O jornal Estadão e o Fórum dos Leitores, revelador na essência.

jornaisDe manchete em manchete a mídia vai, aos poucos, incriminando outros, que não os verdadeiros autores dos crimes de corrupção.

Na seção Fórum dos Leitores, alcunhado por mim de seção “Ódio ao PT”, o cidadão Edgard Gobbi escreveu: “Se algum país estrangeiro desejar saber como andam as coisas no Brasil- país líder da América do Sul, membro do Brics e a sexta economia mundial-, é só ler as manchetes na primeira página do Estadão de sábado (09/11/13): Contrato da Petróbras com Odebrecht é investigado, Quadrilha também agiria no IPTU, PF vê repasse de R$ 19,5 milhões do cartel de trens… Sem mais comentários”.

É alguém indignado, com toda razão, com a roubalheira e falta de caráter de certas pessoas que deveriam zelar pelo bem público.

Mas reproduzi seu comentário para ilustrar outra coisa: a forma como a imprensa conduz os noticiários com a clara intensão de que seus leitores concluam o que eles desejam que eles concluam.

Primeiro, os jornais sabem do dia-a-dia agitado de quem trabalha e estuda. O pouco tempo que sobra para a leitura mais detalhada das informações, portanto fazem da primeira página o veículo para manipulação. Os títulos dúbios são as ferramentas para confundir e desvirtuar o fato. Na Folha saiu que o prefeito sabia dos desvios do “habite-se” segundo escutas telefônicas. Evidentemente quem lê a manchete vai pensar o quê? Que é o Haddad. Ele é o atual prefeito, e por cima do PT. Mas não é assim: o prefeito a que se referem os quadrilheiros é Gilberto Kassab, ex-prefeito.  Ligado a José Serra.

E há pessoas acreditando piamente que o Fernando Haddad é o chefe da quadrilha.

Antônio Donato, secretário de governo do prefeito, foi citado pelos fiscais. Pediu exoneração.  Único jeito, a meu ver, de devolver o foco da mídia a quem de fato faz jus, os tucanos.

Bem, dentro dos títulos da primeira página o maior destaque é dado ao evento que atinge o Partido dos Trabalhadores ou pessoas ligadas a ele.

Exemplificando. O cartel dos trens a que se refere Edgard é o chamado “propinoduto” do Metrô e da CPTM paulistas.  Escândalo envolvendo gente graúda do PSDB. No entanto a notícia é dada num pequeno espaço, no pé da página.  Como se fosse coisa de só menos. Uma ninharia. Apenas R$ 600 milhões de roubo. Não merece destaque. Então a diminuem, de maneira sórdida.

Mas contra tudo que os meios de telecomunicações desejam o leitor em questão tem ciência de que o país vai bem economicamente. E progredindo socialmente. Isso os barões não conseguiram esconder. Felizmente.

Agora quando Gobbi afirma que se algum outro país quiser saber como andam as coisas basta ler o estadão, é revelador. Grande parte da população só tem como fonte de informação a mídia que aí está. Partidária, conservadora e com viés golpista. A democratização da informação ainda não chegou por essas paradas.

Agora, com certeza os investidores estrangeiros não bebem nesta única fonte sugerida, pois com certeza se assim o fizessem, não colocariam aqui seu dinheiro.

Então, a necessidade de se regulamentar a mídia é preeminente. O governo federal, pelo jeito, teme a Globo, como o diabo teme a cruz, senão já teriam feito, ou ao menos proposto a “Lei da Mídia”. Por que temem, é que são os quinhentos.

Deixar a mídia atropelar em nome de uma tal “liberdade de informação” não está certo e nem é justo. A liberdade tem várias facetas.

A propaganda do estadão com aquele boneco fantoche boçal traduz bem o que eles acham do cidadão comum. Os donos da imprensa devem dar risada da própria desfaçatez.

Ninguém quer que se escondam pilantragens, mas precisamos de pluralidade de opiniões. Ou, usando uma das máximas do neoliberalismo, concorrência de informação.  O monopólio só faz bem ao monopolista.

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