A banalidade da palavra “traidor” leva a fins trágicos.

Judas traindoTrair, ser um traidor é um dos atos mais vis que alguém ou alguma coisa pode perpetrar contra outrem.

O traidor só atinge quem nele confia. O traidor não trai ao inimigo, só aos amigos. Pode ser uma instituição, associação, empresa, exércitos, esposa, filhos, parentes. A seta da traição atinge o alvo em cheio

Os traídos reagem de maneiras diferentes: às vezes ficam sem palavras, olhando no vazio, não querendo crer no que aconteceu. Decepcionados. Aturdidos. Outros utilizam a violência. Intempestivos, passionais.  Mas nenhum fica sem resposta.

O ato em si é tão repugnante que mesmo aqueles que se beneficiaram da traição não confiam no tal agente.

Se fez com ele, vai fazer comigo. Por que não? Somos melhores que os outros? Com certeza não.

Por isso, a palavra trair só deve ser usada em casos extremos. Quando a traição é feita por puro prazer sadomasoquista. Quando só a ele interessa a traição.  E, quando ninguém mais dela se beneficia.

Judas pode ser considerado um traidor? Biblicamente não. Cristo já sabia que seria entregue aos romanos, por quem e quando. Era seu destino. E de Escariotis também. Fora os trinta dinares.

Hitler foi um traidor? Com certeza sim. Pergunte ao Stalin, se vivo fosse. Assinou um pacto de não agressão e não cumpriu. Aliás, utilizou tal tratado e esperou o momento certo para atacar.

No Brasil temos alguns casos típicosde traição.

Nos tempos da ditadura, cabo Anselmo foi um traidor. Participava dos movimentos, ganhou a confiança dos companheiros e sem-mais-nem-menos virou a casaca. Denunciou a tudo e a todos. Não obteve riqueza. E hoje é uma triste figura, ainda vivendo escondido de seus medos.

E o caso da parabólica, quando Carlos Monforte, repórter da Globo, entrevistava Rubens Ricupero e numa conversa informal, sem saber que o canal estava aberto, este fez uma inconfidência, isso em 1994, houve traição ou foi um erro dos técnicos?  Quem se beneficiou da fala indiscreta do então ministro da fazenda e mentor do plano real? Ele foi traído. E depois, queimado na fogueira do jogo político.

E Pedro Collor é um traidor? A meu ver não. Ele delatou todo um esquema de corrupção montado pelo seu irmão presidente. No entanto, com seu gesto beneficiou a democracia recém-instalada.

E a Nicéia Pitta? Foi uma traidora?  Não. Pois, novamente a democracia e os paulistanos foram beneficiados com a delação.

E o soldado americano Bradley Manning, acusado de entregar milhares de documentos secretos para o site Wikileaks se encaixa nesta postura pérfida? Não. Em sua defesa argumenta que não concordava com o comportamento atroz dos americanos no Iraque. Com isso evitou muitos assassinatos e matanças.

E o caso mais recente: Edward Snowden pode ser considerado traidor? Não. Os benefícios, advindos de sua atitude, conheceremos daqui a algum tempo. Ele fez desse mundo um mundo mais justo. Certo?

Por conseguinte a palavra traição, devido a sua força maléfica, dever ser proferida com muito cuidado. Esse chapéu não cabe na cabeça de qualquer um.

A maioria dos que foram tachados de traidores tiveram fins trágicos. Sem os merecer.

Trair e coçar é só começar. Lamentavelmente.

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Os dez livros mais lidos pelos detentos.

biblioteca na penitenciáriaAproveitando que hoje se inicia o julgamento de 26 PM’s acusados de assassinar 73 detentos no caso que ficou conhecido como “massacre do Carandiru” divulgo a relação dos livros mais lidos em 2012 pelos presos nas penitenciárias federais do Brasil, segundo do Departamento Penitenciário Nacional. Não tem relação uma coisa com a outra. Mas vale lembrar: nem tudo está completamente perdido no mar de atrocidades do sistema prisional.

São eles:

A menina que roubava livros – Markus Zusak
O menino do pijama listrado – John Boyne
O caçador de pipas – Khaled Hosseini
Nunca desista dos seus sonhos –Augusto Cury
Apanhador no campo de centeio – J. D. Salinger
O futuro da humanidade – Augusto Cury
A cabana – William P. Young
O vendedor de sonhos – Augusto Cury
Os espiões – Luis Fernando Verissimo
O pequeno príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

O livro A menina que roubava livros foi a obra mais lida pelos detentos dos quatro presídios federais de segurança máxima existentes no país, de acordo com levantamento feito pelo Departamento Penitenciário Nacional, órgão do Ministério da Justiça. O best-seller conta a história de uma ladra de livros que é perseguida pela Morte, mas sempre consegue escapar.
O menino do pijama listrado e O caçador de pipas ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente, entre os detentos dos presídios federais de Campo Grande (MS), Catanduvas (PR), Porto Velho (RO) e Mossoró (RN).

Pelo projeto Remição pela Leitura, o preso tem de 21 a 30 dias para ler uma obra literária e apresentar, ao final deste período, uma resenha. A cada livro, o interno pode diminuir quatro dias de pena. Ao final de até doze obras lidas e avaliadas, pode remir, no máximo, 48 dias por ano. Cada penitenciária tem 124 livros comprados exclusivamente pelo projeto e também recebe doações.

Agora vejam a relação dos livros mais lidos em 2012 fora do muro das penitenciárias. Fonte: Publishnews.com

Cinquenta tons de cinza – E. L. James
Cinquenta tons mais escuros-  E. L. James
Nada a perder – Edir Macedo
Cinquenta tons de liberdade – E. L. James
Agapinho – Padre Marcelo
O x da questão – Eike Batista
A guerra dos tronos – George R. R. Martin
Nietzsche para estressados – Allan Percy
Jogos vorazes -Suzanne Collins
A escolha – Nicholas Sparks

Confesso uma coisa, como leitor contumaz: dos dez livros escolhidos pelos detentos  li 8. Por livre e espontânea vontade.  Enquanto dos mais-mais do mundo comum não me interessei por nenhum.

Sabe o que significa? Que meu gosto literário, 80 % pelo menos, tem mais a ver com o dos detentos do que com o do cidadão comum.

Diz-me o que lês e te direi quem tu és.

A mídia como grande deformadora de informações

midiauntitled“A aprovação dos governadores despenca junto com popularidade de Dilma”, jornal Estado de S. Paulo, sexta-feira, 26 de julho de 2013. Pesquisa CNI/Ibope

O que antes se ouvia muito em ponto de ônibus, boteco, pronto socorro, no encontro durante o cafezinho, na roda de reacionários, engarrafamentos e insatisfeitos em geral são constatados cientificamente. Dados planilhados, analisados por uma força tarefa  composta de matemáticos, sociólogos e cientistas-políticos. Qualitativo? Quantitativo?

Concluíram: a população está insatisfeita com os nossos governantes.  A porcentagem de aprovação está em queda livre, após os protestos.

Quer dizer: antes das manifestações havia aprovação, de repente, como num passe de mágica, despertaram e mudaram a opinião. Simples assim? Parece mais coisa da novelinha Malhação.

Durmo de um jeito, amanhece de outro.

Vamos ver. Em relação a Dilma. O que levou a queda? Foi flagrada em ato de corrupção? Escondendo dinheiro na calcinha? Está levando o país ao caos, como dizem os antipatizantes?

Não é o que os números dizem: foi o tomate, passou pelo chuchu, entrou no cabelereiro, voltou para os hortifruti e a inflação, como ela afirmou, está sobre controle sem perda de crescimento.

Os ricaços, investidores  em títulos públicos, querem que a inflação estoure. Vem, então, seus especialistas e afirmam: para controlar a inflação só aumentando a taxa SELIC. Cada meio ponto percentual de incremento significa milhões de reais nos seus bolsos.  

Os bancos são os maiores interessados no aumento da inflação e principais patrocinadores da imprensa hegemônica.

Outros dirão: basta ir ao supermercado para notar o aumento dos produtos, é o dragão. Mas a diminuição dos impostos, da energia elétrica. Da sazonalidade dos alimentos. A desoneração da folha de pagamento. Dos investimentos. Isso poucos se lembram que fazem parte do cálculo do índice inflacionário.

Agora saiu na mídia: o desemprego cresce. Cresceu 0,2%, em relação ao semestre passado. E vamos ouvir esta catilinária por alguns meses. Bom mesmo deve estar na Europa. Grécia, Portugal, Espanha taxa acima dos 20%. Adotando a cartilha neoliberal.

Bem como se nota, e se vive, não foi corrupção e o fator econômico que  levou  Dilma a este descer-ladeira-abaixo.

Essas quedas só acontecessem se houver escândalos ou catástrofes. O mesmo serve para os governadores.

Não é um bando de garotos que faria a opinião pública mudar de modo tão rápido, certo? Ou, todos nós brasileiros, não passamos de um bando de idiotas sem o mínimo discernimento do que é certo ou errado?

Então, só posso concluir que houve má intenção na amostragem. Ou os entrevistados eram funcionários da Globo e quem aplicou o questionário aberto foram os irmãos Marinho. Ou os estudos dos dados foram tendenciosos. 2 + 2, em contabilidade, nem sempre são quatro.

Porém fica claro que a mídia manipula os resultados pela mídia.

Ainda na reportagem do Estado sobre a pesquisa: Sérgio Cabral (PMDB), governador do Rio de Janeiro é o pior avaliado com 12%. Enquanto sobre Geraldo Alckmin (PSDB) diz o seguinte: “foi o quarto governador mais mal avaliado. Com 26% de citações no item ótimo ou bom, ele só fica atrás de Tarso Genro (PT), do Rio Grande do Sul (25%),   Marconi Perillo (PSDB), de Goiás (21%)…” Não acharam confusa a informação? “mais mal”, que horrível.

Pena que os jornalões e a Globo não vão falar sobre o Propinoduto do Metrô dos tucanos paulistas. Aí sim seria motivo para queda vertiginosa de governador paulista e até o “impeachment”.

Já imaginaram se a mídia deixasse a rapaziada sair na rua em protesto contra este ato de corrupção que levou dos cofres público estadual , até agora, mais de R$ 425 milhões de reais em vinte anos de maracutaia? Iria ser uma passeata linda. Sim, porque aqui em São Paulo os indignados estão fazendo manifestações até em apoio aos seus irmãos cariocas.

Pena que o JN não noticia. É uma lástima que não saia na Veja, na Folha de modo contundente e constante.  Não acham?

 

Falece Leon Ferrari: o papa anticlerical.

leon ferrariEm tempos de visita papal ao Brasil, nada mais emblemático do que a morte, ontem,  de Leon Ferrari, artista plástico argentino, aos 92 anos.

Considerado o papa anticlerical. Suas obras provocaram o repúdio do então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio,  atual Francisco.  Em 2004. Suas obras foram consideradas um insulto aos dogmas religiosos.

cristo no bombadeiro_1965Tímido, porém contestador, ele não deixou sem resposta o representante do Vaticano, afirmando que o ataque foi um repúdio aos “delitos cometidos pela Igreja na Argentina e em outras partes”. Leon teve seu filho Ariel sequestrado pela ditadura daquele país.tanque e santos

Em tempo: Bergoglio  já foi acusado, na Argentina, de apoiar os militares golpistas.

Então, nada mais justo que o artista, se sentindo vilipendiado, tenha feito uso da única arma que possuía: a arte.

Em 1976 mudou-se para o Brasil, morando em São Paulo por 14 anos.

O seu falecimento foi ou último ato de protesto contra a visita do Santo Padre à América do Sul. Maneira única de contraditar as palavras sublimes de Francisco.

gaiolas de santosPor um momento o papa deixa de ter todos os focos.  E ser senhor absoluto de todas as verdades.papa sobre corpos

A lição que o Egito nos dá.

egito protestosQue sirva de lição o que aconteceu no Egito.

Primeiro presidente eleito democraticamente é deposto por golpe civil/militar apenas um ano e meio depois de empossado.

Alguns erros foram cometidos assim que Hosni Mubarak, antigo ditador, foi alijado do poder, após intensos protestos. A primavera árabe. Os militares então tomaram conta do poder e lá permaneceram por um ano, até a realização de  eleições.

No entanto houve erro no processo, a meu ver.

O povo, agente e causa direta do fim da era Mubarak, não foi consultado em nenhum momento sobre que forma de governo desejaria. Presidencialismo, parlamentarismo, monarquismo, Faraóismo. Nada, nenhuma pergunta. Sim, há povos que preferem outros sistemas de governo. E quanto ao Estado. Laico ou não?

Deveria haver um plebiscito. Não importa o tamanho do caos que se instalou. Seria um ótimo começo e demonstração de respeito à população.

A constituição egípcia permaneceu a mesma dos tempos da ditadura. Não seria interessante chamar uma assembleia constituinte para adaptá-la aos novos tempos e rumos do país?

Foram trinta anos de Hosni. Evidentemente o povo não estava organizado em partidos políticos ou associações. Os jovens não viveram outros tempos. As eleições não seriam justas.

Então o único movimento suficientemente organizado para tomar conta do poder seria o religioso.

A religião tende nestes casos de obscurantismo a se sobressair. Não se desfaz mesmo debaixo da mais ferrenha tirania. Até o ditador tem um quê de religiosidade. O que restou do império romano foi a igreja católica, correto?

Então, deu o que tinha que dar. Foi eleito Mohamed Mursi. Pertencente ao grupo religioso Irmandade Mulçumana. Dito radical.

Não resolveu os problemas econômicos. Não se livrou da imagem de corrupto. E tentou implantar um estado mulçumano. Lá foi a população de novo às ruas. Os militares deram um ultimatum: ou ouve a voz do povo ou será destituído.

Mas como Mursi não tomou o poder pela força, seus simpatizantes saíram também em protestos a apoiá-lo. Até agora estimasse em cem mortos. O presidente preso. Outro colocado no poder. E vão começar tudo de novo.

Esse é o perigo quando não se tem uma sociedade representada em seus diversos níveis e minimamente organizada. E com uma constituição atualizada com a nova realidade.  A religião tende a ocupar o vácuo. Se não for ela será outro grupo radical. Ou os dois. O pior cenário.

A população se sente vulnerável e sem rumo. Disposta a seguir a qualquer um com discurso fácil.

Até o momento não apareceu sistema melhor que a democracia. Por isso devemos defendê-la, sempre. E lutar por mais democracia.

Grupos religiosos e radicais sempre estarão à espreita para tomar o poder. E se isso acontecer será  um deus-nos-acuda. Azar das outras expressões culturais que não se encaixarem nos seus dogmas. Será o fim de outros estilos de vida. Da chama jovem que move o mundo.

Estão querendo pautar a agenda de Dilma Rousseff.

Dilma RousseffAssim não dá, assim não pode ser, como dizia um nada saudoso ex-presidente. Estão tentando pautar a agenda de Dilma Rousseff.

Reforma política? Não pode ser no momento. Tem as eleições. A maioria dos candidatos já fecharam esquemas com vários empresários. Os partidos estão com o caixa dois abarrotadas de doações e desvios.

Plebiscito? Não Dilma, não é o momento. O povo não está preparado para tal empreitada. É ignorante e incapaz de compreender o funcionamento da máquina do governo.

Inflação? Aumenta a taxa SELIC. É a única maneira de conter o dragão. E o jeito mais fácil dos ricos ficarem mais ricos. A Globo falou do tomate. Depois do chuchu. Mais depois ainda, dos cabelereiros. Voltou para o alimento.  Aumenta a taxa. Mesmo que isso significa perda de postos de emprego.

Lei da mídia? Que absurdo. É censura. Nem na época da ditadura se pensou em tal disparate. Deixa a imprensa trabalhar tranquila. Nem que seja para derrubar o governo Dilma Rousseff.

Programa Mais Médicos? Não Dilma. Isso não funciona. O que falta são condições de trabalho. Não tem aparelhos. Nem ataduras. Não dá para trabalhar sem tirar sangue do paciente. Não consigo diagnosticar sem metê-lo num tubo computadorizado. Sem enfermeiro sênior, pleno e júnior. Sem tapete vermelho a esperar-me. Sem circo e pão. Não dá. Além de tudo, o trabalho é escravo ou semiescravo. Só regimes totalitários obrigavam as pessoas a esse vexame. Onde já se viu, obrigar alguém a trabalhar. 99% dos brasileiros trabalham por prazer, apesar do baixo salário. Ah! O JN falou que falta pediatra. É verdade. Mas deixa estar. O mercado regula. Lei da oferta e da procura. Daqui a pouco, pela falta desses especialistas, os pediatras vão ganhar igual ou mais que cardiologista ou oncologista, então, naturalmente os estudantes optarão por essa área. Quanto tempo? Uns 20 anos. As crianças doentes ou esperam ou se tratam no exterior. E se não tiverem condições de se tratar no estrangeiro? Dez anos passa rápido. A faixa etária muda, então poderá se tratar com outro especialista.  Qualquer mãe ira compreender isso, não é verdade?

Bem, agora querem pautar a reforma ministerial. 39 pastas é muito. Bom são 25. Ou seja (39-25=14), eliminar 14 postos de governo.

Como chegaram a número 25 só um alquimista matemático para explicar. E só um incauto com muita boa vontade para entender.

Não se preocupem, se faltar tal mago os noticiários lançam matéria. Na Suíça. Na Noruega. Na Dinamarca o número de ministérios é de …

Vejamos. Qual desses ministérios você eliminaria? Fazenda, Agricultura e Pecuária, Justiça, Saúde, Educação, Ciência e Tecnologia, Esporte, Cultura, Meio-Ambiente, Das Cidades, Comunicação, Do Desenvolvimento Agrário, Da Pesca, Relações Exteriores, Minas e Energia, Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Indústria e Comércio Exterior, Previdência Social, Trabalho, Planejamento, Transporte, Turismo, Casa Civil, da Igualdade Racial, Direitos Humanos, Das políticas para as mulheres, Advocacia Geral da União, BC, Controladoria Geral da União, Gabinete de Segurança Institucional, Assuntos Estratégicos, Aviação Civil, Portos, Relações Institucionais.

Como Lula disse: eliminar o Ministério da Fazenda ninguém vai querer. Vai sobrar para o…

É difícil extinguir um ou outro. Conhecer bem, para não cometer erros ou irresponsabilidades.

A Dilma sabe: esse comportamento esdrúxulo não é só político. Nem parte só de amigos melindrados e de oposicionistas. Tem um cunho de preconceito.

O país é machista.  A presidenta, por ser mulher, está sendo vítima dessa conduta, concordam?

Aproveitando nossos preconceitos explícitos e outros nem tanto, tenho a seguinte sugestão para eliminarmos alguns ministérios e secretarias.

 O Brasil é machista: um problema a menos: feche a Secretaria de Políticas para Mulheres. Pra quê? É só despesa.

O Bolsa Família é para vagabundo. Extermine o ministério de Combate a Fome

Outra coisa o Brasil não é racista, como sabemos, então pra que a Secretaria da Igualdade racial? Perda de tempo e dinheiro.

E assim caminharemos de volta para um passado não tão distante, certo?

 

A mídia concatena informações soltas com objetivos escusos.

nassifO texto abaixo de Luis Nassif expõem, de modo claro, como a mídia encadeia reportagens, que aparentemente não tem nada a ver, para transmitir mensagens negativas. Geralmente o objetivo delas é marcar o governo federal como catastrófico.  E cita exemplos dessas maquinações. Prós e contras.  Atentem.

 Autor: 

Luis Nassif

Existe um jornalismo fast-food que se limita a seguir todo movimento de manada, a apresentar visões extraordinariamente simplistas da realidade ou a exercitar a opinião (leiga) sobre assuntos da maior profundiade.

Em todos esses casos, valem-se do expediente da “autoridade” – no caso, a possibilidade de sua opinião, por mais primária que seja, saia publicada em jornais de alta circulação ou em jornais de TV.

Esse movimento teve início no pós-redemocratização e está estreitamente ligado ao florescimento dos âncoras de rádio de TV e seus bordões de fácil alcance – tipo “isto é uma vergonha”.

Sempre valeu para rádio e TV, mas não tinha espaço entre formadores de opinião – categoria na qual se enquadravam os jornais, antes da deblacle dos últimos anos.

Um dos mais fáceis recursos de marketing consiste em juntar um conjunto de temas negativos para concluir que tudo está negativo – ou o inverso.

Por exemplo, junto a tortura a quatro réus acusados de um crime aqui, com um ato de vandalismo ali, algumas tragédias sanitárias acolá e passo ao leitor a percepção de que aqueles fragmentos de realidade se constituem no todo.

Ora, países, estados, cidades, grandes empresas, são organizações complexas, das quais se pode extrair centenas de exemplos positivos e negativos.

Poderia falar do evento da SBPC em Recife, da euforia dos jovens com a redescoberta da política, da ascensão da nova música brasileira, dos resultados da indústria naval, do trabalho excepcional de ONGs e OSCIPs em parceria com o setor público, da universidade do MST, da recuperação pontual das bolsas e dizer que o país é uma maravilha.

O tal país terminal ou pujante não é o país real: é aquele que existe na cobertura da mídia, na cabeça do jornalista, no cérebro de quem não consegue enxergar além do retrato em branco e preto do momento.

É o marketing da notícia, uma opção que os jornais escolheram para se tornarem irrelevantes junto à opinião pública que conta.