Marco Archer Cardoso Moreira foi morto por tráfico. Isso muda o quê?

Marco Archer Cardoso MoreiraMarco Archer Cardoso Moreira, condenado à pena de morte na Indonésia, foi fuzilado. Seu corpo cremado.

Antes, bem antes, o governo brasileiro havia feito pedidos de clemência. Lula e Dilma tentaram. Não conseguiram. A presidenta, diante do fato consumado, chamou o embaixador para consultas. No meio diplomático é considerado uma atitude grave. Significa que as relações entre dois países ficaram abaladas.

Criticaram. O pessoal da direita, com sua costumeira grosseria e ignorância, já a colocou como protetora de marginais, bandidos, corruptos e estupradores.

Oras! ela fez o que deveria ser feito pois, um cidadão está prestes a ser executado e no Brasil não há pena de morte. Vê se a Dilma fez o mesmo pedido pelos milhares de outros condenados pelo mundo.

Houve muitas discussões sobre se o Marco deveria ser indultado ou não. Contra e a favor.

De minha parte fiquei indiferente à questão. A indonésia tem lá suas leis, sua soberania e como tal devem ser respeitadas.

Mas o ponto crucial da discussão, ou seja, o estado ter o direito de matar um indivíduo como forma de punição , nós devemos trazer ao solo pátrio. A pena de morte deveria ser adotada aqui no Brasil?

Este é o momento certo para este debate porque, de certa forma, a Indonésia nos pôs próximo desta realidade: o estado fuzilou um ser humano. Torna a assunto mais palpável.

Sou radicalmente contra a pena de morte. “Que atire a primeira pedra quem nunca pecou”, e isso inclui os estados. Que moral tem o Brasil ou qualquer outra nação para tirar a vida de alguém?

Há 5000 anos esse tipo de condenação  é aplicada e até hoje, como se pode perceber, não adiantou absolutamente nada.

Está certo, os mais fervorosos defensores desse tipo de pena podem argumentar: imagine se não existisse, aonde estaríamos?  

De qualquer modo este argumento não passa de um exercício de futurístico. Jamais teremos certeza sobre algo que nunca foi tentado.

Quando minha esposa soube que tinham matado o Archer ela me disse: Mataram?! E aí?

Se existe um absoluto, esse “e aí?” é um belo representante deste campo pois,  esconde muitas outras perguntas, tipo: o tráfico, abalado com a morte do brasileiro, encerrará suas atividades? o chefão do cartel, com medo, não irá mais traficar, nem arrumar outras “mulas”? Nenhum outro brasileiro irá aceitar levar drogas para Indonésia? Ou será que invés de cobrar os 10 mil dólares, irão exigir no mínimo 50 mil? Ou, a Indonésia encontrou a fórmula mágica para acabar com tráfico, ou seja, basta  matar, matar e matar, certo?

“Segundo dados da Agência Nacional de Entorpecentes (BNN, na sigla em inglês) divulgados pelo The Jakarta Post em novembro de 2014, os atuais 4 milhões de usuários devem se transformar em 5,8 milhões, ou 3% da população indonésia, até o fim deste ano.

“Não há evidências confiáveis que atestem a eficácia da pena de morte em prevenir crimes. O próprio fato de as pessoas, mesmo sabendo desse tipo de pena, continuarem a cometer crimes, é prova disso”, explica Rafael Franzini, representante no Brasil do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc).

Para a BNN, um dos principais problemas da Indonésia para um número tão expressivo de usuários é, além do envolvimento de autoridades no envio e receptação do material, sua alta taxa de pobreza. De acordo com o Boletim de Estudos Econômicos da Indonésia, o abismo que separa ricos e pobres é maior do que em qualquer outra nação em desenvolvimento no mundo. Enquanto ricos ficam cada vez mais ricos, cerca de 40% dos 250 milhões de habitantes do país ainda vivem com menos de US$ 2 – menos de R$ 5 por dia”. Extraído da reportagem postado no site do IG, 21/01/15.

Aí está! Nem lá adianta muita coisa, a não ser para o presidente indonésio, Joko Widodo, ganhar popularidade.

Querer pena de morte num país como nosso,  tão desigual e injusto, ou é sadismo ou os que são a favor se sentem vingados diante de cada morte.

O que indigna mesmo é o fato de que, enquanto uns morrem por 13,5 kg, outros ficam impunes.  

Como no caso apelidado de “Helicoca”. O helicóptero, pertencente ao senador Zezé Perrela, foi pego pela polícia federal transportando meia tonelada de cocaína e até hoje os responsáveis estão livres, leves e soltos.

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