Escassez de água. “Não é porque vocês tiraram de moda a descrição da realidade que a realidade não existe mais”

Falta dáguaÉ deplorável, lamentável, odioso a forma como o governo de São Paulo e a mídia vêm tratando o problema de escassez de água. Esses dois entes agem irresponsavelmente. Mentem  e manipulam informações. Nos chamam de idiotas constantemente e tudo bem.

O governo paulista mente.

Mente quando afirma que não há racionamento.

Mente quando diz que não irá faltar água.

Mente quando joga a culpa em São Pedro.

Mente quando quer envolver a ANA.

A mídia, por sua vez, manipula.

Manipula porque o Geraldo é seu candidato à presidência em 2018.

Manipula porque precisam blindar o sujeito.

Manipula porque tem ódio aos partidos progressistas. Ao PT.

Manipula porque quer que seu ódio seja assimilado pela população.

Manipula quando Ricardo Boechat , ancora do jornal da Band, fica indignado com o que disse Eduardo Braga, ministro das minas e energia, sobre o problema energético:  “vamos torcer pra que deus mande chuva”. O jornalista , ateu declarado, não gostou nada disso e reclamou, com razão.  Mas nunca disse um nadinha de nada quando o governador de São Paulo culpou São Pedro ou quando o presidente da SABESP, Jerson Kelman, afirmou que São Pedro mandava chuva, mas erra a pontaria.

Manipula quando tenta confundir a população misturando informação sobre energia e falta d´água.

Manipula quando põe um simples gerente da SABESP para dar informações sobre a captação de água poluída.

Manipula quando coloca no mesmo balaio de gato Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

Manipula quando esconde Geraldo Alckmin. E Entrevista o governador do Rio.

Manipula quando só dá voz a especialistas que corroboram com o governo estadual.

Manipula quando joga a culpa na população pela falta da água.

Manipula quando nada comenta sobre a falta de investimento por parte do Estado.

Manipula quando não informa dos problemas de vazamento nas tubulações.  Da perda de quase 37% da água tratada por culpa da falta de manutenção e investimentos no sistema de distribuição da água.

Manipula  quando passam a imagem de que São Paulo é o paraíso, o valhala, o pindorama, o xangrilá, a Suíça. Liderado por sum semideus.

E sentimos o poder da mídia quando pessoas discutem o apagão. Mas não o holocausto que está por vir.

Os moradores de apartamentos são os mais suscetíveis à manipulação por parte da imprensa. Muitos, ainda, não ficaram um dia sem água, pois os prédios já possuem sistema com cisternas que garantem por um tempo o abastecimento.

Mas a falta de luz é sentida imediatamente. E nunca se questionam: qual seria o motivo pela queda de energia? Não refletem, e não querem refletir, estão hipnotizados. Tanto faz, a culpa é do PT e da Dilma. É o mesmo que pedir coca-cola, é automático.  Venceu a mídia.

“Não é porque vocês tiraram de moda a descrição da realidade que a realidade não existe mais”, Charb.

O PIB de São Paulo , sem trocadilho, vai por água abaixo. E vai levar o país junto. Mas a mídia irá culpar exclusivamente o governo federal.

A imprensa dá mais importância a falta de energia do que a falta d´água. Por quê? Porque, pra essa turminha, a campanha presidencial já começou.  

Esse pessoal inescrupuloso, insensível deseja ver a imagem da presidenta na lama. E por outro lado querem enaltecer a figura do governador estadual.

Mas, rede Globo, o povo não é bobo.

Sem eletricidade podemos viver eternamente. Mas sem água pra beber, nem três dias.

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Marco Archer Cardoso Moreira foi morto por tráfico. Isso muda o quê?

Marco Archer Cardoso MoreiraMarco Archer Cardoso Moreira, condenado à pena de morte na Indonésia, foi fuzilado. Seu corpo cremado.

Antes, bem antes, o governo brasileiro havia feito pedidos de clemência. Lula e Dilma tentaram. Não conseguiram. A presidenta, diante do fato consumado, chamou o embaixador para consultas. No meio diplomático é considerado uma atitude grave. Significa que as relações entre dois países ficaram abaladas.

Criticaram. O pessoal da direita, com sua costumeira grosseria e ignorância, já a colocou como protetora de marginais, bandidos, corruptos e estupradores.

Oras! ela fez o que deveria ser feito pois, um cidadão está prestes a ser executado e no Brasil não há pena de morte. Vê se a Dilma fez o mesmo pedido pelos milhares de outros condenados pelo mundo.

Houve muitas discussões sobre se o Marco deveria ser indultado ou não. Contra e a favor.

De minha parte fiquei indiferente à questão. A indonésia tem lá suas leis, sua soberania e como tal devem ser respeitadas.

Mas o ponto crucial da discussão, ou seja, o estado ter o direito de matar um indivíduo como forma de punição , nós devemos trazer ao solo pátrio. A pena de morte deveria ser adotada aqui no Brasil?

Este é o momento certo para este debate porque, de certa forma, a Indonésia nos pôs próximo desta realidade: o estado fuzilou um ser humano. Torna a assunto mais palpável.

Sou radicalmente contra a pena de morte. “Que atire a primeira pedra quem nunca pecou”, e isso inclui os estados. Que moral tem o Brasil ou qualquer outra nação para tirar a vida de alguém?

Há 5000 anos esse tipo de condenação  é aplicada e até hoje, como se pode perceber, não adiantou absolutamente nada.

Está certo, os mais fervorosos defensores desse tipo de pena podem argumentar: imagine se não existisse, aonde estaríamos?  

De qualquer modo este argumento não passa de um exercício de futurístico. Jamais teremos certeza sobre algo que nunca foi tentado.

Quando minha esposa soube que tinham matado o Archer ela me disse: Mataram?! E aí?

Se existe um absoluto, esse “e aí?” é um belo representante deste campo pois,  esconde muitas outras perguntas, tipo: o tráfico, abalado com a morte do brasileiro, encerrará suas atividades? o chefão do cartel, com medo, não irá mais traficar, nem arrumar outras “mulas”? Nenhum outro brasileiro irá aceitar levar drogas para Indonésia? Ou será que invés de cobrar os 10 mil dólares, irão exigir no mínimo 50 mil? Ou, a Indonésia encontrou a fórmula mágica para acabar com tráfico, ou seja, basta  matar, matar e matar, certo?

“Segundo dados da Agência Nacional de Entorpecentes (BNN, na sigla em inglês) divulgados pelo The Jakarta Post em novembro de 2014, os atuais 4 milhões de usuários devem se transformar em 5,8 milhões, ou 3% da população indonésia, até o fim deste ano.

“Não há evidências confiáveis que atestem a eficácia da pena de morte em prevenir crimes. O próprio fato de as pessoas, mesmo sabendo desse tipo de pena, continuarem a cometer crimes, é prova disso”, explica Rafael Franzini, representante no Brasil do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc).

Para a BNN, um dos principais problemas da Indonésia para um número tão expressivo de usuários é, além do envolvimento de autoridades no envio e receptação do material, sua alta taxa de pobreza. De acordo com o Boletim de Estudos Econômicos da Indonésia, o abismo que separa ricos e pobres é maior do que em qualquer outra nação em desenvolvimento no mundo. Enquanto ricos ficam cada vez mais ricos, cerca de 40% dos 250 milhões de habitantes do país ainda vivem com menos de US$ 2 – menos de R$ 5 por dia”. Extraído da reportagem postado no site do IG, 21/01/15.

Aí está! Nem lá adianta muita coisa, a não ser para o presidente indonésio, Joko Widodo, ganhar popularidade.

Querer pena de morte num país como nosso,  tão desigual e injusto, ou é sadismo ou os que são a favor se sentem vingados diante de cada morte.

O que indigna mesmo é o fato de que, enquanto uns morrem por 13,5 kg, outros ficam impunes.  

Como no caso apelidado de “Helicoca”. O helicóptero, pertencente ao senador Zezé Perrela, foi pego pela polícia federal transportando meia tonelada de cocaína e até hoje os responsáveis estão livres, leves e soltos.

José do Egito. Alckmin de São Paulo.

Crise hidiricaO faraó sonhou com sete vacas gordas e sete vacas magras. No Egito antigo o Faraó era considerado deus.

Mesmo sendo deus não conseguia entender o significado do sonho. Precavido que era , chamou um decifrador de sonhos afamado. Lá veio o José.

Sete vacas gordas, sete anos de fartura. Sete vacas magras, sete anos de penúria.

O faraó acreditou e se preparou.

Não deu outra. Sete anos de muita fartura: estocou mantimentos.

Passado este período, chegou os tempos de penúria. Então, o Egito se transformou no celeiro do mundo. A salvação de muitos povos, inclusive o do José, israelita de origem.

Bem, muitos conhecem está passagem bíblica, principalmente se for cristão. Nas entrelinhas esconde  uma lição de prudência e de responsabilidade para  com seus governados.

Mas, pelo visto, o governador Geraldo Alckmin (católico praticante, pertencente a Opus Dei) não captou a mensagem dessa história. Ou se ateve apenas à parte metafísica dela.

Fazendo um paralelo, o sistema Cantareira vem há décadas dando sinais de esgotamento. Se esses sinais não foram suficientes para o governador de São Paulo, e seus antecessores, entenderem o que estava por vir, que fizessem então igual ao faraó: chamassem os “Josés” atuais, ou seja, os “especialistas”, para decifrá-lo.

Pois, vários deles vinham alertando as autoridades sobre a tal “crise hídrica” que estava por vir. E eles nada fizeram. Ou melhor, fizeram. Privatizaram a SABESP.

E agora, nós paulistanos, eleitores ou não do PSDB, estamos sofrendo pela irresponsabilidade, insensibilidade dos últimos governos. E as perspectivas são péssimas.

Devido a incompetência ou simples descaso não existe nem um plano B. Quando questionado limita-se a por a culpa na estiagem, em São Pedro e, pasmen,  na ANA (Agência Nacional de Águas). Ápice do descaso e da covardia.

Enquanto isso os rios Tiête, Tamanduateí, Pinheiros e outros continuam poluídos

O José Serra, quando governador, oficializou: o Tiête  é um imenso esgoto a céu aberto, e concretou as suas margens. É um crime ambiental.

E agora, o que fazer? Geraldo Alckmin obteve do governo federal (leia-se Dilma) uma ajuda de R$ 2,5 bilhões, em caráter de urgência. O que ele irá fazer com esse dinheiro ninguém sabe. Pelo visto o tucano está “perdidinho”.

Fica uma sugestão, já que despoluir é algo impensável: vocês que foram tão críticos da obra de transposição do rio São Francisco, ponham a viola no saco, e façam o mesmo com o rio Paraná.

Enfeitem, maquiem, deem “glamour “ a esse projeto. Bradem que é totalmente diferente da que o Lula fez. Chamem famosos “especialistas” em “aga dois ó” para lastreá-la. Mas façam alguma coisa. Só não entreguem para a iniciativa privada, principalmente para Nestlé.

Pode parecer mirabolante, mas essa transposição ficará pronta em muito menos tempo do que ficar esperando chover para  a represa  voltar a encher.

O Cantareira nunca mais atingirá sua completa capacidade, se depender exclusivamente de São Pedro, pois, até com essa esperança vocês acabaram, a partir do momento que usaram o volume morto.

Mas voltando à passagem bíblica. Talvez eu tenha me confundido. Geraldo Alckmin não é o faraó. São Paulo não é o Egito. E o “especialista” não é o José.

E o povo paulistano terá que migrar para outra região de fartura hídrica.

Autor de ‘Palestina’, Joe Sacco questiona limites da sátira em resposta a ataque à ‘Charlie Hebdo’

Do site Opera Mundi, por Carolina de Assis.

O quadrinista norte-americano Joe Sacco, autor de obras consagradas como “Notas sobre Gaza” (Companhia das Letras, 2010), “War’s End: Profiles from Bosnia 1995-96” (2005) sobre o conflito bósnio e “Days of Destruction, Days of Revolt” (2012) sobre a pobreza nos Estados Unidos, respondeu nesta sexta-feira (09/01) ao ataque à revista “Charlie Hebdo”, em que morreram alguns dos mais importantes chargistas da França.

Em quadrinho publicado no jornal britânico The Guardian, o jornalista e ilustrador revela que sua primeira reação não foi a defesa da liberdade de expressão. “Minha primeira reação foi tristeza. Pessoas foram mortas brutalmente, entre elas vários cartunistas – a minha tribo”, conta. Após o luto, veio a reflexão sobre a natureza da sátira feita pela “Charlie Hebdo”, que tinha como alvo principal o fundamentalismo islâmico.

Joe Sacco / Reprodução The Guardian

Trecho do quadrinho de Sacco publicado pelo jornal britânico The Guardian; leia na íntegra clicando aqui

“Embora zombar de pessoas muçulmanas possa ser tão admissível quanto acreditamos hoje ser perigoso, esta sempre me pareceu uma maneira insípida de usar o lápis”, revela. Reivindicando o direito de “participar da brincadeira”, Sacco expõe seu desconforto com alguns dos cartuns da “Charlie Hebdo” desenhando um homem negro caindo de uma árvore enquanto come uma banana e um homem judeu com o nariz avantajado contando um maço de dinheiro. “Eu tenho o direito de ofender, certo?” 

O racismo e o antissemitismo escancarados por Sacco em seu quadrinho se relacionam à islamofobia, ao racismo e ao machismo presentes em muitos dos cartuns da “Charlie Hebdo”, uma revista que se dizia de esquerda mas cujas páginas muitas vezes alimentavam o ódio propagado pela extrema-direita europeia e por reacionários em todo o mundo. “Os traços no papel são uma arma, e objetivo da sátira é cortar até o osso. Mas o osso de quem? Qual exatamente é o alvo? E por que?”, questiona Sacco.

“Talvez, quando nos cansarmos de mostrar o dedo do meio, podemos tentar entender por que o mundo está como está, e qual é a questão com os muçulmanos atualmente que faz com que eles não sejam capazes de rir de uma mera ilustração.” A islamofobia, acredita Sacco, é a resposta mais simples – e a que menos exige reflexão e mudança de atitudes. “Se a resposta for ‘é porque há algo muito errado com eles’, então vamos expulsá-los de suas casas e lançá-los ao mar – porque isso vai ser bem mais fácil do que compreender como nos encaixamos nos mundos uns dos outros.”

 

“Caracas sem água”, por Gabriel García Márquez. Uma comparação com São Paulo.

 

 

seca em são pauloLendo o livro de artigos de Gabriel Garcia Márquez, intitulado  “Da Europa e da América – Obra Jornalística 3”, me deparei com um que tem muito a ver com a atual crise hídrica de São Paulo

Escrito em 6 junho de 1958 ele descreve os acontecimentos de uma  cidade que ficou simplesmente sem água.

Então, em vez de um exercício futurístico,  convido-os a se defrontarem com uma realidade “passadística”.

Eis alguns trechos do artigo.

“6 de junho de 1958: Caracas sem água.

Depois de escutar o boletim radiofônico das sete da manhã, Samuel Burkart… foi ao armazém da esquina comprar água mineral para se barbear . Caracas parecia uma cidade fantasma.

 Samuel teve de fazer fila no armazém para ser atendido…o único assunto das últimos quarenta dias e que naquela manhã estourava na rádio e nos jornais … a água acabara em Caracas… As últimas reservas se destinavam aos serviços essenciais. O governo tomava havia 24 horas medidas de extrema urgência para evitar que a população perecesse vítima da sede.

As edições dos jornais, reduzidas a quatro páginas, eram destinadas a divulgar instruções oficiais… e evitar o pânico

…esgotaram em uma hora  o estoque ( de água mineral) do armazém…a venda de suco de frutas e gasosa estava racionada… cada cliente tinha direito à cota-limite de uma lata de suco de frutas e uma gasosa por dia… (Samuel) se barbeou com suco de pêssego.

Uma senhora regando o jardim disse a respeito da necessidade de economizar água: são mentiras dos jornais para meter medo. Enquanto houver água eu regarei minhas flores.

Os bairros pobres ficaram sem água. Nos bairros residenciais se restringiu a água a uma hora por dia.

… a notícia explodiu em toda a largura dos jornais. As reservas de La Mariposa só davam para 24 horas… Burkart, que tinha o hábito da barba diária, não pode sequer lavar os dentes.

Nas ruas, os ratos morrem de sede. O governo pede calma.

Burkart se dirigiu a pé ao seu escritório. Não usou o automóvel  pelo temor de  que esquentasse. Simplesmente não havia água para os automóveis… No centro havia alguns automóveis com motores superaquecidos abandonados pelos proprietários. Os bares e restaurantes não abriram as portas.

… Durante toda manhã caminhões do INOS (a SABESP nossa), com capacidade para vinte mil litros, distribuíram água nos bairros residenciais. Com a colaboração dos caminhões-tanques das empresas petrolíferas, havia trezentos veículos para transportar água até a capital.

A população sedenta, especialmente nos bairros pobres, precipitou-se sobre os carros-pipas e a força pública teve de intervir.

Na praça Estrella,  curiosos assistiam a um espetáculo terrível: de todas as casas saíam  animais enlouquecidos pela sede.

À noite, às dez, foi imposto o toque de recolher

Quarenta e oito horas depois que a estiagem atingiu o ponto culminante, a cidade ficou completamente paralisada. O governo dos Estados Unidos enviou, a partir do Panamá, uma esquadrilha de aviões carregados com barris de água. A força área venezuelana e empresas comerciais que prestam serviço ao país substituíram suas atividades normais por um serviço extraordinário de transporte de água. Os aeroportos de Maiquetiá e la Carlota foram fechados ao tráfego internacional e destinados exclusivamente a essa operação de emergência.

Em Las Mercedes  e em Sabana Grande a polícia interceptou vários caminhões piratas que chegaram a vender clandestinamente o litro de água a vinte bolívares (preço aviltante).

Em San Agustín del Sur o povo se apoderou de outros dois caminhões piratas e repartiu seu conteúdo entre a população infantil.

Os boatos se espalharam. Dizia-se que os parque de Caracas começavam a pegar fogo. Nada se poderia fazer quando o fogo se propagasse.

Outro boato assegurava que á tarde, na velha estrada para Los Teques, uma multidão apavorada que tentava fugir de Caracas sucumbira à insolação. Os cadáveres expostos eram a origem do mau cheiro (na cidade).

Apesar de as autoridades tentarem evitar a desmoralização, era evidente que o estado de coisas não era tão tranquilizador como eles mostravam. Ignorava-se um aspecto importante: a economia. A cidade estava totalmente paralisada. O abastecimento fora reduzido e nas próximas horas faltariam alimentos. Surpreendida pela crise, a população não dispunha de dinheiro vivo. Os armazéns, as empresas, os bancos estavam fechados. As lojas dos bairros começavam a fechar as portas por falta de sortimento.

Às nove da noite,  Burkart abriu portas e janelas, mas se sentiu asfixiado pela secura da atmosfera e pelo cheiro.  Reservou cinco centímetros cúbicos, de seu litro e água, para se barbear… A sede produzida pelos alimentos secos começava a fazer estrago em seu organismo. Dispensara os alimentos salgados. Tomou um gole de água e dormiu. Despertou sobressaltado. Sentiu em todos os andares do prédio, um tropel humano que se precipitava para a rua… Necessitou de vário segundos para se dar conta do que se passava: chovia a cântaros. “

Bem , é evidente que os tempos são outros.  A tecnologia mudou. Mas, como se pode ver, contamos apenas com o fator chuva.

Apesar de todos os alertas não existiu, por parte do governo Alckmin, um trabalho de conscientização em relação ao uso de água. Um pano B durante estiagem. Não há nada. A não ser ações na bolsa de valores de NY.