A internet é terra de ninguém, e de todos. Por isso é bela.

liberdade cecilia meirelesO bom da internet é esse jeito anárquico. Ninguém é de ninguém. Uma liberdade utópica. Sem regras e sem limites.

As velhas questões sofistas: o ser humano nasce bom e se torna mal, quem nasceu primeiro? O ovo ou a galinha? Qual o sexo dos anjos? Podem na internet ter ser espaço para longas discussões.

A rede mundial está aberta a todas as tribos. Valores. Pendências.

Podemos ser atores de nós mesmos. Líderes do tudo e do nada. Mergulharmos no espaço virtual de cabeça sem preocupação de nela encontrarmos pedras ou fundo.

Como no sonho: o mudo fala, o cego vê e o cadeirante anda. Avatar de uma possibilidade. Sol de um novo mundo de esperanças. Estrelas de uma noite sem fim.

Tudo na WWW podemos. Nada dela esperamos. O mundo imaginário dos tempos de infância volta com força aos absurdos tempos de adulto. Nostálgicos nos seus lamentos. Preciosos no seu esquecimentos. Cantamos. Choramos. Sorrimos. Gargalhamos.

Vemos lembranças antigas boiando no mar de impulsos elétricos. Com força de ondas lambendo a praia do momento. Descansamos desses momentos intensos e do tédio.

Revemos. Criamos. Regamos. Amigos. Amores. Inimigos. Relação de amor e ódio. Terra de ninguém e de todo mundo.

Felicidades e infelicidades. Do escondido. Do afortunado. Da dor. Da angustia. Do doente sem cura. Do terminal sem glória. Da vida alegre e triste.

Dos caminhos sem volta.  Do retorno sem partida. Das desertas ruas. Das vielas perdidas. Das alamedas preciosas.

Da música. Da dança. Da representação. Da vela. Da lamparina. Do holofote sem fim.

De xingamentos. De elogios. Da ternura ao descalabro.

A internet existe para coexistir. A energia eterna vem de fonte desconhecida. E ao mesmo tempo sabida.

A fluidez, a inocência, a riqueza da rede mundial sucumbi diante da maldade, da gana de poder dos poderosos. A mãe perdendo um filho. Um filho no desamparo da morte. Aguardando a estocada final.

Outra vez construímos. Outra vez perdemos. Outra vez sonhamos. Outra vez nos acordam.

A internet tem dono, nos lembram. A internet será dominada. Terra inóspita, como um dia já foi o oeste americano.

Os internautas teimam em mantê-la como era. Serão massacrados, como foram todos outros povos. O paraíso, o valhala, a pindorama será destruído e seus habitantes massacrados.

As Google´s, Facebook´s são armas utilizadas pelos barões de sempre. Armas com cheiro, forma e cor de flor.

Um infiltrado esfomeado. Plantando candura tecnológica. Colhendo informação. Espionando. Bisbilhotando vidas alheias. Acordos. Estratégias.

Se um dia foram os índios, agora somos nós, os internautas, a lutar: não vamos entregar nossas terras, virtuais por excelência, a poucos. Com a vida de muitos nas mãos.

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