A mídia, seu comportamento oposicionista e a lei da mídia.

Bessinha_GloboFatiadaEm entrevista à revista “Caros Amigos”,  Armando Boito Jr, professor titular de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp, São Paulo) , falou sobre sindicalismo, os ganhos para trabalhadores e movimentos sociais.

Boito desenvolve pesquisas sobre as relações de classe no capitalismo neoliberal no Brasil e na América Latina. Autor de O Sindicalismo na Política Brasilieira ( Editora IFCH-Unicamp).

Destaco, entre tantas, uma  das perguntas feita pelo entrevistador  Gilberto Maringoni, pois, a meu ver, esta explica bem parte do comportamento promíscuo, manipulador e condescendente entre a mídia e os partidos políticos representativos da burguesia, PSDB e  DEM.

Questionado sobre se a organização tradicional dos partidos, sindicatos e outros tipos de agremiação estaria superada Armando Boito responde:

“A organização é tudo para o movimento operário e popular. Os partidos políticos de massa, com ampla organização da população trabalhadora, congressos regulares, programas polítcos discutidos e aprovados em congressos, foram criação do movimento operário. A burguesia não precisa desse tipo de partido. Ela já tem o Estado para organizar seus interesses. Os partidos burgueses com um mínimo de institucionalização e de base popular surgiram apenas em resposta aos partidos de massa e para disputar a direção dos trabalhadores. Hoje, devido à crise do movimento operário, a burguesia não tem mais necessidade de mimetizar a organização dos partidos de massa. Isso provocou um esvaziamento dos partidos políticos em escala internacional. Eles enfraqueceram seus vínculos com os diferentes setores sociais. Funcionam, em sua maioria, como funcionavam os partidos burgueses clássicos, que são partidos de quadros parlamentares e que atuam apenas nos períodos eleitorais. A crítica necessária a esses partidos não deve nos levar à crítica dos partidos políticos em geral. Os trabalhadores, que não dispõem da estrutura institucional e repressiva do Estado para defender seus interesses, precisam organizar partidos políticos próprios para que suas reivindicações possam prosperar e pra que, além das reivindicações, eles possam forjar um programa e transformação social”.

Como o cientista disse:  a burguesia já tem o Estado para organizar seus interesses. Ou melhor,tinha.

Faz doze anos que eles, os burgueses, perderam o controle total sobre a máquina estatal.

Essa perda do controle do Estado os deixou atordoados. Como os antigos aristocratas franceses  diante da revolução burguesa. Os nobres de tão acostumados ao ócio e à certeza da continuidade de seus privilégios não perceberam a força avassaladora da nascente burguesia.  

Hoje em dia, os dignos representantes dos interesses dessa parte da sociedade se viram, de repente, sem rumo, sem direção e sem programa político. Desatrelado dos anseios da população, incluindo (é de uma mediocridade espantosa) a classe média.

Tanto que em qualquer discurso proveniente de seus membros a palavra menos citada é povo. De vez em quando um marqueteiro lembra ao orador de que existe vida além da sua mesa de jantar.

O social não faz parte de dicionário da elite. Perderam o chão.

Os seus  parcos e inconsistentes representantes, Fernando Henrique Cardoso incluso, não têm criatividade. A soberba os impediu de ver claramente a situação política. A mesma soberba não deixou despontar novas lideranças. É um vazio completo de pessoas e ideias. Na pressa ( não tem tu, vai tu mesmo) escolheram Aécio Neves. Como plano B, Eduardo Campos.

Diante dessa pequenez exposta não restou à elite senão assumir o leme da nau. E assumiu, através da mídia, por enquanto. Ela está fazendo às vezes de partido de oposição. Partido oficioso e, portanto, o mais perigoso, por atuar sempre nos bastidores e não ter que dar satisfação.

Como disse Maria Judith Brito, ex-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo (183\2010):

“A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo.”

Adeus à decantada imparcialidade do jornalismo brasileiro. Que venha a lei da mídia. Com pluralidade de opiniões, sempre.

Anúncios

Qual a sua opinião?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s