O último debate entre os presidenciáveis pouco acrescentou.

eleicoes 2014Convenhamos, chamar aquilo que vimos ontem a noite de “Debate entre os Presidenciáveis” é, como diriam os escritores, uma licença poética. Um eufemismo.
O nome certo para o programa seria “Contenda entre os Presidenciáveis”. Pois, excetuando a Dilma, o que se viu entre os demais participantes foram troca de acusações, difamações, brigas, ameaças, intrigas e (pasmem!) conchavos.
Esperava-se bem mais dos postulantes ao cargo de presidente da república brasileira. Principalmente ideias novas, densas. Planos de governabilidade. Projetos. Críticas consistentes ao governo do PT.
Nada disso aconteceu.
No tema corrupção, por exemplo, os dois principais concorrentes de Dilma Rousseff, Marina e Aécio, se limitaram a dizer que serão duros no combate a esse grande mal dos dias atuais. Serão implacáveis. Firmes. Cortarão, se preciso for, da própria carne. E blá-blá-blá, blá-blá-blá, blá-blá-blá.
Discurso vazio. Deveriam, ai sim, mostrar concretamente como farão isso. Mudar tal lei. Criar isso. Modificar aquilo. Aparelhar melhor tal instituição. Investir nisso etc.. E mostrar no que o governo atual está errando. Em suma, apresentar o programa deles.
Mas não, não se portaram desse modo. Preferiram simplesmente atacar.
E diante do discurso primário, vago proferido pelos dois ficou fácil para a presidenta rebater todas as acusações. Ela não tem nada a esconder. E de sobra fez comparações com o governo dos tucanos.
Lembrou do “engavetador” geral da republica . Da impunidade que campeou nos tempos de FHC (O ex-presidente poderia dormir sem essa, se soubesse escolher melhor seu candidato). Do caso de corrupção nos trens do Metrô de São Paulo, que só veio à tona graças as diligências feitas na Suíça. Porque se dependesse do Geraldo Alckmin… não saberíamos de nada.
Das investigações em curso. Das atitudes tomadas por ela diante da descoberta dos focos desse tipo de crime. Da demissão de um diretor corrupto nomeado pela Marina quando ministra. Da autonomia de PF. Do MPF. E prometeu criar lei que criminalize o caixa 2 (excelente ideia).
E assim discorreu toda a “contenda”.
A dinâmica sempre foi a mesma. Quer o assunto abordado fosse a Petrobrás. A previdência. Saneamento. Saúde. Educação. Desigualdade social. Dilma mostrava com dados os avanços conquistados, os investimentos e os programas implementados. E os demais ora tentavam descaracteriza-la, ora assumir a paternidade, ora serem irônicos.
Um jogo de um time só. Então, se me permitem a ousadia, faço uma análise dos jogadores e do palco. Como um cronista esportivo, partindo de um cidadão comum.
Dilma Rousseff estava confortável. Tranquila. Segura. Sem adversários à altura. Muito superior. Não foi surpreendida em nenhum momento. Não se sentiu acuada. Mostrou e provou, com dados, os avanços e as conquistas do seu governo. Sejam as econômicas ou as sociais. Falou de suas novas propostas com desenvoltura. Como se dizia antigamente: foi “mel na chupeta”. Mamão com açúcar. Poderia explorar mais diferenças entre o que vem a ser o trabalhismo e o neoliberalismo. Ou seja, entre o governo do PT e do PSDB e o da Marina Silva, que não se sabe qual é. E as consequências para a população de um e do outro. Nota 7
Aécio Neves se esforçou para parecer engraçado, espirituoso, inteligente. Triste figura. Péssimo ator. Suas colocações soavam falsas. Deveria se limitar ao “script” desenhado por seus marqueteiros. Desprovido de talento, chegou a ser patético. Não apresentou uma proposta concreta. E chegou a agressividade quando acuado por Luciana Genro. É provinciano demais. Nota 2.
Marina Silva, que me perdoem, de “fadinha da floresta” não tem nada. Está mais para a folclórica figura do Curupira. Aquele personagem que anda num sentido, mas seus pés apontam para o outro. E justificando a defesa da floresta, extermina sem dó seus adversários. É a “maria-vai-com -as-outras”. Sua resposta, para uma mesma pergunta, pode ser sim, não ou talvez. Depende que quem a profere. Se perdeu entre o mundo material e o espiritual. Entre o laico e o religioso. Entre Neca itau e Malafaia. Nota 2
Everaldo, pastor não deveria ter saído de Arcádia. Abandonado suas ovelhas. Alguém precisa avisá-lo que ele não é candidato a garçom e sim a presidente. Pois, o que ele serviu ao Aécio foi vergonhoso. A pergunta era dirigida ao Neves. Ele começou a falar mal do PAC. O Bonner lembrou que o assunto era sobre a previdência. Com aquela risada sem graça de quem foi pego colando ele questionou de forma simplória: Aécio que você acha da previdência? Só faltou um selinho. Nota Zero.
Eduardo Jorge mostrou conhecimento. Fez perguntas coerentes e deu respostas condizentes. Deveria ser melhor explorado. Nota 5.
Luciana Genro tocou o dedo na ferida. Na incoerência dos demais candidatos. Demonstrou coragem. De cara lembrou que estava ali apenas por força da justiça. Politizada. Deveria ir para o segundo turno. Teríamos então em debate enriquecedor. Com ideias. Nota 6.
Levy Fidelix. Faço uma pergunta: quem soltou esse cara? Sem nota. Mas, espero, com vários processos nas costas.
E finalmente o campo de batalha: a GLOBO.
Tenho leve impressão de que a emissora se antecipou ao que os candidatos diriam e colocou o início da contenda para as 22:40 horas de propósito. Proibido para menores de dezoito anos. Bem, brincadeiras à parte, sabemos que poucos trabalhadores podem se dar ao luxo de dormir tão tarde e ter que acordar bem cedo, não é mesmo? Então, quem eles esperavam atingir? Qual faixa etária?
É incrível, nem com o destino do país em jogo os Marinhos mexem na grade de programação. São eles na terra e Deus no céu.
Por que será que os partidos políticos permitem essa atrocidade? Ninguém tem coragem de falar não diante desse atitude irresponsável? Alguém, por acaso, foi mendigar, implorar para que prateada realizasse a contenda?
Outra coisa: onde está escrito que a Globo deve realizar o último encontro entre os candidatos?
Infelizmente, agora só resta aos 99% de eleitores esperar noticias do “tête à-tête” através do JN, Folha, Estadão, Veja, CBN e outros da nossa imprensa hegemônica. Péssima referência, mas é a que temos. E essa regulamentação da mídia que não chega!
No entanto, ao contrário da década de 80 e 90, a internet e seus blogs “sujos” estão à disposição de quem se interessar em saber de outros pontos-de-vista. E de algumas verdades. A distância é de um clique.

Anúncios

Qual a sua opinião?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s