A tragédia de uma família e a imaginação de uma criança.

Mundo da LuaFoi uma tragédia, a morte de cinco pessoas de mesma família. Um casal, duas senhoras, avó e tia da esposa, e o filho do casal.

As investigações levam a crer que quatro foram assassinados e um cometeu suicídio. No caso, o acusado de ser o agente dessa barbaridade foi o garoto, de apenas 13 anos de idade.

Há muitas especulações sobre os motivos dos homicídios. E espanto geral. Se confirmado, fica a pergunta: o que levou um menino, bem quisto e considerado amável por colegas de escola, professores e parentes a cometer este ato tresloucado?

Ouso contar a minha versão: ele fantasiava matar os pais, fugir com o carro e morar numa casa abandonada, segundo seu melhor amigo.  Assim procedeu.

Viveu por umas horas no mundo da imaginação.

Creio que no momento que saiu de carro, após atirar na família, ele começou a voltar à realidade. O medo, por se sentir só e ser noite, o fez aos poucos retornar à realidade.  Foi para o local que conhecia e lhe dava certa proteção, a escola. E lá adormeceu.

Assistiu às aulas. Na saída pegou carona com o pai do colega. Na sua cabeça ele chegaria em casa e tudo e todos estariam bem e vivos. Mas não foi o que encontrou.

O que se passou na sua cabeça vendo o que tinha feito será para sempre um mistério. Talvez tenha chamado pelos seus pais: acorda pai! Acorda mãe, cheguei! Vó! Levanta, por favor. Sozinho de novo num cenário de terror… então, fez o que fez. Correu ao encontro de seus entes amados.

A série Mundo da Lua, exibido pela TV Cultura entre 1990 e 1991, tratava, de maneira extremamente poética, justamente da imaginação infantil. Brincava entre a realidade e a fantasia.

O seriado apresentava Lucas Silva e Silva, um garoto que ganha um gravador de seu avô paterno Orlando ao completar dez anos. Em meio aos problemas típicos da passagem da infância para a adolescência, Lucas cria, no gravador, histórias de como gostaria que as coisas fossem.  Um aprendizado de como funciona a mente das crianças.

Às vezes seu pai era um senhor feudal. Sua mãe uma camponesa. Noutras viajavam para planetas distantes. Sua irmã se transformava numa cantora. Ou numa megera. Seu avo um sábio. Tudo dependia dos problemas do dia-a-dia vividos pelos personagens. No final voltava à realidade e tudo acabava bem.  Com um ensinamento.  E a vida continuava.

Infelizmente a imaginação de Marcelo voou por caminhos violentos. E mais infelizmente ainda, ele possuía as ferramentas necessárias para efetivar seu segundo de fuga da realidade.

Fuga que tantas vezes, nós, antigas crianças, empreendemos. Ou para uma ilha, ou para o encontro com super-herói. Ou para solucionar um crime no centro da cidade. Ou em outro país e em outras épocas.

Ou, como num passe de mágica, a lição de casa, tantas vezes esquecida num canto do quarto, aparecesse prontinha. Shazan!

Não era mau. Não era bom. Era um garoto. Não há julgamento. Nem punição. Simples assim, como diz minha esposa.

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