Dilma Rousseff é honesta. Não há nada que temer sobre a refinaria.

refinaria pasadenaComo escreveu Cláudio Lembo, em um de seus artigos: “Nada é linear na vida social dos brasileiros. Vai-se aos trancos e barrancos sem qualquer preocupação com a sensatez. O brasileiro é pautado pelos jornais televisados. Especialmente, os das grandes redes.

O âncora falou, é verdade. Falta senso crítico. Os debates – os poucos que ainda existem – são conduzidos por coordenadores engajados. Nada de democracia. Sempre monocórdios”.

Por isso que qualquer notícia, qualquer mesmo,  partindo dos grandes meios de comunicação temos que desconfiar. Ficar com um pé-atrás. Duvidar sempre. Se não corremos o risco de nos tornarmos massa de manobra dos interesses de poucos.

Manipulando a notícia, mais desinformam  que informam. Jogando com dois momentos diferentes da economia eles embaralham dados. É um balaio-de gato.

É o caso da compra da refinaria de Pasadena, EUA, pela Petrobrás.

Segundo saiu nos telejornais. A Petrobras  pagou US$ 360 milhões por 50% da refinaria. Um ano antes a Astra Oil teria adquirida a mesma por US$ 42,5 milhões.

Quem vê estas informações de bate-pronto achará um absurdo. Incompetência ou corrupção. Ou os dois. Ficar com raiva e nojo dos atuais governantes.

E com razão. Pois, a imprensa inescrupulosa não informou corretamente o que se passou na aquisição da refinaria.

Omitiu a notícia de que a sócia da empresa investiu US$ 84 milhões. Que o mercado oscilou para mais em 2006. O óleo pesado valorizou. Que a Petrobrás tinha como estratégia compra de refinarias para processamento de óleo pesado, desde 1999. Que a crise de 2008 mudou as estratégias empresariais. A descoberta do pré-sal no Brasil. Que a refinaria está em pleno funcionamento. Dando lucro. E pouco destaca como funciona esse mercado no mundo.

Sem essas outras informações o cidadão fica impossibilitado de formar a sua própria opinião. Engole a que a imprensa quer.

Em entrevista a Paulo Henrique Amorim Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás que comprou a refinaria, esclarece a transação e quando questionado  sobre se o preço pago pela refinaria foi acima do mercado diz: “Foi abaixo do preço de mercado, pela capacidade de destilação. Nós compramos a refinaria, os primeiros 50% da refinaria, por 190 milhões de dólares, por 50 mil de barris por dia de capacidade de refino, portanto, pagamos 3.800 dólares por barril destilado dia.

A média das operações de 2006 é de 9.478 dólares. Portanto, a refinaria de Pasadena foi comprada, em termos de destilação, abaixo da média do preço na compra de refinarias em 2006. O que está sendo confundido é que, além disso, a Petrobras também adquiriu estoques de petróleo e derivados, que foram processados e foram vendidos. Isso levou dos 190 milhões, para os 360 milhões, pelos 50% iniciais.

Os 50% finais, que são fruto de um processo de contestação judicial e arbitral mútuo, tanto da Petrobras como da Astra [sócia da Petrobras no negócio], foram adquiridos por 296 milhões de dólares. Portanto, 296 milhões, mais 190 milhões dá 486 milhões de dólares por 100 mil barris de capacidade de processamento. 4.860 é menos ainda do que a média de aquisições em 2006 que foi de 9.478 dólares por barril em capacidade de refino.

Portanto, volto a dizer, em termos de capacidade de refino, o negócio foi muito bem, dentro da conjuntura de mercado de 2006. Além disso, a Petrobras comprou estoques, e pagou por garantias bancárias, para as transações comerciais. Isso quer dizer que o valor total que a Petrobras pagou não pode ser todo atribuído à refinaria. Tiveram estoques, que foram processados, vendidos e que geraram faturamento. Por uma linha muito simples, a Petrobras faturou nesse período o equivalente – se fizermos a suposição de que ela operou com 70% da capacidade, ela processou 70 mil barris por dia, um processamento de 70 mil barris por dia, mesmo que não tenha margem nenhuma, a preço igual ao petróleo Brent – da um faturamento de 16 bilhões de dólares.”

E se foi um bom negócio a aquisição explica Gabrielli: “Foi um negócio absolutamente normal, no período em que foi realizado. Qual é esse período? Um período em que as margens das refinarias nos EUA estavam muito altas; que comprar refinarias com baixa capacidade de processar petróleo pesado era bom; em que nós tínhamos expectativa de crescer na nossa produção de petróleo pesado; e que nosso mercado de derivados estava estagnado desde 1998.Era uma estratégia que estava definida desde 1999.

Desde 1999, a Petrobras definiu como estratégia aumentar a capacidade de refino no exterior uma vez que a visão que se tinha naquela época era de que o nosso mercado não ia crescer. Portanto, não deveríamos crescer no número de refinarias no Brasil. Situação completamente diferente da de hoje, quando o mercado brasileiro é um mercado crescente no consumo de derivados; precisamos crescer no número de refinarias no Brasil; e que nós começamos a produzir, depois do pré-sal, petróleo leve. Portanto, é uma mudança que aconteceu no mercado, no mundo, e no Brasil”.

São informações que meios de telecomunicações imparciais e éticos não omitiriam. Que jornalistas zelosos de sua profissão não guardariam para si.

O mesmo Sérgio Gabrielle deu entrevista, recentemente, para GLOBO onde esclarece, outra vez,  todos os pormenores da compra.

E diz o mesmo que  disse ao PHA, em 2013.

Porém o que colocaram no ar foi uma aberração jornalística. Edição maldosa. Totalmente descontextualizada e com objetivo cínico: tentar colocar o Sergio em rota de colisão com a Dilma Rousseff. Repetiram o que fizeram no último debate Lula X Collor, em 1990. Sem vergonha nenhuma.

Assistam a entrevista completa aqui.

Talvez a  Dilma tenha se precipitada ao emitir a nota dizendo desconhecer duas cláusulas do contrato. Que  o relatório executivo era falho( Aonde estava o Secom numa hora dessa?). É nisso que a imprensa está deitando e rolando.

Para se resolver as coisas tem que ter calma. Não se afobar.

A Dilma Rousseff é honesta, isto poucos podem duvidar. Então pouco há de se temer.

Além do quê o contrato foi discutido e aprovado por um conselho. Gente tarimbada.

Entre eles destaco as seguintes pessoas:

Fabio Barbosa, presidente da Editora Abril, Claudio Luiz Haddad, economista e empresário, Jorge Gerdau Johannpeter, do grupo Gerdau.

A imprensa brasileira presta desserviço à nação. Por isso a regulamentação da mídia se faz necessária. Só temos o contra-ponto  graças a abnegados jornalistas  e aos blogs.

É pouco para a um país que se diz democrático.

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