A voz do povo é a voz de Deus ou da mídia?

pec37congressoBons tempos em que a voz do povo era a voz de Deus, agora pertencem à mídia.

Percebam. A Globo sempre foi contra a PEC 37. Os manifestantes são contra. É contra a PEC 33, eles também são contra.

E o que tem isso? A Globo pode estar certa? Claro que pode. Mas pode estar errada também, não é mesmo? Esse é o ponto. Há apenas uma visão, a da mídia.

Em tempo. A Globo será sempre contra qualquer PEC que vá contra seus interesses particulares. Monetários ou políticos.

Segundo a folha cerca de 80% dos manifestantes não sabiam do que se tratava a PEC 37. Mas eram contra. Pergunta básica: como podem ser contra alguma coisa que não entendem direito do que se trata, sua abrangência e suas consequências?

Os entrevistados repetiam o que a mídia falava. A PEC era antidemocrática, um atentado à liberdade. Uma vingança do governo devido ao caso do mensalão e etc. Não podia ser aprovado nunca. Alguns pegaram como bandeira e saíram a gritar pelas ruas.

A PEC 37 foi derrubada.  Os congressistas, assustados com as passeatas, apressaram-se em colocar em votação e reprová-la. O que foi mau e bom. 

Foi mau porque os parlamentares não podem ser pautados pelos manifestantes, com o risco de serem, ainda mais, interpretados de forma errônea e tornarem-se reféns. Por outro lado foi bom: mostrou que são suscetíveis aos clamores da população. O que é dever do congressista.

Porém, basta algumas observações  para se por em dúvida se a 37 era realmente um atentado a democracia.

Por exemplo. Não será poder de mais na mão de um único homem, o PGR? O ministério já é chamado de quarto poder. Ele irá investigar e fiscalizar ao mesmo tempo o próprio procedimento. Isso é certo?

Lembre-se, o MPF já engavetou vários processos. As investigações das privatizações tucanas. Caso do banqueiro Dantas. O mensalão do PSDB. Entre outros. De agora em diante, dependendo do caso, ele poderá chamar para si a investigação, nem iniciá-la e por cima não precisará dar satisfação. Num primeiro momento. É correto?

Veja outro problema que pode acontecer. Numa entrevista à TV britânica FHC foi questionado sobre os diversos atos de corrupção que pairavam sobre seu governo. O ex-presidente argumentou que eram acusações políticas e que nenhum de seus ministros foi oficialmente acusado e blá-blá-blá. Neste momento o repórter inglês o interrompeu e lembrou que  o procurador geral da república Geraldo Brindeiro, era conhecido, aqui no Brasil, como o  “Engavetador” Geral da República e amigo de Fernando Henrique, portanto… Gaguejando, FHC não negou, mas lembrou que Geraldo era livre para fazer o que bem entendesse e que nunca influenciou em qualquer decisão do mesmo. Alguém acredita?

Bem, quem escolhe o Procurador é o presidente da república. Será que os próximos governantes  serão tão ingênuos, como Lula e Dilma, e escolher alguém baseado apenas em critérios puramente técnicos. Será que eles não darão preferência a uma pessoa de sua simpatia? O que você acha?

Então, baseado nesses problemas levantados acima a PEC 37 é totalmente ruim, como os especialistas da Globo dizem? Será que ela foi amplamente discutida como deveria?

Outra coisa, o Movimento do Passe Livre não era contra a participação de partidos nas manifestações, a Globo era. Na reunião que tiveram com a presidente o MPL apresentou uma carta retirando a observação acima. Por quê? Não sei. Desconfio. Mas é por essas e outras que alguns jornalistas já se referem a eles como os meninos da GLOBO. Triste.

E a PEC 33 é boa, é má? Foi discutida o suficiente? Sabem o que significa? Conhecem os argumento prós e os contras? Ou simplesmente serão contra porque a GLOBO acha que é ruim?

E a tarifa zero? E o mundo capitalista como fica? Maior participação do estado ou não? Aumenta imposto ou diminui? São perguntas pertinentes.

O MPL irá convocar atos para criação da CPI do transporte público. Muito boa ideia, sem ironia. Quanto tempo se leva para criação de uma? Um mês, dois meses? Ou um dia, basta pressionar? Quais os indícios para a instalação da CPI? Será federal, estadual ou municipal? Estão sendo chamadas as entidades de classe (sindicatos, UNE, UBES) para discutir? Ou já vão para as ruas?

E o enfoque jornalístico não diz nada? Os repórteres não entrevistam os líderes dos movimentos. Supostamente mais politizados e quem tem mais a dizer. Por quê? Além de sem partido as manifestações agora também não tem líderes?  Nas últimas reportagens somente aparecem adolescentes imberbes, pueris  e seus pais. Só vamos parar quando a corrupção acabar, disse uma(???). Então, amigos e amigas vamos morrer nas ruas. A lei existe porque o crime existe.

A mídia está manipulando. Por quê? Porque não existe pluralismo de informações. Você não ouve outras opiniões. Outros argumentos. Não há escolha. As vozes dissonantes não têm espaço nos noticiários. A verdade fica sendo o que eles veiculam e pronto. Se o cidadão não tem “simancol”, como se dizia em outras épocas, ele não irá procurar o outro lado. A internet está à disposição.

Há vários outros casos de engendramento midiáticos, me resumo a esses.

Enquanto não houver uma regulamentação séria a mídia continuará a ser o que é: manipuladora, tendenciosa.

 A televisão, o maior meio de comunicação, é um lixo. Concordam?

Democracia sempre, golpe nunca. Uma reflexão.

DitaduraUma reflexão sobre a democracia.

Os manifestantes não se deram conta, mas eles formaram um partido. O partido dos que abominam os partidos e, consequentemente, todos os políticos. Por quê? Partido virou sinônimo de quadrilha bandida.

O partido, antipartido, terá como bandeira aumentar as verbas destinadas para: educação, saúde, transporte e o que mais lhes der na telha.

Esta futura associação assim que chegar ao poder extinguirá os partidos políticos, “povo unido, não precisa de partido”, e fechará  o congresso e prenderá todos os congressistas não pertencente ao seu partido antipartido, afinal pertencer a algum outro partido, que não seja o do partido antipartido, é prova incontestável de que o congressista é bandido, pois os partidos só abrigam quadrilheiros. E lugar de bandido é na cadeia.

O partido, antipartido, só prestará contas dos seus gastos ao povo, e só ele poderá fiscalizar, pois os órgãos atuais são dominados por marginais.  Como o povo irá fiscalizar são outros quinhentos. Aliás, fiscalizar pra quê? Os membros do partido antipartido são naturalmente honestos. Pois eles não pertencem  a nenhum partido. E se alguém ousar reclamar será considerado malfeitor, porque fica claro  pertencer a algum partido. Militantes de outro partido são obviamente desonestos.

E logicamente não haverá manifestações, pois quem é do partido antipartido não faz protesto contra os próprios. Afinal um dos lemas era: “desculpe o transtorno, estamos lutando para mudar o país”, ou seja, a sociedade pode confiar, estamos momentaneamente atrapalhando sua rotina para o progresso da nação, voltem a dormir. E os que fizerem  passeatas são naturalmente de outros partidos e, como sabemos, ser de outro partido é atestado de marginalidade. Então , prisão para os manifestantes.

Não haverá eleição. Por quê? Porque se houvesse eleição teria que haver outro partido e como sabemos … Além do quê, o partido antipartido engloba a totalidade dos cidadãos honestos.

E assim caímos numa situação de ditadura.

 A democracia não é possível com partido único. Mesmo que seja o partido antipartido. Principalmente numa sociedade tão complexa como a brasileira. Segmentada. E com interesses tão conflitantes.

O Movimento do Passe Livre deseja tarifa zero para todos e não só para estudantes. E se o governo falar não para essa proposta, o MPL convocará novas manifestações, até conseguir? O governo ficará refém de um único movimento? Claro que não. Segundo a Folha de S. Paulo só 25 % apoiam a tarifa zero. Os outros 75% têm lá suas razões para discordar. O dinheiro para custear tem que sair de algum lugar. Irá onerar outros setores, evidentemente. E estes reclamarão. Como é que fica? Eles consultaram a população para exigir em nome de toda sociedade? Ou não podemos pensar diferentemente do MPL? Eles sabem o que é bom para a população. Muita pretensão e nada democrático. Que tal um plebiscito, após debates e esclarecimento?

Nas manifestações pediram a cabeça de Marco Feliciano, homofóbico de carteirinha e presidente da Comissão dos Direitos Humanos. O que os manifestante desejam? Que ele seja cassado da presidência e do congresso? E se não for, as manifestações irão continuar indefinidamente até que ele caia? E por que cassá-lo? Ele quebrou o decoro? Foi condenado? Não tem representatividade? Vá num congresso de evangélicos e veja se ele não tem apoio incondicional e eleitores em número suficiente para torná-lo eterno na câmara. Ele é representante de parcela da população, assim como o Bolsonaro. A democracia tem isso. Se quisermos despejá-los do poder é no voto. Como conseguir? Através da educação e de esclarecimentos.

O mesmo acontece com Geraldo Alkmin e a Dilma. Gritaram Fora para os dois. Outra vez por quê?  São corruptos? Se perguntarem para os manifestantes dirão que sim. Cadê as provas cabais? Foram julgados e condenados? Perderam o poder de governar? Não! Nenhum dos dois, então não tem jeito. Ou as passeatas vão continuar até serem alijados do poder? Aí é golpismo.

A dinâmica democrática tem disso. São 200 milhões de interesses. Um presidente, governador ou prefeito não governa para uma fatia da população.

Se não querem a continuação dos atuais políticos ou executivos tirem-nos pelo voto. Golpe nunca. É o pior dos cenários de governança. Não caiam no papo desses neofascistas e da mídia hegemônica.

A ditadura pegou o país no caos, segundo a imprensa e os golpistas da época , e entregaram como? Eu digo: DES-TRO-ÇADO. Usurparam o poder, fizeram e aconteceram, mataram, torturaram, sem dar satisfação a ninguém, e por cima se auto-anistiaram. Toda ditadura é atroz. Para todos.

É difícil aguentar certas figuras ou posições, concordo. Mas o sistema se ajusta, se aprimora. As instituições vão se aperfeiçoando.

Manchetes dos principais jornais do Brasil em 1964.

manchete jb 64Achei interessante postar as manchetes dos principais jornais, logo após o golpe de 64. A história se repete.

A imprensa estava como o mesmo papo. O presidente era  corrupto, populista. Partido político? Sinônimo de quadrilheiros, bandidos. O povo se manifestava de maneira apartidária. Nunca houve manifestações como estas. O país estava um caos, a inflação, o comunismo e blá-blá-blá. Tudo factoide.

A classe média da época foi tão manipulada como a atual está sendo.  A atuação de estrangeiros fazendo cabeças era constante. Que o diga a figura do padre Peyton.

Infelizmente, sem querer, vou poupar o trabalho da  imprensa hegemônica. Se o golpe acontecer, para orgasmo dos fascistas, vocês não precisam queimar neurônios pensando no que escrever. Basta repetir as chamadas de 64.

 

“Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem.

Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada …”
(O Globo – Rio de Janeiro – 4 de Abril de 1964)

“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade.
Ovacionados o governador do estado e chefes militares.
O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade. Toda área localizada em frente à sede do governo mineiro foi totalmente tomada por enorme multidão, que ali acorreu para festejar o êxito da campanha deflagrada em Minas (…), formando uma das maiores massas humanas já vistas na cidade”

(O Estado de Minas – Belo Horizonte – 2 de abril de 1964)

“Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos”
“Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”

(O Globo – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)

“A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento”
(O Dia – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)

“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou., o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu.”
(Tribuna da Imprensa – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)

“A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”
(Editorial de O Povo – Fortaleza – 3 de Abril de 1964)

“Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade … Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”
(Editorial do Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 1º de Abril de 1964)

“Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República …O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve”
(Correio Braziliense – Brasília – 16 de Abril de 1964)

“Vibrante manifestação sem precedentes na história de Santa Maria para homenagear as Forças Armadas. Cinquenta mil pessoas na Marcha Cívica do Agradecimento”
(A Razão – Santa Maria – RS – 17 de Abril de 1964)

“Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada”.
(Jornal do Brasil, edição de 01 de abril de 1964.)

31/03/64 – CORREIO DA MANHÃ – (Do editorial, BASTA!): “O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta!”

1°/04/64 – CORREIO DA MANHÃ – (Do editorial, FORA!): “Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!”

1o/04/64 – ESTADO DE SÃO PAULO – (SÃO PAULO REPETE 32) “Minas desta vez está conosco”… “dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições.”

02/04/64 – O GLOBO – “Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada”… “atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso… as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal”.

05/04/64 – O GLOBO – “A Revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista”.

05/04/64 – O ESTADO DE MINAS – “Feliz a nação que pode contar com corporações militares de tão altos índices cívicos”. “Os militares não deverão ensarilhar suas armas antes que emudeçam as vozes da corrupção e da traição à pátria.”

06/04/64 – JORNAL DO BRASIL – “PONTES DE MIRANDA diz que Forças Armadas violaram a Constituição para poder salvá-la!”

09/04/64 – JORNAL DO BRASIL – “Congresso concorda em aprovar Ato Institucional”.

Manifestações, mídia e a atuação de grupos fascistas.

manifesto1Uma manifestação sempre é política, tem objetivos claros e tempo de duração.

Nas “Diretas-Já” (1983) pedíamos  a aprovação da emenda Dante de Oliveira. A PEC  previa eleições para presidente, imediatamente. Vivíamos sob a ditadura. Milhões foram às ruas. Fomos derrotados.  E cada um voltou à sua rotina.

No “Fora Collor” a população se mobilizou exigindo o “impeachment” do presidente, por corrupção. A pressão surtiu efeito. Ele iria ser destituído do poder pelo congresso, porém Fernando renunciou à presidência antes, a ideia era manter seus direitos políticos intactos. Após essa conquista as manifestações se desmobilizaram.

Os recentes atos são contra o aumento das tarifas do transporte público. Foi revogado o reajuste. O MPL não irá convocar mais passeatas, segundo seus dirigentes.

Bem, dia 20 de junho estive na manifestação, Av. Paulista.

Desci na estação Paulista. Vários grupos se encaminhavam para a avenida. O clima de euforia, característicos desses eventos, ia aumentando conforme me aproximava.

Diferentemente das outros dias nessa havia bandeiras: PT, PC do B, UNE, UBES, UEE.

 manifesto2A turma das bandeiras eram constantemente hostilizados com gritos de ordem: sem partido, fora PT, oportunistas, o povo unido não precisa de partido. Outros mais exaltados gritavam: ei! PT vai tomar no cu. Os atacados respondiam com palavras de: democracia, democracia ou fascistas, fascistas.

Num gesto mais agressivo um “pitboy”, jogou gás de pimenta num grupo de meninas. O recipiente estava disfarçado. Quem olhasse via nas mãos do agressor uma daquelas buzinas  de estádio movidas a ar comprimido. O intento dele, de provocar briga, não deu certo porque os mais experientes não permitiram. Outros, do grupo dos “fortões”, chegaram a atirar garrafas long-neck.  A polícia interveio.  Formou-se um cordão de isolamento. Sem maiores consequências. Porém os gritos continuaram.

Conversando com um senhor que carregava uma bandeira do PT ele disse estar indignado. Conforme suas palavras, se as pessoas estavam na rua  era por causa de lutas anteriores, ele enfrentou a ditadura, levou paulada (naquela época o cassetete não era de borracha, era de peroba), foi preso, as armas usadas eram letais e agora vinham tentando jogar toda uma história no esgoto, ele não admitia. Uma senhora, de 64 anos era da mesma opinião. Agora estávamos numa democracia,  havia liberdade, a repressão da PM não era nada comparada com as que tinha participado, afirmou. Esse humilde blogueiro,  já teve arma apontada na cara. ameaçado de morte porque lutava contra a falta de liberdade. Estar novamente envolvido numa manifestação trouxe muitas lembranças.

Os manifestantes provinham das mais diversas “tribos”, identifiquei: punks, excomungados, religiosos, patricinhas, mauricinhos, neonazistas. Burgueses na sua grande maioria. Pretos, pouquíssimos.

A esquerda estava representada unicamente pelos que carregavam os estandartes.

Os cartazes traziam várias mensagens: contra corrupção, pelo fim da copa, fora Alckmin, por melhor saúde, mais educação, contra a PEC 37.  Destaco duas, pela incoerência. Elas estavam uma ao lado da outra. “Feliciano, sua hora vai chegar”  e o outro cartaz: “fora Dilma, sua lésbica sapatão”.

Acossados por neonazistas a turma dos partidos perdeu  força. Foram se dispersando. Algumas das bandeiras foram roubadas e o pessoal colocou fogo. Numa espécie de ritual macabro.

Havia ambulantes  vendendo  churrasquinho, refrigerante, cachorro-quente, máscaras, apitos. Banda de músicas, bateria de samba embalavam o desfilar. Os policiais se postavam perto de pontos estratégicos, geralmente ao lado de agências bancárias.

Ao final da passeata a Paulista se transformou num imenso calçadão. Bucólica, grupos andavam de lá pra cá, num rítimo de passeio. Assim terminou o ato na Paulista, em paz. As mensagens foram passadas aos políticos.

Agora, existiu e existe de fato a intimidação por parte de um grupo organizado contra pessoas que  pertencem a associações ou partidos.

Estes grupos fascistas instigavam aos gritos a agressividade. Os outros iam no embalo. Ou há quem acredite que crianças, grupos religiosos ou mesmo o cidadão comum iria mandar os partidários tomar no cu? E de forma organizada?

“O povo unido, não precisa de partido”, é mesmo? A frase é uma pérola do fascismo. Alguém fez essa pesquisa entre os manifestantes?  Os organizadores vieram a público proibindo a participação dessas associações? E caso insistissem em participar era para queimar bandeiras  e agredir as pessoas? Não acredito. O MPL deu uma lição de como agir numa Estado de direito. Mussolini, Hitler governaram sem partidos. A ditadura só permitiu dois, ARENA e MDB, mas só um tinha voz.

Agremiações políticas e democracia são como unha e carne. Um se alimenta do outro. São inseparáveis.

crianca na passeata No programa da Miriam Leitão do dia 21 um dos entrevistados era Tiago Falcão, secretário extraordinário do MDS, em certo momento a apresentadora perguntou o porque dessas manifestações, pois todos os indicadores econômicos apontavam para o crescimento. Falcão disse que o governo não havia, ainda, identificado a origem.

Bem, Tiago quis ser gentil. A causa de tanto revolta é resultado do ódio disseminado pelos meios de comunicação. Jornalista e articulistas inconsequentes, diletantes e vendáveis que se dispõem a criar mentiras para colher benesses dos patrões. Quem sabe um sorriso, um tapinha nas costas.

“Mente/ sai dizendo que me ama/mente, no meio de toda gente e a sós, entre nós dois/ Mente/Pois, na mentira meu amor, crer eu não creio/ Só espero que de tanto repetir que me ama você mesmo acabe crendo”.

Globo, Veja, Folha, Estadão são irmãos siameses quando o assunto é difamar pessoas e instituições. Dificilmente o cidadão não iria ficar com raiva. Todo dia, todo horário eles jogam informações deturpadas ou inverídicas. Querem derrubar o ex-presidente. Derrubar de onde? Eles têm medo.

François Hollande, presidente da França, se mostrou espantado com essas manifestações. Não vê motivo, pois O Brasil está com índices econômicos invejáveis.  Ele não conhece o PIG, Partido da imprensa Golpista.

O Mundo está atravessando a pior crise econômica da história, maior que de 29. O país, pela primeira vez, não teve que se prostituir para pagar dívidas. Vender sua soberania para satisfazer financistas. Como Espanha, Grécia, Itália, Holanda e outros pelo planeta.

O ódio é inimigo do bom senso. A pessoa fica suscetível e facilmente cai no colo de inescrupulosos.

Muito bem faria se as manifestações fossem também pela pluralidade da mídia. O sistema atual de concessões deveria ser revista. Uma nova Lei da mídia seria salutar para a democracia. Transparência nas noticias.

Agora, o motivo das manifestações são contra a PEC 37.  Que a mídia diz ser um atentado contra a democracia.  Temos mesmo que discutir sobre o assunto. Pode ser mesmo uma retaliação ao judiciário, como dizem. Os delegados mal dão conta de investigar homicídios,  como irão investigar outros crimes, principalmente os do colarinho branco?

Foi bom a imprensa trazer isso à tona, vamos ver se eles dão o mesmo tratamento para outras duas emendas muito mais agressivas: a PEC 215 e a 38. Trata da situação indígena.

Será que o povo irá para rua combater essas duas propostas? O fascistas gritarão palavras de ordem contra elas?

Governantes, voltem à realidade: não existe democracia sem povo.

protesto em sp 2Estas manifestações não acordaram o gigante, como dizem alguns cartazes e insinuam os meios de comunicação. O povo brasileiro nunca esteve dormindo.  A população sempre esteve indignada. Sempre foi contra a corrupção.  Contra o autoritarismo. Contra a falta de voz. Contra o pouco caso das autoridades. Contra a manipulação midiática de informação. “Fora rede globo, o povo não é bobo”.

Um jovem achar que finalmente o povo despertou é natural. Afinal, a história do país é ensinada sob a óptica dos poderosos. Agora a mídia reafirmar é sacanagem.

AÍ vem o repórter velho da Globo, Alexandre Garcia, dizer que nunca viu uma manifestação como essa. Um absurdo, além de covarde. Modo infame de manter os status quo da imprensa. De cooptar mentes e corações, novamente.

Não se deixem levar pelo inconsequente. Alfaiates. Balaiada. Farroupilhas. Canudos. Contestado. As mulheres de Alagoas. Movimento dos metalúrgicos. Diretas já. Os protestos estudantis do final de 70 e no decorrer dos anos 80.  Foram grandes movimentos, mobilizaram a totalidade da população, sem rede social. Apenas mal estudadas e ou simplesmente colocados de lado na grade escolar.

No “Fora Collor” houve apoio de toda a sociedade, de todas as localidades. Alphaville, bairro isolado e de classe alta de São Paulo, aderiu ao movimento. A elite foi às ruas. Sem se misturar, é claro. Dizíamos à época.

Uma manifestação não é mensurável. Não é uma competição. Como querem fazer crer.  Vã tentativa de roubar a história. A imprensa midiática tem medo. São hostilizadas nos movimentos.  Agora só de helicóptero. Sabem como agem.

As manifestações são legais e legais. Só temos a ganhar. É um santo remédio para a democracia. Ir a rua protestar provoca. Instiga. Aprimora. Aquilata. Elas trazem à realidade os governantes. Tão entorpecidos pelo poder.

O PT, principalmente, ou unicamente, dever colocar os pés no chão. Ele surgiu das bases. Dos botons. Das fitinhas. Do dia-a-dia. Da militância. Da borrachada. Da ameaça. Reaprendam com a população. Acordem.

No filme “A ponte do rio Kwai” há uma passagem que ilustra bem o choque de realidade. Durante a segunda guerra os ingleses são feitos prisioneiro pelos japoneses e obrigados a construir uma ponte. Por ela irá passar armamentos e tropas. O Oficial inglês, querendo mostrar o orgulho e a superioridade britânica, força os seus comandados edificar uma ponte sólida. E com essa intenção esquece que estão em guerra e qual o dever de um soldado. No dia que seria o da inauguração o coronel inglês percebe que ela irá ser explodida por um comando e incontinente dá o alarme aos japoneses. Porém, quando vê os militares ingleses sendo mortos, perplexo e incrédulo, se pergunta: o que eu fiz? Trabalhou para o inimigo, virou um traidor. E, digamos, caiu na real.

Se os governantes souberem interpretar as ruas entenderão. Se não, teremos outro PSDB.

Erundina, então do PT, tentou e não conseguiu por falta de apoio popular implantar a tarifa zero. Ela foi massacrada pela mídia. Por ser do Partido dos Trabalhadores, por ser nordestina e por tentar amenizar o sofrimento da população. Institui, também, o passe desemprego. Maluf em seguido suspendeu o benefício, temporariamente. Alegou corrupção. Até hoje dura o “temporariamente”. Por essas ousadias, Luiza Erundina teve seu único bem confiscado, um apartamento. Amigos fizeram “vaquinha” para recuperá-lo.

A Marta Suplicy, do PT, implantou o Bilhete Único. Foi ameaçada de morte. Apelidada de Martaxa e massacrada pela imprensa, não conseguiu ser reeleita.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, tem a oportunidade de fazer o que elas tentaram e não conseguiram. Aproveite o apoio e o titubeio da GLOBO, da Veja e faça uma revolução no transporte público.

E os trens e o metrô? Bem, é muito mais difícil. O PSDB está no governo estadual há vinte anos e nada fizeram. A linha amarela do metrô acabou de ser entregue a iniciativa privada. E sabemos, o empresário almeja o lucro. E detesta concorrência. No caso do transporte é um paraíso para estes senhores: não há disputa pelo mercado. Só se Alckmin fizer uma revolução. Infelizmente, palavra detestada pelos neoliberais. A eleição é em 2014.

E por falar em empresários, por onde anda esses senhores feudais neste momento? Não dão entrevistas ou os jornalistas não os procuram? Parecem banqueiros diante da crise econômica, somem.

Segundo Haddad, são três os atores na formação do preço da passagem: prefeitura, empresariado e população. A população entra com 70 % nos cálculos.

Para diminuir o preço da passagem só ouço falar em aumento ou diminuição de impostos. Ou seja, por tabela o cidadão continuará a pagar ou aumento do transporte, de maneira disfarçada. E o outro?

Os judeus fazem jejum para recordar o sofrimento do seu povo, os cristãos também. Em todas as culturas existem rituais para preservar as suas memórias. A democracia também tem a sua liturgia. E o seu rito são as manifestações. A história a preservar é a população.

Além do mais, as manifestações são tão importantes que não deveriam ser só um direito, mas um dever de cidadania.

O Brasil nunca dormiu. Desmaiou, depois de muita briga, sob o peso da repressão, do coturno.  Mas é só cheirar vinagre para levantar. Certo?

O que a PM de Alckmin quer, manifestação no sambódromo?

protesto em spA manifestação pública é um ato democrático e constitucional. O cidadão tem do direito de se manifestar e o lugar lógico para passeatas são as ruas.

Num estado de direito não existe questionamento sobre o motivo da manifestação. Se é certo ou errado. Quem protesta é porque acha que está no seu direito. Quem discorda também. Então a análise não deve partir da verdade absoluta. Não há.

A manifestação pode ser individual ou em grupo. Ser resultado de uma explosão ou de uma discussão. Ideológica. Ou pontual. Não importa.

A marcha das vadias, a parada gay, a procissão, o encontro dos evangélicos, greves, ou seja, lá o que for, é aberto o espaço urbano. Não se pode nem se deve reprimir o livre direito de expressão. O dizer é independente da faixa etária, cor, credo, opção sexual e nacionalidade. Somos cosmopolitas.

Uma marcha sempre causará transtornos a outrem. As autoridades governamentais estão aí para administrar essa questão. Garantir segurança, organização e minimizar o transtorno.

Se já procederam dessa forma em outras ocasiões, não em todas, por que não tiveram o mesmo comportamento com os estudantes? Por que a manifestação está sendo reprimida com tanta violência?

Pode ser por puro preconceito com a nossa juventude. Aliás, preconceito revivido. Em 1977 o coronel Erasmo Dias, secretário da segurança do São Paulo, durante um ato de repúdio contra a ditadura, pediu às mães que viessem buscar seus filhinhos, pois eles estavam fazendo travessuras. Detalhe: os filhinhos eram estudantes de direito da faculdade do Largo São Francisco, da USP. Evidentemente que as mães não foram, aí o pau comeu solto. Exatamente como agora.

Do mesmo modo que esta triste figura imbecilizava os jovens de então, as autoridades atuais, pelo jeito, ainda têm a mesma intenção.

E, graças a nossa impoluta mídia e suas reportagens, do particular para o geral, sempre, foi adicionado alguns adjetivos aos indignados: o de baderneiros, drogados e quase bandidos. O que não é verdade.

Além do mais, juventude não é sinônimo de idiotia. Ou de alienação. Grandes poetas, escritores, artistas ou cientista surgiram novos. Certo?

No entanto concordo com o Haddad num ponto. Realmente os manifestantes não têm coordenação, nem liderança, por isso não há controle. Faltou discussão política entre eles, o objetivo do protesto não ficou claro, e não houve articulação com outras camadas da população. Isto ficou evidente com o aumento paulatino das reivindicações durante os eventos.

Bem, quanto à violência dos policiais militares não chega a causar espanto. É característica da corporação. A formação dela é herança da ditadura. Não existe diálogo. Comete erro que tenta negociar com a tropa.

Outra coisa, o comandante da PM estabelecer um itinerário para a passeata é querer provocar um confronto. Primeiro porque, como disse o prefeito de SP, não há liderança, portanto não há com quem conversar, depois, passeata não é formação unida e São Paulo não é um imenso quartel.

E, caso os manifestantes fizessem tudo que o oficial pedia, eles iriam acabar no sambódromo ou dentro de um estádio. Tudo ficaria bem, não é mesmo?

Agora, juntemos a incompetência das autoridades em administrar situações críticas, a falta de articulação e maturidade dos organizadores do protesto e o despreparo da polícia num mesmo caldeirão… o que teremos? Uma grande explosão.

Não, não é assim, como diz minha esposa, que se trata as pessoas. Faltou respeito e dignidade.

Tropa de choque. Carga de cavalaria. Bombas de gás. Espancamento. É peculiar a um regime de exceção. Democracia exige mais democracia. Diálogo e mais diálogo. Tem que saber conviver com os contrários. Com o contraditório.

Parem de bater. Garantam, isso sim, o direito de se manifestarem. Imediatamente.

Qual o objetivo da manifestação contra o aumento da passagem de onibus?

protesto contra passagemNão fica bem claro o que os estudantes desejam com as recentes manifestações contra o aumento da passagem do transporte.

Os protestos são contra o valor da tarifa? Contra a péssima qualidade do transporte  público? Contra ambos? Qual o objetivo?

Se, por exemplo, um santo baixasse e o prefeito de São Paulo refugasse no aumento, os estudantes deixariam de protestar? Desmobilização geral, por quê? O transporte público, como num passe de mágica, seria considerado ótimo? Óbvio que não.

E por que, em sua imensa maioria, são apenas estudantes a protestar? O trabalhador comum, por acaso, não irá sentir na pele esse aumento?  Não são transportados como gado também? Não sofrem com a superlotação? Eles não teriam motivos para se indignarem? Ou a classe trabalhadora é conformada? Ou simplesmente não foram avisados do movimento?

São tantas as perguntas que essas demonstrações de insatisfação são comparáveis com uma torcida de futebol furiosa com o time. Gritam palavras de ordem, enfrentam a polícia, jogam pedras, apanham e vandalizam o que veem pela frente. Depois se retiram para suas residências. Amanhã é outro dia. Ficam apenas os registros da batalha. De ideia, nada. De conquistas, menos ainda. Atrapalhou a volta para casa e desenferrujou a tropa de choque. Apenas isso. No próximo jogo estarão lá novamente.

As manifestações são atos políticos. Estes protestos não foram. São ocos. Sem identidade. Percebe-se que não houve uma discussão profunda sobre a política do transporte público. Não houve o convencimento.  Não houve diálogo com representantes de outras classes. Com as autoridades. Mobilizar dá muito trabalho.

São eventos marcados pelas redes sociais.  Se você é contra o aumento da tarifa compareça a rua tal, número tal, tal hora. E só. Poucos realmente discutiram.

Os “facebook´s” da vida tem essa desvantagem. Para marcar balada, encontro, confronto é ótima. Para politizar, deixa muito a desejar.

Ele é apenas um excelente meio. Mas o fim ainda é olhos-nos-olhos.  É sentar e conversar. Talvez esteja cometendo uma heresia, porém ninguém pede a outra pessoa em casamento pela internet. Se não tiver tido um contato pessoal antes.

Os estudantes estão jogando fora uma grande oportunidade para discutir a política educacional. O fato claro para uni-los esta aí: aumento da passagem.

Ser um bicho político não é apenas carregar bandeira. Ou queimá-la. Antes de tudo é uma atitude. Um crescimento intelectual.

Ideologia! Quero uma pra viver, Cazuza cantava para os jovens da década de 80, 90. O sistema para o cantor venceu. Matou a chama do novo. Naquela época por falta de acesso a informação. Hoje com a internet, por que será?  

http://www.youtube.com/watch?v=AuZ6ubVXOoo