O Caso Gama Filho, MEC e o tratamento dado pela mídia.

Gama filho“Quais os limites das irregularidades cometidas por instituições de ensino privado no Brasil? Quantos crimes podem cometer uma universidade? O Grupo Galileu, que há dois anos assumiu o controle da Universidade Gama Filho e da UniverCidade, no Rio de Janeiro, acaba de provar que não há limites, pois já cometeu todo e qualquer tipo de irregularidade fiscal, trabalhista e de violação dos direitos do consumidor e ainda continua no controle das universidades. E o pior de tudo: sem nenhuma punição ou resolução por parte do Ministério da Educação (MEC) ou da Justiça”.

Assim inicia a reportagem de Fania Rodrigues publicada na revista “Caros Amigos” de outubro de 2013 intitulada “Ensino Privado Vira Território Sem Lei”.

Bem, após quatro meses desta reportagem o MEC tomou uma decisão: descredenciou a instituição. Visto que outras medidas, intervenção ou federalização da universidade, são proibidas.

Após denuncias de sucateamento e protestos por parte de professores e acadêmicos a ALERJ, assembleia legislativa do Rio de Janeiro, criou uma CPI para investigar o caso. Não só da GF mais de outras 64 instituições. E na maioria delas encontrou algum tipo de irregularidade. Candido Mendes no destaque

O Ministério relutou em tomar essa atitude justamente para não prejudicar a parte mais sensível da tríade mantenedora-funcionários- alunos, ou seja, os discentes. Pois são eles que pagam. São eles que têm sonhos, metas, objetivos. Em palavras de mercado: os alunos são os clientes.  É uma situação que se arrasta há dois anos. Três, atualizando.

O que acontece com a Gama Filho é caso para o Ministério Público, para polícia. A CPI acusou o proprietário da mantenedora Galileu, Márcio André Mendes da Costa, de formação de quadrilha. Coisa de bandido.

É uma bela reportagem da jornalista. Muito ilustrativo.

Porém o que chama atenção é o tratamento dado pelo telejornal “Bom dia Brasil” sobre o caso. Nada surpreendente vindo de quem vem.

Nas palavras do seu glorioso e condecorado repórter Alexandre Garcia o MEC é que falhou. O MEC é que não cumpriu com suas funções. O MEC é que não pensou nos alunos. Fez pouco caso. Mostrou incompetência.

De repente os que defendem uma menor intervenção do estado, neoliberais até a raiz do cabelo, que não estão nem aí para os fatos sociais, passam a criticar a falta do poder público. E, o mais incoerente, mostram-se complacentes com os protestos dos acadêmicos.

A notícia sobre um caso tão sério se transformou num libelo maldizente contra o governo federal. Sobre o empresário e sua má conduta nem um comentário. Aliás, quem viu a reportagem, e apenas ela, fica com a nítida impressão de que o Ministério da Educação é o único culpado das mazelas.

Os telejornais no início do ano massacram o ensino publico. Mostram brigas, tráfico, prostituição, filas, ameaças a professores e etc. Pergunto: quem, em são consciência, depois de assistir essas reportagens, teria coragem de matricular o filho numa escola pública? As particulares enternecidas agradecem essa ajudinha, como se elas fossem um mar de candura e honestidade.

O evento Gama Filho é emblemático por ter um nome de peso e tradição. Tornou-se um exemplo do que um sistema predador, ganancioso pode fazer com anseios de seus “clientes”.

O ensino privado “é uma terra sem lei, ou pelo menos com um sistema legal deficitário, é o atual cenário do ensino superior privado brasileiro. Um território livre, onde opera a lei da selva, e o capital é a única força que reina. Talvez a resposta terá que vir das ruas. De Novo.”. Proféticas palavras da jornalista de “Caros Amigos”. As manifestações já se fazem presente.

E outra vez o público terá que salvar o privado.

Educação, saúde e segurança não podem ficar nas mãos da iniciativa privada. Porque há grande probabilidade de que acabarem mesmo na privada. É questão de lógica. O empresário visa o lucro. Donos das escolas são empresários. Logo visam lucro. E quando o barco ameaça afundar são os primeiros a cair fora.

Só pela falta de informação mais justa a lei da mídia é um imperativo. As eleições estão aí. Dependendo de quem assumir o poder irá haver um desmonte de todas as conquistas sociais. Voltaremos à estaca zero. Retrocesso que pode durar mais quinhentos anos.

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