O medo e a raiva que a esquerda e a direita têm dos Black Blocs.

manifestacao blackA direita tem raiva, a esquerda tem medo. Tanto um como outro está certo com seu sentimento.

A raiva da direita se resume na destruição dos bens materiais e, talvez na afronta às autoridades constituídas.  A maioria dos governantes, não importa o patamar, foi educado debaixo de o chicote militar. Aprendemos a olhá-los como mitos. Seres acima do bem e do mal. No que seria hoje o ensino fundamental tínhamos que decorar a biografia, autorizada, das personalidades. Cantar hinos. Hastear bandeiras e dobrá-las segundo o modo da caserna. Marchar. Desfilar. Não rezou era terrorista. Pobre, só existia por preguiça e indolência.  Aprendemos a nos calar. Ou no máximo cochichar. Reunião era dispersa. Desempregado, um simples vagabundo. Humilhado, sem força, perdia o respeito próprio. Era o fim.

Mas os ares mudaram. Os usurpadores sufocaram. Procurando ar onde não mais existia. Se auto perdoaram pelos crimes. Uma, duas gerações haviam sucumbido sobre as botas da loucura. Os que restaram lutaram por teimosia.

Renasceram as manifestações. A porrada, também. Os tiros não eram de borracha. E o cassetete era de peroba. A PUC invadida. As diretas-já. O fim e o começo.

Tivemos que iniciar do zero. Eleições vieram. Partidos apareceram. Não dois. Mas quantos necessários. Os sindicatos voltaram. A constituinte de 88. Menestrel de Alagoas.

A democracia é construída no dia-a-dia. Não há choro, nem volta. O sol nasce. A lua também. As estrelas, nem se fala. É na insistência que se faz.

Quem viveu nesses tempos de escuridão sabe ao que me refiro. Nós não derrubamos ninguém. Nós não conseguimos julgar ninguém. Agora que se vasculham as histórias soltas de ex-guerrilheiros, de torturados sem motivos, de desaparecidos. Eles estão impunes. Vão morrer vivendo uma vida roubada de outros brasileiros.

Guardaram todo seu ódio numa caixa. A de pandora. Só esperando o momento de desabrochar. No fundo não há a “Esperança”.

Os lampejos de democracia foram fugazes, fogo de santelmo. Fogo fátuo queimando na lembrança.

Viver democracia não é viver votação. É viver justiça. E justiça é tão difícil de atingir. Há tantos interesses particulares e classistas. E um jogo de equilíbrio de prato chinês. Corre pra lá, corre pra cá. A democracia é dinâmica. Ela  exige cada vez mais democracia, sempre.

A esquerda tem medo. Será que dessa vez vai? Será que dessa vez não irá ter um golpe? Será  respeitada a vontade da maioria? Será que a constituição não será vilipendiada? Será que finalmente amadurecemos? E são tantos serás que nem dá para imaginar. A esquerda nunca ficou tanto tempo no poder. E através do voto. Quem sonhou e morreu por esse dia custa acreditar.  Pois, qualquer oscilação a democracia pode cair, numa lágrima de dor.

Os black blocs não sabem disso. A lógica de Talião é tudo que a direita quer. Quanto pior, melhor. Pode ser um pretexto, como foi o de 64. A Globo notícia, vazio de ideias. Apesar das criticas lhes dão uma visibilidade heroica. Como diriam os inocentes uteis.

A Dilma veio a público defender o coronel, quando os manifestantes apanham, ela não se pronuncia.

A polícia reprime com violência, então fazem o mesmo. Como se justificasse.

Os países berço desse movimento já vivem a democracia há muito tempo, não dá para importar. “Christiane F, Drogada e Prostituída” não tem nada a ver com nossa realidade. Nem eles.

Por essas bandas é hipocrisia. Uma polícia capaz de massacrar 111 presos. E encontrar quem defende essa barbárie. É injustificável. Polícia não é bandida. Ou não deveria ser. A mentalidade vem da ditadura que a treinou e a instituiu.

A truculência e o abuso policial tem que ser combatido com leis e punições. Unificar. E os governantes aprenderem a conviver com essa nova realidade. Nunca fogo-com-fogo. É covardia. Só em caso de quebra constitucional.

Bem, talvez seja isso que os saudosos do poder estejam fomentando, pois o caminho estará aberto  para mais um golpe no pobre continente da América do Sul.

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O que Dilma e Angela Merkel sofreram foi voyeurismo, não espionagem.

dilma e angelaO que há de comum entre o Brasil e a Alemanha para “merecerem” ser espionados pelos norte-americanos?

A palavra “merecerem” está entre aspas, pois para um digníssimo professor da USP a presidenta deveria se sentir orgulhosa em vez de indignada por ter sido objeto da espreita.

Pois bem, agora se descobriu que Angla Merkel da Alemanha também foi vítima do mesmo proceder “yankee”. Fato que ocorre desde 2002. E agora como é que fica?

O Brasil não oferece perigo ao Tio Sam, em nenhum campo de atuação, e a Alemanha é unha-e-carne com eles. Então por que espioná-las?

Não encontrei uma resposta na área diplomática-econômica-cultural e de segurança.

Partir então para o absurdo. Voyeurismo. Pois, quem pode afirmar como toda certeza que não há entre os espiões da NSA pessoas com desvios sexuais, os tarados?

Cheguei a esta conclusão porque, até o momento, não li, vi ou ouvi algum chefe de estado masculino reclamar que seu aparelho celular foi grampeado. Portanto…

Elas devem se preocupar mesmo. Quais inconfidências esses agentes registraram? Quantas risadas deram? Quantas masturbações em noite gélidas e solitárias elas proporcionaram? E seus familiares? Suas paixões? E observações sobre aquele ministro de tal lugar?

O homem fala, pensa, olha e faz mais do que elas. No entanto, há um halo de sedução secular no comportamento feminino. Lembram-se da Zélia Cardoso trocando bilhetinho com o Bernardo Cabral? Sobrou pra quem? Pra ela, apesar do outro também ser autoridade do governo Collor. Imagina se houvesse celular na época e estivesse grampeado por norte-americanos. Daria um conto erótico.

E a vice-prefeita de uma cidade belga, filmada transando em cima do telhado com um homem desconhecido. Se tivesse suas comunicações vigiadas, o que não daria de fofoca, não é mesmo? No mínimo os espiões saberiam com antecedência e poderiam colocar câmeras profissionais. Chantagem seria o de menos.

Freud disse que: “Na vida sexual de cada um de nós, ora aqui, ora ali, todos transgredimos um pouquinho os estreitos limites do que se considera normal”.

Qual será esse pouquinho para Rousseff e Merkel. Bem, isso é lá problema delas. Ou, pode não ser a partir de agora.

Segundo autoridades americanas todos os países espionam uns aos outros. É fato corriqueiro neste meio. Hollande, da França, anda reclamando da espionagem porque, conforme esta mesma autoridade, está melindrado por não ter sido tão espionado quanto a Angela. Parece piada, digna de Danilo Gentili. Sem graça e inoportuna, mas agrada ao patrão.

Obama pra Dilma, não deu resposta, pra Merkel disse que não sabia e iria averiguar. Questão de autoridade e importância. Não que faça muita diferença.

O melhor disso, e apesar disso, é que agora a Alemanha irá apoiar o Brasil numa resolução contra este tipo de intrusão na ONU. Do jeito que Dilma Rousseff propôs.

Então, haverá limite e regras para espionar. Como na guerra. Pode matar, desde que seja com armar autorizadas.

Fica uma sugestão para o aprimoramento da civilização judaica-cristã-ocidental: item tal, parágrafo igual: é obrigatória a realização de testes psicológicos e psiquiátricos nos espiões e chefes. Os testes serão aplicados por uma junta internacional de profissionais anualmente. Só poderão exercer as funções aqueles aprovados nos mesmos.

Não serão aceitos pessoa com tendências à: zoofilia (ato sexual com animais); necrofilia (cadáveres); pedofilia; escatologia telefônica (telefonemas obscenos); parcialismo (foco exclusivo em uma parte do corpo); coprofilia ou excrementofília (obtenção de prazer durante a evacuação das fezes ou com a sua manipulação); dendrofília (relação sexual com plantas ou frutas); acrotomofilia (preferência sexual por pessoas que tenham alguma parte de seus corpos amputada); erotofonofilia (a excitação ocorre com a possibilidade de matar o companheiro, coincidindo essa morte com o próprio orgasmo); gerontofília (atração sexual por pessoas idosas).

Dessa forma pelo menos garantimos certa proteção ao gênero feminino, concordam?  E fica assim legalizado a sacanagem.

A espionagem e o anúncio da descoberta de petróleo em Sergipe

sergipe-alagoasDeu no Jornal Hoje, Globo: descoberta de um mega campo de petróleo na bacia Sergipe-Alagoas. Maior que a de Libra. Óleo leve. De primeira qualidade. Bom para o país. E para esta região.

O telejornal deu a notícia após a ANP, Agência Nacional do Petróleo, confirmar. Evidentemente que nos círculos mais altos do governo  federal isto já era sabido, porém tratado como segredo e como peça de estratégia mais ampla da economia. Procedimento corriqueiro para quem tem um trunfo nas mãos. Até borracheiro trata uma descoberta como fonte de negócios. Sem querer desmerecê-los, nem aos governos.

No artigo anterior escrevi que empresas americanas não participando do leilão era ótimo indício de que as regras eram boas para o Brasil.

Então, tenho que fazer uma ressalva e voltar a um capítulo triste nas relações internacinais: a espionagem.

Segundo jornalista norte-americano Glenn Greenwald, em entrevista ao Carta Maior,  “os documentos sobre a maneira pela qual os Estados Unidos espionam e os objetivos que perseguem com essa prática pouco tem a ver com terrorismo. Muitos têm a ver com a economia, as empresas e os governos, e estão destinados a entender como funcionam esses governos e essas empresas. A ideia central da espionagem é essa: controlar a informação para aumentar o poder dos EUA ao redor do mundo”.

“Todos estes documentos fazem parte dos volumosos segredos que o ex-agente da CIA e da NSA, Edward Snowden, hoje refugiado na Rússia, entregou ao jornalista  e foram publicados pelo jornal The Guardian.” Conforme  reportagem  “França espionada: “EUA não têm aliados. Só alvos e vassalos”” do Carta Maior.

Pois bem, pelo título, os EUA não respeitam nem seus ricos aliados o que dirá de nós, pobres subdesenvolvidos, não é mesmo?

A Dilma foi muito criticada por exigir retratação de Obama. Alguns intelectuais disseram que ao contrário da presidenta se sentir indignada deveria, isso sim, se sentir orgulhosa, afinal ninguém espiona o que não tem valor.

E pelas palavras de Greeenwald o interesse no Brasil é econômico, certo?

Talvez seja essa resposta a estes americanófilos bizarros. Utilizando os métodos chafurdatórios, os “yankees” há muito tempo vem acompanhando a descoberta do campo em Sergipe. Sabem o potencial, a qualidade do petróleo, o custo e principalmente o que o governo pretende fazer com esta riqueza.  Então, pra que ficar com Libra, se podem ter esta nova descoberta?

Como eles estão de posse de informações valiosas desde o início de indícios de petróleo, os norte americanos estão se mexendo (corrupção, lobby, ameaças e etc..) para conseguir esta riqueza para eles, e segundo as regras “terra-arrasadas” deles mesmos.

Estou viajando na “maionese”? Pode ser, mas quem dá o direito de assim proceder são os próprios filhos do Tio Sam.

Atuam por baixo dos panos. E impõem seu modo de pensar e de atuar como se fossem verdades naturais.

Usando as palavras do telejornal global: esta mega descoberta, de um mega campo, na mega bacia Sergipe-Alagoas ainda vai dar em mega. Me perdoem o trocadilho.

A Dilma não privatizou Libra, como a oposição quer que se acredite.

libraA Dilma não privatizou a Libra.

Se for assim pergunto: ela por acaso vendeu alguma empresa estatal? Assinou os famigerados contratos de riscos? Deu o petróleo ao consórcio vencedor, como FHC fez com o minério de ferro?

Basicamente a presidenta contratou empresas para extrair o óleo para o Brasil. A Petrobrás sozinha não teria condições de explorar, aliás nenhuma empresa teria.

Os americanos não se interessaram em participar do leilão. Isto diz muito.Eles sempre tiveram atitudes predatórias nas relações com os países da América do Sul. Esta forma de parceria não é bem vista pelos norte americanos. Ou é tudo ou nada.

Abaixo, reproduzo artigo de Fernando Brito, extraído do Tijolaço, para maiores esclarecimentos :

Porque Libra “é bem diferente de privatização”

A oposição de direita e a oposição que pensa estar agindo como esquerda afinaram ontem o discurso.

Dizem que o leilão de Libra foi “a maior privatização da História do Brasil”.

Como parece que se tornou o debate algo paupérrimo, onde vale mais rotular e xingar do que pensar e esclarecer, tento ajudar aqui a mostrar o que disse Dilma Rousseff  ao afirmar que o que foi feito “é bem diferente de privatização”.

Como recolhi do velho Leonel Brizola que as palavras devem ser usadas para revelar e não para esconder os pensamentos, vou tentar, pela via do exemplo, sem me aprofundar teoricamente no tema, mostrar como é diferente o que aconteceu em Libra daquilo que nos acostumamos a ver aqui como privatização.

Valho-me, para isso, de um outro caso emblemático, o da privatização – sem aspas – da Vale.

O que se passou ali foi a venda da empresa a grupos privados – deixemos à parte que tenha sido por um subpreço de algo como 3% do que ela valia, e que metade disso tivesse sido feito em “moeda podre”, o que reduz ainda mais o valor. Vendida a Vale, suas jazidas e direitos minerários, nada mais é nosso, mas do proprietário privado. É ele quem vai decidir quanto e quanto ferro será retirado, como será vendido, se será ou não destinado ao beneficiamento. Ao Estado cabem apenas os royalties pela mineração, aliás em valores ridículos.

O minério de ferro, agora, é deles.

E Libra, é igual?

Nem parecido, vejam:

– A jazida segue sendo estatal e o consórcio recebe o direito de, por uma parte do petróleo retirado, explorar para a União.

– Ao adquirir a concessão, o consórcio não leva um parafuso ou uma broca pertencente ao povo, muito menos uma atividade funcionando e gerando caixa. Ao contrário: terá de investir muito – e por muito tempo – até que o negócio seja capaz de produzir um real de mercadoria a vender.

– A velocidade, a forma e a oportunidade de retirar e vender o petróleo vão ser definidas pelo consórcio em comum acordo com o Estado Brasileiro, pois a PPSA (a Petrosal) tem poder de veto sobre as decisões exploratórias e comerciais, além de acompanhar e auditar os custos exploratórios, para que seu abatimento no óleo extraído não se superfature.

– É uma empresa pública – de economia mista, mas controlada pelo Estado – que vai operar os poços, liderando as escolhas sobre como e onde comprar equipamentos, contratações de serviços, recrutamento de pessoal. Isto é, nada será comprado ou contratado no exterior a não ser que seja indispensável ou manifestamente desvantajoso fazê-lo no mercado interno.

É por isso que, embora tanto o minério de ferro quanto o petróleo sejam, pela Constituição brasileira, propriedade da União e, portanto, de cada brasileiro e brasileira, na prática, o ferro foi privatizado e o petróleo, não.

É só ver que, do óleo que agora está a quilômetros de profundidade sob o leito marinho, Libra vai dar perto de um trilhão de dólares ao Estado brasileiro para investir em educação, saúde, tecnologia, programas sociais. Porque o Estado, sobre o que é seu, fica com a parte do leão.

E do ferro que retira aos milhões de toneladas do solo destes filhos da mãe gentil,  a Vale só dá ao Brasil os impostos que qualquer empresa tem de pagar e um trocadinho – 2% do valor, descontado transporte – do minério retirado. E os adoradores do privado, ainda ronronam como gatinhos, em louvor aos gênios que fizeram este negócio desastroso para o país.

Quando se quer igualar coisas tão diferentes assim, podem crer, ou se está deixando de pensar ou, como é pior e mais comum, querendo que as pessoas deixem de pensar.

E, deixando de pensar, possam ser enganadas.

Por: Fernando Brito

O rei Salomão e o processo de adoção.

adotar“Certo dia duas mães compareceram diante do rei Salomão.

Uma delas disse: “Ah meu senhor! Esta mulher mora comigo na mesma casa. Eu dei à luz um filho e ela estava comigo na casa.

Três dias depois de nascer o meu filho, esta mulher também deu à luz um filho. Estávamos sozinhas; não havia mais ninguém na casa.

Certa noite esta mulher se deitou sobre o seu filho, e ele morreu. Então ela se levantou no meio da noite e pegou o meu filho enquanto eu, tua serva, dormia, e o pôs ao seu lado. E pôs o filho dela, morto, ao meu lado.

Ao levantar-me de madrugada para amamentar o meu filho, ele estava morto. Mas, quando olhei bem para ele de manhã, vi que não era o filho que eu dera à luz”.

A outra mulher disse: “Não! O que está vivo é meu filho; o morto é seu”.
Mas a primeira insistia: “Não! O morto é seu; o vivo é meu”. Assim elas discutiram dian­te do rei.

O rei disse: “Esta afirma: ‘Meu filho está vivo, e o seu filho está morto’, enquanto aquela diz: ‘Não! Seu filho está morto, e o meu está vivo’“.

Então o rei ordenou: “Tragam-me uma espada”. Trouxeram-lhe.

Ele ordenou: “Cortem a criança viva ao meio e deem metade a uma e metade à outra”.

A mãe do filho que estava vivo, movida pela compaixão materna, clamou: “Por favor, meu senhor, dê a criança viva a ela! Não a mate!”
A outra, porém, disse: “Não será nem minha nem sua. Cortem-na ao meio!”.

Então o rei deu o seu veredicto: “Não matem a criança! Deem-na à primeira mulher. Ela é a mãe”. Quando todo o Israel ouviu o veredicto do rei, passou a respeitá-lo profundamente, pois viu que a sabedoria de Deus estava nele para fazer justiça”.

Existe todo um tramite burocrático para adoção no Brasil. O cuidado, nada a estranhar, é grande na avaliação da família adotante.

No fórum são exigidos documentos.  Feitas entrevistas. Requisitadas fotografias da residência. Preenchimento de formulários no qual se define as características da criança: faixa etária, cor, sexo, irmãos, doença pré-existente, crônica. Entrevistas com psicólogos. Com assistentes sociais. Depois o casal é encaminhado a uma universidade onde participa, junto com profissionais, de dinâmicas e discussões com outros candidatos a futuros pais. O que é adotar, ser mãe, ser pai, porque ter filho, a expectativa, casos de adoções fracassadas, bem sucedidas, filmes. Volta ao fórum. Novas entrevistas. Novas reuniões em grupos. Explicam o que cadastro único, como se dá a escolha, a fila, o tempo.

Bem, após essa longa caminhada os postulantes são aprovados para adoção.  Agora só resta ao casal esperar.

Então, chega um dia em que o telefone toca. No abrigo tal existe uma criança em condições de adoção, estão interessados, gostariam de conhecê-la? Claro! Vão ao fórum.  Contam o histórico de abandono. Drogas ou maus tratos. Retiraram a guarda. Chegam ao abrigo. Mais conversas com assistentes sociais, psicólogos, pedagogos. Gostaram? Sim, volta à vara da infância, lhes entregam a guarda provisória durante um ano. Utilizam esse período para novamente avaliar os pais e a relação com o “filho”. Tudo certo? Sai a adoção definitiva. A família ganhou mais um membro.

O que nenhum casal espera é que, mesmo cumprindo todas as exigências legais, os pais biológicos podem reverter à guarda a qualquer momento.

Aconteceu essa semana. Passados dois anos da adoção, uma menina com 4 anos, já com vínculos estabelecidos com os pais adotivos terá que ser devolvida à família “verdadeira”. O juiz decidiu: agora os pais biológicos têm condições de cria-la.

“Se tivessem me avisado que isto poderia acontecer eu não teria adotado”, disse a mãe adotiva aos prantos.

E agora como fica? A decisão da justiça abre um enorme precedente. Adotou, mas a qualquer momento o casal pode perder o filho. Pergunto: que segurança jurídica se tem para adotar uma criança?

Especialistas em entrevistas se apressam a dizer: a criança não pode sofrer traumas. Num primeiro momento terá que conviver com as duas famílias, até aos poucos ir se acostumando com a nova situação, pois caso contrário ela corre grande risco de virar um adulto inseguro, ansioso e etc… O que é isso? Propuseram a divisão da menina? E com que espada irão cortá-la?

Por favor, chamem o rei Salomão novamente. E que um dos dois casais se sacrifiquem: pode ficar com ela e que a façam feliz.

Vereador propõe tratamento psicológico para preconceituosos.

Caco Barcellos, jornalista e escritor, no livro de sua autoria “Rota 66” fez uma série de denúncias da brutalidade e ilegalidades cometidas, na década de 80, pela elite da polícia militar paulista, especificamente as perpetradas pelo capitão Conte Lopes. Por causa disso teve que se ausentar do país durante anos, temendo pela própria vida.

No entanto certa vez, em entrevista, quando perguntado sobre o que achava da resposta dada por Conte Lopes as suas acusações disse: “ainda bem que ele respondeu em forma de livro”, como que aliviado de ser confrontado de forma tão civilizada. Conte é autor da obra “Matar ou Morrer”.

Pois bem, passado tanto tempo deste episódio não é que o vereador de Florianópolis, Santa Catarina, Ricardo Camargo Vieira, PC do B, se sem querer ou não, deu uma resposta à altura a aqueles que apresentaram projeto propondo tratamento psicológico aos homossexuais.

No PL 15550/2013 Ricardo Vieira propõe que o cidadão portador de preconceito receba tratamento psicológico ou psiquiátrico em casos de “psicopatologias homofóbicas, racistas ou quaisquer outros tipos de aversão, nojo, ojeriza, raiva, hostilidade, medo mórbido, sentimento doentio incontrolável voluntário ou involuntário a classes sociais, grupos sociais, etnias, pessoas oriundas de outros estados, nações, grupos religiosos e qualquer indivíduo ou comportamento da sociedade”. Muito mais abrangente do que a dos deputados federais, não é mesmo?

E não para por aí. Caso, o individuo preconceituoso incapaz de discernir a sua própria condição, seja compulsoriamente submetido ao tratamento.  Que tal?

Bem que esse projeto de lei poderia ser encampado por algum parlamentar do congresso. Se aprovado seria válido em todo território nacional.

O preconceito, por ser movido pela ignorância, pela falta de convivência e alimentado por ódio atrapalha a democracia e o crescimento de um país.

Se levarmos em conta o lado da produção capitalista, o sujeito acometido deste mal  prejudica o desenvolvimento, e particularmente a empresa em que trabalha. Visto que despende grande parte de sua força a justificar o próprio comportamento, quando bem poderia usar essa energia para produzir bens maiores.

E o mais interessante, o vereador com esta PL força aos indivíduos preconceituosos se colocarem no lugar do outro e percebam o quanto uma atitude pode ser ofensiva aos sujeitos vítimas de discriminação.

Segundo o secretário Geral da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Alexandre Botelho, o projeto do vereador é reprovável: “Ele acaba criando uma rotulação para as pessoas que eventualmente possuem algum preconceito em relação à raça, cor, religião ou orientação sexual e isso acaba duplicando os efeitos negativos desta conduta na sociedade”. Então, já há pessoas contra essa lei por ser “discriminatória”. Que ironia do destino. E agora Feliciano, como fica?

Por favor, não adianta culpar Deus e querer que ele se submeta a tratamento. Assim não vale, certo?

Abaixo a integra do PL e a justificativa.

projeto de lei Ricardo Vieira SCprojeto de lei Ricardo Vieira SC 2

O naufrágio no Mediterrâneo e a globalização.

naufragioNo primeiro naufrágio morreram quase 400 pessoas. No segundo, alguns dias depois desta catástrofe foram mais 100 mortes. Aproximadamente 500 seres humanos perderam a vida tentando chegar ao continente europeu.

E como acontece sempre nesses casos a maioria das vítimas são crianças e mulheres.

Os que conseguem chegar são imediatamente detidos e, dependendo do país que os “acolheu” podem fica de 2  a 18 meses recolhidos até serem deportados.

Estamos falando de outra tragédia humano que insisti em mostrar a incoerência entre discurso e realidade.

O mar Mediterrâneo, cantado e decantado por sua exuberância e águas azuis, tingisse de vermelho  sangue.

Pessoas fugindo da miséria, doença, fome, guerras e sem perspectivas de vida se arriscam nesta louca travessia. Em embarcações precárias. Colocam suas vidas e de seus entes  e seu futuro nas promessas vazias de atravessadores e capitães bandidos.

A Europa se fecha cada vez mais num comportamento xenófobo.  Como se cada imigrante africano fosse o grande responsável pela crise.

Se nos remetermos ao início do século XX veremos que estes mesmos países que os rejeitam são os culpados pela pobreza dos africanos. Colonizando-os de forma predatória, sem respeito a tradições e culturas semearam uma colheita de desespero. E colhem desespero.

Porém, como bons anfitriões de “cabaré” querem selecionar quem pode ou não pode adentrar em seus territórios.

A tão falada globalização é sofisma das mais sofríveis. Globalizam-se o capital, não a força de trabalho. Globaliza-se a tecnologia exploratória, não o conhecimento. Globaliza-se as perdas, não os lucros. Globaliza-se o eu, não o outro.

E assim mantém-se o “status quo” de uma casta de sabujos de linha torta. De interesses egoístas.

O que se discute na União Europeia é desonerar  Portugal, Espanha e Itália.  Antes: cada país que cuide de seus imigrantes. Agora, quem sabe, irão estabelecer uma cota para cada país do bloco. Descobriram que os africanos não têm como destino exatamente essas nações. Elas apenas são os pontos mais próximos.

Os EUA tem seu México e seus grupos paramilitares de caça-ao-pombo. Matam com o prazer de quem protege uma grande verdade. Israel com seus muros e postos. O Brasil doméstico encontra quem reclame dos nordestinos, e por falta deles serve bolivianos, haitianos e africanos. E tantos outros com postura indigna agem de forma semelhante. Para um rico existe outro mais rico. Para o pobre também.

Aversão ao outro é geral. Sempre há alguém gostando de ninguém.

No bem sucedido intercambio de ódio tratam a vida como se vida não houvesse. São os números pitagóricos esmagando o amor divino.

Esquecem os donos da Europa de que a miséria tem suas armas. As pessoas, seus  limites.  O filho bastardo reclama direitos na herança.

Matá-los, prende-los, deportá-los não é a solução.  Pois, não se enganem: não é por admiração ao charmoso estilo de vida do velho continente que eles se arriscam. O buraco é mais embaixo.