Disseminação do ódio e o linchamento do Guarujá, São Paulo.

linchadaOutro linchamento ocorreu essa semana. Fabiane Maria de Jesus foi a vítima.

Rio de Janeiro. Postaram a foto de uma mulher praticante de magia negra e que sacrificava crianças em oferenda ao demônio.

São Paulo, Guarujá. Uma senhora, saindo da igreja, com a bíblia debaixo do braço, era muito parecida com a pessoa do retrato, alguém achou. Rapidamente de um fez-se uma turba. Sem titubear começou a sessão espancamento. Fizeram justiça com as próprias mãos.

Apesar de socorrida por policiais, a mãe de dois filhos veio a falecer.

Morreu mais uma inocente, vítima da fúria e do ódio que, irresponsavelmente, alguns profissionais da mídia disseminam.

Já escrevi sobre evento igual a este em outro artigo, intitulado “Rachel Sheherazade e Jair Bolsonaro, dois irresponsáveis”.

Fui chamado de imbecil, etc e tal, por pessoas que não acreditam no poder dos meios de comunicação ou são cegos mesmo.

Pessoas que dizem não se influenciar pela mídia, no entanto compram penduricalhos – na maioria das vezes sem necessidade – que a propaganda instiga a comprar. O estar na moda, para ser mais exato. Ou alguém acha que empresas gastam milhões em publicidade pra nada?

Se influência gestos simples, como comprar um celular, imaginem os complexos, como a violência.

No Brasil Urgente, do Datena, ele deu a noticia sobre este episódio à exaustão.

Em certo momento ele lembrou sobre o poder da internet de moldar comportamentos. De formar opiniões.

Uma terra de ninguém, sem leis. O rádio, os jornais a televisão já tem regulamentações pra caramba! Como costuma dizer, mas a internet não!

Abre aspas. O marco civil da internet foi aprovado, então já existe regulamentação.

Voltando. Não citou em momento algum seus colegas jornalista que fazem apologia ao “fazer justiças com as próprias mãos” – tipo a musa dos fascistas Sheherazade. O que seria o óbvio de ser lembrado.

Ele mesmo, por apresentar um programa policial, não cansa de dizer: não façam justiça por si próprios. E se repete inúmeras vezes é porque Datena sabe o poder que tem em suas mãos, não é mesmo?

A fasci-jornalista anda nervosa com o SBT. Lá, foi proibida de dar voz a sua ignorância e cuspir o seu veneno rancoroso. Silvio Santos procedeu dessa forma não por bondade, mas por medo de ver seu canal de televisão retirado do ar. Isto já ocorreu em décadas passadas.

Ricardo Boechat, no Jornal da Band, deu um cutucão na mais nova musa dos reacionários, segunda-feria. Entre linhas, chamou-a de irresponsável. Assim como fiz em post anterior.

Faz vinte anos que Ruanda, África, sentiu na pele o que é este ódio. Em questão de um mês, foram mortos, pelos hutus, quase um milhão de pessoas pertencentes a etnia tutsi.

E devido a esse episódio muitos filmes e documentário foram feitos.

Um deles chama atenção porque mostra a força da mídia.

O filme “Abril Sangrento” traz a história de dois irmãos pertencentes aos hutus. Um é jornalista e tem um famoso programa de rádio. O outro é militar casado com uma mulher tutsi. É sobre esses relacionamentos que se desenvolve a trama. Recomendo assistir.

Bem, adiantando o tempo do filme: fim das atrocidades, muitos hutus foram julgados por crimes contra a humanidade, entre eles o radialista.

O advogado de defesa dele em certo momento diz: suas mãos estão limpas de sangue. Não matou. Não deu um tiro. Tentou salvar a família do irmão, que é tutsi. Ninguém pode acusá-lo de crime algum.

Foi condenado. Motivo: incentivou o ódio racial, usando o poder da mídia e sua condição de celebridade.

Aqui no Brasil a deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ) entrou com uma representação contra a jornalista Rachel Sheherazade, do SBT, no Ministério Público.

A parlamentar solicita uma investigação, alegando que a âncora do “SBT Brasil” cometeu crime de apologia e incitamento à tortura e ao linchamento, caracterizado no artigo 287 do Código Penal.

Vamos ver o que acontece com a âncora sem noção.

Por enquanto o único fato novo relacionada a jornalista é que Rachel pode ser contratada pela Band, ganhando quase o triplo do que paga a emissora do Silvio. Algo entre 350 mil e 500 mil reais. Nada mal para quem “só abre a boca quando tem certeza”, lembrando a o saudoso quadro de Lucio Mauro.

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