USP 80 anos. E um apelo: resistir ao populismo.

USP80AnosEntre vários artigos sobre os 80 anos da USP versando sobrea a história da universidade. Recheados de elogios. E problemas passados e futuros há um que se destaca pelo libelo conservador, sem papas-na-língua escreve: “A USP precisa resistir ao apelo populista que visa facilitar o ingresso de estudantes”, Estado de S. Paulo, pag. A3, “Os 80 anos da USP”, 25 de Janeiro.

Como “apelo populista” entenda-se: não às cotas, não à democratização da USP.

Pois, para o jornal só o vestibular, frio e imparcial, é capaz de selecionar os melhores entre os melhores.

A presença de alienígenas, proveniente de camadas menos privilegiadas, seria um atraso educacional. Por incapacidade. Falta de condições de acompanhar tão seleta aula e seus laureados doutores.

É o preconceito na sua essência. O problema está no sujeito. Não nos mecanismos sociais.

É a meritocracia neoliberal na sua justificativa para a perpetuação de suas desigualdades e injustiças.

Na ignorância apelativa o governo tucano paulista não entende a profundidade e o alcance das mudanças na sociedade com programas de inclusão.

Os talentos existem em todas as camadas. Quanto maiores às oportunidades, maiores as chances de serem descobertos. Questão de números. De estatística. De lógica.  De amostragem.

No entanto nascem, trabalham e morrem.  Não são colhidos. Nada produzindo de relevante.

Quantas joias humanas (artistas, pesquisadores, cientistas, atletas e etc.) foram desperdiçadas apenas por falta de oportunidades?

A meritocracia não deixou.

Governo por méritos, numa sociedade de desiguais, é um deserto com pequenos oásis. Não desenvolve uma nação.

Isso eles não entendem. Ou temem perder sues privilégios do ter. Do falso elogio. Da distinção. Da soberba. Algo que os destaquem da ralé. Segundo pensamentos.

O exemplo do governo federal e a pressão popular exerceram influência sobre os governantes paulistanos.

Com receio de perder seu reduto nas próximas eleições  Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, criou soluções no mínimo perturbadoras. Ensino a distancia, cursos de reforço para estudantes de escola públicas e a USP Leste.

A Leste é um caso a parte. Feito nas coxas. Com cursos exóticos. E em cima de aterro sanitário. Com risco de explosão.

A essas atitudes sim, podemos chamar de populismo-demagógico-sórdido. Não é política de estado. É tapa-buraco. Coisa de coronelão.

Esse povo! Só atrapalha o bom andamento de governança. Certo estava Platão. Pelo menos para os conservadores.

Como no mesmo artigo ele cita o aumento da quantidade de alunos por professores e que isto reduz a qualidade do ensino façam o seguinte: assumam de vez a postura segregadora e diminuam o número de vagas oferecidas em 80%, por exemplo.

Medicina 20 vagas, engenharia 40 vagas, direito 15 vagas e por aí vai. E o vestibular com questões da década de 60. Com francês, inglês e espanhol, Obrigatórios é claro. Nota mínima sete.

Só entrará a elite da elite da elite. Será um excelentíssimo centro de formadores de cabeças. Que tal?

Agora não sei  que benefícios traria para sociedade formar 20 médicos gênios por ano. A saúde melhoraria? A população seria atendida prontamente nas suas necessidades?

A democracia é melhor sistema que temos atualmente. Só precisa chegar a todas as áreas da sociedade.

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