O outro modo de tratar o conflito Sírio.

siria destruidaEntão, havia outro modo de tratar a guerra civil Síria sem ser pelo método “American way of life” de ameaçar, bombardear, matar, destruir?

Por causa dos seguidos fracassos e mentiras diplomáticas “yankees” ninguém mais se surpreende que haja outro jeito de se coibir atrocidades.

Os EUA, além de não terem sido eleitos, não servem para liderar um mundo pluralista. São muitos interesses, raças, culturas e sistemas de governos. E não será pelo uso da força que conflitos cessarão.

Uma nação que impõem suas vontades política, econômica e administrativa através da ameaça militar pode, no máximo, causar medo, jamais respeito e reconhecimento. Portanto sua liderança é artificial. Imperialista.

 Com o episódio sírio, será que o Iraque precisaria ser invadido mesmo? Atualmente o país está um caos. Atentados após atentados. E o cenário era praticamente o mesmo. Saddam usou armas químicas contra o povo curdo.  Os norte-americanos afirmaram que o regime iraquiano estocava armas de destruição em massa. E tome bomba. Invadido nada foi encontrada. Os americanos se retrataram perante a comunidade internacional? Não, deram de ombros.

O caso Líbio foi outro exemplo emblemático. Muamar Kadafi, antigo desafeto, andava de namoro com o ocidente.  Alguns o consideravam ditador redimido.  Bastou um levante, que a mídia se apressou em chamar de revolta popular, para criarem um espaço aéreo de exclusão e jogarem algumas ogivas.

A primavera árabe, sonho americano de colocar governos aliados, está se transformando num inverno soturno. Numa sinuca diplomática. Até o momento eles não cortaram a ajuda aos egípcios, apesar do golpe claro contra os valores democráticos. Antes um sistema ditatorial alinhado do que um democrático contestador.

E a proibição de sobrevoos dos aviões de Evo Morales e de Maduro, presidentes da Bolívia e Venezuela respectivamente, foi outro ato de agressão contra normas internacionais. E o evento de espionagem? A Dilma deu resposta dura, dentro das possibilidades do país. Era o caso da ONU redigir carta de apoio ao Brasil e de repúdio aos EUA. Deram de ombros, novamente.

Bem, se fomos relatar todos os atos de interferência, direta ou indireta, dos “donos-do-mundo” montaremos uma coleção enciclopédica, não é mesmo?

Voltando para o caso Sírio. Putin, presidente da Rússia, propôs que Bashar al Assad, presidente sírio, apresentasse uma lista com as armas químicas e posteriormente as destruísse. Bashar acatou a sugestão de seu principal aliado. Também, fazer o quê? Vamos ver se irá realmente acatar ou simplesmente escondê-las.

Azar da indústria armamentista americana. Eles que já esfregavam as mãos contabilizando os lucros com mais essa empreitada de “salvamento do mundo livre”.  Por enquanto terão que esperar. Mas não se afobem e nem percam a esperança mercadores da morte, pois guerra e conflito, causados ou reais, não faltam.

A quantas guerras povos foram conduzidos sem qualquer necessidade?

Para entender como os EUA chegaram a essa nação movida a apenas interesses particulares teremos que nos transportar aos idos da primeira guerra mundial (1915-1918).

Nesta época Tio Sam percebeu o quanto um conflito pode ser lucrativo. Vender armas. Arrasar cidades. E depois ajudar a construir as mesmas cidades que puseram abaixo. Fácil e muito rentável. E o mais espetacular: não há concorrência. Monopólio do horror.  A ganância os transformou em seres insensíveis e calculistas. Perversos, em outros termos. Longe dos ideais de Benjamin Franklin, Thomas Jefferson.

Finalizando, precisamos nos desatrelar dessa liderança interesseira. E, porque não, do dólar também, certo?

Elogios e comparações com a reeleição de Angela Merkel.

merkel_2Cantam loas a mídia brasileira: Ângela Merkel foi reeleita. Irá comandar novamente a mais forte nação europeia, a Alemanha.  Terceiro mandato consecutivo. A mulher mais tempo no poder. Símbolo vivo de um neoliberalismo mal acabado.

Porém digo: aos que chegaram a compará-la com Margareth Thatcher, a “dama-de-ferro”, primeira ministra inglesa, outro ícone da direita, peço calma: Thatcher morreu odiada pelos ingleses. Houve quem propusesse, inclusive, que seu enterro fosse privatizado, tal a penúria imposta pela dama, na década de 80, à população inglesa em nome de ajustes ou equalizações das contas. Merkel, ao contrário é bem-quista e admirada pelos seus patrícios.

Não é para menos, a Alemanha é uma ilha de prosperidade em meio à crise econômica que assola a União Europeia, desde 2008.

A taxa de desemprego bate recordes na Grécia, Portugal, Espanha, Chipre e Itália. A França oscila. Então, como não reconhecer e reeleger uma mulher que soube conduzir o país de maneira tão primorosa por caminhos tortuosos, não é mesmo?

De doze países que tiveram eleições só na Alemanha o governo permaneceu o mesmo. Os ancoras dos telejornais deram está noticia como se fosse mérito. A imprensa se agarra na única representante do neoliberalismo que acreditam que deu certo.

Não é bem assim. A Alemanha antes da crise já era o país mais rico e influente do velho continente. Tinha como se defender. E o fez de maneira impiedosa. Usando todas as armas da cartilha liberal varreu o colapso econômico para as outras nações. Notadamente as mais fracas. Interferindo diretamente na soberania dos mesmos. E, portanto no respeito e dignidade da população.  O povo grego que o diga, mais aperto a “troika” vai exigir.

Usando como “muleta” a União Europeia, medidas amargas de controle de fiscal foram impostas aos associados em crise. Pois, afirmaram, se medidas amargas não fossem adotadas o continente (leia-se Alemanha) implodiria, com consequências imprevisíveis.

Ou seja, a UE é união quando se trata de riqueza e poder. E desunião quando os problemas econômicos ameaçam os mais poderosos.

É o mesmo proceder dos norte-americanos em relação aos latino-americanos. Quintal e costumeiro depósito de lixo deles.

Bem, no entanto a mídia brasileira, na pressa de exaltar Ângela Merkel e sua exemplar maneira de como conduzir uma nação, fortaleceu a posição de quem querem sistematicamente destruir, PT e a Dilma Rousseff.

Pois, façamos justiça, se há alguém para se comparar a chanceler alemã, sem receio de errar, este alguém é a presidente Dilma.

O Brasil, assim como a nação germânica, está com a inflação controlada, baixíssimas taxas de desempregos. Investindo em saúde, educação e programas sociais de inclusão. Se desenvolvendo.

Resumidamente, em meio à crise que assola o planeta desde 2008, o Brasil é uma ilha de prosperidade. Combate à corrupção com a mesma veemência que defende nossa soberania.

 E, fez tudo isso, sem ter o mesmo poder econômico e sem recorrer ao expediente vergonhoso de crescer às custas da miséria de outros países.

Então, como se percebe não há necessidade de pedir para Merkel se candidatar à presidência do Brasil, como querem alguns. Basta Dilma Rousseff ser reeleita, concordam?

Abuso e bullying da mídia, por Roberto Requião.

Senador Roberto Requião (PMDB-PR) na tribunaEntrevista concedida por Roberto Requião à Paulo Henrique Amorim sobre direitos de respostas na mídia. 

Uma luz surge na escuridão.

1 – PHA: Senador, no parágrafo primeiro, artigo 2º dessa lei que foi aprovada pelo Senado, e que vai para Câmara, o senhor diz que: “o direito de resposta se aplica quando o conteúdo atentar, ainda que por equívoco de informação, contra a honra; a intimidade; a reputação; o conceito; o nome; a marca ou a imagem de pessoa física ou jurídica identificada ou passível de identificação”.

Eu pergunto: como essa lei se concilia com o princípio pétreo da Constituição que é a liberdade de expressão?

Requião: Ela garante a liberdade de expressão, ela não contempla de forma alguma a censura. Mas ela trabalha no sentido de impedir a sistemática destruição da imagem de pessoas sérias pelo interesse econômico que manda, principalmente, na grande mídia brasileira.

É o direito de resposta, o direito ao contraditório, que é fundamental à Democracia.

Ela acaba com essa história de censura na imprensa. Mas, se, por exemplo, o Jornal Nacional, amanhã, disser que o senador Roberto Requião ou que o jornalista Paulo Henrique Amorim, cometeram algo que não cometeram, e assim trabalhar para destruir a imagem que eles construíram ao longo de suas vidas, ele [JN] terá de dar um espaço igual para a resposta.

E isso num prazo muito curto, conforme estabelecido nos mecanismos previstos no projeto de lei.

É o direito ao contraditório. Não é um julgamento do que se diz, como na Justiça, com o pedido no Civil ou no crime de indenização.

Tem que deixar que a opinião [contraditória] ocupe o mesmo espaço e a mesma forma, quando a notícia for para desqualificar a pessoa.

2 – PHA: O artigo 4º diz que, quando a ofensa for feita por mídia televisiva, a retificação será do mesmo tipo da publicidade acrescida de 3 minutos; e na mídia radiofônica, acrescida de 10 minutos. Por que esse acréscimo?

Requião: Porque a dificuldade é dar uma resposta explicativa em um tempo curto. O acréscimo é para dar consistência ao direito de resposta.

3- PHA: O artigo 5º, paragrafo 2º fala em um rito especial. Como será o rito desse direito de resposta?

Requião: O rito está previsto na própria lei. O juiz terá um prazo muito curto para despachar depois que chegar à sua mão a intimação.

Nós estabelecemos um rito que não transforme o direito de resposta em uma tapeação.

Por exemplo, em uma véspera de eleição, uma agressão sofrida por um candidato sério, por parte de um veículo que esteja na sua oposição, se o rito for complicado, acaba não se viabilizando a resposta em tempo hábil.

4 – PHA: O senhor pode nos dizer, para dar uma ideia ao nosso leitor, ao nosso ouvinte, quanto tempo demoraria para que se justifique um direito de reposta por uma notícia veiculada hoje? Em quanto tempo essa resposta seria dada?

Requião: Eu acho que de uma forma extraordinariamente rápida.

Primeiro, se entra com uma ação direta contra o veículo, e se o veículo não se manifestar o juiz tem um prazo curtíssimo; e estabelece rapidamente a resposta.

Eu vou te dar um exemplo do que é uma agressão irresponsável de um moleque contra uma pessoa. Na coluna ”Radar”, da Veja, ontem, um tal de Lauro Jardim, que eu não conheço, disse que eu teria assegurado à bancada que derrubaria o veto do FGTS (os 10% de multa em caso de demissão não justificada).

De fato, eu votei contra o veto, porque não me convenceu a história de que o dinheiro iria para casas populares.

Mas, o Lauro Jardim disse que, posteriormente, eu teria dito à (Ministra) Ideli Salvati que eu votaria fechado com a bancada em favor do Governo.

Tentam desconstruir minha imagem me mostrando como uma pessoa muito pouco séria.

Eu jamais poderia conseguir uma resposta por isso.

E esse é um processo continuado, não é um insulto, não é uma agressão direta, mas é uma desconstrução continuada de imagem.

Agora, com a nova lei, que certamente passará por unanimidade pela Câmara, como foi no Senado, isso acaba.

5 – PHA: O senhor acredita que passa por unanimidade pela Câmara?

Requião: Eu digo a você que nós teríamos dois ou três votos contrários no Senado, mas essa molecagem do Lauro Jardim me ajudou a conseguir a unanimidade, porque essa barbaridade foi feita no dia da votação.

Eu acho que na Câmara passará com muita folga.

6 – PHA: Quem o senhor acha que poderia se opor a esse direito de resposta?

Requião: Só quem estiver ligado à grande imprensa, só quem estiver ligado aos setores monopolistas da imprensa.

7 – PHA: Mas a bancada da Globo é muito forte.

Requião: A bancada da Globo no Senado não se manifestou. Ela ficou constrangida, não ocupou a palavra para contraditar o projeto, e o aprovou.

Ou seja, o constrangimento da opinião pública foi maior que a pressão da Globo.

8 – PHA: Como essa lei de direito de resposta preenche o vácuo criado – como o senhor mesmo diz em seu site – o vácuo criado pelo fim da lei de imprensa?

Requião: Quando acabou a Lei de Imprensa – uma lei montada pela ditadura –, se estabeleceu a impunidade absoluta sobre qualquer tipo de agressão.

A agressão acabava resultando só em uma indenização civil, e sempre muito pequena.

E esses grandes órgãos de comunicação, ligados a grandes grupos econômicos, tinham até um caixa para pagar as indenizações que a sua irresponsabilidade causaria.

Isso ficava muito barato para eles e muito caro para as lideranças desconstruídas pela infâmia, injuria e calúnia.

Agora não, agora vai pegar no fígado!

Agride no Jornal Nacional, no Jornal Nacional haverá resposta. Independente do processo criminal ou civil.

9 – PHA: Eu vejo aqui, no artigo 7º, paragrafo 4º, que o juiz pode inclusive – caso o direito de resposta não seja concedido – impor uma multa e suspender as atividades do veículo, se necessário, por requisição de força policial. É isso?

Requião: Sem dúvida alguma. A lei é altamente impositiva. O veículo vai ter que responder ou vai ser fechado – dizendo de uma forma bem clara.

10 – PHA: Digamos que o senhor seja governador do Paraná de novo e a Míriam Leitão faça uma crítica, como costuma fazer – sistematicamente – aos governantes que não são da mesma linha política e ideológica dela; que seja uma questão opinativa, o que o senhor fará para se defender disso?

Requião: Rigorosamente nada. A opinião é completamente livre.

Agora, vamos ver se isso não caracteriza uma desconstrução sistemática da imagem do Governo. Aí, caberá o direito de resposta.

Viúvas não! Carpideiras globais.

atrizes_globo_lutoSinto contestar, mas estas atrizes estão mais para carpideiras do que para viúvas.

Esclarecendo: carpideiras são aquelas mulheres contratadas para chorar sobre velório alheio, sem vínculo sentimental ou pessoal com o defunto. O pagamento pode ser feito em dinheiro ou em benesses. São as alienadas do evento.

Pois bem, não quero com essa comparação desmerecer o trabalho importante de carpideira. Velório sem choro vira festa.

No entanto, se era para se fazer isso que as globais tentaram fazer que se contratassem as verdadeiras profissionais de enterro. O trabalho e o impacto desejados sairiam muito melhor do que esta tentativa patética de mostrar indignação.

Bem, isto é que dar casar com um marido opressor como a rede Globo de Televisão, e dele depender economicamente.

Não que essas aí foram obrigadas a pousar. Fizeram pelo puro prazer de satisfazer as vontades de seu amo, por mínimas que fossem, tipo mulher de malandro de outrora.

Joaquim Barbosa e sua trupe já sabiam de antemão a posição de Celso de Mello em relação aos embargos infringentes.  Então, numa última tentativa de reverter o desfecho colocaram o ministro na berlinda. Atirando-o no meio da sanha vingativa-preconceituosa-fascista da mídia.  Talvez, calcularam, a pressão da opinião “publicada” surtisse efeito. E tome Jornal Nacional, Jornal das Dez, Band, SBT, Veja, Folha e Estado batendo sincronicamente na tecla da impunidade. Arnaldo Jabor desfilando sua google-intelectualidade num artigo chegou ao cúmulo de ressuscitar velhos jargões da época da guerra fria. Bolchevique.

O STF tem de ser imune à pressão para ser imparcial, por isso os ministros não são eleitos e são vitalícios em seus cargos. Essa independência garante o bom julgamento. Descaradamente e infelizmente Gilmar e Marco Aurélio envolveram o “povo” para justificar seus votos. Um desserviço para a democracia.

Mas continuemos. Evidentemente que todos têm direito à opinião. A favor ou contra é um direito. Seja artista ou não. Agora, há uma grande diferença em se usar a imagem pública para influenciar corações e mentes ou para promover a discussão entorno de um caso.

zacariasO que fizeram foi uma simples campanha publicitária comercial, e nada além disso. E sabemos, a propaganda é feita para vender um produto acabado. Não para se debater sobre ele, por isso todo reclame é considerado alienante. No entanto, estamos tratando de um assunto extremamente importante. Deveria ser levado muito a sério.

A campanha não deu certo. Não tiveram uma boa leitura da conjuntura. E o resultado está aí: expuseram-se ao ridículo.

A foto soa a falsidade, a amadorismo, não transparece sentimento. O olhar “Wiliam Bonner” chega a ser patético.

Elas, antes de pousarem, deveriam pedir conselhos para Regina Duarte, com seu “tenho medo” referindo-se ao Lula. Claudia Raia, com “o homem mais lindo Brasil? Fernando Collor de Mello” e Marilia Pera com o seu “Collor de Mello prometeu ajudar as criancinhas”. Seria muito prudente. Maquiavel que o diga.

Finalizando. Fica um aviso para os futuros enterros: não contratem as carpideiras globais, pois apesar de serem alienadas e profissionais, como podem perceber, não choram. Assim não dá. O féretro vai acabar virando um desfile de escola de samba. E tome caipirinha.

Todos têm direito ao segundo julgamento. Senão, não há justiça.

Abaixo a ditaduraA pergunta é a seguinte: por que os réus do processo 470 não teriam direito a um segundo julgamento?

Todos têm. Richthofen, condenada por matar os pais, teve. Cacciola, banqueiro teve. Roger Abdelmassih, médico, acusado de centenas de estupros, tem. Aliás, este conseguiu habeas-corpus e se mandou para o Líbano. E muitos outros, que com provas bem mais consistentes do que as que são usadas contra os condenados no caso “mensalão” tiverem. É questão de direito a ampla defesa. Em estados democráticos a coisa funciona assim.

Os que criticam o voto de Celso de Mello, a favor dos embargos infringentes, são os mesmo que condenam os tribunais cubanos. Chamando-os de arbitrários, tirânicos, ditatorial e injusto, os “paredon”. E agora, fechando olhos e ouvidos às suas próprias críticas. Cobram do STF o mesmo comportamento dos colegas da ilha. No mínimo poderíamos chamar de incoerentes.

Evidentemente o Brasil está cansado de ver tanta impunidade, principalmente quando o delito é cometido por ricos e poderosos, os chamados crimes do “colarinho branco”, certo?

Rico não vai para a cadeia, não é assim que dizemos? Mas não podemos nos iludir. A mídia nos passa a falsa ideia de que com a condenação dessas pessoas estaremos diante de um marco histórico. O antes e o depois do “mensalão”. As garras da justiça alcançaram os patamares superiores. E a partir daí rumo ao futuro.  

Não é bem assim. O cerne do processo, José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e João Paulo Cunha não são ricos e muito menos poderosos. Estavam no poder, o que é bem diferente. E chegaram lá sem apoio das classes dominantes. Infelizmente, continuaremos a ver os senhores feudais impunes, tipo Daniel Dantas.

Não há nenhuma surpresa no fato da impunidade para elite, afinal faz duzentos anos que a ela manda e desmanda. Montaram todo aparato estatal: o burocrático-político-judiciário. Por que fariam algo que pudesse prejudica-los?

No entanto a culpa deste imbróglio foi de Roberto Gurgel, procurador geral da república, e do ministro Joaquim Barbosa.  Misturando num mesmo processo parlamentares e pessoas sem cargo público. Fizeram um pacotão. Joaquim não quis, nesse caso, e apenas nesse caso, desmembrar o processo.

Desejavam um rito fulminante, pois, remetendo-os a instâncias inferiores sabiam que os acusados recorreriam a órgãos superiores.  E, fatalmente não estaríamos vivendo a expectativa do desenlace desta última semana, “a lá” novela mexicana. Não haveria debates sobre o direito deles a um segundo julgamento.

Porém, na pressa de assim fazê-lo precederam de forma ambígua, para uma casa de quem se espera imparcialidade. Julgaram rápido, e aceitaram indícios inconsistentes e vaporosos como fatos consumados.  É difícil entender o porquê deste comportamento, não estamos falando de qualquer um, mas sim de doutos juízes do STF. Mas, se analisarmos sob o viés do preconceito no âmbito político entenderemos a causa.

O PT ousou quebrar dois séculos de paz e prosperidade. A direita, abrigo da elite, não resistiu a duas eleições democráticas. Essas vitórias foram consideradas uma afronta, uma rebeldia por parte dos eternos subalternos, e como tal não poderia passar impune.

No fundo essa parte da sociedade deseja colocar a esquerda no seu devido lugar. Ou seja, debaixo dos seus pés lamacentos. Assim como a pessoa de cor preta que não sofre com racismo, desde que saiba seu lugar. Ou a mulher que não sofre com a discriminação de gênero, desde que obedeça ao machismo imperante. A esquerda será sempre respeitada, se não ousar desafia-los ou derrota-los.

Vale tudo para puni-los. Até manipular descaradamente teses de direitos. Como foi o caso da teoria do “Domínio do Fato”. Usado a bel-prazer veio bem a calhar: lastreou as condenações. Providencialmente o autor, Claus Roxin, veio a público contrapor os argumentos dos ministros.

É mais do que lógico: não haveria como negar um segundo julgamento. Todos têm esse direito. Se não for concedido uma segunda análise nos tribunais nacionais, será realizado nas cortes internacionais de justiça. Com um agravante, o STF também será julgado. E o conhecimento dos ministros posto em xeque.

Que culpa os réus têm, além das imputadas pelo MPF, se quem resolveu julgar o caso foi justamente o tribunal máximo da república? Paciência.

Bem, mas tal absurdo não acontecerá mais. Os embargos infringentes foram aceitos. A democracia saiu fortalecida. Fora disso, é apenas vingança e golpismo. Deixemos as paixões para os torcedores. Ou multidões, como lembrou Celso de Mello.

Chicana nos olhos dos outros é refresco, by Joaquim Barbosa

Merval e Gilmar MendesE dizer que uma semana antes do adiamento, para esta quarta-feira, da decisão sobre se os réus do processo 470 teriam ou não direito aos embargos infringentes, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, tinha acusado o ministro Lewandowski de estar fazendo chicana, chamando a sua atenção e provocando bate-boca que se estendeu para depois do expediente.

Na ocasião, a mídia fez sua parte: enalteceu Joaquim, alçando-o ao patamar dos homens justos e íntegros e transformou Ricardo Lewandowisk no “advogado do diabo”. Assim anda rolando pelo “feice buk”.

E qual não foi a surpresa quando vimos Gilmar Mendes e Marco Aurélio usaram, descaradamente, deste mesmo artifício para protelar a votação, atrasando-a em uma semana, sem serem admoestados pelo mesmo Barbosa e pior, contando com apoio irrestrito dele para esta manobra.

Como se estivesse num comício, disputando o cargo de prefeito da cidade de Sucupira, Gilmar Mendes discursou por mais de uma hora.  Falou o que quis, e se perdeu como quis. Indo e voltando num falatório prolixo.

Marco Aurélio de Mello usou do mesmo expediente, só que com mais clareza, ou cara-de-pau. Chegando ao cúmulo de alertar aos seus colegas de que estavam sendo avaliados pelo povo, como se para isso ligasse. Retrucado por Barroso quanto a esse posicionamento chamou-o de novato, hierarquizando a relação entre os ministros. Quem é ou foi militar sabe: o outro te chamou de novato ou novinho é melhor calar a boca, a patente fala mais alto. Triste STF.

Bem, a bola está com Celso de Mello. O que decidirá? O Brasil espera sua decisão.

Ele já avisou: é um homem não sujeito à pressão, podem falar o que quiserem, “tô nem aí”. Não importa a capa da VEJA, clamar por Pilatos é pequeno.  As manchetes da Folha, do O Globo, do Estado, ele não mudará a sua posição, seja lá qual for. Os especialistas perdem seu tempo infernizando tão imune magistrado. Sua pele é grossa. Aguardem até a próxima quarta. E façam suas apostas.

Num país dominado por uma única emissora de televisão, apaixonados por novelas, programas de auditórios e por “reality shows” não é de se estranhar que estejamos ansiosamente esperando pelo “gran-finale”.

A imprensa passa a imagem do absoluto dicotômico: o país encontra-se numa encruzilhada, qual caminho a escolher? Quem vencerá? o bem ou o mal? O certo ou o errado? O justo ou injusto? Que rufem os tambores.  Nossos comerciais, por favor. E comprem jornais, e aumentem nossa audiência.

Todos tem direito a um segundo julgamento, é constitucional. O Brasil é signatário do Pacto de San José, o tratado garante também um segundo julgamento, se não for no país de origem que seja realizado nas cortes internacionais. José Dirceu avisou que assim o fará, se lhe for negado este direito.

Então, pergunto, por que a estes senhores, e apenas a eles, seria negado este direito? Medo, talvez.

Se recusado os embargos teremos a certeza do julgamento político a que foram submetidos estas pessoas. Portanto a nossa democracia está doente.

Quem se encontra numa posição confortável é a mídia. Ela se posicionará da maneira que bem entender.

Destruir ou não a imagem do judiciário? Fazê-los de tolos ou não? Depende do pagamento, não podemos esquecer que a rede Globo deve mais de 1 bilhão de reais em impostos.

O que será que imprensa e juízes conversaram e combinaram nos bastidores, na calada da noite, nos jantares?

Maledicência? Pode ser, porém o filho de Joaquim Barbosa trabalha na Globo, Barbosa assistiu a um jogo de futebol junto com Luciano Hulk e Angélica, a foto que abre este artigo vemos Gilmar Mendes com Merval Pereira, colunista da Globo. Pode-se concluir qualquer coisa, certo?

joaquim-barbosa-luciano-huckEm tempo. Chicana é um jargão peculiar da justiça e se refere a alguém que esteja intencionalmente “enchendo-linguiça” a fim de atrapalhar o bom andamento do julgamento e com isso ganhar tempo.

O silêncio diz tudo, por José Genoíno.

luiz GushikenMorreu Luiz Gushiken, sindicalista e fundador do PT. O câncer o pegou de modo definitivo. Amigo de Lula, a quem ajudou a se eleger, ocupou o cargo de ministro no primeiro governo do PT. Infelizmente, o câncer o pegou nas curvas nebulosas da vida.

Pronto! Está dada a notícia de seu falecimento e um resumo de sua militância política.

Mas não é assim que a coisa funciona no Brasil. Gushiken será mais lembrado, por uma parte da população, como “mensaleiro”, não condenado por motivos humanitários. O que é uma injustiça.

O MPF tentou inclui-lo no processo 470, sem sucesso. Não encontrou provas ou indícios. Porém poucos sabem disso.

A mídia, cumprindo seu roteiro de preconceito e ódio, procurou  destruir sua condição de humano. Mentindo e criando factoides.

A ignóbil revista VEJA foi condenada a indenizá-lo em 20 mil reais por inverdades ditas a seu respeito. Pedido de desculpas? Nada.

E assim faleceu. Durante o velório vários companheiros de lutas apareceram e deram declarações. “Gushiken foi uma das vítimas das mentiras de uma parte da imprensa deste país. Eu sei o que ele sofreu com as infâmias que levantaram contra ele. Se a imprensa tivesse vergonha na cara, teria dado manchetes sobre a inocência”, disse Lula.

José Genoíno confrontado a falar sobre amigo, pela repórter da Globo, teve um comportamento exemplar, digno da fleuma inglesa. “Meu silêncio diz tudo”, e saiu, não sem antes fuzilá-la como o olhar de “eu sei o que vocês fizeram com ele” e se retirou. Ele próprio também vítima da mesma teia midiática e de injustiças.

O silêncio pode traduzir todo tipo de sentimento. Amor ou ódio. Carinho ou raiva. Generosidade ou atrocidade. Concordância ou discordância. Paz ou guerra.

O silêncio é instintivo. O primeiro ato de rebeldia de uma criança.

Diferente do “nada a declarar” do covarde acuado, Genoíno expos o seu pensamento por completo. Indignação e repúdio aos detratores de seu companheiro. Vocês da imprensa alimentaram o seu câncer. A mídia é o próprio câncer. Não conseguiram levar ao suicídio, como Getúlio Vargas, mas o mataram mesmo assim.

Saiu rápido, deixando a repórter a ver navios, talvez não quisesse se contaminar com a hipocrisia reinante nesse meio. Talvez tivesse receio de vomitar sua tristeza no rosto da Globo. Ou chorar, como só um poeta pode fazê-lo. Ou tivesse pressa de abraçar o amigo. Ou simplesmente não quisesse falar com o inimigo. Ou tenha desistido da mídia. Do que adianta fazer uma declaração, se ela será usada e editada de maneira quem bem entenderem. E sempre contra.

José Genoíno também está com problemas de saúde. A perversidade mora na imprensa. Não espera complacência.

O silêncio diz tudo. Basta escutá-lo. E traduzi-lo em pensamento.