãe. Digamos que o nobre deputado não é dos mais corajosos.

Agora, para definitivamente mostrar sua personalidade racista e homofóbica notem que Marco Feliciano escolheu a dedo os escritos bíblicos que serviram  para lastrear a sua posição preconceituosa em relação às minorias aqui citadas.

O pastor Marco poderia escolher outra passagens, mas não o fez.

Como não sou um estudioso nos assuntos de Cristo reproduzo um texto sobre o seguinte questionamento.

Pergunta: “O que diz a Bíblia sobre racismo, preconceito e discriminação?”

Resposta:O primeiro item a compreender nesta discussão é que há uma só raça: a raça humana. Caucasianos, africanos, asiáticos, indianos, árabes, judeus, etc, não são de diferentes raças, mas ao invés disto, são de diferentes etnias da raça humana. Todos os seres humanos têm as mesmas características físicas (com pequenas variações, é claro). Mas principalmente, todos os seres humanos são criados à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27). Deus ama o mundo inteiro (João 3:16). Jesus entregou Sua vida por todos no mundo inteiro (I João 2:2). O “mundo inteiro”, obviamente, inclui todas as etnias da humanidade.

Deus não mostra parcialidade ou favoritismo (Deuteronômio 10:17; Atos 10:34; Romanos 2:11; Efésios 6:9), e nem nós deveríamos. Tiago 2:4 descreve a qualquer um que mostra discriminação como juiz “de maus pensamentos”. Devemos sim amar a nosso próximo como a nós mesmos (Tiago 2:8). No Velho Testamento, Deus dividiu a humanidade em dois grupos “raciais”: judeus e gentios. A intenção de Deus era que os judeus formassem um reino de sacerdotes, ministrando às nações gentias. Mas ao contrário, em sua maioria, os judeus se tornaram orgulhosos de sua posição e desdenharam dos gentios. Jesus Cristo colocou fim a isto, destruindo a parede divisória da hostilidade (Efésios 2:14). Todas as formas de racismo, preconceito e discriminação são afrontas à obra de Cristo na cruz.

Jesus nos ordena que amemos uns aos outros assim como Ele nos ama (João 13:34). Se Deus é imparcial, e nos ama com imparcialidade, isto significa que precisamos amar aos outros com o mesmo alto padrão. Jesus nos ensina, ao final de Mateus 25, que tudo o que fizermos com o menor de Seus irmãos, faremos a Ele. Se tratarmos uma pessoa com desprezo, estamos maltratando uma pessoa criada à imagem de Deus; estaremos ferindo alguém que Deus ama e por quem Jesus morreu.

O racismo, em formas variantes e vários graus, tem sido uma praga na humanidade por milhares de anos. Irmãos e irmãs de todas as etnias, isso não pode ocorrer! Para as vítimas do racismo, preconceito e discriminação: você precisa perdoar. Efésios 4:32 declara: “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” Não, os racistas não merecem seu perdão, mas nós, muito menos ainda, merecemos o perdão de Deus! Aos responsáveis pelo racismo, preconceito e discriminação: vocês precisam se arrepender e apresentar-vos “a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça” (Romanos 6:13) Que Gálatas 3:28 seja completamente cumprido: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.”

Leia mais:http://www.gotquestions.org/Portugues/racismo-Biblia.html#ixzz2NAkidny4

Esta é  apenas uma resposta. Há várias.

Pelo visto pode-se extrair amor ou ódio da bíblia. Depende da interpretação que o ser humano dá as escrituras. Marco Feliciano extraiu o ódio e andou espalhando.

No campo político o deputado Domingos Dutra (PT-AM) denunciou a existência de um acordo entre os evangélicos e ruralista par dominar o CDHM e dessa forma  brecarem projetos de afetassem os interesses do agronegócio, segundo reportagem do estadão do dia 9 de março.

Se se confirmar tal afirmação do deputado petista os quilombolas e os índios estão em maus lençóis, também. Possivelmente não terão terras demarcadas e protegidas. Será um retrocesso dos direitos e fim de muitas culturas. O homem certo, no lugar certo. Para os ruralistas gananciosos.

E por falar em cultura o nobre deputado elaborou também propostas de restrição à liberdade de culto de religiões afro-brasileiras. E diz que não é racista. O Brasil é um estado laico, vale lembrar.  Isto que ele fez é um crime de lesa pátria.

Portanto, por tudo que foi dito e escrito este senhor não tem competência, moral e conhecimento para ser presidente de uma Comissão do Direitos Humanos e Minorias.

Abaixo o deputado Marco Feliciano (PSC-SP).

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Uma resposta em “Marco Feliciano presidente da CDHM. Sim ou não?

  1. Queremos democracia, logo, quando alguém é legitimamente eleito por maioria de votos, eleito foi, e está encerrada a disputa. Sejamos coerentes. O Deputado deve trabalhar no cargo para o qual foi eleito primeiro para se posicionarem depois dos resultados. Meus votos de sucesso ao Dep. Marco Feliciano e CDHM.

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