A imprensa é elitista, preconceituosa e antipluralista?Joaquim Barbosa responde.

joaquim barbosa“Nosso sistema penal é um sistema muito frouxo. É um sistema totalmente pró-réu, pró-criminalidade. Não há sistema penal em países com o mesmo nível de desenvolvimento do Brasil tão frouxo, que opere tanto pró-impunidade”.

“Pelo que vejo, vocês (representantes da entidade de magistrados) participaram de forma sorrateira (na aprovação da emenda constitucional que cria quatro tribunais regionais federais). São responsáveis na surdina, pela aprovação”.

“Há muitos (juízes) para colocar para fora. Esse conluio entre juízes e advogados é o que há de mais pernicioso”.

“Nós temos partidos de mentirinha. Esta é uma das grandes deficiências, a razão pela qual o Congresso se notabiliza pela ineficiência”.

As Frases acima, ditas por Joaquim Barbosa, fazem parte da matéria intitulada: “Crítico –geral da República, Barbosa acumula desafetos” – 28 de Maio de 2103. Publicadas no Estado de S. Paulo.

Palavras contundentes, sem dúvidas. Descontextualizadas com certeza. Escolhidas a dedo, é óbvio.

A reportagem reforça a imagem de que: congresso e congressistas não prestam. Os partidos não existem. E os advogados mantém relação promíscua com certos juízes. E mais, Joaquim Barbosa é o “cara”. Honesto. Pulso firme. Corajoso. Ponderado.

Mas o assunto deste meu artigo não é propriamente o perfil do ministro, e se ele é bom ou não, mas sim a matéria de cunho tendencioso publicada no jornal. E o eterno trabalho de formiguinha do diário para desacreditar o governo perante a sociedade.

Fica evidente na reportagem, outra vez, que só publicam notícias que possam ajudar no objetivo mor, ou seja: derrubar o governo Dilma. Nada ético.

O prato da vez foi Joaquim Barbosa e seus destemperos. Suas palavras ajudam a derrubar a presidenta? Se sim, publiquem. Se não, inventem. Não dá para inventar. Então esqueçam.

Solapar os alicerces democráticos e colocar no seu lugar outra democracia, a sem povo, é a meta. Para 2014. A elite não se conforma com a perda do poder político. Como seu asseclas (PSDB, DEM e outros) não conseguem ganhar no voto, apelam para esses mecanismos: manipulações, com feições intelectualizadas e profissionais. É claro.

Bem, me desculpem se fica cansativo falar sobre este assunto, golpe e manipulação por parte da imprensa hegemônica, muitas vezes, mas se faço é por um simples motivo: eles procedem de modo semelhante. Apenas rebato. Todos os dias jornais, revistas e noticiários, martelam nas nossas cabeças o mesmo assunto, igual propaganda: o governo federal não presta, tudo está errado, eles querem censurar a liberdade de expressão, o Brasil era perfeito antes de Lula, o país está um caos, só tem corrupto, a imprensa é imparcial e pluralista e etc.  

E mais, a tentativa de regular as mídias é coisa de petista. Comunista. Socialista. E outros bichos mais. E de tanto dizer e redizer, o ruim se torna bom. O bom, ruim. 

Não é assim mesmo que os meios de comunicação se portam? Batendo na mesma tecla, sempre? E se fazem isso é porque funciona. Contra chato, chato e meio.

Porém, vamos admitir que a mídia esteja corretíssima nesse caso: ninguém no congresso é competente e o ministro, e atual presidente, do STF, sua excelência Joaquim Barbosa é o homem que o Brasil precisa. Lúcido. Sensato. Imparcial. Senhor da razão. Fala verdades que muitos, por medo, não falam. E a imprensa apenas cumpre o papel jornalístico de informar, de modo neutro.

Então, partindo dessas primícias, leiam estas outras frases ditas pelo Barbosa, não publicadas na matéria.

“A imprensa brasileira é toda ela branca, conservadora. O empresariado, idem. Todas as engrenagens de comando no Brasil estão nas mãos de pessoas brancas e conservadoras.”

“A mídia brasileira é afetada pela ausência de pluralismo”.

“A justiça condena pobres e pretos, gente sem conexão. As pessoas são tratadas de forma diferente de acordo com seu status, cor de pele ou poder econômico”.

“Vossa Excelência está destruindo a justiça desse país. (…) Vossa Excelência não está na rua, Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. (…) Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar Mendes”. Sabemos que Gilmar Mendes é inimigo ferrenho do Congresso e dos partidos progressistas e o primeiro a declarar a constituição inconstitucional, no mundo.

Agora, tirem suas conclusões sobre a imprensa a partir das palavras do presidente do STF.

Outra coisa, será que ele criou mais um desafeto, a mídia, no caso, e não sabe?

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Amado Batista: “mereci ser torturado”. Dá pra acreditar?

amado e marilia gabrielaNão bastava o Mercadante dizer que Frias, dono da Folha de São Paulo, era um homem democrático. Apesar de ter dado apoio moral e logístico aos militares e torturadores.

De Suplicy elogiar Roberto Civita, dono da Abril, editora da revista Veja, com um homem engajado com valores democráticos e imparcial na abordagem jornalística. Apesar de ter declarado que iria derrubar o governo do PT.

Vem o Amado Batista e suplanta, em estupidez, absurdo e ignorância, os dois próceres dos sem-noção.

O cantor brega em entrevista à Marília Gabriela afirmou que mereceu ser torturado durante a ditadura militar, pois, palavras dele, fez “coisas erradas, então eles (os torturadores/militares) me corrigiram, assim como uma mãe que corrige um filho”.

Tem muita gente ruim neste mundo. Porém associar ao que ele passou a um castigo de mãe é não entender a força do simbolismo da palavra, ou nunca ter tido carinho maternal na vida.

Ainda, conforme Batista: “Me bateram muito. Me deram choques elétricos, e ainda um dia me colocaram com uma cobra”. Fora as inúmeras torturas psicológicas. “Um dia me soltaram. Todo machucado. Fiquei tão atordoado que pensei em ser mendigo. Queria largar tudo. E virar andarilho”. Uma mãe, a mulher que faz jus a esse nome, faria uma barbárie dessas?

Agora, quando questionado sobre que “coisas erradas” eram estas, falou: “Eu acho que eu estava errado de estar contra o governo e ter acobertado pessoas que queriam tomar o país à força”, e emendou: “Fui torturado, mas merecia”.

Caramba! O que significa isso Amado Batista? Mulher de malandro, quanto mais apanha mais gama? Ou um ferrenho admirador de Nelson Rodrigues? Nem todas as mulheres gostam de apanhar, só as normais. Mais algum tempo sendo torturado casava com o torturador, é isso?

Finalizando o assunto disse: que era passado e que achou que os militares estavam certos, pois se eles não fizessem “aquilo” o Brasil poderia ter se tornado uma Cuba.

Abre aspas. Esse negócio que o Brasil iria virar Cuba, que os comunistas iriam tomar conta do país é estória para boi dormir. O país tinha um presidente eleito e as instituições funcionando. A revolução cubana derrotou um ditador, Fulgêncio Batista. Quem usurpou o governo à força foram os militares, apoiados por meia dúzia de interesseiros, americanos e brasileiros.  O Brasil foi largado na década de 80 pelos golpistas em frangalhos. Inflação altíssima, 80% ao mês. Saques em comércios. Desemprego. Arrocho salário. Indústria sucateada e etc. Como se pode dizer que os caras estavam certos? Que salvaram o país? Fecha aspas.

Bem, voltemos a entrevista. Amado, dentro da sua inocência,  ajudou a derrubar mais um argumento dos que defendem a ditadura: a de que não havia santinho do outro lado. 

Os militares afirmavam, à época: contra o governo, apenas os terroristas. Assassinos, ladrões, comunistas, socialistas e etc. 

Mentira. Esta ideia foi sedimentada no imaginário da população pela mídia colaboracionista.

Segundo o coronel, de triste figura, Ustra a prática de tortura não era comum. Mentira. Era prática comum. Institucionalizada. Com protocolos.  E apostilas.

Amado Batista não era terrorista, ladrão, assassino, e foi torturado. Por quê? Qual a explicação? Rubens Paiva, Vladimir Herzog, Beth Mendes, Dilma também. Apenas para citar os mais conhecidos. Há milhares de outros casos.

Mas mesmo assim para os que ainda acreditam que a ditadura estava certa em combater dessa forma os terrorista, faço uma comparação: nos anos 70 a Itália passava por um momento delicado. O grupo Brigadas Vermelhas promovia atentados terroristas. Explodiam bombas. Assaltavam bancos. Matavam juízes.  Assassinavam políticos e militares.  No entanto o governo  italiano os combateu com as leis democráticas. Não utilizaram da tortura como meio. Sabe por quê?Tinham moral, não eram golpistas. Usaram a inteligência. Inteligência que os usurpadores pátrios evidentemente não tinham.

Os sem-noção acima devem desculpas à nação. E aos familiares dos perseguidos, torturados e mortos. Não acham?

Assistam ao vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=RLiaVkN50Zs

Monteiro Lobato e o racismo consciente.

Revista Dados 56 nº 1 - Sciel...Em 2010 o cidadão Antônio Gomes da Costa Neto questionou a secretaria da educação do distrito federal sobre a adoção dos livros de Monteiro Lobato. A seu ver, as obras eram racistas. E induziam ao racismo.

E citou as passagens do clássico infantil “Caçadas de Pedrinho”.

Pedrinho pediu à boneca que repetisse a sua conversa com os besouros espiões. Emília repetiu-a, terminando assim:

— É guerra e das boas. Não vai escapar ninguém — nem Tia Nastácia, que tem carne preta. As onças estão preparando as goelas para devorar todos os bípedes do sítio, exceto os de pena (Lobato, 2008).

Sim, era o único jeito — e Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro de São Pedro acima, com tal agilidade que parecia nunca ter feito outra coisa na vida senão trepar em mastros (Lobato, 2008).

Convenhamos dificilmente um escritor de livros infantis, hoje em dia, escreveria dessa forma.  E mais difícil ainda seria conseguir uma editora que resolvesse publicá-lo. Primeiro que há leis duras que combatem esse tipo de abordagem. A obra seria embargada. E senão fosse haveria a indignação da sociedade. Apesar de sermos uma sociedade racista. Mas tão explicito assim, como foi dito por Lobato, seria demais. Conclusão: o livro seria um fracasso. Vendas pífias e processos mil.

Mas estamos falando de uma obra escrita no início do século XX e de um escritor internacionalmente consagrado. Seus livros já foram lidos e relidos por diversas gerações.  Não se pode negar, a obra é de um encantamento excepcional. A criança é estimulada a viajar na imaginação.

E tem outro porém, na década de 20 e 30 as referências jocosas às pessoas de cor preta eram plenamente aceitas. O Brasil estava recém-saído do período escravocrata.

Então, retirar ou não o “Sítio do Pica-Pau Amarelo” da grade escolar?  E afinal, Monteiro Lobato era racista ou apenas retratou uma época?

O debate sobre a questão foi acalorado. Os profissionais ligados à literatura e a história foram contra a proibição de Lobato. A mídia abordou o lado político: é simples patrulhamento ideológico. Monteiro Lobato não era racista. O PT, na verdade, quer impor a censura à livre expressão, travestido de politicamente correto, para a imprensa. O governo, por seu lado, sugere que os professores aproveitem o gancho e trabalhem a questão do racismo com os alunos. E as editoras, por sua vez, coloquem um aviso sobre o cunho racista da obra. E as associações ligadas aos movimentos antirracistas querem sua proibição.

Bem, por aí ficou a discussão. Sem uma conclusão incisiva. O colóquio parecia cair no esquecimento. E tudo ficaria do jeito que era.

Só que recentemente foi publicado um trabalho dos professores João Feres Júnior, Leonardo Fernandes Nascimento, Zena Winona Eisenberg, na revista Dados, UERJ, em março deste ano, no qual eles afirmam: Monteiro Lobato era, sim, racista. “Sítio do Pica-Pau Amarelo” tem cunho racista.  E fazem uma análise da posição da imprensa hegemônica.

No trecho abaixo fica demonstrado  o racismo consciente do autor.

Veremos a seguir que há evidências suficientes para afirmar de maneira qualificada que, ao contrário da opinião de alguns especialistas retratada na mídia, Monteiro Lobato era de fato racista. De passagem, não podemos deixar de mencionar que Lobato foi membro da Sociedade Eugênica de São Paulo e amigo pessoal de expoentes da eugenia no Brasil, como os médicos Renato Kehl (1889-1974) e Arthur Neiva (1880-1943), dados que apenas ilustram sua imagem de adepto fervoroso dos ideais eugênicos10 de melhoramento da raça, refletidos plenamente em seus textos, privados e públicos. Vejamos um trecho de carta endereçada ao médico baiano Arthur Neiva (1880-1943):

Deversos amigos me dizem: porque não escreve suas impressões? E eu respondo: porque é inútil e seria cahir no ridículo. Escrever é apparecer no tablado de um circo muito mambembe, chamado imprensa, e exhibir-se deante de uma assistência de moleque feeble-minded e despidos da menor noção de seriedade. Mulatada, em summa. Paiz de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan, é paiz perdido para altos destinos. André Siegfried resume numa phrase as duas attitudes. “Nós defendemos o front da raça branca – diz o Sul – e é graças a nós que os Estados Unidos não se tornaram um segundo Brazil.” Um dia se fará justiça ao Klux Klan; tivéssemos ahi uma defeza desta ordem, que mantem o negro no seu lugar, e estariamos hoje livres da peste da imprensa carioca – mulatinho fazendo o jogo do gallego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destróe a capacidade constructiva.”

Resta alguma dúvida sobre o posicionamento racista de Monteiro?

Sobre o papel midiático os autores de “Monteiro Lobato e o politicamente correto” citam dados estatísticos e artigos tendenciosos escritos por diversos colunistas sobre o caso.

No final sugerem que a obra de Monteiro Lobato seja reescrita. Assim como foi : Alexandre Dumas, Herman Melville, Charles Dickens, Mark Twain e o próprio Homero.

No entanto esses autores são estrangeiros e alguns deles não escreveram para o público infantil. Não há uma implicação educacional.

Agora, reescrever Monteiro Lobato é muito mais complicado. Talvez retirar certos parágrafos que fazem alusões pejorativas aos pretos seja o caminho.

-Mentira de Narizinho! Essa negra não é fada nenhuma, nem nunca foi branca. Nasceu preta e ainda mais preta há de morrer. (Lobato, 1946), disse a boneca Emília.

O trabalho é muito completo, vale à pena ler: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0011-52582013000100004&lng=pt&nrm=iso

Qual a sua opinião sobre o assunto?

Bolsa-Família e os boatos recorrentes.

boato bolsa familiaO boato é uma informação, não confirmada, que se espalha como rastilho de pólvora. Do diz-que-diz, do boca a boca. Vem a galope, como notícia ruim. Boato é como mugido de boi no meio do gado. Você escuta, mas não sabe quem mugiu. Um fio d´água gerando rio caudaloso.

O boato pra ser boato dos bons tem que dar resultado. Tem que ter objetivo definido. Mandar recado. Dar prejuízo ou lucro. Construir ou destruir.

Boato não tem método. Nem dimensões. Anárquico por natureza. Não tem dono. Não possui barreiras. Não distingue classes e culturas. Onipotente. Sem fronteiras.

A vítima do boato, diferentemente da calúnia, obrigatoriamente tem que arcar com o ônus do desmentido.

 A Petrobrás está falida. A inflação, descontrolada. A bolsa de valores está quebrada. Tal empresa será fechada. O banco foi declarado insolvente.

 O congresso quer fechar o judiciário. A Dilma sequestrou, assaltou e matou. A ditadura no Brasil foi branda, a “ditabranda”.

O carne do hambúrguer do McDonald´s é de minhoca. Os donos do colégio Base abusavam das crianças.

Há boatos recorrentes e preferidos.  Assunto predileto. O arroz de festa dos maus-caracteres.

O Bolsa-Família é uma delas. Vítima constante dos inescrupulosos. Já espalharam que o programa é a causa de atraso do país. Que os assistidos não querem trabalhar. Nem precisam estudar. Que é outra demagogia do governo do PT.

Recentemente falaram que o programa iria acabar. Criou-se pânico na população, provocou uma corrida às agências da Caixa. E atos de vandalismo.

O que se viam eram pessoas pobres e desesperadas para retirar o dinheiro. Sinal que o projeto é um sucesso. Atinge seu público alvo.

E por que do sucesso? Porque é um programa bem estruturado.

O governo federal disponibiliza a verba para estados, munícipios que aderiram ao programa. Esses entes federados ficam responsáveis pela implantação e gestão do programa. Criam-se comitês ou conselhos estaduais e municipais, compostos por profissionais ligados a educação, a saúde e com a participação comunitária. Apenas famílias em situação de extrema pobreza podem ser incluídas. A família recebe um valor adicional por filho matriculado na escola. As crianças têm que estar com as vacinas em dia. E serão acompanhados pelos funcionários da área de saúde quanto ao seu desenvolvimento.

Os gestores terão que garantir as condições mínimas de cidadania para os cadastrados.

Os critérios para perda do direito ao benefício são: estudante com faltas superiores a 15% ou 25%, esse valor depende da faixa etária. Trabalho infantil. Falsidade nos dados cadastrais. Ou desistência à bolsa.

A família será avaliada de dois em dois anos pelo comitê. Poderá continuar ou não no programa.

A Caixa Econômica Federal é o responsável pelo pagamento. O titular da conta será preferencialmente a mulher.

O Comitê é o responsável por relatórios e prestação de contas ao governo. O governo federal irá também auditar os gestores.

No site  http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.836.htm está a integra do Bolsa-Família, suas condicionalidades e seus valores.

Outro boato sobre o mesmo assunto vem sendo veiculado pelo senador Aécio Neves (PSDB). Ele afirma que o pai do bolsa-família é Fernando Henrique Cardoso. O Lula nada mais fez que juntar os diversos programas e ampliá-lo. Este boato não vai pegar.

Pai, caro senador, é quem cria. Quem dá condições. Quem cuida. Quem protege. Quem toma atitudes. E não fica só no discurso.

Aliás, discurso que será lembrado nas eleições.  O senador Álvaro Dias (PSDB) chamou o programa de bolsa-esmola, bolsa-vagabundo, lembra-se? FHC concordou com o seu correligionário.  E agora o ex-presidente vai assumir essa paternidade?

Por tabela, Aécio estará fazendo um bem para a democracia.

aecio e fhcO mal que FHC faz ao PSDB não tem mensuração. Quem acompanhou a criação do partido dos tucanos sabe: ele tinha um viés esquerdista. Nos anos 80 e começo dos 90 havia certa simpatia entre o PT e o PSDB. Os tucanos eram o que o PT é hoje. Progressista moderado. Porém, bastou Fernando Henrique Cardoso ser eleito presidente para a coisa degringolar. O poder corrompe, e a vaidade atrapalha. E ninguém mais vaidoso que o próprio.

Isso se percebe com a imposição de Aécio Neves como presidente do partido e o lançamento, prematuro, do mesmo a candidato à presidência da república. FHC nunca engoliu o fato de José Serra e Geraldo Alckmin esconderem os feitos de seu governo durante as campanhas fracassadas de 2002, 2006 e 2010.

Aécio Neves não é um líder natural. E nem a pessoa mais gabaritada dentro a agremiação. O seu discurso de posse, cheio de chavões e de mesmice, traduz bem o fraco perfil do senador. Um playboy da zona sul do Rio. Ou como os próprios correligionários dizem: o mais carioca dos mineiros.

O tucanato paulista ainda não digeriu bem o senador mineiro. E dão claros sinais do descontentamento e desconfiança quanto à escolha. Geraldo, pra variar, desconversa quando perguntado sobre a candidatura do Aécio. Nem lá, nem cá.

Serra é um caso à parte. Não disfarça a sua raiva. Ele quer ser o candidato. O que fez então para mostrar a sua insatisfação? Chegou atrasado à convenção mais importante do PSDB. A que escolheria o comandante do partido. Só isso. Os caciques já estavam sentados quando ele entrou. Foi aplaudido de pé pelos militantes, óbvio. O recado estava dado. Roubou a cena da principal estrela. Para o bom entendedor meio atraso basta.

Aí foi a vez de Fernando Henrique fulminá-lo com olhar nada amistoso. Enquanto os oradores repetiam a palavra união o que se via era um racha dentro da cúpula.  Nada está decidido.

Aécio até que se esforça para conseguir o apoio dos serristas, geraldistas e outros. Tenta ser simpático. Distribuiu cargos importantes para estas facções. Elogia. Tudo para conquistar aliados. Um fisiologista barato e um péssimo ator. Soa falso.

Então, por que FHC escolheu alguém sem brilho próprio? Sem carisma? Que está sendo fabricado pela mídia? Que irá provocar disputas internas e possíveis debandadas? E por que Cardoso está disposto a encarar um briga desgastante dentro do partido?

É difícil entender. Fernando Henrique parece um daqueles sujeitos sem ideia própria, mas que sabe como poucos aproveitar as oportunidades. Lula apoiou o novo, fez a presidenta e o prefeito de São Paulo. FHC concluiu que o caminho é este. Talvez seja.

Acontece que seu narcisismo não o deixa ver mais longe. Além do novo, o ex-presidente Fernando quis alguém que o enaltecesse. Que mostrasse que as medidas suas foram corretas. Privatizações foram tudo de bom. Que ele é o pai da estabilidade econômica. E que é o avô do bolsa-família, do fome zero. E bisavô da inclusão social. Que se o país está na situação que está é por sua causa. E exclusivamente sua.

O instituto Fernando Henrique Cardoso prepara uma “carta aos brasileiros” relatando seus feitos.

Será um tiro no pé. Não foi atoa que Alckmin e Serra preferiram se afastar do legado Fernando Henrique Cardoso. Eles sabiam que de outra forma não chegariam nem ao segundo turno.

Para o amadurecimento democrático será ótimo. Finalmente, se tudo se confirmar, teremos um debate proveitoso. Saberemos como se deu a venda da Vale, das telefônicas. Da quase venda da Petrobras. Da chamada privataria tucana. Do ostracismo e da idiotificação imposto a Itamar Franco. Do Real.

Pode ser o fim do PSDB como grande partido da oposição. Por causa da vaidade de um homem. É um preço alto.

Torço para que Aécio consiga ser o candidato, e siga nessa linha de engrandecimento do tucano mor, pois, mesmo sem ter noção, ele estará fazendo um bem para o país.

Tortura como forma de negação da civilização.

ustraSem entrar em questões antropológicas, uma nação é civilizada quando o estado e o governo respeitam seus cidadãos. E seus membros se respeitam mutuamente. Quanto maior é esta consideração, mais digna é a sociedade.

Educação, saúde, segurança, trabalho, liberdade de expressão, informação e diversidade étnica-cultural fazem parte deste pacote civilizatório. São os alicerces do mundo moderno. Quebrá-las ou não atingir certos níveis é demonstrar, perante o mundo, que a nação ainda se encontra num estágio de pré-civilização.

A violação desses direitos afeta a imagem de uma nação. Se for a dos Direitos Humanos então, o conceito de país vai para o lixo.  

E por que dos Direitos Humanos? Porque esta transgressão tem uma particularidade. Ela é sempre cometida por parte do Estado para com o cidadão comum. Portanto é desproporcional a força, e covarde por isso mesmo. Além de uma traição. O estado existe justamente para proteger. Não se espera um crime por parte dele. É atroz. Na família, seriam os pais injuriando os filhos, a sociedade não aceita o fato. Com o Estado é a mesma coisa. O cidadão deve exigir justiça e punição para a autoridade que comete infração.

Entre tantas violações a tortura é a mais abominável. Porque além de deixar claro quem está cometendo e em nome de quem age, ela deixa a vítima totalmente impotente. Não há para quem recorrer.

Na idade média foi uso comum e constante para se conseguir a confissão. Com a evolução social e tecnológica essa pratica foi posta de lado. A confissão deixou de ser a rainha de todas as provas.

As autoridades civilizadas preferem uso da inteligência ao invés do terror. Questão de bom senso. E de maturidade.

No período chamado de anos de chumbo os usurpadores do poder preferiram utilizar o segundo método, a tortura. Os militares achavam que a violência era maneira mais rápida de chegar e destruir os que se opunham ao governo. Se eles estavam certo não saberemos. Pois nunca usaram a inteligência para podermos comparar. Não é mesmo?

Bem, o torturado, por razões óbvias, acabava falando. Dizia tudo. Mesmo o que não sabia. Inventava, aumentava. A tortura mais atrapalhava do que ajudava. Pois, para o torturado o que importava mesmo era por fim ao seu martírio.

Também aguentar sessões de pau-de-arara, cadeira do dragão, afogamento, estupros, seios arrancados, testículos esmagados, choques elétricos, ameaças de morte aos familiares, práticas comuns, não era para qualquer um. Até o mais empedernido militante fraquejava.

Por isso a justiça atualmente desqualifica confissões conseguidas através deste método. É uma forma criminosa, inconstitucional e não funciona.

Agora o torturador é um caso aparte. Escolhido a dedo. Tinha que ser violento, frio, calculista, sádico, bitolado, obediente  e insensível. Resumidamente, um psicopata. Do mesmo nível de um Elias Maluco. De um Fernandinho Beira-mar e outros afamados. Ou seja, um verdadeiro profissional da dor. Caso contrário o cara não manteria a compostura. Na Alemanha nazista soldados cometeram suicídio porque não tinham estomago para presenciar crueldades contra outros.

Recentemente, descobriu-se no coronel Brilhante Ustra um exemplar, cada vez mais raro, de torturador. Após a sessão de questionamento, sem tortura, promovido pela comissão da verdade dá para entender a lógica doentia que moveu esta mente humana.

Ele falando nos remeteu aos anos 70. Tratava os que se opunham ao golpe de 64 de comunistas, terroristas, assassinos frios e ditadores proletariados. Câncer a ser eliminado. Os militares? Salvadores da pátria. A dicotomia do bem e do mal. Sem espaço para o meio termo. Para o diálogo.

O ódio exalado por suas palavras desmentia a suas afirmações de que, enquanto comandante, ninguém tinha sido morto dentro das dependências do DOI. Os membros da CNV não precisavam nem mostrar o relatório oficial do exército com os números dos falecidos para desdizê-lo.

A expressão facial do coronel não deixou dúvidas nos ouvintes: estavam diante de um selvagem. Síntese da tortura. O ser que é a própria negação da civilização.

A tortura é sua destruição. É o seu fim. Somente com a verdade, com a punição podemos combater este ato vil. Entrarmos para o rol dos países civilizados. Não há outro caminho. Concordam?

A contratação de 6000 médicos cubanos pelo governo do Brasil.

medicinaNão há necessidade de se preocuparem senhores do conselho de medicina e associações de médicos do Brasil.

O projeto para atrair médicos estrangeiros e brasileiros formados em outros países não irá tomar o emprego dos ilustres doutores.

Eles não vêm para ocupar postos no Sírio-Libanês, Einstein, São Luiz, Copa D´or e clínicas afamadas.

Vocês de lugares nobres continuarão a atuar em lugares nobres. O governo não está falando em importar médicos especializados em medicina nuclear, em cirurgia plástica, oncologia, cardiologia e outras.

Os médicos virão para atuar em áreas desprezadas sistematicamente pelos profissionais da saúde pátrios.

Pelo projeto eles irão atuar em medicina preventiva e em lugares carentes desses profissionais. Cidades e localidades longínquas dos grandes centros. Interior do Amazonas, por exemplo. Aquela, que mesmo oferecendo salários de R$12.000,00 ou mais, são desprezadas.

Não se preocupem também com a revalidação dos diplomas e com a qualidade dos médicos, o governo também se preocupou com essas questões. O ministro está conversando com as universidades brasileiras e com o conselho para avalição. Nenhuma lei será quebrada. Não se preocupem também com as dificuldades do idioma, senhores dos jardins, está questão está equacionada.

Vamos falar francamente. O alarde todo em torno destes futuros trabalhadores reside numa única palavra: Cuba.

O preconceito, ódio e inveja da parcela conservadora do Brasil são tão pronunciados que estes senhores tornam-se cegos, insensíveis com o restante da população.

São notórias as conquistas cubanas na área da saúde.  Expectativa de vida 78 anos, mortalidade infantil de 5 por mil nascidos vivos. Sistema gratuito e acessível a 100% da população.  Medicina generalista. Básica.

Estrangeiros procuram a Ilha para tratamento contra o câncer. Michel Jackson foi um, não de câncer, lembram-se?

É esta experiência que o Brasil está atrás. Há algo de errado?

Tocantins, na década de 90, trouxe os cubanos com sucesso.  Mas fizeram que fizeram, que conseguiram expulsar os profissionais. Tinham que revalidar o diploma. Poderia ser feito.  Era simples e rápido. Mas puseram tantos obstáculos que o projeto não se sustentou. E os doentes novamente ficaram entregues a própria sorte.

Senhores dos centros mais evoluídos se querem fazer algo para o bem do Brasil lutem pela democratização, inclusão social e qualidade das atuais faculdades de medicina. As reclamações contra os péssimos profissionais e os planos de saúde estão aumentando. Contra corporativismo atávico também.

Hipocrisia à parte, não liguem para o falatório geral. Eles não farão lavagem cerebral na população. Isso a mídia nacional vem tentando fazer há muito tempo e, como se pode ver pelos resultados das urnas, não obtiveram êxito. Concordam?