E ae Aécio Neves, vamos conversar?

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E ae Aécio, vamos conversar?

Podemos discorrer sobre assuntos variados. Sugiro um, o que está em voga no momento. Aeroportos. Que tal?

E não adianta disfarçar, gaguejar e a mídia desconversar. Foi vossa excelência quem convidou o povo (será que sua excelência sabe o que é isso?) para um “dedo-diprosa”.

E para não dizer que a imposição deste assunto é anti-democrática, eleitoreira podemos conversar, também sobre aeródromos, que tal? Ou então sobre pista de pouso mesmo. E se mesmo assim achar que “assim não dá, assim não pode ser” vamos falar sobre um lugar que apaixonados por aeromodelismo possam praticar nobre arte?

É um ótimo assunto, não é mesmo? Não? Acha a prosa ruim? Que nada! Ela é ótima. Afinal o Brasil tem vocação para as coisas ligada aos voos.

Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, alcunhado de padre voador, e seu aeróstato. Santos Dumont, o inventor do avião (sem rodeios americanos). João Ribeiro de Barros, o primeiro a cruzar o Atlântico Sul no seu avião Jahú. O Senta Pua. A esquadrilha da fumaça. A Embraer. E por aí vai.

Sua excelência mesmo criou um programa chamado ProAero, quando mandatário da sesmaria de Minas Gerais.

Desculpe o uso dessas palavras, mandatário e sesmaria, é que de tanto ler mandos-e-desmandos do senhor considerei –as mais adequadas ao momento atual.

Bem, voltemos ao monólogo, digo, diálogo.

Qual o objetivo mesmo desse programa? Bem, talvez não se lembre, são muitas coisas e preocupações que passam pela cabeça de um ex-governador, então, pesquisei: objetivo do programa é dotar o Estado de uma rede de aeroportos de pequeno e médio porte, com o objetivo de impulsionar a aviação regional e sub-regional, melhorando as condições de transporte de carga e passageiros. Fonte http://www.der.mg.gov.br/.

Belas palavras. Emocionantes mesmo.

Outra coisa senador é verdade que dos 14 novos aeroportos contemplados no ProAero só dois ficaram prontos? O de Claudio e o da Zona da Mata? Por quê? O que aconteceu? Pela imagem que a mídia vende o senhor é o melhor gestor que o país já produziu em todos os tempos. Ou será que imprensa tenta novamente enganar os seus leitores e ouvintes?

É verdade senador que o aeroporto de Claudio fica nas terras de sua família, cujo o dono é o titio Múcio? Que o estado desapropriou por um milhão de reais? E que está sendo contestado pelo titio? Que o valor poder chegar aos vinte milhões? Que o aeroporto não está homologado pela ANAC, e portanto não poderia estar operando? Mas mesmo assim há pousos e decolagens? O senhor já usou a pista?

O custo da obra foi de 14 milhões de reais? Sendo assim e como a pista tem 1 km significa que foi o KM mais caro do Brasil. O preço do Km gira em torno de 300 mil reais. Convenhamos ex-governador Aécio Neves é um diferença brutal, concorda?

Essas e outras perguntas precisam ser respondidas. O senhor é candidato a presidência da república. Não basta parecer honesto , tem que ser. Não basta parecer competente, tem que ser.

Não queremos uma reedição do José Sarney e seu tipo de administração. O país não é uma imensa fazenda. O povo não é seu empregado. Nem seu servo para satisfazê-lo nos seu mínimos desejos.

Há inúmeras perguntas clamando por respostas, isso sem falar no da Zona da Mata? Este serve a quem? Fica perto de que terras?

Mas sabe senador Aécio Neves o que é mais grave nisso tudo? A omissão total dos meios de comunicação. Eles o elegeram seu candidato à presidência. E estão escondendo vergonhosamente os desatinos cometidos pelo sua excelentíssima. Azar da população.

Cadê os jornalistas investigativos? Cadê os especialistas? Os colunistas a vomitar excrecências? Ancoras com seus rostos indignados dando as notícias de mais descalabro? Tão puraí, como se diz em Minas.

E essa regulamentação da mídia, até quando vamos esperar?

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Reforma do futebol e regulamentação da mídia. Só assim para salvar a paixão nacional.

E “NãoVaiTerCopa”. Teve

copa da fifaE não vai ter estádio. Teve

E não vai ter aeroporto. Teve

E não vai ter transporte. Teve

E não vai ter segurança. Teve

E vai  ter apagão (ligaram os chuveiros?). Não teve

Os turistas não virão. Vieram

Não gostaram.  Amaram.

E não vai ter transmissão.  Foi excelente.

Resumo:  foi um sucesso o evento que a mídia jurava que seria um fracasso.

Mesmo que os urubus vissem seus sonhos de catástrofes concretizados a Copa seria um sucesso.  

O futebol é paixão. Faz parte da alma brasileira.

Pra que time vai torcer? Nos perguntam desde criancinha.

O campo poderia ser um campinho de terra, mas teria jogo e seria, como foi, um jogo disputado.

Porque, pra quem ama o futebol, nada mais “brochante do que estar num lugar que ninguém gosta de futebol ou ouvir aquele “Não acompanho. Não sei. Não gosto”. Morreu a conversa, o diálogo, a possível amizade e troca de experiência.

Com paixão não se brinca. Houve até traficante preso por não resistir a uma Copa jogada no Brasil. O homem tudo esquece, esconde menos essa tal de  paixão.

Cacciola foi preso porque não resistiu a uma partida de tênis.

Assim funciona.

E depois o Jornal Nacional chega com extrema cara-de-pau e afirma que contrariando a imprensa estrangeira a Copa foi um sucesso.

Foi a mídia tupiniquim que andou espalhando sandices e mentiras a respeito da capacidade do Brasil e organizar um evento desse porte.  Tudo para tentar desestabilizar o governo federal e emplacar seu candidato títere. O moço de Minas, a quem chamam de Aécio.

Mas usando a lógica de que “se isso der certo o outro não pode dar” a seleção  fracassou . Fracassou porque a seleção ficou nas mãos dos oráculos da CBF e deu nisso. Quem sabe, na calada da noite eles não planejaram o fracasso. Pode ser ou não?

Pois, como disse Romário : — “A situação é a seguinte: o maior representante da CBF é ladrão. A CBF é uma entidade corrupta, na qual já passaram muitos cânceres e agora continuam, pior do que antes”.  Então qualquer especulação torna-se válida, nãoé mesmo?

A CBF tem que mudar, não basta trocar comissão técnica. O buraco é mais em cima. Esta entidade junto com a Globo estão  matando o futebol.

A Confederação cada vez mais rica. Os Marinhos bilionários. E os clubes falidos. Que o diga o Guarani, de Campinas, São Paulo. Campeão brasileiro,  luta para não fechar as portas. Não conta com ajuda daqueles que encheram as burras de dinheiro as suas custas e glórias.

Mas reformar apenas o futebol não é o suficiente, o verdadeiro cranco é o monopólio  da Globo. Ela é que determina o que será transmitido. Como é a distribuída a verba publicitária. E ela que coloca jogos as 22 horas.  

A mídia precisa de nova regulamentação. Que sobreviva Franklin Martins. Para o bem da democracia.

Heloisa Villela: Nos Estados Unidos, ligas não aceitam monopólio nas transmissões e trabalham pelo equilíbrio entre os clubes

imagesA presidente Dilma Rousseff concedeu entrevista à GloboNews.

Questionada sobre se certos estádios não iriam se transformar num “elefante branco”, após a copa, ela afirmou que só se transformariam caso não houvesse uma reforma no futebol.

Acertou em cheio.Os oráculos atrapalham o avanço da justiça.

No entanto, não é só da reforma do futebol que precisamos. Necessitamos, também, e isso é mais urgente, da democratização dos meios de comunicação. Uma lei da mídia que impeça o monopólio de mercado e de opiniões. E, claro, de uma reforma política. Um depende do outro para acontecer.

Cabe agora aos estados e municípios lutarem para que os investimentos feitos não se percam. Apoiarem a presidenta, caso assuma essa longa e árdua batalha reformista contra o privilégio de poucos.

Leiam a reportagem de Heloisa Villela, publicada no blog Viomundo, sobre a relação entre os esportes e a mídia nos EUA e percebam que, mesmo no coração do capitalismo selvagem, é possível conviver e mais do que isso: sobreviver, com oportunidades iguais.

Já que de lá muito copiamos, por que não fazermos o mesmo por aqui?

Heloisa Villela: Nos Estados Unidos, ligas não aceitam monopólio nas transmissões e trabalham pelo equilíbrio entre os clubes

Cento e dez milhões de telespectadores. Este foi o público da última final do campeonato de futebol americano, o Super Bowl, no dia 2 de fevereiro deste ano.

Com um público desta envergadura, não é à toa que o futebol americano fique com o filé mignon, ou melhor, com o caviar do bolo publicitário, não apenas dos eventos esportivos mas dos eventos que a televisão dos Estados Unidos transmite ao vivo. Para se ter uma ideia, cada comercial de trinta segundos, nos intervalos da partida, custou cerca de 4 milhões de dólares. Claro, a exposição é garantida.

O público faz questão de assistir ao jogo na hora em que ele está acontecendo. Ninguém vai gravar a partida para ver mais tarde, porque se torna impossível não saber o resultado antes de tocar a gravação. A grande emoção é acompanhar lance a lance. Torcer. Vibrar e ficar arrasado, junto com todos os outros torcedores espalhados pelo país, unidos diante da telinha.

Os patrocinadores e os donos dos times sabem que a final do futebol americano é o único evento que comanda essa audiência e tem tudo para continuar comandando.

Mas, ao contrário de outros paises, nos Estados Unidos o esporte é organizado para dar lucro. No caso do futebol americano, um trator, máquina de fazer dinheiro. Como eles chegaram lá é o que interessa.

Uma lei federal, assinada no começo dos anos 60, garantiu aos times a possibilidade de agregar a venda dos direitos de transmissão dos jogos, sempre em leilão. Nunca ficam nas mãos de uma única emissora.

A NFL, National Football League, que reúne os 32 times profissionais do país, divide a temporada em pacotes diferentes, para explorar melhor o produto.

Funciona da seguinte maneira: o campeonato nacional tem duas ligas, com dezesseis times cada. O campeão de uma joga com o campeão da outra na grande final. Só aí,  já são três pacotes de transmissões para vender. O campeonato da chamada Conferência Nacional, o da Conferência Americana e a final, o Super Bowl.

O último contrato que a NFL fechou com as tevês vigora até 2022 e vai render cerca de 5 bilhões de dólares por ano aos clubes.

As redes CBS, FOX e NBC entraram no racha da tevê aberta.

A CBS transmite os jogos de uma conferência, a FOX os da outra e a NBC ficou com a partida que abre a temporada, numa quinta-feira à noite, um jogo durante o feriado de Ação de Graças, quando o país para e todo mundo vê televisão, e a melhor partida do domingo à noite enquanto a temporada está em andamento, durante quatro meses.

A NFL já faz planos para elevar a arrecadação com a venda de direitos, ingressos e merchandising para 25 bilhões de dólares até 2027.

Ninguém ficou escandalizado com o plano mais recente que veio à tona.

A liga inventou, há dois anos, um novo pacote. Os jogos de quinta-feira à noite, que não faziam parte do calendário das transmissões esportivas.

Eles foram promovidos, primeiro, como exclusividade da NFL Network: a liga de futebol americano tem sua própria rede de TV. Este ano, o pacote já foi vendido à CBS por U$ 250 milhões. São apenas oito jogos.

Quem inventou essa história de ter rede de teve própria foi a liga de basquete dos Estados Unidos, a NBA, National Basketball Association.

Em 2008 a liga licenciou os direitos digitais do basquete para a Turner Sports. A empresa passou a administrar o site NBA.com e a NBA TV.

A audiência das duas plataformas cresceu rapidamente.

Hoje, a NBA TV entra em 60 milhões de domicílios do país.

Agora, a liga está em plena negociação do próximo pacote de direitos de transmissão, que vence em dois anos, e já pensa em trazer de volta, para dentro da NBA, os direitos digitais.

Existem conversas em andamento com o YouTube, com quem a NBA já lançou um canal para a liga do verão e a chamada liga D.

Antenada nas mudanças do mercado esportivo, a NBA está pensando em mudar a rodada de quinta-feira para outro dia da semana, para não bater de frente com a nova transmissão da NFL. Ninguém quer competir com o futebol americano.

Hoje, a NBA fatura U$ 7,5 bilhões com os contratos de transmissão dos jogos de basquete.

Dinheiro que é dividido igualmente entre os 30 times profissionais do país.

Aliás, a preocupação em nivelar os clubes é grande, em todas as ligas. Não é que aqui exista alguma preocupação com a igualdade de condições. Nada disso. Questão de marketing.

Existe a compreensão de que o campeonato só é bom, só vai atrair muitos torcedores e telespectadores, se houver disputa acirrada, entre times equilibrados. Uma partida de futebol que termina em 7 a 1, vamos combinar, não tem muita graça.

O que fazem as ligas de beisebol, futebol americano e basquete para garantir a emoção dos jogos, hoje, e a qualidade no futuro?

Adotaram o salário teto e o chamado imposto do luxo.

Os times trabalham com um limite de gastos, um teto para o conjunto dos salários dos jogadores. Não é baixo. Os atletas ganham um bocado. No caso da NBA, o volume máximo de salário que cada time pode pagar ao seu conjunto de jogadores é de 63 milhões de dólares por ano. Claro que os grandes nomes tem renda complementada por patrocínios específicos. Kobe Bryant, por exemplo, com os patrocínios fatura U$ 30 milhões por ano.

Se fosse em salário, seria quase metade de tudo o que os Los Angeles Lakers podem investir na remuneração de seu elenco completo.

Se um time quer gastar os tubos para contratar um craque, sabe que vai ter de segurar o salário do resto da turma. Não vai ter fôlego para comprar os 3 ou 4 melhores jogadores do país.

Dessa forma, em princípio, todo clube tem a oportunidade de comprar o passe de um peso-pesado, seja o Moto Clube ou o Corinthians daqui.

Quem passa do limite paga à liga o chamado imposto de luxo sobre cada dólar ultrapassado. O imposto aumenta exponencialmente para os times que ferem a regra consecutivamente.

Um clube que não dá pelota para o imposto é o multibilionário New York Yankees, o Real Madrid do beisebol. Desde que o imposto foi criado, em 2003, o clube ultrapassou o limite todos os anos. Recentemente, foi obrigado a pagar 28 milhões de dólares em imposto sobre o luxo.

Isso não significa domínio dos Yankees, já que mesmo clubes de mercados muito menores, com dinheiro garantido pela venda coletiva dos direitos de transmissão, podem formar times campeões.

Nos últimos dez anos, os Yankees, baseados numa cidade de cerca de 9 milhões de habitantes, com um região metropolitana de mais de 20 milhões, foram campeões nacionais uma vez, em 2009; enquanto isso, os St. Louis Cardinals, da Louisiana, de uma cidade de 350 mil habitantes numa região metropolitana de cerca de 3 milhões de pessoas, ganharam o título nacional duas vezes, em 2006 e 2011.

No futebol americano, os dois ganhadores mais recentes do Super Bowl — Baltimore Ravens e Seattle Seahawks –, são de duas cidades relativamente pequenas, com 600 mil habitantes, de extremos opostos do país. É como se o Figueirense fosse campeão brasileiro de futebol em um ano e o Clube do Remo no ano seguinte. Nos últimos dez anos, oito clubes diferentes ganharam o título supremo do futebol americano.

No basquete, o time de Nova York está na fila do título nacional há 40 anos. Nem por isso correu o risco de morrer.

Na NBA, os clubes não faturam somente com a venda da transmissão nacional de seus jogos. Cada time negocia, também, com as tevês locais.

Os Lakers, por exemplo, fecharam em 2011 o contrato mais caro da história da NBA. Fizeram um acordo de 20 anos com a Time Warner Cable, que prevê o lançamento de dois canais regionais de esportes, um em inglês e outro em espanhol, no valor de U$ 4 bilhões.

No ano passado, os trinta times da NBA faturaram juntos, com esses contratos regionais, U$ 628 milhões, que correspondem a 33% de toda a receita da liga com as diferentes mídias, de U$ 1,9 bilhão. A maior fatia, de 53%, veio dos direitos de transmissão nacionais.

O que isso significa? Que além de ter uma exposição nacional, atraindo os patrocinadores mais endinheirados, os clubes tem ampla divulgação regional, junto a seus próprios torcedores. Se apenas uma fração deles comprar ingressos, é casa cheia.

Seria, mal comparando, como se o ABC de Natal tivesse garantia de algumas partidas transmitidas para todo o Brasil, mais exposição completa em seu próprio mercado, em emissoras diferentes. Com isso, conseguiria encher a Arena das Dunas, arrumar um patrocinador regional e outro nacional para sua camiseta e, o mais importante, ter um time competitivo para enfrentar equipes de estados maiores e mais ricos.

Na temporada 2012-13 de basquete da NBA, enquanto quatro clubes gastaram mais que faturaram, os outros 26 tiveram lucro. Um cenário bem diferente daquele que se vê no Brasil, onde mesmo clubes de grandes torcidas vivem endividados e frequentemente caem para a segunda divisão.

O aspecto mais chocante da contusão que deixará Neymar fora da Copa é a falta de indignação

neymar-juliana-paes-e1404582566855Excelente texto de Paulo Moreira Leite sobre a agressão covarde sofrida por Neymar durante o jogo contra Colômbia

O aspecto mais chocante da contusão que deixará Neymar fora da Copa é a falta de indignação.

A joelhada de Zuñiga aos 41 minutos do segundo tempo foi um ato  desleal e deliberado. Atacando sua vítima por trás, Zuñiga empurrou a cabeça de Neymar com a mão direita, para que o tronco ficasse encurvado e a espinha dorsal, mais exposta.

Se Neymar tivesse sido atingido algumas vértebras acima, o dano seria muito grave e é bom nem pensar nas consequências para o futuro do jogador. Mesmo assim, uma vértebra foi fraturada – o que dá uma ideia da violência que atingiu Neymar.

Zuñiga não foi expulso. Nem recebeu cartão amarelo.

A agressão, brutal, foi tratada como uma agressão normal de jogo, embora tivesse produzido uma lesão muito mais grave do que a mordida do uruguaio Luis Suárez no ombro do italiano Chiellini.

Olha só: embora tenha sido um ato de uma pessoa psicologicamente perturbada, o que é sempre um atenuante num caso como este, a mordida de Suárez lhe valeu a suspensão por nove partidas da FIFA. Até Chiellini achou um exagero.

A reação diante da violência contra Neymar, o maior jogador brasileiro, a estrela número 2 da Copa depois do argentino Messi, foi a passividade. Essa é a mensagem.

É curioso imaginar por que não se fez um escândalo, nem no momento da agressão nem depois. Ficou tudo na normalidade.

O juiz Carlos Velazco Carballo será punido? E Zuñiga? Nada. A maior crítica que li nos jornais, hoje, foi um comentário dizendo que sua entrada foi “maldosa.” Fraco, hein?

Será que a Comissão de Arbritragem da FIFA irá se manifestar contra Carballo? Quem está pedindo? Quem exige?

Dá para entender o recado enviado aos árbritos das próximas partidas do Brasil, certo?

Essa reação compreensiva – digamos assim — encobre um movimento que não ousa se mostrar por inteiro. Estou falando da torcida contra a Copa.

Derrotados fora de campo, quando se comprovou que a Copa era um sucesso nacional e internacional, e que a maioria dos meios de comunicação havia embarcado numa Escola Base em nível federal, testemunhada por 200 milhões de brasileiros, essa turma foi obrigada a guardar as energias negativas para o que acontece nos gramados.

Não vamos negar: a possibilidade, real, do Brasil sair campeão  deixa essa turma em pânico.

Seu movimento mental é semelhante ao discurso de Carlos Lacerda contra Juscelino Kubisctheck nas eleições de 1955, quando ele dizia: JK não pode candidatar-se; se sair candidato, não pode vencer; se vencer, não será empossado. Na Copa de 2014, o raciocínio é o mesmo. Não podia haver Copa. Como ela aconteceu, deve ser ruim. E se não foi ruim, o Brasil não pode vencer.

Por isso ficaram muito indignados com o penalti (duvidoso, no mínimo) em cima de Fred no jogo do VNTC contra a Croácia. Mostraram-se generosos quando a Holanda foi beneficiada num lance parecido. Acharam normal. O silêncio diante da omissão absurda de Carballo é parte dessa postura.

Nas rodadas finais do Mundial, a turma do “Não vai ter Copa” aposta suas últimas esperanças numa derrota da Seleção.

Exibe sorrisos amarelos a cada vitória dos meninos. Ontem, quando ficou garantido que, na pior das hipóteses, a Seleção Brasileira terá direito a disputar uma medalha de bronze, o que ninguém espera mas está longe de ser aquele fiasco anunciado, a ausência de Neymar tornou-se a esperança silenciosa desse pessoal que, nos últimos dias, tentava inutilmente jogar nas costas da “Copa” e do “PAC” a tragédia numa obra de infraestrutura de Belo Horizonte, licitada e administrada pela prefeitura de um aliado da oposição.

A joelhada de Zuñiga foi um ato canalha. Mas o jogo fora do campo é muito