Manchetes e notícias dos aúreos tempos do FHC-PSDB

Pra quem não se lembra, não viveu ou quer reviver os Tempos de Fernando Henrique Cardoso. O que criticava o próprio governo como senão fosse ele o presidente do Brasil.

Algumas reportagens são umas pérolas.

O nome da Petrobras mudar para PetrobraX, o X remete remete a tecnologia. Aí Eike Batista. O “brás” esta associado a monopólio, a interferência, é de difícil pronuncia em inglês e espanhol. Não dá pra vender assim, não é mesmo? Seria um “cicatrucure” pronunciado pela Marília Gabriela, na propaganda do produto.

FHC tirando da reta, mais uma vez, e já colocando a culpa no próximo governante. É muita cara-de pau.

Bem,  apreciem a volta ao passado. Extraído do sítio “http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/05/26/tem-saudade-do-fantasma-fhc-lembra-do-que-ele-fez/”.

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Este era o país governado por Fernando Henrique Cardoso. Por isso a propaganda do PT foi impactante. Ela trouxe à memória esses tempos  do neoliberalismo desenfreado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CNBB emite nota de repúdio contra decisões de Joaquim Barbosa.

cnbbFriedrich Nietzsche (1844-1900) chamava  o filósofo Eugen Duhring (1833-1921)de anarquista, pelo simples fato deste último julgar que a origem da justiça se encontra no RESSENTIMENTO E NA VINGANÇA. O que para Nietzsche é uma característica anarquista.

Pois bem, se vivo fosse, o autor de “Assim falou Zaratustra”, não tenho dúvidas em afirmar, consideraria o ministro Joaquim Barbosa, do STF,  também um anarquista. E não só um simples anarquista , mas um anarquista radical.

E pelas mesmíssimas  razões que assim classificou Eugen:   RESSENTIMENTO E VINGANÇA.

Porque não há outra explicação, que não seja o de ressentimento e vingança,  para explicar as atrocidades cometidas pelo supremíssimo  no processo 470, o alcunhado mensalão.

Notadamente  contra os que foram condenados ao regime semi-aberto. Proibindo que estes saiam para trabalhar. E cancelando este direito a quem já exercia atividade externa.

Segundo advogados, juristas  e ministro do STF, Joaquim está errado na interpretação dos artigos 35, 36 e 37 da Lei de execuções Penais.  Digamos, ele está misturando alhos-com-bugalhos.

Não dura uma sessão do plenário do Supremo.

Contra essa aberração do presidente do STF a CNBB emitiu uma nota, que reproduzo na íntegra abaixo.

As decisões proferidas pela Presidência do Supremo Tribunal Federal sobre a execução da Ação Penal 470 (mensalão) que têm suscitado críticas e preocupações na sociedade civil em geral e na comunidade jurídica em particular, exigem o inadiável debate acerca das situações precárias, desumanas e profundamente injustas do sistema prisional brasileiro.

A Pastoral Carcerária, em recente nota, referiu-se à Justiça Criminal como um “moinho de gastar gente” por causa de decisões judiciais que levam a “condenações sem provas” e “negam a letra da lei” com “interpretações jurídicas absurdas”. Inseriu, neste contexto, a situação dos presos da Ação Penal 470 ao denunciar o conjunto do sistema penitenciário, violento e perverso, que priva os apenados “dos cuidados de saúde e de higiene mais básicos” e carece de políticas públicas para sua inserção no mercado de trabalho.

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo vinculado à CNBB, soma-se à Pastoral Carcerária e “repudia” o conteúdo destas decisões, bem como a política de encarceramento em massa, que penaliza especialmente negros e pobres, com inúmeras práticas cruéis, estendidas aos familiares e amigos dos presos, como a “revista vexatória”, atentado direto à dignidade humana.

A independência do Poder Judiciário somente realiza a necessária segurança jurídica em sua plenitude, quando viabiliza sem obstáculos o amplo direito de defesa e a completa isenção na análise objetiva das provas. Ela é imprescindível na relação do Judiciário com os meios de comunicação, não se podendo confundir transparência nos julgamentos com exposição e execração pública dos réus.

A CBJP tem a firme convicção de que as instituições não podem ser dependentes de virtudes ou temperamentos individuais. Não é lícito que atos políticos, administrativos e jurídicos levem a insuflar na sociedade o espírito de vingança e de “justiçamento”. Os fatos aqui examinados revelam a urgência de um diálogo transparente sobre a necessária reforma do Judiciário e o saneamento de todo o sistema prisional brasileiro.

A propaganda do PT: impactante porque foi verdadeira.

 

Não há como negar: a propaganda do PT sobre a “Volta ao Passado” foi impactante.

Impactante porque foi verdadeiro.

Impactante porque trouxe o que poderia ter sido o futuro de muitas famílias e de trabalhadores se se mantivesse os tucanos no poder.

É a mãe, é o pai, são os filhos se vendo num espelho imaginário de um não distante passado.

Um passado embriagado por neoliberais.

Do levar serviço para casa. Das horas extras ensandecidas.

Do just-in-time.  Da reengenharia. Do controle de qualidade tresloucado. Do lucro acima de tudo.

Do arrocho salarial. Do desemprego. Da miséria. Dos saques. Do catar no lixo a comida do dia-dia.  Do viver como bicho.

Da especulação. Do ser velho aos 35 anos. O do se tornar retirante. O de ser chamado de vagabundo.

O dever o filho morrer de desnutrição. Do esperar o bolo crescer, para depois repartir.

Dos 45% de juros. Da jogatina dos investidores estrangeiros.

Da perda do auto-respeito.  Do assumir-se vira-lata. Do tudo aceitar, sem poder brigar.

Do culto ao deus Mercado. Nele tudo podemos. Ele irá nos redimir.

Da Regina Duarte e seu “tenho medo, se o Lula ganhar”. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.  O do não olhar de frente. Do engenheiro vendendo coco na praia.

Do querer estudar e não ter como, nem onde. Da falta de perspectiva. Da falta de escola. De nenhuma faculdade construída. 

Da constante ameaça de crise. Do apagão.  Da inflação. O do vender empresas. O de dar riquezas naturais.

De Fernando Henrique Cardoso reclamando do próprio governo. O que atrapalha é o povo.

Da compra do congresso. Da reeleição. Do  sucateamento de patrimônio. Da impunidade deslavada. Das negociatas. Do plano real. Da apropriação de autoria. Da imbecilização oportuna de políticos.

Tudo veio à lembrança em poucos minutos da propaganda.

E da nova ameaça.

De Aécio e suas medidas impopulares. Impopulares contra quem? Contra os grandes investidores? Banqueiros?  Grandes empresários?

Do Armínio Fraga, da dupla nacionalidade, yankee-brasileiro, afirmando que o salário está muito alto.

Do jornalista reclamando que qualquer pobre tem  carro.

Da jornalista mal dizendo os aeroportos por ter pobre voando. Uma rodoviária.

Dos médicos fazendo oposição ao programa Mais Médico.  De FHC reclamando do Mercosul. A união do Pacífico, liderada pelos EUA, é que é boa.

Fez algo que favorece pobre é demagogia, populismo, caudilhismo. Fez pra rico, é doutor, especialista, phd.

O Brasil superou grave crise mundial. O país só tem indústria porque vende para sulamericanos. E agora africanos. Ou alguém acha que os países ricos compram micro-ondas , máquina de lavar, geladeira, ventilador, carro e outras coisas mais do Brasil?

Há graves problemas. Inúmeros problemas. Mas de alguma forma as mudanças, ainda modestas, forma feitas ou encaminhadas.

Lula e Dilma tiraram á nação do ostracismo internacional. Do apenas futebol, samba e mulher.

Voltar ao neoliberalismo  é retroceder.  E muito. Somos um país pobre. Não são os que defendem os ricos, e ricos são,  que irão resolver os entraves sociais.

A mídia deseja o caos. Só conseguiu reeditar a Marcha da Família. Contra fatos, não há argumentos. Os índices sociais e econômicos estão aí para confirmar.

Manual de auto-ajuda para 2014.

pmlExcelente artigo de Paulo Moreira Leite intitulado “Manual de auto-ajuda para 2014. Dez conselhos que resumem o cúmulo do puxa-saquismo num ano eleitoral”.

È ler e se deliciar com os itens. Eles servem tanto aos puxa-sacos, conservadores, reacionários e interessados em ver o “circo-pegar-fogo” como também aos que se opõem aos ditames unissono da mídia e seus interesses escusos.

 

Seguem dez conselhos para jovens profissionais em busca de promoção em 2014. A regra é separar o joio do trigo e ficar com o joio. De grande utilidade para quem faz carreira em empresas de consultoria, busca colocação em organismos internacionais, ONGs de nome exótico e muitos recursos do mercado financeiro e, é claro, redações.

 

1.Quando, numa digressáo histórica, falar sobre o esquema de corrupção na gestão de Celso Daniel em Santo André, não diga que os grandes empresários de ônibus da cidade pagavam propina a prefeitura do PT. Diga que os coitadinhos eram “extorquidos.”

 

2. Quando mais uma vez Paulinho da Força xingar Dilma Rousseff , evite mencionar levantamento da Vox Populi que mostra as intenções de voto entre os filiados ao Sindicato dos Metalúrgicos de S. Paulo, principal entidade da Força Sindical. Dados de março mostram vantagem Dilma sobre  Aécio na base de  2,7 a 1. Contra Eduardo Campos,  a vantagem é de 8,3 a 1.

 

3. Quando falar da megalomania de Lula que trouxe a Copa do Mundo para o Brasil, esqueça de mencionar que Fernando Henrique Cardoso tentou trazer a Copa de 2006 para o país – e caiu fora nas eliminatórias.

 

4. Quando falar da falta de confiança dos investidores internacionais, não deixe de mencionar a Economist e o Financial Times. Lembre a agência que rebaixou o Brasil. Só evite dizer que entraram 64 bilhões de dólares em investimento direto no país em 2013, contra US$ 32,8 bilhões em 2000, o melhor ano do governo FHC.

 

5. Quando falar de medidas impopulares, evite lembrar que a austeridade fez o desemprego europeu pular de 8% para 11,9% depois de 2008. No mesmo período, no Brasil, o desemprego caiu dos mesmos 8% para 5,1%.

 

6. Quando falar que a inflação está fora de controle evite mencionar que ela cresceu 9,2% em média no governo FHC, contra 5,9% depois da posse de Lula. (O pior ano do periodo foi 2003, que trazia a herança de 2002).

 

7. Quando engrossar a voz para falar que é preciso elevar a taxa de investimento, evite mencionar que ele cresceu 1% ao durante o governo do PSDB e 6,1% durante o governo do PT.

 

8. Ao mostrar simpatia pelos protestos anti-Copa, não pare de denunciar a falta de verbas para a  Educação, embora os gastos fossem de R$ 37, 1 bilhões 2002 e tenham chegado a  R$ 112,3 bilhões em 2013. 

 

9. Quando falar da eleição em Minas Gerais, evite lembrar que o atual candidato tucano ao agoverno, Pimenta da Veiga recebeu R$ 300 000 das agências de Marcos Valério. É seis vezes mais do que o deputado do PT João Paulo Cunha, primeiro condenado da AP 470. Por receber R$ 296 000, que jamais admitiu ter guardado para si, Henrique Pizzolato pegou 12 anos de prisão no STF  e hoje está foragido e preso na Itália. Não deixe de mencionar as supeitas contra o deputado André Vargas, do PT, quando falar da operação Lava-Jato. Ignore que Luiz Argolo, de um partido que se aliou a Aécio, é o único parlamentar apanhado quando negociava pagamento em $$$ com o doleiro Yousseff. 
10. Quando lamentar o crescimento brasileiro de 2,3%, evite mencionar que o México cresceu 1,1% e que a celebrada recuperação americana ficou em 1,9%.  A Espanha enfrentou uma recessão de 1,2 negativos, a Italia ficou em 1,9 negativos também. O melhor crescimento europeu foi a Inglaterra, 1,8%. Elogie Angela Merkel sem mencionar que a  Alemanha parou em 0,5%.

ANTI-COPA, ANTI-ELEIÇÃO & ANTI-JORNALISMO

protesto metalurgicoReproduzo texto de Paulo Moreira Leite:
ANTI-COPA, ANTI-ELEIÇÃO & ANTI-JORNALISMO

Havia mais gente num ato do Planalto para anunciar condições de trabalho na Copa do que na maioria dos protestos anti-Copa

Só é possivel entender a importância atribuída pelos meios de comunicação aos protestos anti-Copa, ontem, como parte do esforço para colocar o govenro Dilma na defensiva quando faltam cinco meses para a eleição presidencial. É isso e só isso.

Na maioria dos protestos realizados do país, havia menos gente do que no Palácio do Planalto, às 15 horas da tarde de ontem, quando o governo, entidades patronais e as centrais sindicais – inclusive a Força Sindical – assinaram um acordo pelo trabalho decente durante da Copa do Mundo. A luta pelo “trabalho decente” é uma campanha da Organização Internacional do Trabalho e o evento ocorreu nessa perspectiva.

Você pode achar burocático. Mas veja as consequencias práticas.

No final do dia, em Brasília, grandes redes de alimentação e hoteis – estamos falando de Mac Donalds e Habibs, Accor, por exemplo – haviam firmado um acordo que, soube depois, era inédito no mundo.

Um total de 1600 empresas (o plano é chegar a 6000 nas próximas semanas), que empregam alguns dezenas de milhares de trabalhadores, firmou um compromisso para a Copa. Reforçar direitos trabalhistas, criar formas legais de evitar que trabalho temporário seja sinônimo de trabalho precário e impedir o avanço da exploração sexual de crianças e adolescentes, tão comum em situação desse tipo.

Sabe a preocupação social? Sabe aquele esforço para impedir que a Copa transforme o país num grande bordel? Pois é.

Você pode até achar que tudo isso é café pequeno diante das imensas causas e carências do país. É mesmo. Também pode se perguntar para que falar de iniciativas modestas, limitadas, quando a rua arde em chamas de pneus revolucionários.  

São, definitivamente, iniciativas menos que reformistas, para falar em linguagem conhecida. Populistas, para usar um termo típico de quem não tem voto nem consegue comunicar-se com o povo. Eleitoreiras, é claro. Mas eu acho que os fatos de ontem ensinam muita coisa sobre o Brasil de hoje.

A menos que se acredite  que em 2014 o Brasil se encontra às portas de uma revolução, numa situação que coloca questões econômicas como a expropriação dos meios privados de produção e criação de uma república de conselhos operários e populares, convém admitir que nossos meios de comunicação resolveram construir um embuste político em torno dos protestos e apresentar manifestações de rua fracassadas como se fosse um dado politicamente relevante, digno de muita atenção.

Não seja Ney Matogrosso: conheça os dados. Entre no debate real.

Veja quem defende, a portas fechadas, as “medidas impopulares”. Quem já se rendeu ao capital financeiro e quer entregar o Banco Central – istoé, a moeda dos brasileiros – aos  mercados, para que possam jogar com ela, especular, comprar e vender. Não acredite na lorota de austeridade, de defesa da moeda acima da política e dos interesses sociais em eterno conflito. O que se quer é mais cassino em vez de mais salário mínimo. (Quase rimou…)

No cassino está o filé – que é sempre para poucos. E quando alguém falar no exemplo dos países desenvolvidos, recorde: no marmore da entrada do FED, o BC americano, está escrito que a instituição tem dois compromissos – defender a moeda do país e o emprego dos cidadãos. Lá, no coração do capitalismo, o BC tem essa função – ou missão, como dizem os RHs de hoje em dia. Toda luta pela independência do Fed consiste em lutar para revogar o compromisso com a defesa do emprego.

Numa conjuntura pré-eleitoral todo cuidado é pouco. Cada rua interrompida, cada pedrada, cada confronto desnecessário com a polícia e cada pequena labareda representa um desgaste das instituições políticas construídas democraticamente no fim da ditadura militar. O  que se pretende é atingir um governo que toma medidas parciais mas concretas em defesa da maioria e favorecer uma restauração conservadora. O capítulo final do embuste — por isso é embuste — é este. Criar uma imagem, um borrão, um ruído, que embaralhe o debate da eleição.

No país real de 2014, as alternativas são duas. E todos sabem quais são.  E é por causa delas que a revolta polilcial do Recife, ontem, recebeu o tratamento de um episódio menor e passageiros, não é mesmo?

Ocorrem protestos relevantes que, curiosamente, não foram divulgados nem explicados. Na região Sudoeste de São Paulo, ontem, os trabalhadores cruzaram os braços em seis empresas. Mais tarde,  avançaram por uma das pistas da Via Anchieta e fizeram uma passeata por  por meia hora. Olha a falta de charme radical-televisivo dessa turma. Olha o tédio concreto de suas reinvindicações. A monotonia. Não vai ter vidro quebrado?

Certíssimo.

Ligados a industria de auto-peças, os trabalhadores querem a manutenção do IPI que ajuda a vender automóveis, até hoje o setor da industria que possui a cauda mais longa na produção de empregos diretos e indiretos. No país real, onde vive a maioria dos brasileiros, uma das prioridades é e sempre foi esta:  emprego, que permite pagar a conta do fim do mes.

A reivindicação dos metalúrgicos não era improvisada. E nada tem a ver com anti-Copa, movimento que ignoram porque gostam de futebol, não querem perder a oportunidade de torcer pela seleção brasileira em seu próprio país. Também  admitem que os empregos que a Copa criou ajudaram  no orçamento de amigos, parentes e vizinhos.

Os sindicatos querem sentar com os empresários e o governo para discutir medidas que a CUT e a Força Sindical trouxeram da Alemanha, onde esiveram recentemente. Naquele país, onde trabalhadores, empresas e governo repartem custos que ajudam a manter o emprego mesmo nas situações em que a economia esfria – esse tipo de pacto é um dos motivos que explica a  vitória eleitoral de Angela Merkel, que não aplica contra seu povo a política de austeridade que exige dos países mais fracos da União Européia.  

No mundo real, vivemos a época do capitalismo rastejante, como definiu um dos dirigentes políticos de minha juventude. Cada emprego é uma epopéia, todo benefício social é um suadouro, garantir um horizonte de segurança para a família é uma utopia.

O que nossos conservadores mais reacionários pretendem é  um confronto com todas as armas – inclusive o embuste — com um governo que, com todos os limites, falhas e  alguns erros clamorosos, tem conseguido aliviar o sofrimento dos mais pobres.

Numa fase da história em que a desigualdade se amplia na maioria dos  países, gerando uma situação social e econômica que bons estudiosos indicam como caminho seguro para novas catástrofes, o Brasil conseguiu avançar na direção contrária. O plano era fazer o país virar  uma Grécia. Virou… o Brasil.

Vamos lembrar de 1964. Num país polarizado, com um governo que havia chegado no limite possíve, a revolta dos sargentos, e  dos cabos, a radicalização dos camponeses, a campanha sistemática de denuncia dos políticos e do Congresso envolvia causas justas e corretas – mas seu efeito real foi abrir caminho para o golpe de Estado e uma derrota de 20 anos.

Lembrem de 1933, na Alemanha. Convencido de que havia chegado a   hora do assalto ao poder, o Partido Comunista Alemão, orientado por Josef Stalin, estimulou uma política sectária de denúncia da social-democracia. Rompeu a unidade dos trabalhadores e passou a acusar os social-democratas de social-fascistas. O saldo foi Hitler – uma derrota que só seria revertida pela II Guerra Mundial.

A historia mudou bastante, de lá para cá. Mas convém entender que algumas lições  permanecem.

Direito ou errado, caso de amor e ódio.

jose dirceuAinda sobre o ódio de JB em cima de José Dirceu, reproduzo texto de Jânio de Freitas

Direito ou errado

Por Janio de Freitas, na Folha.

Cassadas as licenças de trabalho aos condenados do mensalão, Barbosa vai ter de cassar todas as outras

Quem tenha interesse, seja para o futuro eleitoral ou por outros propósitos, na permanência do “caso mensalão” como assunto incandescente na opinião pública, a mais recente decisão do ministro Joaquim Barbosa soa como melodia. Não só por manter José Dirceu preso em regime fechado. Sobretudo, isso sim, pelo fundamento invocado, que assegura novos embates de grande repercussão. Aliás, com o próprio ministro Joaquim Barbosa como personagem central.

O início da fermentação não tarda. Joaquim Barbosa entende, contrariamente ao adotado pela Justiça brasileira, que condenados ao regime semiaberto devem cumprir um sexto da pena em prisão fechada. Cassadas por isso as licenças de trabalho externo dadas a Romeu Queiroz e a Rogério Tolentino, e negada a licença a José Dirceu, até para não ser incoerente Joaquim Barbosa deverá cassar todos os outros já com trabalho externo. É uma fileira de nove.

Aí está uma ideia da movimentação de recursos a ocorrer em breve. Já nos próximos dias, porém, um dos mais importantes dentre eles, senão o mais, será encaminhado pelo advogado José Luis Oliveira Lima: com um agravo regimental, ele vai requerer que sejam submetidas ao plenário do Supremo Tribunal Federal a interpretação de Barbosa e as consequentes prisões fechadas de condenados ao semiaberto.

Oliveira Lima não tem motivo para contar com o atendimento à sua providência: o presidente do STF tem negado todos os seus recursos. Mas, de uma parte, desta vez a recusa tenderia a gerar um problema no Supremo. E, de outra parte, caso prevaleça, não há dúvida de que Oliveira Lima leve ao Conselho Nacional de Justiça um recurso com questionamentos amplos.

A divergência suscitada por Joaquim Barbosa precisa mesmo de uma solução definitiva, que não pode ser determinada por ele só. Prevalece em toda a Justiça, seguindo decisão já antiga do Superior Tribunal de Justiça, o entendimento de que a Lei de Execuções Penais se refere aos condenados a regime fechado ao dizer que, para passar ao regime semiaberto, é preciso ter cumprido um sexto da pena (o semiaberto consiste em saída para trabalhar e recolhimento à prisão ao fim do expediente, se atendidas condições como boa conduta, aprovação do emprego, e outras).

Joaquim Barbosa considera que aquela lei determina regime fechado, durante um sexto da pena, mesmo para os condenados ao semiaberto. Parece claro que, se assim quisesse, a lei o diria, entre tantos dos seus pormenores. E não se justifica que seja feita ao condenado a regime semiaberto, mediante as condições explicitadas, a mesma exigência feita ao condenado a regime fechado, de reclusão total durante um sexto da pena para receber o direito ao semiaberto. Sentenças ao regime semiaberto e ao fechado têm pesos diferentes, logo, seus cumprimentos não podem ser idênticos. O Direito não é tão errado.

Quem mais deseje se beneficiar com a reprise fique ao menos prevenido de que, ao final, talvez conclua não ter sido boa ideia.

 

Disseminação do ódio e o linchamento do Guarujá, São Paulo.

linchadaOutro linchamento ocorreu essa semana. Fabiane Maria de Jesus foi a vítima.

Rio de Janeiro. Postaram a foto de uma mulher praticante de magia negra e que sacrificava crianças em oferenda ao demônio.

São Paulo, Guarujá. Uma senhora, saindo da igreja, com a bíblia debaixo do braço, era muito parecida com a pessoa do retrato, alguém achou. Rapidamente de um fez-se uma turba. Sem titubear começou a sessão espancamento. Fizeram justiça com as próprias mãos.

Apesar de socorrida por policiais, a mãe de dois filhos veio a falecer.

Morreu mais uma inocente, vítima da fúria e do ódio que, irresponsavelmente, alguns profissionais da mídia disseminam.

Já escrevi sobre evento igual a este em outro artigo, intitulado “Rachel Sheherazade e Jair Bolsonaro, dois irresponsáveis”.

Fui chamado de imbecil, etc e tal, por pessoas que não acreditam no poder dos meios de comunicação ou são cegos mesmo.

Pessoas que dizem não se influenciar pela mídia, no entanto compram penduricalhos – na maioria das vezes sem necessidade – que a propaganda instiga a comprar. O estar na moda, para ser mais exato. Ou alguém acha que empresas gastam milhões em publicidade pra nada?

Se influência gestos simples, como comprar um celular, imaginem os complexos, como a violência.

No Brasil Urgente, do Datena, ele deu a noticia sobre este episódio à exaustão.

Em certo momento ele lembrou sobre o poder da internet de moldar comportamentos. De formar opiniões.

Uma terra de ninguém, sem leis. O rádio, os jornais a televisão já tem regulamentações pra caramba! Como costuma dizer, mas a internet não!

Abre aspas. O marco civil da internet foi aprovado, então já existe regulamentação.

Voltando. Não citou em momento algum seus colegas jornalista que fazem apologia ao “fazer justiças com as próprias mãos” – tipo a musa dos fascistas Sheherazade. O que seria o óbvio de ser lembrado.

Ele mesmo, por apresentar um programa policial, não cansa de dizer: não façam justiça por si próprios. E se repete inúmeras vezes é porque Datena sabe o poder que tem em suas mãos, não é mesmo?

A fasci-jornalista anda nervosa com o SBT. Lá, foi proibida de dar voz a sua ignorância e cuspir o seu veneno rancoroso. Silvio Santos procedeu dessa forma não por bondade, mas por medo de ver seu canal de televisão retirado do ar. Isto já ocorreu em décadas passadas.

Ricardo Boechat, no Jornal da Band, deu um cutucão na mais nova musa dos reacionários, segunda-feria. Entre linhas, chamou-a de irresponsável. Assim como fiz em post anterior.

Faz vinte anos que Ruanda, África, sentiu na pele o que é este ódio. Em questão de um mês, foram mortos, pelos hutus, quase um milhão de pessoas pertencentes a etnia tutsi.

E devido a esse episódio muitos filmes e documentário foram feitos.

Um deles chama atenção porque mostra a força da mídia.

O filme “Abril Sangrento” traz a história de dois irmãos pertencentes aos hutus. Um é jornalista e tem um famoso programa de rádio. O outro é militar casado com uma mulher tutsi. É sobre esses relacionamentos que se desenvolve a trama. Recomendo assistir.

Bem, adiantando o tempo do filme: fim das atrocidades, muitos hutus foram julgados por crimes contra a humanidade, entre eles o radialista.

O advogado de defesa dele em certo momento diz: suas mãos estão limpas de sangue. Não matou. Não deu um tiro. Tentou salvar a família do irmão, que é tutsi. Ninguém pode acusá-lo de crime algum.

Foi condenado. Motivo: incentivou o ódio racial, usando o poder da mídia e sua condição de celebridade.

Aqui no Brasil a deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ) entrou com uma representação contra a jornalista Rachel Sheherazade, do SBT, no Ministério Público.

A parlamentar solicita uma investigação, alegando que a âncora do “SBT Brasil” cometeu crime de apologia e incitamento à tortura e ao linchamento, caracterizado no artigo 287 do Código Penal.

Vamos ver o que acontece com a âncora sem noção.

Por enquanto o único fato novo relacionada a jornalista é que Rachel pode ser contratada pela Band, ganhando quase o triplo do que paga a emissora do Silvio. Algo entre 350 mil e 500 mil reais. Nada mal para quem “só abre a boca quando tem certeza”, lembrando a o saudoso quadro de Lucio Mauro.