A ditadura continuada e a pluralidade.

ditadura continuadaA imprensa brasileira não é democrática. As informações são monopolizadas. Controladas por poucos empresários (famílias). Contam-se nos dedos os detentores deste “quarto poder da república”. Isto é um fato. Não mera especulação.

Que os donos sejam contra a quebra do monopólio da imprensa é compreensível  (não aceitável). Nenhum empresário quer perder mercado, poder e dinheiro.

Escudados atrás da liberdade de expressão e se opondo a toda forma de censura estes senhores feudais se protegem contra qualquer iniciativa de perda do status quo.

E mais, a imprensa hegemônica combate ferozmente a internet e seus “blogueiros”, apelidados por José Serra de “sujos”, censurando-os. Processando-os. Está certo que a grande mídia também sofre processos judiciais. Porém um jornalista independente não tem o mesmo poder econômico que eles. É presa fácil.

Então, pelo visto, para esses barões, existem dois tipos de liberdade de expressão e de censura: a que reza na cartilha monopolista deles e a que não reza.

Agora, que jornalistas, intelectuais, profissionais do meio defendam a continuação deste sistema, sabedores que são que há muitos interesses escusos de baixo do manto de candura e imparcialidade que a mídia passa ao cidadão comum, é que é estranho.

No entanto Celso Lafer, em seu artigo publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, página A2, do dia 17 de março, lançou uma luz sobre essa incoerência de posição dos detentores da informação.

Após citar Raymond Aron, Kant, Hannah Arendt, padre Antonio Vieira, Bobbio escreveu: “Ao repassar dezenas de artigos que escrevi nestes dez anos com o propósito de ser um “observador engajado”, verifico que não são textos de uma nota só. São a expressão de uma visão pluralista da realidade. Partem do pressuposto de o julgar e o apreciar de um intelectual público devem caracterizar –se pela inquietação da pesquisa, pela vontade de diálogo, pelo espírito crítico”.

Deixando de lado o seu autodeslumbramento intelectual, o que sobra é o respaldo científico que forneceu aos que desejam continuar donos absolutos da informação.  A grande mídia pode estar nas mãos de poucos, mas ela dá espaço a “visão pluralista da realidade” (??). Nem que seja de um homem só (??). No caso, a do emérito professor. Será que Celso Lafer é dono de todas as verdades e de todos os pontos de vistas do planeta? É muita prepotência. Aliás, este é um mal generalizado na classe a que ele pertence.

Bom, é o primeiro monopólio pluralista que tenho noticia no mundo. Se bem que para um país que tem o primeiro partido, Rede Sustentabilidade de Marina Silva, apartidário e apolítico não é de se admirar que isto também aconteça. Monopólio Pluralista.

Ainda, sobre a internet afirmou que o jornal “Contribui, assim, para o papel do jornalismo responsável no ajudar o manuseio e a seleção do imenso e desordenado fluxo de informação que a internet vem multiplicando exponencialmente, num ambiente também permeado pelo sectarismo de múltiplas redes sociais”. Conclusão: a internet não presta. Tem que ser manipulada por ilibados profissionais desta mídia, pois os que aí estão ou são sectários ou não tem o capacidade para discernir sobre suas próprias opiniões. Compreendeu Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Paulo Moreira Leite, Azenha e outros “sujos”?

Esse é o pensamento geral da mídia hegemônica. Ou simples desculpa.

Atrelado a esse falso, ou inocente, pluralismo da imprensa fica a dica de leitura do livro “A Ditadura Continuada”, de Jakson Ferreira de Alencar, editora Paulus.

Nesta obra  o autor analisa o comportamento da grande imprensa durante a campanha presidencial de 2010. O pacto anti Dilma entre Globo, Veja e Folha de S. Paulo. A falta de pluralismo. E o jornalismo partidário.

Foco maior é sobre a Folha. Mostra através de provas e argumentações jornalísticas o mau comportamento e a falta de respeito do diário para com a verdade e para com seus leitores. A decantada imparcialidade é desmascarada durante a leitura dessa obra.

O livro está dividido em três capítulos: 1 – O caso da ficha falsa de Dilma Rousseff, 2- A pré- campanha, 3- Operação Segundo Turno.

No primeira parte Jakson mostra através de depoimentos e fatos a inverdade da Dilma guerrilheira.  Os factoides criados em torno dessa notícia.  As cartas não publicadas desmentindo a atuação da então candidata na luta armada, em assalto a bancos e no sequestro, que não houve, de Delfim Neto. A falta de provas. A não confirmação de depoimentos. E as entrevistas tendenciosas.

Na segunda parte vem descrito o esforço do jornal para “ressuscitar” escândalos passados. Os elogios para a campanha de Serra. A coesão em torno de seu nome. Enquanto a campanha de  Rousseff é noticiada como problemática e desunida. Quando na verdade era o contrário. Os temas negativos do candidato do PSDB não abordados. Ou a publicados em notas minúsculas escondida num canto secundário.

Terceira parte. O Jornal destaca o caso do “dossiê”. Quando o PT foi acusado de vazar dados fiscais sigilosos de várias pessoas. Mais tarde descobriu-se que não eram fiscais e não foram feitos pela equipe de Dilma e sim elaborados a pedido de pessoas ligadas aos tucanos.  O caso Erenice Guerra, chefe da casa civil, e dita como braço direito da presidenta. A reverberação e sincronia entre as manchetes da Folha, o Jornal Nacional e o horário de propaganda eleitoral de José Serra. Como se sabe atualmente não houve o destacado tráfico de influência.

E em vários trechos do livro Jakson Ferreira fala sobre a falta de ética do jornal com seus profissionais. Pois, autoritariamente  estupra seu próprio Manual de Redação. Manual  este que dita as regra e limites para o bom jornalismo. Os Frias seguiram à risca o conselho de FHC: “esqueçam tudo que escrevi”.

O estrago na campanha, segundo o autor, só não foi maior porque  blogueiros fizeram o contraponto. Basicamente ouviram “o outro lado”. Quem teve oportunidade de ler os posts percebeu claramente o objetivo da Folha.

No twitter começou a pipocar declarações desmoralizantes em relação às manchetes sensacionalistas do jornal. “Erro de Dilma na coordenação do PAC  atrasa conclusão do Coliseu romano em 2000 anos”, ou “Errar é humano. Colocar a culpa na Dilma está no manual da Folha”. E por aí vai.

O grande mérito desta obra é mostrar como se manipula informações. Como mentiras se transformam em verdades.

A imprensa pode se posicionar a favor de um ou outro candidato. O Estado de S. Paulo fez isso; declarou-se a favor de Serra. O que não deve é agir como um partido. E através de noticias manipular o leitor. Isto que fizeram é de um mau-caratismo e de uma covardia patológicas.

O Brasil terá eleições para presidente em 2014. A oposição está angustiada, assustada e com ódio, depois de sucessivas derrotas. Que factoides ou escândalos criarão? Que mentiras inventaram?

Então para o amadurecimento pessoal do leitor e da democracia. Do fim do monopólio. Da manipulação da informação. Do pluralismo de opiniões. E da verdadeira liberdade expressão  é interessante a leitura deste livro. Afinal, conhecimento nunca é demais.

E a respeito da Folha de S. Paulo sigo o pensamento de Paulo Henrique Amorim: “Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores”.

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