Excomunhão em tempos de Feliciano.

inquisicaoManda quem pode, obedece quem tem juízo. Cláusula pétrea de qualquer corporação e que o funcionário, hierarquicamente inferior, tem que seguir à risca. Não está escrita em lugar nenhum.  Mas a sua quebra traz consequências graves ao infrator. Pode ser demitido, congelado, preso, rebaixado, expulso ou excomungado.

Geralmente o superior dá dicas sombrias ao “delinquente” antes que medidas extremas sejam adotadas. O militar chama o soldado de “novinho”. O juiz de “filho”. O diretor ao empregado de “doutor”. Existem outras variáveis: garoto, mocinha, rapaz, dona, totó, Zé e etc… Mas em todas elas vem embutida uma mensagem velada. Inferior, você está passando dos limites, é bom abrir o olho, se não…

Para evitar dúvidas quanto ao comportamento e processos judiciais as empresas, organizações e governos criaram o “Código de Ética”. Espécie de estatuto do bom comportamento social, dentro do âmbito profissional, que o empregado deve manter no local de trabalho. Caminho de mão única. Sempre de cima pra baixo. E imposto aos funcionários. De qualquer forma este código deixa margem para muitas interpretações.

Bem, voltando ao sábio dito popular. Recentemente tivemos um ótimo exemplo da quebra da cláusula pétrea citada acima. O padre Beto, da paróquia de Bauru, São Paulo, foi excomungado.

Motivo? Ele seria a favor do casamento homossexual. Pelo menos este foi o motivo apontado pelo Estadão e pelo telejornal da Band.

Considerei a justificativa muito simplória, em tempos de Marcos Feliciano, e fraca, para uma pena tão forte. Afinal, tem padre pedófilo, padre vigarista, padre amasiado, padre “Ricardão” e a punição aplicada a eles é de advertência ou de transferência de localidade. Só isso.

E como não dá para acreditar na imprensa hegemônica-golpista-manipuladora fui atrás da verdade completa.  E eis que ela apareceu.

Primeiro assisti o padre Beto dando depoimento sobre o casamento entre pessoas do mesmo gênero. Falou do amor.  Fez uma reflexão filosófica numa mesa de lanchonete.  Não vi nenhuma declaração bombástica ou inédita na explanação do pároco que implicasse na pena capital.

Assistam aqui: http://www.youtube.com/watch?v=3mWSUaADloA

Em seguida vi a entrevista do bispo de Bauru Dom Caetano Ferrari. Fala da impetuosidade do padre e elogia sua postura. E diz que após ter recebido inúmeras reclamações sobre as suas declarações pediu uma retratação ao Padre.  Não foi atendido. Dom Caetano deixa claro que não gostou dele ter postado o material na internet.

Entrevista do Bispo: http://www.youtube.com/watch?v=lvunmmsrm-I

Mas ficou tudo vago. Retratação?!  Retratação sobre quais temas?

Então fui ver as homilias. Aí o quebra-cabeça começou a ser montado. Na sua instrução Beto criticou a educação, que prima pela competitividade e individualidade e não pela coletividade, o prefeito que gasta mal os recursos do município, o governo que despende dinheiro numa Copa do Mundo em detrimento da saúde, da segurança, da escola e etc, etc…

Veja essa homilia: http://www.youtube.com/watch?v=tlkX9ndvzjY

Não precisa ser um sábio para deduzir quem reclamou do padre e por que reclamou, não é mesmo?

Mas havia um porém: o padre ainda não havia quebrado o artigo pétreo. Faltava essa peça.

Ela apareceu na semana anterior a sua excomunhão, durante uma coletiva solicitada por ele.

Nessa entrevista ele chamou o Bispo de infantil (moleque, na verdade). Que certa parte da Bíblia não é inspirada no Espírito Santo. Que ele estava pedindo o afastamento e só voltaria se a igreja católica se modificasse, segundo os critérios dele.  E se o bispo “implorasse”.

Perguntado sobre o celibato. Ele disse que continuaria casto. Porque afinal tinha feito os votos. Neste momento ele se mostrou incoerente, porque fez voto de castidade, mas também fez voto de obediência e não cumpriu. Se diz progressista, mas se orgulha de ter estudado na universidade do papa Bento XVI, um conservador. Vai entender.

A íntegra da entrevista: http://www.youtube.com/watch?v=VDSfrZ_NMPg

O Padre Beto forçou a excomunhão. Ultrapassou o limite. Por quê? Talvez seja um oportunista, apenas. Questionado se gostaria de seguir a carreira política. Afirmou: se convidado, pensaria. Bom início.

Moral do dito popular: pode ofender, ser mal-educado à vontade, desde que seja com seus iguais ou seus inferiores e não prejudique a empresa. Mas não fale um tantinho assim do seu superior hierárquico. Nem que seja para o bem da empresa.

E não confie na imprensa hegemônica-golpista-manipuladora. Certo?

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