Agora dá para entender: PEC 33, Gilmar Mendes e a Veja.

Veja abril 2013

Abaixo entrevista que Paulo Henrique Amorim fez com deputado federal Nazareno Fonteles (PT-PI), autor da PEC 33, que regulamenta a ação do Supremo Tribunal Federal.

Nela o deputado Fonteles demonstra surpresa com as recentes declarações de Gilmar Mendes, alarmantes, sem cabimento e exageradas, a respeito da emenda constitucional. Diz Gilmar que se aprovada tal emenda é “melhor fechar o STF”.

Agora vejam a capa da Veja dessa semana.  Fim da surpresa.

Fica claro o porquê das declarações sem lógica, insanas e absurdas do supremo supremíssimo. Conluio entre a revista e Gilmar Mendes. Finalidade? Criar um factoide. Duvidam? É o mesmo modus operandi praticado  pelo semanário em momentos anteriores. Cachoeira, Demóstenes, Policarpo estão aí para confirmar.

É mais um passo rumo ao projeto golpista da imprensa hegemônica,  a lá Paraguai.

1 – PHA: Deputado Nazareno, o presidente da Câmara, Henrique Alves e o presidente do Senado, Renan Calheiros, devem se encontrar hoje com o ministro Gilmar Mendes para – segundo o que diz a imprensa – evitar uma crise institucional entre os dois Poderes. Que crise é essa ?

Deputado Nazareno Fonteles: Bom, eu não estou vendo, do ponto de vista dos fatos associados ao conteúdo da PEC 33, nada que possa justificar uma crise.

Uma coisa é o que já existia antes desse período, das diversas intervenções dos ministros do Supremo nos atos legislativos. A gente tem essa lista histórica, de diversas intervenções deles – como já foi citado e é bom a gente repetir:

Além das mais recentes: a lei dos royalties de petróleo e da emenda dos precatórios.

Decisões sobre fidelidade partidária; verticalização em eleições; aborto de anencéfalos; união homoafetiva.

E uma – esta do Gilmar (PHA) – ainda coincidiu com o dia em que a PEC 33 foi aprovada na CCJ, em cima da lei ligada ao fundo partidário e ao tempo de tevê dos partidos.

Essa disputa política é entre oposição e situação, em que a oposição perde nas urnas e no plenário, e usa o Supremo como braço auxiliar; isso sim, não deixa de ser uma crise.

Mas, ela existe independente do conteúdo da PEC, que não mexe nisso. Eu fico até estranhando que queiram associar, botar essa PEC como bode expiatório para desqualificar o seu conteúdo, que é totalmente fundamentado na própria descrição dela.

Eu publiquei em um livrinho há um ano, distribuí por todos os gabinetes dos parlamentares da Câmara e do Senado, fiz artigo, divulguei-os nos meios eletrônicos e fiz discursos associados a isso ao longo desses quase dois anos. É isso que eu posso falar a princípio sobre essa chamada crise entre os Poderes.

2 – PHA: Deputado, o ministro Gilmar Mendes, disse que se sua PEC passar, seria melhor fechar o STF. O senhor prefere o STF fechado?

Deputado Nazareno: É muita asneira da boca de um ministro que tem doutorado em Direito Constitucional. Que é dono, em Brasília, de instituto nessa área, de pós-graduação. Que tem livro, publicado com outro (jurista) – que inclusive eu conheço. Aliás, ele é citado, em um dos livros dele, na justificação da minha PEC; e, em outro, que ele traduziu do alemão, e eu cito na justificativa. Eu não sei nem se ele leu isso tudo, para dizer uma asneira dessas.

Nossa PEC, Paulo, é muito clara. Aumenta o quórum de decisão de inconstitucionalidade no Supremo, ou recorre a consulta popular. Não existe nada que mexa em cláusula pétrea, que feche o Supremo.

Aliás, me parece que ele se esquece do passado. Em 1993, a emenda número 3 é que instituiu na Constituição de 88 a vinculação de decisões do Supremo sobre constitucionalidade aos tribunais inferiores.

Depois, a emenda 45, de 2004, criou a súmula vinculante.

Ou seja se foi feito pelo Congresso e não houve crise, como que o mesmo assunto não pode ser aperfeiçoado pelo Congresso ?

Eu acho muito estranha uma fala dessas. Eu considero uma fala irresponsável vinda de um magistrado. Porque o magistrado só deveria se pronunciar quando ele é questionado – assim são os costumes. Ele não foi questionado sobre isso. Ele foi entrevistado, me parece, como se fosse um candidato político em eleições.

Ele está falando de maneira muito própria do ambiente político e não do ambiente jurídico.

(Deveria ser) mais recatado, como um jurista, um magistrado da Corte Suprema . Isso, na minha compreensão e na compreensão do Código da Magistratura – e tenho até lido ele todo para poder analisar o comportamento dele e de outros com relação à mídia e ao Legislativo.

3 – PHA: Deputado, em que pé esta nesse momento a tramitação da sua PEC ? O presidente da Câmara se comprometeu a alguma coisa ou o senhor acha que isso ficará congelado sine die?

Deputado Nazareno: Eu não tive nenhum contato com o presidente da Câmara ainda.

A nota que o próprio presidente da Comissão de Constituição e Justiça mostra que tudo foi decidido corretamente. Foi só a admissibilidade dela que foi aprovada.

Mas, uma Comissão Especial, em que o presidente (da Câmara) pede a cada partido que indique seus representantes, tudo isso vai ser discutido em breve.

Eu não vejo por que esse pavor, já que o conteúdo dela sequer foi debatido, já que o lugar certo para (discutir) isso é a Comissão Especial. Para depois ir para plenário, para ser votada duas vezes e com quórum qualificado de três quartos, para, então, voltar para a Comissão de Constituição e Justiça, e ser votado duas vezes, também com quórum qualificado de três quintos, no plenário do Senado.

Não vejo inclusive o que o presidente da Câmara pode fazer, porque ele tem que cumprir o Regimento. Ele pode adiar, dizer que tem muitos pedidos de Comissão Especial, pode demorar.

4 – PHA: Última pergunta. Durante o noticiário que sucedeu a aprovação da sua PEC na CCJ, eu não vi nenhum apoio político ao senhor da parte do governo, ou do seu partido, o PT. O senhor é uma andorinha no verão?

Deputado Nazareno: Olha na verdade, veja bem. A maneira agressiva como manipularam politicamente a temática assustou, eu acredito, parte do partido e as pessoas ligadas ao Governo. Veja, a grande mídia fez a associação da PEC, por exemplo, com a Ação Penal 470 (do mensalão do PT).

Meu Deus, minha PEC não trata de nada disso, de qualquer decisão de matéria penal, em absoluto.

Outra coisa foi o uso dessa decisão pelo Gilmar, como uma espécie de retaliação.

(O deputado se refere ao projeto sobre o uso do fundo partidário para novas legendas, que o ministro Gilmar Mendes considerou inconstitucional por força de liminar – clique aqui para ver o Mauricio Dias disse sobre essa matéria, na Carta Capital.)

5 – PHA: O senhor acha que o ministro Gilmar retaliou, deputado?

Deputado Nazareno: Se, de manhã aprovou-se nossa emenda, e de noite, com celeridade, ele faz aquilo – que ele nem sequer precisava responder aquilo liminarmente, podia botar aquilo para o plenário, para respeitar assim o Poder Legislativo, e, não, usar dar essa resposta monocrática, cautelar.

Eu considero isso uma imoralidade, uma humilhação.

Um juiz ter mais importância do que 100 milhões de votos representados no Congresso Nacional.

E que um ditadorzinho possa fazer um negócio desse de próprio punho.

Isso não é admissível.

O Congresso não deveria sequer dar atenção à decisão do ministro.

Deveria é dar ordem de prisão, porque ele esta atacando o Poder, e entrar com processo de impeachment.

Se eu fosse presidente do Congresso, e qualquer um desses Gilmar Mendes se metesse a besta, Toffoli, esses ai … eu mandava, usando a Constituição, dava ordem de prisão.

Porque é um atentado ao Poder Legislativo.

Chamava as Forças Armadas para cumprir a decisão e entrava com o processo de impeachment.

Acabava com essa brincadeira de um Poder querer invadir o outro.

Infelizmente, as pessoas tem se acovardado, acostumados a ver as decisões do Legislativo serem tomas no Supremo.

Essa jurisprudência, às vezes dentro da Casa, junta a cabeça de assessores e consultores, porque foram doutrinados com essa visão, e acabam esquecendo do artigo 49 inciso XI da Constituição, e do artigo 52, inciso dez, em que o Senado é que diz se pode ou não cumprir uma decisão de inconstitucionalidade do Supremo. Tá na Constituição.

6 – PHA: O Congresso ignora o artigo 49 da Constituição, deputado?

Deputado Nazareno: Inciso XI. Que diz que é prerrogativa do Congresso, é competência exclusiva do Congresso zelar pela sua competência Legislativa diante dos outros Poderes.

Se os outros poderes estão mexendo na competência Legislativa, a última palavra quem dá é o Congresso.

Não cabe aos outros dois poderes dizer, sequer, se eles estão ou não mexendo: quem decide somos nós.

E o artigo 52 , inciso 10 em que o Senado pode ou não sustar, e decidir quando vale a decisão de inconstitucionalidade do Supremo.

7 – PHA: Mas parece que o Congresso tem medo do artigo 52?

Deputado Nazareno: Eu concordo com você. Aliás, no pedido de impeachment que houve contra o Gilmar Mendes, movido por um advogado um tempo atrás…

8 – PHA: O doutor Piovesan (Leia também ação do Dr Piovesan mais se parece com um B.O.)

Deputado Nazareno: Por conta de uma reportagem da revista Piauí, que mostrava que a mulher do Gilmar trabalhava no escritório do Sérgio Bermudês, ganhava um dinheiro lá. E o pedido sequer passou por Comissão Especial do Senado, posto em votação, ou seja, o Regimento do Senado foi desobedecido pelo Presidente de então, que era o Sarney.

Agora vem esse caso do Fux, que é aberrante também. ( “Dr Bermudes emprega a filha de Fux e ia dar a festa dos 60 anos dele”; Dirceu: “Fux me procurou para dizer que, se nomeado, ia me absolver”.) Infelizmente, a gente tenta incentivar os pares a ter altivez, a respeitar o que o Constituinte obriga que a gente faça. Nós não podemos deixar de fazer.

Estamos colocando a nossa Democracia em risco, o que leva a uma possível ditadura de juízes, sobretudo os da Suprema Corte. Onze pessoas comandando o país.

Os cães ladram e a caravana passa.

henfil-sem povo“Os meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada.” Judith Brito, ex-presidente da Associação Nacional de Jornais.

O ditado árabe do título ilustra bem o comportamento que o governo da Dilma deve adotar em relação a seus eternos e mesmos críticos da imprensa-hegemônica-manipuladora-golpista-partidária.

Não desanimem, deixem ladrar à vontade. Quanto mais alto o latido mais unido fica a caravana. Os cães latem por medo, não por coragem.

E do que nossos quadrúpedes têm medo? Eles têm medo de perder, mais uma vez, a eleição para presidente. Já serão 12 anos afastados do poder político. O econômico continua intacto. E mais forte.

Não adianta o Chico Pinheiro e a Renata Vasconcellos, com seus olhares psicopatas-sádicos-repressores, no Bom Dia Brasil, soltarem a matilha na busca de notícias difamatórias contra o programa “Minha Casa Minha Vida”. A política habitacional seguirá seu caminho. Para sorte dos menos favorecidos.

Quem teve o desprazer, como eu, de assistir quinta-feira última esse telejornal sabe a que estou me referindo.

Das quase um milhão e duzentas mil moradias entregues ou em fase de finalização eles mostraram apenas o que há de ruim. Outra vez não deram espaço para o outro lado se pronunciar. Editaram covardemente.

Era o prédio em ruinas no sudeste. A falta de infraestrutura e vandalismo no Norte. A invasão no nordeste. A corrupção no centro-oeste. E por falta de mais assunto, mostraram a tia Maricota e seu dissabor. Ela, coitada, comprou um sofá e não coube na sala. Isto no sul.

Com linguagem rápida e sensacionalista os dois âncoras desfilaram suas maldades e ignorâncias por todas as regiões do país. De notícia não havia nada. Bem disse Mário Quintana: “o que não é poema, é fofoca”. E foi muita fofoca. Um sarau de frases soltas.  Sem nexo. Perdidas no limbo do obscurantismo imoral.

Não que não existam problemas numa obra dessa envergadura. Não há como negar. A presidenta já havia comentado sobre a grandiosidade das metas e as mazelas que estavam por vir. Providências estão sendo tomadas.

Não desanimem. O que estão fazendo é o certo. O que a imprensa-hegemônica-manipuladora-golpista-partidária deseja é solapar o que há de bom no governo. Não abandonem aqueles que pela primeira vez ganharam visibilidade. Que ganharam direito à cidadania. São os sócios incluídos na sociedade.

Lembrem-se do Palace II, do Areia Branca em Recife, da Encol e de tantos outros casos.  Quem na vida já não passou por problemas em obras? Precisou injetar mais dinheiro do que o previsto? Brigou com os construtores? Abriu algum processo?

Que se punam os bandidos e não a população. E bola pra frente.

Muitos governos já passaram por esse mesmo massacre midiático. Mas venceram. E venceram porque enfrentaram as bestas do apocalipse.

Na Inglaterra, em 1930, o governo Inglês passou por semelhante situação. Porém o premiê Stanley Baldwin reagiu num discurso épico.  “Alguns jornais não são jornais no sentido estrito da palavra, mas motores de divulgação de mutantes ideias, caprichos, gostos, simpatias e antipatias de seus proprietários”, disse Baldwin. “O que esses donos estão buscando é o poder sem responsabilidade, algo que ao longo da história foi prerrogativa das prostitutas.”.

O tempo passou. Me perdoem as prostitutas de envolvê-las nesta safadeza midiática, porém essas palavras do primeiro ministro inglês servem para o Brasil.

O governo brasileiro tem que reagir democraticamente, lutar, não mostra fraqueza. Quem sempre foi oprimido precisa de alguém que demonstre firmeza contra essas sandices da mídia.

Por algum tempo os latidos ainda serão ouvidos. Cada vez mais fraco. Cada vez mais distante.

Deu no New York Times.

New York TimesA frase do título ficou celebre após a exibição do filme “Tanga – deu no New York Times?” (1987). Escrito e dirigido por Henfil (1944-1988), um dos maiores cartunistas brasileiros. Narra a história de um ditador de um país miserável que tem 99% de analfabetos na população. A imprensa é totalmente censurada e as únicas informações são provenientes do diário “The New York Times”. E apenas um exemplar é permitido neste país, e só o general pode lê-lo.  Grupos guerrilheiros lutam contra o general-ditador e contra outras facções para adquirir a raridade impressa. O conhecimento é poder.

Henfil fez uma paródia refinada da recente ditadura brasileira. A imprensa era censurada. A população paupérrima e analfabeta. No lugar de notícias vinham receitas de bolos, “niver” de um obscuro coronel, esporte, festas e conquistas. A mídia que restou era comprometida com o ideário golpista.

Caso alguém brasileiro quisesse se inteirar dos reais acontecimentos da pátria teria que recorrer a jornais estrangeiros, principalmente o “The New York Times”. Endeusado, aqui, pelo grupo que se apoderou do poder.

Crítico veemente da ditadura, corajoso, dono de uma linguagem mordaz, fina e sarcástica.  Criou personagens imortais. Graúna, os fradinhos Baixim e Cumprido, Bode Orelena, Ubaldo, o paranoico, O nordestino Zeferino.

Eis alguns exemplos de suas tiras ferinas.

henfil-refrigerantehenfil-chuvahenfil-salariohenfil-trombadinhaAgora, hão de perguntar: por que se lembrar do Henfil neste momento? Respondo: além de ser um prazer falar sobre ele, é porque o Brasil está prestes a viver um caso semelhante à do filme.

Para sabermos o que pensa, quais os projetos e qual a opinião do homem que governou o Brasil de 2002 a 2010 teremos que recorrer novamente, e quase exclusivamente, ao “The New York Times”.

Luiz Inácio Lula da Silva escreverá um artigo mensal sobre políticas públicas, sociais e econômicas para a agência de notícias do jornal norte-americano. E, eventualmente terá sua coluna publicada no jornal impresso.

Infelizmente, aqui no seu país, ele é totalmente censurado, massacrado, vilipendiado e caluniado sistematicamente pela imprensa hipócrita-hegemônica.

Parcela reacionária dirá: é que eles não sabem quem é este homem, por isso irão publicá-lo.

Outros responderão: é o contrário, eles sabem quem é este homem, por isso irão publicá-lo.

E eu digo: é que eles (a mídia) querem que acreditemos que acreditamos no que eles acreditam. Espero que não.

Que ironia da vida. E que visão do grande Henfil. Viva sempre nos seus personagens, e nos nossos corações.henfil-foi este

O artista com trinta mil anos de idade.

equipe da caverna“Cessem do sábio Grego e do Troiano As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.”

Estes versos de Camões me vieram à mente logo após assistir, boquiaberto, o filme do diretor alemão Werner Herzog, A caverna dos Sonhos Esquecidos. Senti vontade de clamar a todos artistas, vivos ou mortos, que se curvassem diante do autor das pinturas existentes na caverna. Vejam o porquê.

O filme é um documentário sobre a caverna de Chauvet e toda sua grandiosidade. Ela foi descoberta em 1994, na França, por Jean-Marie Chauvet, Christian Hillaire e Eliette Brunel-Deschamps. Considerada uma preciosidade pela arqueologia mundial. E como tal é tratada. A entrada é terminantemente proibida ao público. Apenas alguns poucos estudiosos tem premissão para adentrar a nave. A caverna é fechada com portas. E só em 2010 foi permitida a filmagem. Dezesseis anos depois.

Não é para menos esse cuidado todo. As pinturas ali encontradas são impressionantes.  Os próprios cientistas chegaram a duvidar de sua autenticidade. Após vários estudos admitiram estar diante de uma das maiores descobertas da humanidade.

Idade das pinturas? 30.000 anos. Para se ter uma ideia, as mais antigas, até então conhecidas, têm entre 12.000 e 15.000 anos. E elas não chegam aos pés das de Chauvet.

Vamos começar o passeio por alguns dos desenhos.

Cavalos.Notem, abaixo, os detalhes. As crinas. As bocas. As disposições deles. A perspectiva, aproveitando a curvatura da parede.

cavalos de chauvetNesta a outra abaixo o artista teve a preocupação de dar ideia de movimento. Prestem atenção nos traços do rinoceronte. A logica dos frames. O animal está correndo.

ideia de movimento na cavernaEstudiosos tinham uma dúvida: o leão europeu possuia juba? Não, não possuia. O artista repondeu com esta pintura abaixo.  Um deles é macho. Ele teve a preocupação de pintar a região escrotal do animal.

leoes na cavernaO desenho a seguir os arqueológos relacionaram com o mito do minoutauro. Não dá para ver na sua totalidade, pois os cientistas, para não destruir o caminho que leva à obra, não conseguiram ver o que está por trás.

lenda do minotauroA mão é do artista, apelidado de “artista do dedo torto”. Ele fez dela sua assinatura. Como será que ele desenhou assim? Será que borrifou a tinta sobre a mão com a boca?

assinatura na cavernaAlgo muito interessante, a caverna não era usada como habitação. Era utilizada exclusivamente como uma galeria de artes. Na entrada da caverna, como a dar boas vindas aos seus admiradores, ele deixou essa série de mãos abaixo.

maos do artista da cavernaFico pensando no ser humano que há trinta mil anos produziu esta obra fantástica e rica. Ele vivia num ambiente inóspito. Onde a luta pela sobrevivência era uma constante. As dificuldades imensas. Teria que caçar. Que fabricar suas ferramentas.  E mesmo diante desses obstáculos todos aflorou uma pessoa com sensibilidade, criatividade, visão e obstinação para produzir arte estupenda.

O que motivou esta pessoa a dedicar o seu tempo a pintar? Como será que desenvolveu sua técnica? Como soube aproveitar tão bem o relevo da caverna?

Podemos chamá-lo de artista puro. A arte pela arte.  Total desengajamento.

Então, que Apolodoro, Leonardo, Da Vinci, Michelangelo, Van Gogh, Renoir, Monet, El Greco, Giotto, Picasso, Cézanne, Duchamp, Dali, Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Aldemir Martins, Anita Malfati, Siron Franco, Tomie Ohtake, Lasar Segall e tantos outros mais se coloquem em um patamar inferior a ele, visto que “outro valor mais alto se alevanta”.

O “artista do dedo torto” deixou uma lição imensa: respeitem e não menosprezem as gerações passadas. Nós não somos o ápice da humanidade. A vida é um rio contínuo.

Quem com porcos se mete, farelo come. Já dizia minha vó.

midia golpistaInfelizmente não há como não falar dessa mídia-golpista-hegemônica-terrorista-manipuladora que ora chafurda no lamaçal virtual da mentira, da hipocrisia e do patetismo. Com seus exércitos de varas prossegue cometendo seus pecados capitais: a gula, a ira, a luxúria, a avareza, a inveja, a preguiça e a vaidade.

Se fecharam numa associação cujos três únicos artigos do estatuto são:

1 – aniquilar com a imagem de Luís Inácio Lula da Silva e do PT.

2- Derrubar a qualquer custo o governo progressista da Dilma. Pelo voto ou pelo golpe.

3- Não importa o preço e os meios utilizados.

Assistir o telejornal Bom dia Brasil, da Globo, é começar mal o dia. Com seus repórteres cínicos trabalhando continuamente para mostrar uma imagem do país que não condiz com a verdade, em absoluto.

Uma ora é o tomate. Depois o leite. Agora é a farinha de mandioca e de trigo. É a seca. É a enchente. É a inflação. É a corrupção. É o PIB.

Jornalista entrevistando donas-de-casa sobre o preço exorbitante desse fruto. “tá caro”. “Não é assustador?”, pergunta a pseudo-repórter. Assustador é a cara-de pau desses diletantes colocando palavras na boca dos outros. É angustiante na verdade.

O tomate, o grande vilão, foi capa da revista panfletária chamada Veja, diz a manchete: Dilma pisou no tomate, sobre a inflação. Além de ser de um trocadilho bobo é de péssimo gosto, só reflete a má intenção do panfleto. E pior não trás informação relevante ou nova. Também esperar o quê de um semanário que tem um dono, Roberto Civita, que já afirmou que a grande missão do VEJA é derrubar a presidenta?

Sabemos que essas ocorrências todas são sazonais. Ninguém deste covil midiático disse que o tomate passou de R$ 9 para R$ 3 ou R$ 4. Que para o agricultor, aquele sujeito que planta, aduba, colhe, encaixota e transporte o aumento nunca passou de 15% em relação aos meses anteriores. Que ganância pelo lucro fácil veio dos atravessadores.

Que o leite já se encontra em promoção. E a tendência é diminuir o preço.

Que a valor da carne caiu em média 50%. Para os que gostam de churrasco há lugares onde a picanha despencou de R$ 40 para R$ 26. E por aí vai.

O Estadão, outro sócio desse grupo, cometeu dois desatinos propositadamente  nestas últimas semanas.  O jornal mentiu duas vezes.

Primeiro. Sobre a desapropriação do terreno em Itaquera, São Paulo.  Mentiram quando afirmaram que foi o governador Geraldo Alckmin que  teve a iniciativa de desapropriar o terreno para evitar a reintegração de posse e consequente  despejo dos moradores. A ordem,  partiu única e exclusivamente do  prefeito de São Paulo, do PT. Sabemos muito bem qual foi a atitude do governador no caso do Pinheirinho, em São Jose dos Campos, e o fim que teve.

menino congolesEsta foto de acima estampou o perfil do facebook  do Estadão junto com reportagem afirmando que o Fernando Haddad tinha cortado a verba da merenda escolar.

Segunda mentira. Aliás, duas. O prefeito não cortou a merenda e a foto não é de um aluno do município, e nem do Brasil. Esse garoto mostrado no sítio do estadão, do dia 19 de abril, é do Congo. E refere-se à brutalidade da guerra no país africano.

O jornal “El País” da Espanha também usou desse embuste. Colocou a foto de um homem entubado dizendo que era Hugo Chavez. Descoberta a fraude retiraram a imagem. Assim como fez o Estadão. Mas o diário brasileiro nem se desculpou. É um disparate. É fazer pouco caso da população brasileira.

Quem leu, e não procurou se inteirar, tem essas notícias como verdadeiras. E assim vai ficar. Covardes.

A Petrobrás já foi dada como praticamente falida. Descapitalizada.  Outra patacoada. Ela está bem, capitalizada e vai investir R$ 236 bilhões, segundo o governo federal. Fica uma pergunta: qual é o nome do megaespeculador que lucrou com esses boatos? Quem é o atual Naji Nahas?

Dengue, malária e o caos no sistema de saúde público. O Brasil está em estado terminal para a Globo, Folha, Veja e Estadão.

Mas segundo esse clubinho existem ilhas de boa administração no país. São: Minas Gerais e São Paulo. Coincidentemente do PSDB. Claro que eles noticiam desgraças por lá também. Porém, diferentemente do que fazem com as autoridades federais, eles abrem espaços suficientes para que os governantes desses estados falem sobre o que estão fazendo para combater os problemas.

Nada noticiam sobre a diminuição da mortalidade infantil. Do aumento da expectativa de vida. Da inclusão nas universidades. Dos avanços tecnológicos. Do aumento da classe média. Do pleno emprego.  Do aumento de crédito. Etc… Não dão voz.

Se nós, cidadãos comuns, desejarmos saber o que está realmente acontecendo no país é melhor recorrer à imprensa internacional. Ou aos blogs independentes.

Problemas há. Corrupção também. Agora fazer crer que o governo está parado, negar todas as conquistas. É querer demais. É jogar no lixo a história.

Mentir, manipular, atuar inescrupulosamente e dissimuladamente é um verdadeiro ato terrorista. Faz com que os recentes atentados nos Estados Unidos pareçam traquinagens de crianças levadas. Concordam?

O diabo é inteligente, e Deus não gosta dele.

inteligênciaDiz um antigo ditado russo. Geralmente usado quando uma  pessoa  chama de inteligente alguém sabidamente canalha.

Apesar de ter feito canalhices. Apesar de ter prejudicado um país inteiro. Sempre aparece um  indivíduo que vê nesses elementos algo de bom.

Não me refiro ao indivíduo que lucrou com a má conduta desse sujeito. E sim a pessoas comuns, sem elos, que, de alguma forma, lá na frente, também sairão perdendo.

Quem já não ouviu alguém dizer: o cara fez o que fez, mas é inteligente. E daí? Pergunto. De que serve esse decantado dom se é usada para o mal? Se é egoísta? Se é árida?

O que leva um cidadão comum a ver algo de bom num mau caráter? Será que é apenas para ser contra? Para se destacar numa roda de amigos?  Para mostrar sua imparcialidade diante do ocorrido? Ou será  para justificar a sua possível má postura futura, também?

Muito se fala da dificuldade que a maioria, rico ou pobre, tem em se colocar no lugar do outro. Mas nesse caso específico parece não haver dificuldade nenhuma. Serve até de referência.

Então temos que rever conceitos.  Arrumar a casa. Valorizar a palavra “Inteligência”. Estão vulgarizando-a. Está se tornando um lugar comum. Devemos guardá-la. Talvez seja o único elemento que ainda nos distinga dos animais. Talvez.

Em tempos idos chamar alguém de inteligente era o ápice de um bem querer.  Se estudante então, nem se fala, era motivo de orgulho para toda família. O primeiro da classe ganhava até medalha.

No entanto, atualmente é usado de maneira aleatória. E ainda por cima a dividiram, existe a inteligência: lógico-matemática, linguística, musical, espacial, corporal-cinestésica, intrapessoal, interpessoal, naturalista, existencial. A mais valorizada ou que tem maior evidência é a lógico-matemática.  Por ela está intimamente conectada aos estudos e ao receio que, e principalmente, a matemática desperta.

Para mim, chamo essa divisão de dom, talento ou capacidade. Mas é excelente que seja pensada assim. Pois a quase totalidade da população mundial se encaixa numa delas. Diminui a discriminação e aumenta a autoestima. Basta conhecer o “eu”.

Além do mais crescemos ouvindo este termo sempre relacionado a pessoas. E pessoas boas. Não havia a possibilidade de usá-lo para o mal.

Inclusive deveria fazer parte dos mandamentos cristão.  “Não usar a palavra inteligente em vão”, seria o décimo-primeiro ítem . Pecado mortal.

Não é um desaforo quando um delegado de polícia  vem a público e exalta um bandido dizendo que ele é um cara acima da média? Oras bolas se fosse tudo isso ele não estaria preso. Como muitos não estão. E como será que uma criança processa essa informação? Não corre o risco de virar herói?

E de que adiantou a inteligência da “Dama-de-ferro”, Margaret Thatcher , para os britânicos, se grande sofrimento causou?

Com o falecimento dela ficou evidente que era uma pessoa odiada pela população. Eles dançaram. Cantaram. Gritaram de euforia. E deram as costas na passagem do cortejo fúnebre. Valeu ser considerada inteligente? Bem, egoisticamente para ela serviu. Subiu na vida.

E mais, órgãos como a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e  a Central de Inteligência Americana (CIA) deveriam trocá-la  por “informação”, não seria melhor? Eles no fundo não passam de setores de espionagem. Se intrometem na vida dos outros. Na soberania de diversas nações. E, que eu saiba, James Bond nunca foi valorizado pela sua inteligência.

Várias personalidades mundiais, reconhecidamente inteligentes, detestam serem rotuladas como tal. Einstein foi um deles.

Então, vamos tratar a inteligência com mais respeito. Concordam?

Primeiro como tragédia, depois como farsa. Lula e o mensalão.

tragedia gregaO Ministério Público Federal solicitou à PF abertura de inquérito para apuração do possível envolvimento do ex-presidente Lula no esquema apelidado de “mensalão”. Investigação solicitada após nova denúncia feita por Marcos Valério.

Questionado sobre o caso Eduardo Campos, governador de Pernambuco, afirmou que as investigações sobre o caso nunca demonstraram “qualquer tipo de envolvimento” de Lula:

— O presidente Lula teve um processo de investigação contra si sobre esse tema feito pelo Congresso Nacional e feito pelo MPF (Ministério Público Federal). Abriu-se e pediu-se a instalação do inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal), houve acesso a diversos sigilos — bancário e fiscal —, houve investigação da sociedade e da mídia, e nunca se caracterizou qualquer tipo de envolvimento do ex-presidente Lula com essa matéria.

Ainda segundo o governador pernambucano, o fato de os ministros do STF não terem solicitado ao MP mais detalhes sobre o suposto envolvimento de Lula no caso comprovaria a inocência do ex-presidente:

— Se os autos serviram para condenar alguns, aqueles mesmos autos serviram para inocentar o presidente Lula. O direito brasileiro prevê que não se deve julgar o mesmo fato duas vezes quando ele já foi a Suprema Corte. E o olhar de uma série de magistrados, que condenou a maioria dos envolvidos inclusive à cadeia, nenhum desses magistrados enxergou envolvimento do presidente.

Sobre a frase de Campos “que não se deve julgar o mesmo fato duas vezes” Karl Marx complementando Hegel escreveu:” Em alguma passagem de suas obras, Hegel comenta que todos os grandes fatos e todos os grandes personagens da história mundial são encenados, por assim, dizer, duas vezes. Ele (Hegel) se esqueceu de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.

Marx tem razão. E os inventores do teatro, os gregos, também.

A primeira investigação feita soou como tragédia. Amigos, correligionários e simpatizantes pasmos, incrédulos e indignados com os rumos do julgamento do processo 470. Ministros do STF chegaram a cogitar o envolvimento do ex-presidente. Porém, recuaram.  Não havia o menor indício. Aí, foi a vez dos inimigos se decepcionarem. De chorarem. O fim trágico esperado não se concretizou totalmente. Lula não morreu. Mas, por outro lado, seus companheiros sucumbiram.

Agora, esta segunda diligência tem tudo para ser uma farsa.

Têm-se todos os ingredientes para montagem dessa peça teatral. Poucos atores: ministros, um procurador, um investigado e um denunciante, condenado há 40 anos, com interesses particulares. Valério deseja conseguir redução de pena através da “delação premiada”. Vai atirar para todos os lados.

Situações burlescas. O valor passado ao PT seria de R$7 milhões. Sete é o número do mentiroso, segundo a sabedoria popular. Hipocrisia: o objetivo da mídia, da elite e dos partidos de oposição é condenar o ex-presidente, como se chegar a esse resultado são outros quinhentos. Encenação cômica e ridícula: análise e interpretação dos autos.

Fingimento: Roberto Gurgel passa a imagem de imparcialidade e de lisura. O senador Collor o chama de prevaricador, por não investigar o “mensalão” mineiro, ligado ao PSDB. E ainda, sobre o procurador geral da república paira suspeita de corrupção, pois  adquiriu tablets sem licitação.

A peça será encenada no Supremo Tribunal Federal.

Ao acusador cabe o ônus da prova. O resto é boato.