A mídia e suas interpretações do resultado do ENEM 2012.

enem-2012Título da reportagem do Estado de S. Paulo de 26 de Novembro:

“ENEM: elite pública supera rede privada”.

Alunos de escolas federais tiveram maiores notas entre os que fizeram prova em 2012; por áreas. Redação teve queda na média nacional”. Pag. A18.

“A média da geral da redação caiu… A pior queda é na rede estadual, mas a média das privadas também caiu”.

A comparação é feita por causa das cotas. Segundo Aloísio Mercadante: “Nossa preocupação são as cotas; Neste ano 25% das vagas do SISU (Sistema de Seleção Unificada das Universidades Federais) vão para alunos de escolas públicas. Esses 25% são melhores do que os das escolas privadas”.

Resumindo: as vagas nas universidades federais já estariam preenchidas sem haver necessidade do uso das costas, pois os melhores já são de escolas públicas. E agora?

É realmente uma situação esdrúxula. Há pais que pagam mais de R$ 3500 reais de mensalidade. Sem contar outros gastos: materiais, passeios, eventos, lanches altamente balanceados e as atividades extracurriculares: balé, esportes, pinturas e o que mais inventarem. Tudo com objetivos pedagógicos, claro.

Pois bem, para tudo isso terminar com esse resultado: os estudantes da tão massacrada rede pública se saírem melhores do que os da privada. E (aí meu bolso!) sem gastar um tostão. Assim não pode.

E não adianta cobrar da escola particular melhores resultados, porque vocês já sabem o que vai acontecer: a calculadora vai “piar”: precisamos disso, daquilo conforme o mundialmente desconhecido pedagogo. Isto acarretaria um aditivo de (soma, divide, multiplica)… 30% na mensalidade, explicaria a diretora.

Mas não se desesperem clientes da rede privada. Há um método muito mais barato para confortar as consciências paternais. Assistam o “Bom dia Brasil”, da rede GLOBO.

Das 30 melhores escolas, 27 são privadas, bradaram os ancoras. Da primeira entrevistaram a diretora e também “marqueteira”, com suas verdades absolutas. Da melhor pública entrevistaram um aluna, toda tímida e sem muito o quê falar. Quanta diferença de enfoque, não é mesmo?

Além do quê, 2013 é findo. E, no início do ano já sabem como é que é. Os noticiários da GLOBO darão sua contribuição para o engrandecimento da educação nacional.

Rede privada será mostrada como um paraíso na terra: salas limpas, professores felizes, alunos transbordando de educação e saúde. A pública, um inferno: porrada, tiro, tráfico, assaltos, prostituição, agressões a professores, goteiras, falta de material e de interesse dos docentes e discentes. E, continuando nos tratando como imbecis televisivos (já não basta a propaganda do Estadão com aquele boneco boçal), subliminarmente nos perguntarão: depois de tudo mostrado onde vocês irão matricular seus filhos? Sacanagem da grossa.

Há outra esperança aos pais que desejam o melhor para seus filhos: sair de São Paulo. Das três escolas publicas nenhuma é do estado.

Que coisa! Logo a locomotiva do Brasil, a Suíça brasileira, comandada há 20 anos pelo PSDB, tem péssimo sistema educacional.

Segundo a mesma reportagem do Estado “A rede estadual, que concentra a maioria dos participantes, ficou com os piores resultados”.  E não adianta o Serra culpar os nordestinos que migram para o estado, certo? Esta desculpa estapafúrdia só é aceita pelos preconceituosos extremos.

A mídia precisa de um banho de democracia. O Brasil não pode ser democrático pela metade. Lei da mídia, já.

O preconceito e a maldade no suposto erro do médico cubano.

Programa-Mais-Medicos

O médico cubano teria errado e receitado uma super dosagem de dipirona para uma criança em Feira de Santana, Bahia. O profissional foi afastado. Depois de esclarecido o fato o  cubano foi reintegrado.

Os meios de comunicações deram o fato com o alarde. Sem averiguar a notícia saíram falando mal de todo um programa. Dando a entender que todo profissional cubano não presta.

E agora será que irão dar o mesmo destaque no “engano”, se desculpando com seus leitores e ouvintes? Não farão isso, amanhã é outro dia. A ética e a imparcialidade? fica pros ingênuo do faz-de-conta.

A comparação com o julgamento do mensalão pelo STF e esse caso rocambolesco é inevitável.

Pois, assim como os juízes do STF fizeram para condenar réus do mensalão, a média Marca Porto usou do mesmo subterfúgio para desmoralizar um médico cubano,

Assim como os juízes do STF usaram de má fé para julgar os réus do processo 470, a médica Marcia Porto usou da mesma má fé para copiar a receita prescrita pelo médico cubano e postar na internet.

Assim como Joaquim Barbosa e Gilmar Dantas partiram de inverdades para concluir a corrupção, a médica Marcia Porto partiu de uma inverdade para concluir a falta de capacidade do médico cubano.

Assim como ficou evidente o preconceito dos juízes do STF no trato com os réus do caso mensalão, a médica Marcia Porto mostrou todo o preconceito com o colega, apenas e exclusivamente por ser cubano.

Assim como Joaquim Barbosa deturpou a teoria do “domínio do fato” para condenar, a médica Marcia Porto deturpou a prescrição para condenar o médico cubano.

Assim como Joaquim Barbosa se deslumbrou com os holofotes da mídia e quis mostrar serviços para os reacionários e fez um julgamento de exceção, a médica Marcia Porto se deslumbrou com seus pares e fez um pré-julgamento exclusão.

Assim como Joaquim Barbosa se pôs a serviço da mídia e tentou condenar todo um partido, a médica Marcia Porto tentou condenar todo um programa.

Assim como a mídia manipulou juízes do STF e desfigurou informações enganando de maneira vil parte da população, a médica Marcia Porto manipulou o receituário e tentou enganar toda uma população com a ajuda da mídia.

Nos dias atuais temos a felicidade de contarmos com a internet e seus blogueiros, assim fica um pouco mais difícil a mídia hegemônica sair incólume dos inúmeros factoides noticiados diariamente. Sem essa poderosa ferramenta a falsa notícia da incompetência dos médicos cubanos iria passar por verdadeira. E a campanha contra o “Mais Médicos” estaria nas ruas e nas manchetes de todos os meio de comunicações.

O texto abaixo, sobre o caso do médico cubano e seu “erro”, foi extraído do VIOMUNDO. Ilustra bem a maldade de certa classe de pessoas.

Médica tenta desmoralizar colega cubano na Bahia

Prescrição correta foi parar na Internet como erro

do Jornal do Brasil, sugestão do Aroeira nos comentários e do Mendel, via e-mail 

Os médicos cubanos continuam sendo alvo de discriminação por parte de seus colegas brasileiros.

Na semana passada, em Feira de Santana, interior da Bahia, um médico cubano, do Programa Mais Médicos, receitou 40 gotas diárias de dipirona para o filho de um ano da diarista Gilmara Santos.

O médico explicou a ela que a dosagem não era para ser ministrada de uma só vez e sim ao longo do dia e desde que a criança sentisse dor.

Diferente dos médicos brasileiros que fracionam a medicação, os cubanos adotam a prescrição da quantidade total por dia. Essa metodologia, no entanto, não confundiu Gilmara que ministrou corretamente o remédio ao filho.

Apesar do bom atendimento que seu filho teve, a diarista ao retornar ao posto para uma nova consulta foi atendida por uma médica.

Gilmara explicou que estava com a receita do médico cubano e mostrou para a médica que estava lhe atendendo naquele momento.

Sem permissão da diarista e aproveitando o fato da medicação ter sido prescrita de forma diferente da que os médicos brasileiros usam normalmente, a médica copiou a receita e postou na Internet como se fosse um erro de seu colega cubano.

“Acho que foi falta de ética dela”, criticou a diarista explicando que seu filho teve um excelente atendimento pelo médico cubano e ressaltou que em muitas consultas com médicos brasileiros eles sequer olham para o paciente. Gilmara afirmou que a prescrição foi explicada a ela com todos os detalhes e em nenhum momento ela deu ao filho as 40 gotas de uma só vez.

A atitude da médica ao postar a receita na Internet, criticada pela própria diarista, provocou o afastamento do médico cubano. Ela teve ainda ajuda de um vereador de Feira de Santana que, num ímpeto nacionalista, denunciou, sem razão, o médico cubano.

Após os esclarecimentos sobre a forma de prescrição, o médico voltará ao trabalho na próxima segunda-feira (25/11). O caso, no entanto, representa um novo constrangimento aos profissionais cubanos.

PS do Viomundo: FrancoAtirador informa o nome da médica: Márcia Porto. Segundo ele, a manchete original com que O Globo digital deu a notícia dizia “Médico cubano que receitou dose excessiva (sic) volta a atender na segunda feira”.

José Genoíno, o mártir que a direita constrói e a esquerda não quer.

Jose Genoino presoOs falaciosos se apressam em afirmar: o PT quer transformar Genoíno em mártir. Precisam de um corpo para levantar bandeira do coitadinho, do injustiçado, do perseguido e com isso ganhar simpatia junto ao povo brasileiro. As eleições estão logo aí, certo?.

Errado! Só os conservadores nacionais com suas mentes decrépitas se atreveriam a imaginar que a esquerda necessita fabricar mártir. Ingenuidade dos puritanos de plantão.

Temendo o surgimento de tal figura,  jornalistas, mídia e STF tomam atitudes reles. Expondo o político à execração pública e ao linchamento.  Só não percebem que com este temor estão assinando uma confissão de culpa, de manipulação, de perversidade, de inescrupulosidade, de hipocrisia e de mau-caratismo. Pois, o mártir só existe porque foi martirizado.

E quem, no caso de José Genoíno, o martirizou? Respondo: STF, na figura de Joaquim Barbosa, a mídia e seus jornalistas paus-mandados. Que na hora da onça-beber-água irão se esconder.

Tiradentes, o mártir da independência, sofreu muito e pagou-o-pato para que outros se safassem. Getúlio Vargas sacrificou a própria vida para que os golpistas de 54 não tomassem o poder. Jango sacrificou a reputação para evitar um derramamento de sangue (não evitou, mas atenuou) e a invasão descarada dos americanos para impor o governo dos golpistas.

Estes personagens foram vítimas de injustiças e de interesses de uma classe desejosa do poder. Agora se sabe. Mas não se estuda de maneira adequada.

Se estes retrógrados querem fazer da esquerda seu espelho estão redondamente enganados. A truculência no Brasil sempre partiu da direita. Física ou mental.

Por conseguinte quem cria os mártires são os opressores.

A PT não necessita usar desse mecanismo.

A ideia da direita era acabar com as lideranças do partido. Crendo levianamente que assim ganhariam as eleições já que por méritos não chegariam lá.  O PT deixaria de existir eclipsado por calúnias.

Não deu certo. Mesmo como o mensalão o partido cresceu nas recentes eleições municipais. Venceu para prefeito de São Paulo, ilha do PSDB.

E também porque novas lideranças surgiram. Dilma, Haddad são exemplos. E outras mais virão.

Há um sujeito dentro do PT que enxerga muito longe. Tem a visão de política que FHC almeja. E nunca irá conseguir. Isto não se aprende na escola. Isto se estuda na escola. Teses de doutorados, mestrado e pós-graduação falarão sobre ele.

A mídia pautou o STF. A serenidade, primordial em qualquer julgamento, passou longe de Joaquim Barbosa. Deslumbrado reflete a sede de vingança dos setores reacionários. Exposição em praça pública. Esquartejamento. E estupro nas leis.

Não tem problema Joaquim, a mídia ameniza a sua situação, é só fazer o que desejam. O resto deixa com eles.

Enquanto o Jornal Nacional não disser que José Genoíno foi injustiçado ninguém acreditará. Enquanto a Folha, o Estadão não publicarem uma “errata” ou a Veja for obrigada a se retratar sobre o processo 470 tudo estará bem.

E desse modo a direita vai construindo o mártir José Genoíno. Sem a esquerda interceder. E sem o próprio saber ou desejar.

Afinal, todos os ingredientes “martíricos” estão presentes: injustiça, parcialidade, vingança, exposição, violência, quebra de regras e julgamento de exceção.

Ou a democracia atinge todas as áreas ou nunca seremos uma democracia plena, concordam?

Joaquim Barbosa e a falta de consciência, no dia da Consciência Negra.

joaquim barbosa o heroiA democracia sobrevive da verdade e da justiça. Quem dela se esconde tende a afundar no mar de lama da hipocrisia.

O modo como a mídia manobrou e como Supremo Tribunal Federal, na figura inefável de Joaquim Barbosa, se rendeu ao imediatismo da proposta farsante nos remete aos acontecimentos de 54 e 64. Personagens de novela globais se repetem no enredo, na fala e nos chavões. Vendem sentimentos. Choram e riem quando assim o desejam. Plantam árvores com disciplina e alienação espartana. Na ânsia e avidez do golpe e da vingança suburbana atropelam e inventam receitas do bom punir e executar. Sem a mínima cerimônia interpretam a lei monasticamente, despoticamente.

Joaquim Barbosa parece levar a sério o papel imposto pela mídia, a de super-heroi. O homem certo a nos redimir de séculos de corrupção. Então, vestindo a carapuça e somada a sua própria soberba comporta-se como o deus do destino.

O seu deslumbramento com a própria pessoa o faz cometer desatinos. Sem se dar conta da figura quixotesca a que foi arremessado.  Não anda, flutua. Paira acima das cabeças do reles mortais. Há de chegar um dia uma criança e gritar: o rei está nu. A realidade lhe esmagará a triste caricatura.

Nem a sombra do que nunca foi lhe acompanhará no naufrágio da ilusão. Os que hoje lhe aplaudem, amanhã falaram mal. Em editoriais hipócritas, pediram desculpas e tudo bem. O culpado foi este ou aquele menos nós, da imprensa, que apenas informamos imparcialmente os fatos.

Mas não há de ser assim. Se um dia foi, outro não será.

Se há cinquenta anos só vocês tinham voz e fizeram o que fizeram. E sobreviveram e cresceram na exceção, hoje a coisa é diferente. A faca de dois gumes chegou para cortar. Não para a lei da mídia, sim para a lei da mídia. Não para Veja, Folha, Estado, Globo e sim para a internet.

O controle total sobre tudo e todos. Do governo. Da economia. Da sociedade.

Ruiu a senzala. Aturdiu a casagrande. O terremoto tem nome. Internet. Terra utópica de ninguém. Davi contra Golias. Davi ganhou e ficou e prosperou.

Quem sabe o herói seja o vilão. O vilão o herói. Henrique Pizzolato fugiu. O mocinho hollywoodiano. O fugitivo. O que escapou para provar a inocência. Castelo de carta numa tempestade. Ideal americano de luta pela liberdade. A eterna vigilância. A liberdade se conquista. O ex-diretor não será impedido de falar. Os europeus sabem da recorrente falta de lisura em muitas atitudes brasileiras. Não confiam na justiça. Terceira pessoa vendo de fora. Um julgamento italiano, para italiano. Quem saberá? Extraditar não. Por quê? Reciprocidade.

Falha da polícia. Sorte, se a verdade aparecer. A indignação é forte quando a justiça é achamboada. Os supremos não estão preocupados com os outros. Pizzolato é, talvez, a esperança dos que terão a voz calada. Não oficialmente, mas pelos jornais, pelas TVs, pelas rádios, pelas revistas.

Como está na capa da revista Veja: Uma lição aos corruptos. Está certo. Agora falta uma lição nos donos da mídia.

E que a justiça seja refeita, no dia especial da Consciência Negra.

E se o Palácio do Planalto fosse uma mãe à espera do filho…

goulart e expresidentesE se o Palácio do Planalto fosse uma mãe à espera do filho…

Ela limparia toda a casa. Arrumaria o quarto do filho. Prepararia a comida que ele mais gostasse. Arrumar-se-ia toda. À espera do filho.

Falaria orgulhosa a toda vizinhança: o filho que há muito tempo se foi, vai voltar. Estaria louca de vontade de beijar e abraçar. O sufocaria de amor.  

Contaria, angustiada, os dias, as horas e minutos que faltassem para o grande momento. O reencontro com o filho.

Ansiosa aguardaria na entrada da casa. Ela e todos mais que dele gostassem. Ou se lembrassem. O coração materno estaria a ponto de arrebentar de saudades.

De repente um carro para em frente. Descem vários soldados. Abrem a porta e começam a tirar um caixão. Ela não compreende e continua a aguardar que seu filho desça também e corra ao seu encontro.

Onde está seu filho que não sai do carro? Todos já saíram. Cadê ele? Maroto! Deve estar se escondendo, como fazia quando era criança. Sempre querendo surpreender, só pode ser.

Os militares põem o caixão no ombro e caminham na sua direção. Ela presta atenção. Olhando fixamente para as pessoas. Talvez um deles seja seu filho.

Eles passam e entram na sala. Ela estranha, nem pedem licença. Onde esta minha criança? Um oficial se aproxima. Bate continência. E lhe estende solenemente uma bandeira. Ela pega, agradece. E continua a procurar o filho.

Uma das pessoas começa então a falar. E a mãe continua a procurar o seu garoto. Sem prestar muita atenção, ouve palavras soltas: injustiça, golpe, democracia interrompida, assassinato, golpe… Aos pouco vai montando o quebra-cabeça.

Interrompendo o discurso pergunta: onde está meu filho? O que aconteceu com ele?

O oficial lhe diz: está aqui, nesta bandeira. Sem querer crer, responde: não! Eu lhes dei meu filho vivo.  E vocês me devolvem um pedaço de pano. Não! Eu quero meu filho. Os militares o levaram vivo. E os militares me devolvem num caixão? Eu quero meu filho de volta… Diria o Palácio do Planalto se fosse uma mãe a espera do filho.

João Goulart foi deposto no golpe de 1964.

Golpe urdido por uma elite retrógrada, por políticos oportunistas, pelos Estados Unidos da América, pela igreja, pelos militares e pela imprensa conservadora.  Fugiu para o Uruguai e depois Argentina. Faleceu em 6 de dezembro de 1976. Oficialmente, ataque do coração. A averiguar, assassinado por envenenamento. O Corpo será exumado.

Tal como acontece hoje, a mídia controlou a população naquela época, manipulando informações, com factoides, distorções, meias verdades e puras mentiras.

Passaram a imagem de um presidente bobo, covarde, fraco e mulherengo. Corrupto, comunista, comedor de criancinhas e tudo mais. E sem apoio da população.

Enquetes levadas às ruas entre os dias 20 e 30 de março de 1964, quando a democracia já era tangida ao matadouro pelos que bradavam em sua defesa, mostram que:

a) 69% dos entrevistados avaliavam o governo Jango como ótimo (15%), bom (30%) e regular (24%).

b) Apenas 15% o consideravam ruim ou péssimo, fazendo eco dos jornais.

c) 49,8% cogitavam votar em Jango, caso ele se candidatasse à reeleição, em 1965 (seu mandato expirava em janeiro de 1966); 41,8% rejeitavam essa opção.

d) 59% apoiavam as medidas anunciadas pelo Presidente na famosa sexta-feira, 13 de março  (em um comício que reuniu 150 mil pessoas na Central do Brasil  –o país tinha então 72 milhões de habitantes, Jango assinaria decretos que expropriavam as terras às margens das rodovias para fins de reforma agrária, bem como nacionalizavam  refinarias de petróleo)”. Revista Carta Maior.

Os meios de comunicação mais o IBOPE mentiram e esconderam a verdade sobre a popularidade de Goulart e de suas reformas. Respaldaram o golpe, logicamente.

A população brasileira tem o direito de saber a verdade sobre a ditadura militar, sobre as torturas. Quem são os torturadores, seus mandantes. Onde estão os corpos dos assassinados pelo regime. Quem apoiou. Qual foi o papel da imprensa na preparação do golpe e qual a sua efetiva participação.

E por que a imprensa em especial? Porque ela não aprendeu nada com a redemocratização do país. Não contribui, pelo contrário: solapa as frágeis bases democráticas.

Utilizam os mesmo mecanismos de difamação que induziram ao suicídio de Getúlio Vargas, a deposição de João Goulart e a derrota de Lula para Fernando Collor e a má fama de Itamar Franco.  Por outro lado, engrandecem personagens que comem em suas mãos, tipo Fernando Henrique Cardoso. E mais recentemente Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Ayres Brito.

Com todo este poder e monopólio de que dispõem os donos da mídia eles continuam brincando de deus. Pararam no tempo, e por isso mesmo espera que todos parem.

Esse passado sombrio, os anos de chumbo, devem ser estudados e discutidos nas salas de aula, para que não se repita nunca mais. Não podemos viver eternamente na desconfiança. Na dúvida. Olhando para o lado.

E mais: os meios de telecomunicações precisam urgentemente de leis de regulamentações. Conectadas à nova realidade. Ou então eles imporão a realidade deles.

O jornal Estadão e o Fórum dos Leitores, revelador na essência.

jornaisDe manchete em manchete a mídia vai, aos poucos, incriminando outros, que não os verdadeiros autores dos crimes de corrupção.

Na seção Fórum dos Leitores, alcunhado por mim de seção “Ódio ao PT”, o cidadão Edgard Gobbi escreveu: “Se algum país estrangeiro desejar saber como andam as coisas no Brasil- país líder da América do Sul, membro do Brics e a sexta economia mundial-, é só ler as manchetes na primeira página do Estadão de sábado (09/11/13): Contrato da Petróbras com Odebrecht é investigado, Quadrilha também agiria no IPTU, PF vê repasse de R$ 19,5 milhões do cartel de trens… Sem mais comentários”.

É alguém indignado, com toda razão, com a roubalheira e falta de caráter de certas pessoas que deveriam zelar pelo bem público.

Mas reproduzi seu comentário para ilustrar outra coisa: a forma como a imprensa conduz os noticiários com a clara intensão de que seus leitores concluam o que eles desejam que eles concluam.

Primeiro, os jornais sabem do dia-a-dia agitado de quem trabalha e estuda. O pouco tempo que sobra para a leitura mais detalhada das informações, portanto fazem da primeira página o veículo para manipulação. Os títulos dúbios são as ferramentas para confundir e desvirtuar o fato. Na Folha saiu que o prefeito sabia dos desvios do “habite-se” segundo escutas telefônicas. Evidentemente quem lê a manchete vai pensar o quê? Que é o Haddad. Ele é o atual prefeito, e por cima do PT. Mas não é assim: o prefeito a que se referem os quadrilheiros é Gilberto Kassab, ex-prefeito.  Ligado a José Serra.

E há pessoas acreditando piamente que o Fernando Haddad é o chefe da quadrilha.

Antônio Donato, secretário de governo do prefeito, foi citado pelos fiscais. Pediu exoneração.  Único jeito, a meu ver, de devolver o foco da mídia a quem de fato faz jus, os tucanos.

Bem, dentro dos títulos da primeira página o maior destaque é dado ao evento que atinge o Partido dos Trabalhadores ou pessoas ligadas a ele.

Exemplificando. O cartel dos trens a que se refere Edgard é o chamado “propinoduto” do Metrô e da CPTM paulistas.  Escândalo envolvendo gente graúda do PSDB. No entanto a notícia é dada num pequeno espaço, no pé da página.  Como se fosse coisa de só menos. Uma ninharia. Apenas R$ 600 milhões de roubo. Não merece destaque. Então a diminuem, de maneira sórdida.

Mas contra tudo que os meios de telecomunicações desejam o leitor em questão tem ciência de que o país vai bem economicamente. E progredindo socialmente. Isso os barões não conseguiram esconder. Felizmente.

Agora quando Gobbi afirma que se algum outro país quiser saber como andam as coisas basta ler o estadão, é revelador. Grande parte da população só tem como fonte de informação a mídia que aí está. Partidária, conservadora e com viés golpista. A democratização da informação ainda não chegou por essas paradas.

Agora, com certeza os investidores estrangeiros não bebem nesta única fonte sugerida, pois com certeza se assim o fizessem, não colocariam aqui seu dinheiro.

Então, a necessidade de se regulamentar a mídia é preeminente. O governo federal, pelo jeito, teme a Globo, como o diabo teme a cruz, senão já teriam feito, ou ao menos proposto a “Lei da Mídia”. Por que temem, é que são os quinhentos.

Deixar a mídia atropelar em nome de uma tal “liberdade de informação” não está certo e nem é justo. A liberdade tem várias facetas.

A propaganda do estadão com aquele boneco fantoche boçal traduz bem o que eles acham do cidadão comum. Os donos da imprensa devem dar risada da própria desfaçatez.

Ninguém quer que se escondam pilantragens, mas precisamos de pluralidade de opiniões. Ou, usando uma das máximas do neoliberalismo, concorrência de informação.  O monopólio só faz bem ao monopolista.

PSDB, o partido partido e repartido.

psdbO PSDB é um partido partido em partes desiguais. Uma nau sem timoneiro, sem capitão. Casa que ninguém se entende.

Desorientado, sem programa político, com liderança esdrúxula.

Com um amigo desses, quem precisa de inimigo? É o fogo amigo. É cuspir no próprio prato.

De pensamento resta, nos faz recordar versos de Gregório de Matos:

“A cada canto um grande conselheiro,
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro”.

Palavras de Fernando Henrique Cardoso. Por que o PSDB deve voltar ao poder? “O que eu acho é que temos que ter alternância no poder. O PT está há muito tempo no poder”.

E se Campos superar Aécio?  “Não seria nenhuma tragédia.” apesar de não achar crível.

Por que não há esta possibilidade? Porque a organização do PSDB é maior. Aécio tem Minas e Campos só tem Pernambuco.

Por que apoiar Aécio e não Serra? “O Serra é um quadro muito capaz, votei nele a vida inteira, mas o momento é do Aécio”. Pra justificar recorreu ao exemplo de Lula, explicando: “Hoje há uma fadiga de material, um certo cansaço. O Lula percebeu isso, tentou colocar novos candidatos”. Se referindo a indicação de Dilma, Haddad e Alexandre Padilha, candidato ao governo paulista.

Conclusão. Programa de governo dos tucanos: derrubar o PT, só isso. Economia, saúde, educação, desenvolvimento, investimento depois se vê (seguindo a lógica do FHC).  Não importa se o país está crescendo, se a taxa de desemprego é baixa, se houve diminuição da pobreza, se há mais gente estudando, se a economia vai bem. Nada disso importa para Fernando Henrique. O principal é a alternância de poder, certo? Então, pergunto: o estado de SP é governado pelos tucanos há quase 25 anos? Ele acha também que está na hora de mudar?  Vai apoiar o Padilha?

Antes qualquer partido no poder do que outra vitória do PT. Pode ser Campos, Marina, Aécio, Barbosa, Sarney, Feliciano, Paulinho. Ou qualquer outro partido PSTU, PSOL, PCOS, . E quanto ao programa de governo? Nada.

O candidato não precisa ter competência. O Serra mais capaz do que Aécio mas não é novidade, então não vai apoiá-lo. Pra FHC o importante é seguir o exemplo do Lula. Criatividade zero.

José Serra (tenta ser candidato à presidência da república pelo PSDB) no encontro da juventude tucana, realizada em São Paulo, fez críticas ao próprio partido.

Dividiu suas reclamações em quatro segmentos: regionalismo, mercadismo, colunismo, bovarismo.

Bovarismo (alusão ao livro Madame Bovary, escrito por Gustave Flaubert): o PSDB tem necessidade de ser aceito pelo PT. Exemplo: sobre o leilão do campo de Libra: “olha aí! Eles falaram contra a privatização, mas estão fazendo o mesmo”.

Mercadismo: no PSDB “se confunde o fato de que a economia tem que ser mais aberta com a ideia de que o mercado vai resolver tudo”.

Regionalismo (se referindo aos interesses regionais antagônicos dentro do PSDB): esse instrumento não poder ser usado em “eventuais lutas internas”. E mais “muitos tucanos trabalham contra o erário”.

Colunismo: a política do PSDB é fazer política pelos jornais, e não pelo debate.

Aécio Neves rebateu as críticas  de José Serra dizendo que ele elogia o partido, enquanto outros só sabem falar mal. Foi resposta de uma profundida enorme. Só faltou colocar a língua pro Serra.  E mais: o ex-governador mineiro defende Zona Franca e contraria tucanos paulistas. Geraldo Alckmin era favorável ao corte dos incentivos à Zona Franca. Quanto a essa posição do governador de São Paulo, rebateu Arthur Virgílio Neto: “Alckmin sempre manteve um discurso provinciano focado no estado dele. Quem pretende ser presidente do Brasil precisa adotar um discurso nacional”.

Como se vê, o PSDB é tudo, menos um partido político. Onde a vaidade fala mais alta, as brigas são constantes. E diferente do que Fernando Henrique falou, não existe organização. Nem mais organização.

Não que outras agremiações não tenham divergência, mas há local apropriado para se discutir. Sigam os exemplos dos times de futebol. É no vestiário, e somente entre eles, que o pau quebra.  Vazou informação, alguém será expurgado.

Excetuando a resposta de Aécio Neves às críticas de Serra, todas as outras informações foram extraídas de uma única página, A12, do jornal o Estado de S.Paulo do dia 9 de novembro.