Nelson Mandela, acima de tudo um ser humano.

Nelson MandelaMandela morreu. Enterrem um mito, não o ser humano.

A maior homenagem é lembra-lo como um homem comum. Cometeu erros e acertos. Quando preciso, quando novo, quando revoltado pegou em armas e brigou contra o racismo institucionalizado. Matou?

Ficou preso durante vinte sete anos. A luta contra a opressão continuou.

O grande mérito seu foi manter o país unido. Dentro de um estado de direito. Mesmo após anos de sofrimentos e humilhação. As chamas da raiva debeladas no nascedouro.

Muitos esperavam cenas de barbaridades. Oprimidos sedentos de ódios invadindo casas, lojas, escolas, fazendas, indústrias. Destruindo a infraestrutura. Um país em guerra civil. Uma Angola, Moçambique, Congo e outros com a mesma história de opressão.

O seu grande erro foi manter o mesmo “status quo”. O preto e pardo na África do Sul continuam sua penúria, transitando entre a extrema pobreza e a discriminação velada.

O branco domina. O sistema capitalista fonte causadora da opressão. Eles se brasilificaram, no que pior há de um Brasil racista.

A maioria dos pretos vive em favelas. A elite é composta de brancos.  Nisso nada mudou.

Mas assim que acabar o namoro com o Madiba e sua figura carismática o país terá oportunidade de avaliar o grau de interação que ele deixou. Respirar a maturidade sem sua eterna mão conciliadora.

Que país emergirá de suas lembranças? O tempo dirá. As próximas atitudes dos futuros governantes também.

O Brasil não reviu sua ditadura. Não colocaram no banco dos réus seus usurpadores. É uma nação com lapso de memória.

A África do Sul não pode cair nos mesmos erros nossos. Lá existe o museu do “Apartheid”. É um passo. No entanto a história tem que ser contada. As mágoas e feridas encaradas de frente. A terapia coletiva da nação africana.

O povo sul-africano saberá tirar de Madiba a verdadeira lição. Não este falso heroísmo criado artificialmente e com interesses. A VEJA enalteceu o líder africano como o Guerreiro da Paz. E ao mesmo tempo trata com escárnio os que lutaram contra uma ditadura.

Nelson Mandela soube evitar vinganças pessoais. Uma caça às bruxas. Não permitiu a terra arrasada. Mas não pode e nem deve evitar a justiça.  Muitos brancos cometeram atrocidades e quanto prazer sentiram.

Podem se esconder atrás de palavras, como os torturadores pátrios, mas as cicatrizes são visíveis.  Tem que se fazer justiça.

Muitos pretos não conseguem falar ao branco olhando em seus olhos. São décadas de racismo e humilhação. O auto-respeito perdido debaixo de tiros e porradas.

O mundo e o povo africano em particular não devem permitir essa desumanização imposta pelos demais países.

Ele lutou por liberdade. E se em algum dia outro regime tentar novamente estender suas garras os oprimidos devem ter certeza que de suas fileiras surgirá outros Mandelas. Os oprimidos de todas as nações. Porque acima de tudo Nelson Mandela era um simples humano.  Por mais que tentem endeusá-lo.

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