Parceira Google e Secretaria de Educação de São Paulo.

 

escola pública spA educação continua não sendo levado a sério no estado de São Paulo.  Os projetos apresentados pelo Geraldo Alckmin sempre levantam dúvidas quanto a sua real intenção e sobre sua ingenuidade no conduzir as políticas educacionais no estado.

O seu partido fez 5000 assinaturas com a revista Veja. Agora a editora Abril abastece as escolas estaduais com seu panfleto semanal. Nada contra, apesar da uso da palavra panfleto. É até louvável, a informação mais perto dos estudantes. Um estrangeiro, alienado nas coisas do Brasil, aplaudiria de pé tal iniciativa. E mais do que isso, defenderia a ideia criticando e achando um absurdo quem fosse contra.

Porém (sempre há um porém) sabemos da atuação deste semanário na tentativa de desestabilização do atual governo federal e na sua procura insana por destruir o PT . Roberto Civita, dono da editora, quando era vivo afirmou que iria acabar com o Lula e com a Dilma. Morreu sem conseguir.

No entanto seus seguidores continuam na inglória luta. Usando de costumeiros artifícios, mentem e manipulam as noticias. Destilam maldades e distorcem fatos. Sempre contra o mesmo partido e tentando atingir a mesma pessoa. Se o govenador tivesse mesmo a intenção de prover ensino faria o mesmo com revistas que fazem contraponto a Veja. Quantos debates profícuos não surgiriam, não é mesmo? Mas não procedeu dessa forma e também não foi essa sua intenção, fazer cabeças sim.

Pois bem, agora estamos diante de outro momento histórico da educação, segundo Alckmin. Parceria com a empresa Google. 

“O objetivo da parceria é ampliar e aprimorar a interatividade em favor do ensino. Além das videoconferências (hangout), os novos aplicativos permitirão a construção de materiais em tempo real entre diversos alunos e a tutoria de professores. Será possível ainda a criação de rede sociais e canais para escolas, diretorias e setores administrativos, promovendo e aperfeiçoando a comunicação virtual” conforme o site da secretaria de educação do estado.

Com a parceria a Google disponibilizará gratuitamente um pacote personalizado da suíte Google Apps para Educação contendo o Docs, o Gmail, o calendário, o Google+ (a rede social do Google), videoconferências via hangout, entre outros produtos.

Essa gratuidade foi enfatizada pelo governador como uma grande conquista. Só faltou chorar e agradecer ajoelhado, de mãos postas essa concessão tão benevolente da empresa.

Aí começa a desconfiança. Gratuito? Só se for do lado do poder público. Geraldo poderia muito bem dizer: vamos dar gratuitamente 5 milhões de clientes, entre professores, alunos e agregados, para a Google e em troca nós poderemos usufruir das ferramentas tecnológicas que já estão disponíveis para o uso . E vejam bem: não são potenciais usuários, são efetivos reais, visto que será obrigatória a adesão.

Não é por nada, mas é uma carteira de clientes respeitável, não acham? Muitas empresas ficariam interessadas. Agora, só faltava o governador pagar por cabeça. Com desconto é claro. Seria o fim da picada.

“Nos antigamente” essa prática monopolista era adotada no país. Funcionários se viam obrigados a abrir conta no banco indicado pela empresa. Dependendo do tamanho da carteira era um festival de barganha, de propina, de corrupção, de negociatas e de caixa dois. E o pobre empregado sem opção, ou sem emprego. Bem , isso foi na época da ditadura. Agora estamos numa democracia.

E se essa falta de tino comercial não é suficiente para um debate mais profundo devemos lembrar que a Google é uma empresa capitalista americana.

Por ser capitalista ela visa lucro, compete por mercados, teme a concorrência e em hipótese alguma a postura dela é filantrópica.

O seu compromisso é com os acionistas. E se de repente, por motivo qualquer, ela resolve sair do país, digamos, depois do projeto completamente implantado com sucesso, o que aconteceria?

Do modo como foi apresentado a parceria os alunos e professores dormiriam cheios de ideias e acordariam desalojados. Os atletas de clubes são vítimas constantes da perda de patrocínio.

Só que não estamos falando de clube e de um punhado de pessoas que ficariam sem emprego e sim de milhões de cidadãos e de prejuízos incalculáveis ao sistema educacional de um estado.  

Outra coisa. E se depois de tudo funcionando satisfatoriamente, a cultura completamente enraizada a Google resolvesse cobrar, alegando prejuízos, custos, despesas ou outro item contábil, qual seria o comportamento do governo?

Por isso essa “sociedade” deveria ser debatida com os principais interessados, e não ser feita de maneira abrupta.

E por fim a Google é americana, empresa estrangeira de um país denunciado por espionagem e sujeito às leis daquela nação. É certo deixar todo conteúdo do sistema educacional nas mãos dos EUA? Ou permitir que eles deem uma “olhadinha” no que estamos fazendo ou produzindo? Os norte-americanos já jogaram na cara, se não estão contentes criem uma internet para vocês. É o que o BRICS está fazendo.

A educação, volto a afirmar, é coisa séria. O PSDB não acha. Fica brincando de achar legal, bonito.

Por que não utilizar o sistema do “Acessa São Paulo” e aperfeiçoá-lo? Sei a há resposta: não há recursos, os custos são altos, a presença do estado e outros argumentos neoliberais quaisquer.

A USP se orgulha do “Cloud Computer”, por que não aproveitá-lo?

Apenas sugestões, o principal é o debate com a sociedade. Neles aparecem ideias, caminhos e soluções.

Educação é investimento. A maior riqueza são os alunos. A mineradora não espera encontrar um diamante lapidado, mas investe para achar a pedra no seu estado bruto.

Anúncios

Qual a sua opinião?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s