Manifestações, mídia e a atuação de grupos fascistas.

manifesto1Uma manifestação sempre é política, tem objetivos claros e tempo de duração.

Nas “Diretas-Já” (1983) pedíamos  a aprovação da emenda Dante de Oliveira. A PEC  previa eleições para presidente, imediatamente. Vivíamos sob a ditadura. Milhões foram às ruas. Fomos derrotados.  E cada um voltou à sua rotina.

No “Fora Collor” a população se mobilizou exigindo o “impeachment” do presidente, por corrupção. A pressão surtiu efeito. Ele iria ser destituído do poder pelo congresso, porém Fernando renunciou à presidência antes, a ideia era manter seus direitos políticos intactos. Após essa conquista as manifestações se desmobilizaram.

Os recentes atos são contra o aumento das tarifas do transporte público. Foi revogado o reajuste. O MPL não irá convocar mais passeatas, segundo seus dirigentes.

Bem, dia 20 de junho estive na manifestação, Av. Paulista.

Desci na estação Paulista. Vários grupos se encaminhavam para a avenida. O clima de euforia, característicos desses eventos, ia aumentando conforme me aproximava.

Diferentemente das outros dias nessa havia bandeiras: PT, PC do B, UNE, UBES, UEE.

 manifesto2A turma das bandeiras eram constantemente hostilizados com gritos de ordem: sem partido, fora PT, oportunistas, o povo unido não precisa de partido. Outros mais exaltados gritavam: ei! PT vai tomar no cu. Os atacados respondiam com palavras de: democracia, democracia ou fascistas, fascistas.

Num gesto mais agressivo um “pitboy”, jogou gás de pimenta num grupo de meninas. O recipiente estava disfarçado. Quem olhasse via nas mãos do agressor uma daquelas buzinas  de estádio movidas a ar comprimido. O intento dele, de provocar briga, não deu certo porque os mais experientes não permitiram. Outros, do grupo dos “fortões”, chegaram a atirar garrafas long-neck.  A polícia interveio.  Formou-se um cordão de isolamento. Sem maiores consequências. Porém os gritos continuaram.

Conversando com um senhor que carregava uma bandeira do PT ele disse estar indignado. Conforme suas palavras, se as pessoas estavam na rua  era por causa de lutas anteriores, ele enfrentou a ditadura, levou paulada (naquela época o cassetete não era de borracha, era de peroba), foi preso, as armas usadas eram letais e agora vinham tentando jogar toda uma história no esgoto, ele não admitia. Uma senhora, de 64 anos era da mesma opinião. Agora estávamos numa democracia,  havia liberdade, a repressão da PM não era nada comparada com as que tinha participado, afirmou. Esse humilde blogueiro,  já teve arma apontada na cara. ameaçado de morte porque lutava contra a falta de liberdade. Estar novamente envolvido numa manifestação trouxe muitas lembranças.

Os manifestantes provinham das mais diversas “tribos”, identifiquei: punks, excomungados, religiosos, patricinhas, mauricinhos, neonazistas. Burgueses na sua grande maioria. Pretos, pouquíssimos.

A esquerda estava representada unicamente pelos que carregavam os estandartes.

Os cartazes traziam várias mensagens: contra corrupção, pelo fim da copa, fora Alckmin, por melhor saúde, mais educação, contra a PEC 37.  Destaco duas, pela incoerência. Elas estavam uma ao lado da outra. “Feliciano, sua hora vai chegar”  e o outro cartaz: “fora Dilma, sua lésbica sapatão”.

Acossados por neonazistas a turma dos partidos perdeu  força. Foram se dispersando. Algumas das bandeiras foram roubadas e o pessoal colocou fogo. Numa espécie de ritual macabro.

Havia ambulantes  vendendo  churrasquinho, refrigerante, cachorro-quente, máscaras, apitos. Banda de músicas, bateria de samba embalavam o desfilar. Os policiais se postavam perto de pontos estratégicos, geralmente ao lado de agências bancárias.

Ao final da passeata a Paulista se transformou num imenso calçadão. Bucólica, grupos andavam de lá pra cá, num rítimo de passeio. Assim terminou o ato na Paulista, em paz. As mensagens foram passadas aos políticos.

Agora, existiu e existe de fato a intimidação por parte de um grupo organizado contra pessoas que  pertencem a associações ou partidos.

Estes grupos fascistas instigavam aos gritos a agressividade. Os outros iam no embalo. Ou há quem acredite que crianças, grupos religiosos ou mesmo o cidadão comum iria mandar os partidários tomar no cu? E de forma organizada?

“O povo unido, não precisa de partido”, é mesmo? A frase é uma pérola do fascismo. Alguém fez essa pesquisa entre os manifestantes?  Os organizadores vieram a público proibindo a participação dessas associações? E caso insistissem em participar era para queimar bandeiras  e agredir as pessoas? Não acredito. O MPL deu uma lição de como agir numa Estado de direito. Mussolini, Hitler governaram sem partidos. A ditadura só permitiu dois, ARENA e MDB, mas só um tinha voz.

Agremiações políticas e democracia são como unha e carne. Um se alimenta do outro. São inseparáveis.

crianca na passeata No programa da Miriam Leitão do dia 21 um dos entrevistados era Tiago Falcão, secretário extraordinário do MDS, em certo momento a apresentadora perguntou o porque dessas manifestações, pois todos os indicadores econômicos apontavam para o crescimento. Falcão disse que o governo não havia, ainda, identificado a origem.

Bem, Tiago quis ser gentil. A causa de tanto revolta é resultado do ódio disseminado pelos meios de comunicação. Jornalista e articulistas inconsequentes, diletantes e vendáveis que se dispõem a criar mentiras para colher benesses dos patrões. Quem sabe um sorriso, um tapinha nas costas.

“Mente/ sai dizendo que me ama/mente, no meio de toda gente e a sós, entre nós dois/ Mente/Pois, na mentira meu amor, crer eu não creio/ Só espero que de tanto repetir que me ama você mesmo acabe crendo”.

Globo, Veja, Folha, Estadão são irmãos siameses quando o assunto é difamar pessoas e instituições. Dificilmente o cidadão não iria ficar com raiva. Todo dia, todo horário eles jogam informações deturpadas ou inverídicas. Querem derrubar o ex-presidente. Derrubar de onde? Eles têm medo.

François Hollande, presidente da França, se mostrou espantado com essas manifestações. Não vê motivo, pois O Brasil está com índices econômicos invejáveis.  Ele não conhece o PIG, Partido da imprensa Golpista.

O Mundo está atravessando a pior crise econômica da história, maior que de 29. O país, pela primeira vez, não teve que se prostituir para pagar dívidas. Vender sua soberania para satisfazer financistas. Como Espanha, Grécia, Itália, Holanda e outros pelo planeta.

O ódio é inimigo do bom senso. A pessoa fica suscetível e facilmente cai no colo de inescrupulosos.

Muito bem faria se as manifestações fossem também pela pluralidade da mídia. O sistema atual de concessões deveria ser revista. Uma nova Lei da mídia seria salutar para a democracia. Transparência nas noticias.

Agora, o motivo das manifestações são contra a PEC 37.  Que a mídia diz ser um atentado contra a democracia.  Temos mesmo que discutir sobre o assunto. Pode ser mesmo uma retaliação ao judiciário, como dizem. Os delegados mal dão conta de investigar homicídios,  como irão investigar outros crimes, principalmente os do colarinho branco?

Foi bom a imprensa trazer isso à tona, vamos ver se eles dão o mesmo tratamento para outras duas emendas muito mais agressivas: a PEC 215 e a 38. Trata da situação indígena.

Será que o povo irá para rua combater essas duas propostas? O fascistas gritarão palavras de ordem contra elas?

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