O que é um golpe de Estado.

ditadura

Reproduzo texto de Hildegard Angel, sobre o que é um golpe de estado, extraído do “conversaafiada”.

“É meu dever dizer aos jovens o que é um golpe de Estado.

Neste momento em que um golpe ronda um país vizinho, é meu dever dizer aos jovens o que é um Golpe de Estado”

Neste momento extremamente grave em que vemos um golpe militar caminhar célere rumo a um país vizinho, com o noticiário chegando a nós de modo distorcido, utilizando-se de imagens fictícias, exibindo fotos de procissões religiosas em Caracas como se fosse do povo venezuelano revoltoso nas ruas; mostrando vídeos antigos como se atuais fossem; e quando, pelo próprio visual próspero e “coxinha” dos manifestantes, podemos bem avaliar os interesses de sua sofreguidão, que os impedem de respeitar os valores democráticos e esperar nova eleição para mudar o governo que os desagrada, vejo como meu dever abrir a boca e falar.
Dizer a vocês, jovens de 20, 30, 40 anos de meu Brasil, o que é de fato uma ditadura.
Se a Ditadura Militar tivesse sido contada na escola, como são a Inconfidência Mineira e outros episódios pontuais de usurpação da liberdade em nosso país, eu não estaria me vendo hoje obrigada a passar sal em minhas tão raladas feridas, que jamais pararam de sangrar.
Fazer as feridas sangrarem é obrigação de cada um dos que sofreram naquele período e ainda têm voz para falar.
Alguns já se calaram para sempre. Outros, agora se calam por vontade própria. Terceiros, por cansaço. Muitos, por desânimo. O coração tem razões…
Eu falo e eu choro e eu me sinto um bagaço. Talvez porque a minha consciência do sofrimento tenha pegado meio no tranco, como se eu vivesse durante um certo tempo assim catatônica, sem prestar atenção, caminhando como cabra cega num cenário de terror e desolação, apalpando o ar, me guiando pela brisa. E quando, finalmente, caiu-me a venda, só vi o vazio de minha própria cegueira.
Meu irmão, meu irmão, onde estás? Sequer o corpo jamais tivemos.
Outro dia, jantei com um casal de leais companheiros dele. Bronzeados, risonhos, felizes. Quando falei do sofrimento que passávamos em casa, na expectativa de saber se Tuti estaria morto ou vivo, se havia corpo ou não, ouvi: “Ah, mas se soubessem como éramos felizes… Dormíamos de mãos dadas e com o revólver ao lado, e éramos completamente felizes”. E se olharam, um ao outro, completamente felizes.
Ah, meu deus, e como nós, as famílias dos que morreram, éramos e somos completamente infelizes!
A ditadura militar aboletou-se no Brasil, assentada sobre um colchão de mentiras ardilosamente costuradas para iludir a boa fé de uma classe média desinformada, aterrorizada por perversa lavagem cerebral da mídia, que antevia uma “invasão vermelha”, quando o que, de fato, hoje se sabe, navegava célere em nossa direção, era uma frota americana. Deu-se o golpe! Os jovens universitários liberais e de esquerda não precisavam de motivação mais convincente para reagir. Como armas, tinham sua ideologia, os argumentos, os livros. Foram afugentados do mundo acadêmico, proibidos de estudar, de frequentar as escolas, o saber entrou para o índex nacional engendrado pela prepotência.
As pessoas tinham as casas invadidas, gavetas reviradas, papéis e livros confiscados. Pessoas eram levadas na calada da noite ou sob o sol brilhante, aos olhos da vizinhança, sem explicações nem motivo, bastava uma denúncia, sabe-se lá por que razão ou por quem, muitas para nunca mais serem vistas ou sabidas. Ou mesmo eram mortas à luz do dia. Ra-ta-ta-ta-tá e pronto.
E todos se calavam. A grande escuridão do Brasil. Assim são as ditaduras. Hoje ouvimos falar dos horrores praticados na Coreia do Norte. Aqui não foi muito diferente. O medo era igual. O obscurantismo igual. As torturas iguais. A hipocrisia idêntica. A aceitação da sobrevivência. Ame-me ou deixe-me. O dedurismo. Tudo igual. Em número menor de indivíduos massacrados, mas a mesma consistência de terror, a mesma impotência.
Falam na corrupção dos dias de hoje. Esquecem-se de falar nas de ontem. Quando cochichavam sobre as “malas do Golbery” ou as “comissões das turbinas”, as “compras de armamento”. Falavam, falavam, mas nada se apurava, nada se publicava, nada se confirmava, pois não havia CPI, não havia um Congresso de verdade, uma imprensa de verdade, uma Justiça de verdade, um país de verdade.
E qualquer empresa, grande, média ou mínima, para conseguir se manter, precisava obrigatoriamente ter na diretoria um militar. De qualquer patente. Para impor respeito, abrir portas, estar imune a perseguições. Se isso não é um tipo de aparelhamento, o que é, então? Um Brasil de mentirinha, ao som da trilha sonora ufanista de Miguel Gustavo.
Minha família se dilacerou. Meu irmão torturado, morto, corpo não sabido. Minha mãe assassinada, numa pantomima de acidente, só desmascarada 22 anos depois, pelo empenho do ministro José Gregory, com a instalação da Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos no governo Fernando Henrique Cardoso.
Meu pai, quatro infartos e a decepção de saber que ele, estrangeiro, que dedicou vida, esforço e economias a manter um orfanato em Minas, criando 50 meninos brasileiros e lhes dando ofício, via o Brasil lhe roubar o primogênito, Stuart Edgar, somando no nome as homenagens ao seus pai e irmão, ambos pastores protestantes americanos – o irmão assassinado por membro louco da Ku Klux Klan. Tragédia que se repetia.
Minha irmã, enviada repentinamente para estudar nos Estados Unidos, quando minha mãe teve a informação que sua sala de aula, no curso de Ciências Sociais, na PUC, seria invadida pelos militares, e foi, e os alunos seriam presos, e foram. Até hoje, ela vive no exterior.
Barata tonta, fiquei por aí, vagando feito mariposa, em volta da fosforescência da luz magnífica de minha profissão de colunista social, que só me somou aplausos e muitos queridos amigos, mas também uma insolente incompreensão de quem se arbitrou o insano direito de me julgar por ter sobrevivido.
Outra morte dolorida foi a da atriz, minha verdadeira e apaixonada vocação, que, logo após o assassinato de minha mãe, precisei abdicar de ser, apesar de me ter preparado desde a infância para isso e já ter alcançado o espaço próprio. Intuitivamente, sabia que prosseguir significaria uma contagem regressiva para meu próprio fim.
Hoje, vivo catando os retalhos daquele passado, como acumuladora, sem espaço para tantos papéis, vestidos, rabiscos, memórias, tentando me entender, encontrar, reencontrar e viver, apesar de tudo, e promover nessa plantação tosca de sofrimentos uma bela colheita: lembrar aos meus mártires, e tudo de bom e de belo que fizeram pelo meu país, quer na moda, na arte, na política, nos exemplos deixados, na História, através do maior número de ações produtivas, efetivas e criativas que possa multiplicar.
E ainda há quem me pergunte em quê a Ditadura Militar modificou minha vida!

Bate boca entre Barbosa e Barroso.

stfO que todos falam Joaquim Barbosa repetiu: é um julgamento político. Após Barroso inocentar os acusados do processo do mensalão de formação de quadrilha.

Barroso, perplexo, perguntou ao supremíssimo se ele não podia ter a própria opinião.

Esse Joaquim Barbosa… Subiu à cabeça a fantasia de super-heroi, prócere da verdade e da justiça. Nem ser contra sua posição a outros juízes é permitido. Quanta megalomania num homem só.

Quem mandou o Lula colocar alguém que detesta ser contrariado.

Bem, na realidade seria difícil saber. Dê o poder ao homem e você saberá quem ele é, não é assim o dito?

Pois então, estamos diante de um fato inusitado. A vaidade fala mais alto do que a sensatez, que presumo deveria ser o norteador dos ministros.

Agora, fica a pergunta: por que Joaquim Barbosa tenta descaracterizar seus pares? Não todos, é claro, apenas aqueles que não comem em sua mão.

Se me permitem tenho duas hipóteses:

Primeiro: Tem medo que a verdade sobre o mensalão venha à tona.

O dinheiro não era público. Não houve corrupção. O que pediram, pagaram. E, por tanto ficará escancarado que o julgamento, aí sim, foi político.

E mais, o STF cometeu aberração jurídica para condená-los. A constituição somos nós, e fim de papo. Assim andaram afirmando pelos corredores do supremo alguns dos juízes.

A partir dessa constatação de politicagem ficaria evidente porque o mensalão mineiro ainda não foi julgado. É gente do PSDB. E em tucano não se mexe. Ecologicamente perfeito.

E Joaquim tem paúra de ser desmascarado e ver sua sapiência jurídica contestada. Pelos colegas, por juristas, por advogados e por leigos, como eu.

E a sociedade gritar: ele é uma farsa. Rirem de sua cara. E a capa de herói se tornar um manto de invisibilidade.

É triste. Aconteceu com muitos. E no esquecimento acabaram. Alguns presos. Não é o caso.

Segundo: Joaquim Barbosa sente a necessidade de chamar para si os holofotes. Então, criar um fato que alimente os noticiários é o ideal. E nada melhor do que voltar a bater boca com outro ministro para conseguir esse objetivo.

É tiro certo, pois, a mídia, conservadores e oposição também sairiam ganhando com esse evento. As eleições estão se aproximando.

Em outras oportunidades ele já teve o mesmo comportamento.

Saiu de férias, ganhando diária, e não assinou a prisão do deputado.  Mas afirmou: se fosse ele o presidente interino, assinaria e não daria uns dias a mais de liberdade a um condenado.  Aplausos, por favor.

Ou quando desfez, assim que voltou, o que outro ministro tinha decidido sobre a prisão de José Dirceu, mesmo sendo este o presidente interino.  Mais aplausos, dessa vez em pé.

Como podem perceber, mesmo na Europa, fazendo reitor dormir, ele não saiu da mídia. E mídia não saiu dele. Um grande caso de simbiose.

Há pessoas que, desejando aparecer, fazem de escada seus colegas. Sem dó.

MDS divulga resultados atualizados do Brasil Sem Miséria .

logo BSMDia 21 fevereiro  o Ministério do  Desenvolvimento Social (MDS) divulgou os dados do programa “Brasil sem Miséria” (BSM).

Este programa surgiu da necessidade do país erradicar a extrema pobreza que ainda viviam milhões de brasileiros.

Dos 36 milhões de beneficiados pelo Bolsa Família, infelizmente, 22 milhões ainda viviam em condições de miserabilidade.

Então, “Em 2 de junho de 2011 o Governo Federal lançava o Plano Brasil Sem Miséria (BSM), com o objetivo ambicioso de superar a extrema pobreza até o final de 2014. O Plano se organiza em três eixos: um de garantia de renda, para alívio imediato da situação de extrema pobreza; outro de acesso a serviços públicos, para melhorar as condições de educação, saúde e cidadania das famílias; e um terceiro de inclusão produtiva, para aumentar as capacidades e as oportunidades de trabalho e geração de renda entre as famílias mais pobres.

Medidas tomadas no âmbito do Plano Brasil Sem Miséria, em 2011 – incluindo reajuste dos valores pagos pelo Bolsa Família, aumento da quantidade de benefícios para crianças e adolescentes e início do pagamento de adicionais para gestantes e bebês em fase de amamentação – diminuíram esse total para 19 milhões.

Em 2012, o Brasil Carinhoso modificou a lógica de funcionamento do Bolsa Família. Com a introdução de um novo benefício, que varia de acordo com a intensidade da pobreza de cada família, garantiu-se que superasse o patamar da extrema pobreza, de 70 reais mensais. Destinado às famílias com pelo menos um filho de até 15 anos, o Brasil Carinhoso retirou mais 16,4 milhões de pessoas da miséria.

Em março de 2013, o Brasil Sem Miséria estendeu esse novo benefício a todas as famílias do Bolsa Família que ainda estavam na extrema pobreza. Outros 2,5 milhões de pessoas  superaram a miséria, totalizando 22 milhões de beneficiários do Bolsa Família que saíram da extrema pobreza desde o começo do Plano Brasil Sem Miséria.”

bsm1E com essas medidas outros serviços foram agregados:

Inclusão Produtiva Urbana- promover a inclusão no mercado de trabalho dos beneficiados pelo BSM. Qualificando-os profissionalmente através do PRONATEC Brasil Sem Miséria.

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O que é o PRONATEC? Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. Criado pelo Governo Federal, em 2011, com o objetivo de ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica.

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Inclusão Produtiva Rural – para famílias de agricultores, extrativistas, quilombolas e outros.  Com auxílios de técnicos agrícolas, aprimoram o processo produtivo. E para aqueles que não têm as mínimas condições de investir nas suas terras o governo garante uma ajuda de 2,4 mi reais, não reembolsáveis, para o início da produção. Fornecendo insumos e sementes de qualidade.

Acesso a serviços- principalmente saúde e educação.

Ação Brasil Carinhoso – para crianças de 0 a 6 anos.

Ação Brasil Carinhoso Creches- os municípios recebem inventivos para a matrícula de crianças em creches participantes do BSM.

Ação Brasil Carinhosos Saúde- distribuição gratuita de sulfato ferrosa, de medicamentos para asma e vitamina A. Além de expansão de programas de saúde.

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Para os dados completos, acesse aqui.

Manifestações na Venezuela e no Brasil. O mesmo “modus operandi”.

democracia henfilOntem houve manifestações na capital de São Paulo. Ocorreu o de sempre. Black Blocs na frente,  manifestantes atrás .

Os primeiros com o mesmo lema: proteger e provocar.  Na somatória vandalizar.

O movimento “nãovaitercopa” saiu a propalar: investimentos em saúde, educação, segurança e não gastar  bilhões do dinheiro público em construções de  estádios. Para poucos se locupletarem.

Seria um debate excelente, se o ano fosse de 2005.

Não é gasto, é investimento. A visibilidade do Brasil. O turismo. A economia dinâmica. A inserção do país nos roteiros dos grandes eventos. Não só os esportivos. A imagem do brasileiro como um novo ator no cenário mundial. O retorno do dinheiro.

Por outro lado: O Brasil é um país pobre. Muitos problemas sociais e de infraestrutura que precisam de investimentos prioritários.  Não é o momento de gastar em obras faraônicas. A corrupção. A FIFA corrupta também e etc.

Talvez um plebiscito.

Houve chamamento para protestos nesse ano. Apareceram alguns poucos abnegados. O congresso pouco fez.

Porém , mesmo com o plebiscito e aprovação da realização da copa pela população nada impediria  que os insatisfeitos fizessem o que estão fazendo hoje.

“Nãovaitercopa” virou ameaça.  Terrorismo.

A esquerda nunca foi unida. A história garante.

A direita sempre usou a desunião ao seu favor. Truculentos que são, se esbaldam na falta de visão dos dirigentes de partidos progressistas.

O apressado come cru e quente, não é mesmo?

João Goulart se viu pressionado tanto pela direita como pela esquerda. Ficou isolado. E deu no que deu.

Estamos no mesmo momento.

 Os reais manifestantes deixaram o tal de sem partido e hastearam as bandeiras: PSTU, PSOL, UNE. E gritam e assanham e amedrontam as velhas senhoras de sempre.

Hermann Hesse, prêmio Nobel de literatura e guru do movimento hippies, disse: o burguês é acima de tudo um covarde, qualquer coisa chama a polícia. Ou as forças armadas.

Como recentemente fez  Ênio Mainardi. Pregando a volta dos militares ao poder: para por ordem no pardieiro.

Ele e o filho, Diogo Mainardi, são estereótipos perfeitos do burguês covarde.

O sonho dos conservadores nacionais é ver por aqui o que acontece lá, na Venezuela.  

Tentam reproduzir o cenário catastrófico (econômico e social) do país de Nicolás Maduro.  Apostando no medo da classe média e da elite. Usam o poder financeiro e a mídia para espalhar maldades e hecatombes.

A fim de lastrear o que digo, reproduzo parte do artigo de Ignácio Ramonet, diretor do jornal “Le Monde Diplomatique” em sua versão espanhola,  publicado pela Folha de S. Paulo, sábado, 22 de fevereiro.

Ramonet fez uma análise dos acontecimentos venezuelanos e a nova tentativa de golpe de estado. O “golpe lento”. E descreve o passo-a-passo do golpismo.  A técnica do Manual, golpista.

“… Apesar de se haver unido sob a liderança de Henrique Capriles, a oposição perdeu quatro eleições consecutivas. Diante desse fracasso, sua facção mais direitista, ligada aos Estados Unidos e liderada pelo golpista Leopoldo López, aposta agora em um “golpe de Estado lento”. E aplica as técnicas do manual quanto a isso.

Na primeira fase: 1. Criar descontentamento ao tirar do mercado produtos de primeira necessidade. 2. Fazer crer na “incompetência” do governo. 3. Fomentar manifestações de descontentamento. E 4. Intensificar a perseguição pela mídia.

A partir de 12 de fevereiro, os extremistas ingressaram na segunda fase: 1. Utilizar o descontentamento de um grupo social (uma minoria de estudantes) a fim de provocar protestos violentos e detenções. 2. Montar “manifestações de solidariedade” aos detidos. 3. Introduzir entre os manifestantes pistoleiros com a missão de provocar vítimas de ambos os lados (a análise balística determinou que os disparos que mataram o estudante Bassil Alejandro Dacosta e o chavista Juan Montoya, em 12 de fevereiro, em Caracas, foram feitos com a mesma arma, uma Glock calibre 9 mm). 4. Ampliar os protestos e seu nível de violência. 5. Redobrar a ofensiva da mídia, com apoio das redes sociais, contra a “repressão” do governo. 6. Conseguir que as “grandes instituições humanitárias” condenem o governo por “uso desmedido da violência”. 7. Conseguir que “governos amigos” façam “advertências” às autoridades locais”.

A esquerda e a direita estão usando desta mesma técnica.

No entanto o Brasil não é a Venezuela. A economia vai bem. Os programas sociais avançam. Lula teve melhor relacionamento com G. Bush do que com Obama. A única desavença foi com o caso de espionagem, governo Dilma.

Mas a direita tem a mesma cara, seja na Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina. São antidemocráticos e inescrupulosos.

As manifestações são legítimas e benvindas. Tiram o país do marasmo.  Mexem com o governo. E promovem avanços democráticos.

Ameaçar com golpe é que é o grande problema.

A mídia será o STF durante uma semana.

bessinha_stf-globo_tvE foi adiado o julgamento do processo apelidado de “Mensalão”. Agora será no próximo dia 26 de Fevereiro de 2014. Á pedido do relator Luiz Fux.

Nos embargos os advogados dos cinco réus  – José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, José Roberto Salgado e Kátia Rabelo- pedem a absolvição do crime de formação de quadrilha.

Ontem, 20 de Fevereiro de 2014, foram ouvidos os advogados de defesas dos condenados.

Esse adiamento, proposital, tem um objetivo: pressionar dois ministros para que votem a favor da condenação.

São eles: Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki, sabidamente, pendentes a absolver os réus deste crime específico.

E quem exercerá  a pressão? A mídia.

Entregues à fúria dos meios de telecomunicações, eles sofrerão coação igual, ou superior, a que foi submetido o ministro Celso de Mello,  meses atrás, quando faltava seu voto para decidir se os condenados teriam ou não direito a um novo julgamento. Lembram-se? A foto de cinco atrizes globais de luto ficou marcada no imaginário.

No caso de Celso de Mello não funcionou, mas não custa nada tentar novamente, não é mesmo? Cada caso é um caso, calcula a imprensa hegemônica.

Então, jornais, noticiários, rádios, políticos da oposição, conservadores  colocarão todos os seus jornalistas, ancoras, repórteres, apresentadores, colunistas, fofoqueiros e demais bichos  para esse fim: manipular a opinião pública a favor da condenação. Colocando os dois ministros contra a parede. Encurralados.

A mídia será o Supremo Tribunal Federal até o dia 26.

E teremos outro final de novela. Bandido contra mocinho. O bem contra o mal.

Bem, se absolvidos os condenados  terão suas penas diminuídas substancialmente.

Mas esse não é o maior problema para os juízes do STF.

O processo 470, que Hildegard Angel chama de “Mentirão”, começará a ruir.  E sabe como é que é:  por onde passa um boi, passa uma boiada.

A tese de dinheiro público virá abaixo e com ela todas as outras, como peças de dominó colocadas de pé, em fileira.

Ministros já se precaveram contra este possível cenário,  Joaquim Barbosa à frente: caso os réus sejam absolvidos de quadrilha eles sairão incólumes do imbróglio. Afinal, pensam, tentaram fazer “justiça”, mas foram impedidos.

Barbosa, o mais preocupado com a imagem, continuará a ser o Batman dos conservadores, de parte da classe média e dos retrógados.

Não digo que ele será super-heroi  para sempre, pois essa “marola” da absolvição poderá se transforma num tsunami e aí… os vilões serão outros.

Abaixo reproduzo as argumentações dos advogados de defesa dos réus. Retirados do site do STF.

Fazer um contraponto é salutar para a democracia.

STF inicia julgamento de embargos infringentes na Ação Penal 470

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, na sessão desta quinta-feira (20), o julgamento dos embargos infringentes apresentados contra o acórdão da Ação Penal (AP) 470 quanto ao crime de formação de quadrilha. Após a leitura do relatório pelo ministro Luiz Fux, relator dos embargos, os advogados de cinco réus condenados pelo crime de quadrilha, previsto no artigo 288 do Código Penal (em sua redação anterior) – Delúbio Soares, José Dirceu, José Genoino, José Roberto Salgado e Kátia Rabelo – realizaram sustentação oral perante o Plenário da Corte. Eles apresentaram alegações e teses de defesa e pediram a absolvição de seus clientes, com base nos votos vencidos no julgamento da AP.

Delúbio Soares

O advogado Arnaldo Malheiros Filho defendeu o réu Delúbio Soares, condenado a 2 anos e 3 meses de reclusão, quanto à imputação do crime de quadrilha. Ele lembrou entendimento do ministro Cezar Peluso (aposentado) sobre o tema, segundo o qual pessoas que se associam para a prática de atividades lícitas como, por exemplo, na constituição de uma empresa, e no curso dessas atividades chegam a delinquir, agem em coautoria, e não em quadrilha. De acordo com Arnaldo Malheiros Filho, Delúbio Soares, José Genoino, José Dirceu e tantos outros “associaram-se com o fim de fundar um partido político, de conquistar o poder e conquistar o Brasil”. “Essa é uma atividade lícita em qualquer regime democrático”, disse, ao salientar que, se no curso dessa atividade lícita o Supremo decidiu que houve um crime, a defesa entende que esse crime não foi praticado por uma quadrilha.

José Dirceu

O réu José Dirceu, condenado à pena 2 anos e 11 meses de reclusão, foi defendido pelo advogado José Luis Mendes de Oliveira Lima. “No nosso entender, as provas produzidas na AP 470 não levam à condenação por crime de corrupção ativa, nem por crime de formação de quadrilha”. O advogado ratificou o que foi dito em agosto de 2012. Para ele, trecho do voto da ministra Carmen Lúcia resume ponto de vista que ficou vencido no Plenário, de que “as provas não demostram terem os acusados se organizado de forma criminosa, com estabilidade e permanência para o específico fim de cometer crimes, praticando o delito tipificado no artigo 288 do Código Penal”. Para o advogado, o Ministério Público banalizou o crime de formação de quadrilha. “Basta a acusação de alguns crimes, a presença de vários agentes e se coloca o crime de formação de quadrilha”, afirmou, ao salientar que não houve ajuste de vontades.

José Genoino

A defesa de José Genoino, condenado a 2 anos e 3 meses, argumentou que seu cliente foi condenado com base em suposições e indícios. Segundo o advogado Luiz Fernando Pacheco, em nenhum momento Genoino participou de associação de mais de três pessoas para a prática de diversos crimes, nem teve a intenção de formar uma sociedade de delinquentes. Conforme a defesa, desde 1980, juntamente com outros corréus na AP 470, ele participou apenas da formação de um partido político. Sustentou também que os núcleos político, financeiro e operacional jamais cogitaram formar uma associação para sobrevirem do crime resultante de sua associação.

José Roberto Salgado

A representante de José Roberto Salgado, que também pede a absolvição de sua condenação a 2 anos e 3 meses, argumentou que o cometimento de delitos reiteradamente não configura o crime de quadrilha, apenas concurso de agentes. Maíra Salomi sustentou, ainda, que além dos dirigentes do Banco Rural, o réu não conhecia os outros acusados pelo crime, tendo tido reuniões apenas com Marcos Valério e com o objetivo de cobrar dívidas. Segundo a defesa, não foi demonstrada pela acusação a existência de organização estável para cometimento de crimes.

Kátia Rabello

O advogado Theodomiro Dias Neto pediu a absolvição da ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello da imputação de formação de quadrilha, alegando que ela não foi comprovada. Sua cliente foi condenada à pena de 2 anos e 3 meses quanto a esse delito. A exemplo de advogados que o precederam, ele disse que, na imputação e condenação de Kátia Rabello, houve confusão na conceituação do crime de quadrilha (artigo 288 do Código Penal – CP), pois este teria sido confundido com o de concurso de pessoas (artigo 29 do CP). Alternativamente à absolvição, ele pediu que a Corte reveja a dosimetria da pena aplicada a sua cliente. Corroborou, nesse sentido, a alegação de outros advogados, de que, na exacerbação da pena pelo crime de quadrilha, a Corte foi muito mais rigorosa do que no agravamento das penas pelos demais crimes a que réus na AP 470 foram condenados.

A Globo não tem vergonha na cara.

logo da globoEssa Globo é patética.

Não acreditando no poder de discernimento da população produz matéria debochando dos brasileiros

Ora bolas! Pensam eles ( os marinhos e jornalista acéfalos) que o povo brasileiro é empregado sabujo de suas manobras e desejos.

No “Bom dia Brasil” de hoje (19/02/2104) colocaram reportagem sobre o jeitinho brasileiro. Mais propriamente a malandragem do nosso povo. Que reclama sobre corrupção, sonegação de impostos, esperteza e no fundo fazem o mesmo.

Entrevistando transeuntes incautos e imberbes no seu acreditar questionam:

-você é contra levar vantagem em tudo?

– Sim

Mas você nunca furou um fila?

E o entrevistado, pego de surpreso ou contratado, responde:  é, na verdade eu já furei fila. E fica com a cara de idiota.

Para outra:

– você é contra a sonegação de imposto de renda?

– Claro! Sou totalmente contra.

-Mas você nunca comprou um produto pirateado?

Responde a ingênua  ou contratada: já, então eu sou desonesta. E dá uma risadinha de cara de todos.

Entra no ar a entrevista com um economista: as pessoas cobram muito dos que devem muito imposto, mas se esquecem que os pequenos que sonegam pouco também comentem crime.

Volta ao estúdio. O ancora Chico Pinheiro diz: é…sonegar traz prejuízo para o povo brasileiro. Para a educação, pra saúde e etc. Esses pequenos atos causam danos de bilhões ao governo brasileiro. A ancora-feminina concorda, balançando a cabeça com aquela cara da pássaro de brinquedo, reafirma.

Estão protegendo os patrões descaradamente. Sem nenhum constrangimento ou escrúpulo.

A Globo deve R$ 1 bilhão em impostos. Não paga. E não vai pagar. É o ditado: Devo, não nego. E não vou pagar. E acabou.

O problema maior é tirar sarro dos brasileiros.

É um atentado terrorista o que essa emissora vem fazendo. Caso de polícia.

Não satisfeita requenta uma matéria sobre o Programa “Minha Casa, Minha Vida” mostrando casas e ruas com rachudaras e com erosões.  As mesmas três casas mostrada a questão de um mês, porém quando fala do problema dá uma panorâmica em todo loteamento. Ou seja, transforma um caso pontual em geral. O programa não presta.

Assim como tentaram fazer com o “Mais Médico”.  Uma qualquer desiste então,  o todo não presta.

 Se fosse assim a Globo estaria fechada a tempos.

Pergunto: o governo federal tem medo do quê? Por que não tomam providencias?

 Ou a política é um mundo para poucos iniciados? Faça mil favor!

Lei da mídia. Urgente.

Paralelo entre as manifestações no Brasil e na Venezuela.

protestos na venezuelaA Venezuela vem enfrentando manifestações de ruas. Reclamam da insegurança, inflação, corrupção, desabastecimento, saúde e etc…

A imprensa diz: falta até papel higiênico. Como se fosse o fim do mundo. A espiga de milho deixou de ser utilizada faz uns 70 anos, talvez. E ninguém reclamava. Sei, os tempos mudaram.

Bem, pelo simples uso do exemplo acima o governo Nicolas Maduro soube quem estava por trás das manifestações. Os mesmos conservadores-burgueses. Com interesses, não próprios. Mas de empresas. Norte-americanas. Ávidas por abocanhar o maior filão da riqueza do país.

E pra que isso aconteça eles contam com a esperteza de cidadãos venezuelanos ricos, poderosos, vendáveis e inescrupulosos. Se milhões serão postos na pobreza não dói em suas carcomidas mentes. É apenas efeito colateral. Essa conta não importa aos reacionários.

Se a Venezuela ficar eternamente submissa ao grande irmão do norte, não há problema, desde que essa pequena minoria continue gozando de seus privilégios.

E essa mesma submissão é proposta de governo de Fernando Henrique Cardoso e trupe (Serra, Alckmin, Aécio, Marina, Eduardo).

E o que isso implica? Vejam o que disse Henry  Kissinger, ex-secretário estadunidense, a respeito dos países dependentes: “os recursos naturais dos dependentes pertencem aos países desenvolvidos”. Simples assim.

Algo mudou do pensamento dos americanos em relação aos sul-americanos? Alguém acredita que sim?

O presidente venezuelano, acostumado a conviver com sucessivas tentativas de golpes, agiu com rapidez. Identificou o grupo manipulador dos protestos. Quanto era pago aos baderneiros de lá, por dia de trabalho. E os diplomatas yankees envolvidos.

Tomou suas providências. Expulsou os filhotes do Tio Sam. Chamou o opositor a dar explicações. Convocou seus apoiadores a irem para a rua também. E prometeu atender as reinvindicações.

Maduro não é um ditador. Ele foi eleito democraticamente. A imprensa de lá fala em povo como se fosse a totalidade da nação a pedir a sua saída. O que não é verdade. Há o outro povo que o apoia. O que votou nele.  Aí reside o problema e o perigo.

Num paralelo com Brasil, também tivemos nossas manifestações. As exigências? Praticamente as mesmas. Saúde, educação, segurança, corrupção… A repressão policial foi brutal. Bala de borracha, gás, bombas de efeito moral, cassetetes, spray de pimenta.  Coisas de governos estaduais.

Então grupos se organizaram, aos moldes europeus,  e passaram a reagir violentamente.

Isto o ano passado. E dias depois já se falava que essas pessoas eram pagas. Havia  estrangeiros insuflando.  E o governo brasileiro não tomou nenhuma providência.

E agora e só depois da morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade, a verdade vem à tona. Há pessoas pagas para provocar badernas. São alimentados. E tem liderança, que antes negavam. E o tal de sem partido, foi por água abaixo.

E o “nãovaitercopa”, como fica Eduardo Cardoso, ministro da justiça? É terrorismo o que estão fazendo. Mandou investigar para descobrir quem é o mentor do ato? Ou vai ficar de braços cruzados?

A situação da Venezuela está mais para o Brasil da época de José Sarney presidente, década de 80.

Fiscais do Sarney a fechar supermercados. Hiperinflação, 1700% ao ano. Congelamento de preços. Desabastecimento. Faltava papel higiênico, também.  A polícia federal foi posta a laçar boi em pasto. Desemprego. Arrocho salarial.

E os ricos? Se locupletando na especulação. E o povo pagando o pato.

No entanto essa comparação só é valida se for verdade o que a nossa mídia por aqui anda noticiando  a respeito das razões venezuelanas.  

É notório: a imprensa daqui mente, manipula e distorce informações. Trabalha descaradamente pela derrubada do governo Dilma.

O cenário desejado pelos meios de telecomunicações é de cataclismo.

Um Brasil à beira da falência. Inflação em alta. Queda do consumo. Saúde e educação falidas. Insegurança. Corrupção em alta.

Apostam na ignorância da população para atingir seus objetivos.

Assistam o telejornal “Bom dia Brasil”, da Globo, a mesma que deve R$ 1 bilhão em impostos, com olhos críticos e tirem suas conclusões.

Há saída? Sim, o aeroporto. Piada da era Sarney

Mas, índices após índices esses meios de comunicação são desmentidos.

Miriam Leitão, apelidada de urubóloga, não sabe mais o que fazer e que infográfico elaborar para confirmar o desastre brasileiro.

As manifestações no Brasil foram deturpadas, direcionadas e englobadas pelos de sempre.

Se a policia for truculenta os manifestantes também serão. É o instinto de autodefesa. Era o que acontecia em protestos de vinte, trinta, quarenta, cem  anos atrás.

Como disse Lula: os nossos jovens querem mais. Essa é a leitura.