O silêncio diz tudo, por José Genoíno.

luiz GushikenMorreu Luiz Gushiken, sindicalista e fundador do PT. O câncer o pegou de modo definitivo. Amigo de Lula, a quem ajudou a se eleger, ocupou o cargo de ministro no primeiro governo do PT. Infelizmente, o câncer o pegou nas curvas nebulosas da vida.

Pronto! Está dada a notícia de seu falecimento e um resumo de sua militância política.

Mas não é assim que a coisa funciona no Brasil. Gushiken será mais lembrado, por uma parte da população, como “mensaleiro”, não condenado por motivos humanitários. O que é uma injustiça.

O MPF tentou inclui-lo no processo 470, sem sucesso. Não encontrou provas ou indícios. Porém poucos sabem disso.

A mídia, cumprindo seu roteiro de preconceito e ódio, procurou  destruir sua condição de humano. Mentindo e criando factoides.

A ignóbil revista VEJA foi condenada a indenizá-lo em 20 mil reais por inverdades ditas a seu respeito. Pedido de desculpas? Nada.

E assim faleceu. Durante o velório vários companheiros de lutas apareceram e deram declarações. “Gushiken foi uma das vítimas das mentiras de uma parte da imprensa deste país. Eu sei o que ele sofreu com as infâmias que levantaram contra ele. Se a imprensa tivesse vergonha na cara, teria dado manchetes sobre a inocência”, disse Lula.

José Genoíno confrontado a falar sobre amigo, pela repórter da Globo, teve um comportamento exemplar, digno da fleuma inglesa. “Meu silêncio diz tudo”, e saiu, não sem antes fuzilá-la como o olhar de “eu sei o que vocês fizeram com ele” e se retirou. Ele próprio também vítima da mesma teia midiática e de injustiças.

O silêncio pode traduzir todo tipo de sentimento. Amor ou ódio. Carinho ou raiva. Generosidade ou atrocidade. Concordância ou discordância. Paz ou guerra.

O silêncio é instintivo. O primeiro ato de rebeldia de uma criança.

Diferente do “nada a declarar” do covarde acuado, Genoíno expos o seu pensamento por completo. Indignação e repúdio aos detratores de seu companheiro. Vocês da imprensa alimentaram o seu câncer. A mídia é o próprio câncer. Não conseguiram levar ao suicídio, como Getúlio Vargas, mas o mataram mesmo assim.

Saiu rápido, deixando a repórter a ver navios, talvez não quisesse se contaminar com a hipocrisia reinante nesse meio. Talvez tivesse receio de vomitar sua tristeza no rosto da Globo. Ou chorar, como só um poeta pode fazê-lo. Ou tivesse pressa de abraçar o amigo. Ou simplesmente não quisesse falar com o inimigo. Ou tenha desistido da mídia. Do que adianta fazer uma declaração, se ela será usada e editada de maneira quem bem entenderem. E sempre contra.

José Genoíno também está com problemas de saúde. A perversidade mora na imprensa. Não espera complacência.

O silêncio diz tudo. Basta escutá-lo. E traduzi-lo em pensamento.

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