A “nota” da Petrobras e a “nota” da Moody’s

Por Mauro Santayana, artigo publicado no Jornal do Brasil.

 

A agência de classificação de “risco” Moody´s acaba de rebaixar a nota de crédito da Petrobras de Baa2 para Ba2, fazendo com que ela passe de “grau de investimento” para “grau especulativo”.

Com sede nos Estados Unidos, o país mais endividado domundo, de quem o Brasil é, atualmente, o quarto maior credor individual externo, a Moody´s é daquelas estruturas criadas para vender ao público a ilusão de que a Europa e os EUA ainda são o centro do mundo, e o capitalismo um modelo perfeito para o desenvolvimento econômico e social da espécie, que distribui, do centro para a “periferia”, formada por estados ineptos e atrasados, recomendações e “notas” essenciais para a solução de seus problemas e a caminhada humana rumo ao futuro.

O que faz a Petrobras ?

Produz conhecimento, combustíveis, plásticos, produtos químicos, e, indiretamente, gigantescos navios de carga, plataformas de petróleo, robôs e equipamentos submarinos, gasodutos e refinarias.

De que vive a Moody´s?

Basicamente, de “trouxas” e de conversa fiada, assim como suas congêneres ocidentais, que produzem, a exemplo dela, monumentais burradas, quando seus “criteriosos” conselhos seriam mais necessários.

Conversa fiada que primou pela ausência, por exemplo, quando, às vésperas da Crise do Subprime,que quase quebrou o mundo em 2008, devido à fragilidade, imprevisão e irresponsabilidade especulativa do mercado financeiro dos EUA, a Moody,s, e outras agências de classificação de “risco” ocidentais, longe de alertar para o que estava acontecendo, atribuíram “grau de investimento”, um dos mais altos que existem, ao Lehman Brothers, pouco antes que esse banco pedisse concordata.

Conversa fiada que também primou pela incompetência e imprevisibilidade, quando, às vésperas da falência da Islândia – no bojo da profunda crise europeia, que, como se vê pela Grécia, parece não ter fim -alguns bancos islandeses chegaram a receber da Moody´s o Triple A, o mais alto patamar de avaliação, também poucos dias antes de quebrar.

Afinal, as agências de classificação europeias e norte-americanas, agem, antes de tudo, com solidariedade de “classe”. Quando se trata de empresas e nações“ocidentais”, e teoricamente desenvolvidas – apesar de apresentarem indicadores macro-econômicos piores do que muitos países do antigo Terceiro Mundo – as agências “erram” em suas previsões e só vêem a catástrofe quando as circunstâncias, se impõem, inapelavelmente, seguindo depois o seu caminho na maior cara dura, como se nada tivesse acontecido.

Quando se trata, no entanto, de países e empresas de nações emergentes, com indicadores econômicos como um crescimento de 400% do PIB, em dólares, em cerca de 12 anos, reservas monetárias de centenas de bilhões de dólares, e uma dívida pública líquida de menos de 35%, como o Brasil, o relho desce sem dó, principalmente quando se trata de um esforço coordenado, com outros tipos de abutres, como o Wall Street Journal, e o Financial Times, para desqualificar a nação que estiver ocupando o lugar da “bola da vez”.

Não é por outra razão que vários países e instituições multilaterais, como o BRICS, já discutem a criação de suas próprias agências de classificação de risco.

Não apenas porque estão cansados de ser constantemente caluniados, sabotados e chantageados por “analistas” de aluguel -como, aliás, também ocorre dentro de certos países, como o Brasil – mas também porque não se pode, absolutamente, confiar em suas informações.

Se houvesse uma agência de classificação de risco para as agências de “classificação” de risco ocidentais, razoavelmente isenta – caso isso fosse possível no ambiente de podridão especulativa e manipuladora dos “mercados” – a nota da Moody´s, e de outras agências semelhantes deveria se situar, se isso fosse permitido pelas Leis da Termodinâmica, abaixo do zero absoluto.

Em um mundo normal, nenhum investidor acreditaria mais na Moody´s, ou investiria um cent em suas ações, para deixar de apostar e aplicar seu dinheiro em uma empresa da economia real, que, com quase três milhões de barris por dia, é a maior produtora de petróleo do mundo, entre as petrolíferas de capital aberto, produz bilhões de metros cúbicos de gás e de etanol por ano, é a mais premiada empresa do planeta – receberá no mês que vem mais um “oscar” do Petróleo da OTC – Offshore Technologies Conferences– em tecnologia de exploração em águas profundas, emprega quase 90.000 pessoas em 17 países, e lucrou mais de 10 bilhões de dólares em 2013, por causa da opinião de um bando de espertalhões influenciados e teleguiados por interesses que vão dos governos dos países em que estão sediados aos de “investidores” e especuladores que têm muito a ganhar sempre que a velha manada de analfabetos políticos acredita em suas “previsões”.

Neste mundo absurdo que vivemos, que não é o da China, por exemplo, que – do alto da segunda economia do mundo e de mais de 4 trilhões de dólares em ouro e reservas monetárias – está se lixando olimpicamente para as agências de “classificação” ocidentais, o rebaixamento da “nota” da Petrobras pela Moody´s, absolutamente aleatória do ponto de vista das condições de produção e mercado da empresa, adquire, infelizmente, a dimensão de um oráculo, e ocupa as primeiras páginas dos jornais.

E o pior é que, entre nós, de forma ridícula e patética, ainda tem gente que, por júbilo ou ignorância, festeja e comemora mais esseconto do vigário – destinado a enfraquecer a maior empresa do país – que não passa de um absurdo e premeditado esbulho.

O juiz Sérgio Moro lembra o Simão Bacamarte de “O Alienista, de Machado de Assis”.

 

oalienistaO Alienista, de Machado de Assis. “Simão Bacamarte é o protagonista. Médico conceituado em Portugal e na Espanha, decide enveredar-se pelo campo da psiquiatria e inicia um estudo sobre a loucura e seus graus, classificando-os. Instalou-se em Itaguaí, onde funda a Casa Verde, um hospício, e abastece-o de cobaias humanas para as suas pesquisas. Passa a internar todas as pessoas da cidade que ele julgue loucas; o vaidoso, o bajulador, a supersticiosa, a indecisa, sendo que na verdade eram apenas comportamentos, às vezes, estranhos. Finalmente, após idas e vindas ele solta todos os internos e conclui: como ninguém tinha uma personalidade perfeita, exceto ele próprio, o alienista conclui ser o único anormal e decide trancar-se sozinho na Casa Verde para o resto da vida”.

Algum brasileiro/democrata/republicano precisa dar um basta nas insanidades e truculências jurídicas cometidas pelo juiz Sérgio Moro na chamada operação lava-jato, pois do modo que ele vem conduzindo o processo só uma ente saíra prejudicado: a nação.

E o risco disso acontecer é grande. E é grande porque Moro se porta como se na idade média estivesse. Utilizando de tortura psicológica ele obriga aos detidos a entrar no programa de delação premiada.

Vocês só serão postos em liberdade se dedarem, diz.

Aí virou um festival de maledicências e fofocas.

Os caras pra conseguirem a liberdade, o perdão ou a diminuição da pena saem dando tiro para tudo quanto é lado. Se for preciso, eles põem qualquer um no rolo. Sem dó, nem piedade. Mesmo que esse “um” seja a própria mãe.

E, ainda por cima, prometem mundos e fundos. Como fez  Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, atual arrependido e enojado com tanta corrupção, e Alberto Youssef.

Este último, então, já tem muita história de pilantragens.

Entre os anos de1996 e 2002 o doleiro atuou no esquema de evasão de divisas. A quadrilha, do qual era membro, se utilizava do  Banestado e das contas CC5 pra mandar dinheiro pra fora do país. Pego, pra se livrar da cadeia, entrou nesse programa de delação.

“Dedurou” várias pessoas e prometeu ao juiz não mais “pecar”.

Como se vê pelo Lava Jato, a promessa foi vazia.

Alguém ficou surpreso com o comportamento do doleiro? Claro que não, pois se há ladrão que cumpre pena e volta a roubar, imagine o cara ficando impune, não é mesmo?

Bem, completando.  A quantia desviada, utilizando o Banestado, naquela época, chegou a R$ 124 bilhões de reais. E não deu absolutamente em nada. Foi abafado.  ( Este caso só voltou a ser investigado novamente a partir de 2003, governo Lula).

Agora, a triste coincidência é que o juiz que participou do caso do Banestado é mesmo que atua no processo da Petrobrás, Sérgio Moro.

Pergunto: por que naquela ocasião ele não foi tão implacável, corajoso  como está sendo neste caso  da Petrobrás? Por que não tentou passar o país à limpo já naquele tempo ? Será por que o enrosco da evasão de divisas envolvia pessoas graúdas do PSDB? Teria evitado muita corrupção futura, certo?

E, absurdo dos absurdos, o excelentíssimo, mesmo já tendo sido feito de palhaço por Youssef, voltou a acreditar no calhorda novamente. Qual o motivo? Será por que agora os personagens são outros e ele, Moro,  pode ficar bonito com os poderosos de sempre?

Outra coisa,  essa avidez, essa gana  com que Sérgio Moro  usa este método está produzindo efeitos  no mínimo surrealistas.

Percebam, os ladrões de tanto delatarem acabarão livres. E continuarão ricos.

Enquanto isso os trabalhadores das empresas envolvidas, que não tem nada a ver com corrupção já estão condenados. Condenados ao desemprego.  E muitos já cumprem a pena.

É como diz o ditado: a corda sempre quebra pro lado mais fraco. Pobre trabalhador brasileiro. Muito faz, e pouco recebe.

Nós queremos ver os ladrões presos, e não as secretárias, marceneiros, pedreiros e etc. desempregados, não é isso mesmo?

Além do  que, o PIB do Brasil cairá, obras pararão. A Petrobrás, finalmente, depois de sucessivas tentativas de outros governos, principalmente do FHC, será desmontada e, pior, desvalorizada. Será vendida a preço de  banana

Então pra que serve ou, melhor dizendo, a quem serve esse tipo de ”confissão” tirada à fórceps?

No frigir-dos-ovos, terá valor jurídico? Muitos juristas já afirmaram: não! Não terá valor jurídico. A cama dos corruptos está feita.

E se ninguém der um fim nessa loucura jurídica o nosso Simão Bacamarte e a polícia federal irá acabar prendendo funcionários das lojinhas da 25 de Março. Que entrarão também o programa de delação premiada. Será um deus-nos-acuda.

A Dilma tem que intervir. Fazer um Proer das empreiteiras. Por que só o sistema financeiro pode ser auxiliado, mesmo fazendo safadezas?

O Brasil está acima desses ladrões. E desses interesseiros. Você, presidenta, conta com  o apoio da maioria do povo. Vá pra cima dos golpistas. Tudo dará certo no final.

DEFENDER A PETROBRÁS É DEFENDER O BRASIL

luladefendepetrobrasIntegra do manifesto lido no encontro de movimentos sociais. Extraído do site “institutolula.org”

 

DEFENDER A PETROBRÁS É DEFENDER O BRASIL

Há quase um ano o País acompanha uma operação policial contra evasão de divisas que detectou evidências de outros crimes, pelos quais são investigadas pessoas que participaram da gestão da Petrobrás e de empresas fornecedoras. A ação institucional contra a corrupção tem firme apoio da sociedade, na expectativa de esclarecimento cabal dos fatos e rigorosa punição dos culpados.

É urgente denunciar, no entanto, que esta ação tem servido a uma campanha visando à desmoralização da Petrobrás, com reflexos diretos sobre o setor de Óleo e Gás, responsável por investimentos e geração de empregos em todo o País; campanha que já prejudicou a empresa e o setor em escala muito superior à dos desvios investigados.

A Petrobrás tem sido alvo de um bombardeio de notícias sem adequada verificação, muitas vezes falsas, com impacto sobre seus negócios, sua credibilidade e sua cotação em bolsa. É um ataque sistemático que, ao invés de esclarecer, lança indiscriminadamente a suspeita sobre a empresa, seus contratos e seus 86 mil trabalhadores dedicados e honestos.

Assistimos à repetição do pré-julgamento midiático que dispensa a prova, suprime o contraditório, tortura a jurisprudência e busca constranger os tribunais. Esse método essencialmente antidemocrático ameaça, hoje, a Petrobrás e suas fornecedoras, penalizadas na prática, enquanto empresas produtivas, por desvios atribuídos a pessoas físicas.

Ao mesmo tempo, o devido processo legal vem dando lugar ao tráfico seletivo de denúncias, ofensivo à consciência jurídica brasileira, num ambiente de obscuridade processual que propicia a coação e até o comércio de testemunhos com recompensa financeira. Na aparente busca por eficácia, empregam-se métodos que podem – isto, sim – levar à nulidade processual e ao triunfo da impunidade.

E tudo isso ocorre em meio a tremendas oscilações no mercado global de energia, num contexto geopolítico que afeta as economias emergentes, o Brasil, o Pré-Sal e a nossa Petrobrás.

Não vamos abrir mão de esclarecer todas as denúncias, de exigir o julgamento e a punição dos responsáveis; mas não temos o direito de ser ingênuos nessa hora: há poderosos interesses contrariados pelo crescimento da Petrobrás, ávidos por se apossar da empresa, de seu mercado, suas encomendas e das imensas jazidas de petróleo e gás do Brasil.

Historicamente, tais interesses encontram porta-vozes influentes na mídia e nas instituições. A Petrobrás já nasceu sob o ataque de “inimigos externos e predadores internos”, como destacou a presidenta Dilma Rousseff. Contra a criação da empresa, em 1953, chegaram a afirmar que não havia petróleo no Brasil. São os mesmos que sabotaram a Petrobrás para tentar privatizá-la, no governo do PSDB, e que combateram a legislação do Pré-Sal.

Os objetivos desses setores são bem claros:

– Imobilizar a Petrobrás e depreciar a empresa para facilitar sua captura por interesses privados, nacionais e estrangeiros;

– Fragilizar o setor brasileiro de Óleo e Gás e a política de conteúdo local; favorecendo fornecedores estrangeiros;

– Revogar a nova Lei do Petróleo, o sistema de partilha e a soberania brasileira sobre as imensas jazidas do Pré-Sal.

Para alcançar seu intento, os predadores apresentam a Petrobrás como uma empresa arruinada, o que está longe da verdade, e escondem do público os êxitos operacionais. Por isso é essencial divulgar o que de fato aconteceu na Petrobrás em  2014:

– A produção de petróleo e gás alcançou a marca histórica de 2,670 milhões de barris equivalentes/dia (no Brasil e exterior);

– O Pré-Sal produziu em média 666 mil barris de petróleo/dia;

– A produção de gás natural alcançou 84,5 milhões de metros cúbicos/dia;

– A capacidade de processamento de óleo aumentou em 500 mil barris/dia, com a operação de quatro novas unidades;

– A produção de etanol pela Petrobrás Biocombustíveis cresceu 17%,  para 1,3 bilhão de litros.

E, para coroar esses recordes, em setembro de 2014 a Petrobrás tornou-se a maior produtora mundial de petróleo entre as empresas de capital aberto, superando a ExxonMobil (Esso).

O crescente sucesso operacional da Petrobrás traduz a realidade de uma empresa capaz de enfrentar e superar seus problemas, e que continua sendo motivo de orgulho dos brasileiros.

Os inimigos da Petrobrás também omitem o fato que está na raiz da atual vulnerabilidade da empresa à especulação de mercado: a venda, a preço vil, de 108 milhões de ações da estatal na Bolsa de Nova Iorque, em agosto de 2000, pelo governo do PSDB.

Aquela operação de lesa-pátria reduziu de 62% para 32% a participação da União no capital social da Petrobrás e submeteu a empresa aos interesses de investidores estrangeiros sem compromisso com os objetivos nacionais. Mais grave ainda: abriu mão da soberania nacional sobre nossa empresa estratégica, que ficou subordinada a agências reguladoras estrangeiras.

Os últimos 12 anos foram de recuperação e fortalecimento da empresa. O País voltou a investir em pesquisa e a construir gasodutos e refinarias. Alcançamos a autossuficiência, descobrimos e exploramos o Pré-Sal, recuperamos para 49% o controle público sobre o capital social da Petrobrás.

O valor de mercado da Petrobrás, que era de 15 bilhões de dólares em 2002,  é hoje de 110 bilhões de dólares, apesar dos ataques especulativos. É a maior empresa da América Latina.

A participação do setor de Óleo e Gás no PIB do País, que era de apenas 2% em 2000, hoje é de 13%. A indústria naval brasileira, que havia sido sucateada, emprega hoje 80 mil trabalhadores. Além dos trabalhadores da Petrobrás, o setor de Óleo e Gás emprega mais de 1 milhão de pessoas no Brasil.

É nos laboratórios da Petrobrás que se produz nosso mais avançado conhecimento científico e tecnológico. Os royalties do petróleo e o Fundo Social do Pré-Sal proporcionam aumento significativo do investimento em Educação e Saúde. Este é o papel insubstituível de uma empresa estratégica para o País.

Por tudo isso, o esclarecimento dos fatos interessa, mais do que a ninguém, aos trabalhadores da Petrobrás e à população brasileira, especialmente à parcela que vem conquistando uma vida mais digna.

Os que sempre tentaram alienar o maior patrimônio nacional não têm autoridade política, administrativa, ética ou moral para falar em nome da Petrobrás.

Cabe ao governo rechaçar com firmeza as investidas políticas e midiáticas desses setores, para preservar uma empresa e um setor que tanto contribuíram para a atração de investimentos e a geração de empregos nos últimos anos.

A direção da Petrobrás não pode, nesse grave momento, vacilar diante de pressões indevidas, sujeitar-se à lógica dos interesses privados nem agir como refém de uma auditoria que representa objetivos conflitantes com os da empresa e do País.

A investigação, o julgamento e a punição de corruptos e corruptores, doa a quem doer, não pode significar a paralisia da Petrobrás e do setor mais dinâmico da economia brasileira.

É o povo brasileiro, mais uma vez, que defenderá a empresa construída por gerações, que tem a alma do Brasil e simboliza nossa capacidade de construir um projeto autônomo de Nação.

Pela investigação transparente dos fatos, no Estado de Direito, sem dar trégua à impunidade;

Pela garantia do acesso aos dados e esclarecimentos da Petrobrás nos meios de comunicação, isentos de manipulações;

Pela garantia do sistema de partilha, do Fundo Social e do papel estratégico da Petrobrás na exploração do Pré-Sal;

Pela preservação do setor nacional de Óleo e Gás e da Engenharia brasileira.

Defender a Petrobrás é defender o Brasil – nosso passado de lutas, nosso presente e nosso futuro.

Petrobras CUT FUP

São Paulo é um Estado em estado letárgico, por isso as instituições não trabalham.

locomotivaE São Paulo é um Estado em estado letárgico.

Se fosse jogador de futebol diríamos que está em péssima fase. Dorme em campo. Não chuta, não cabeceia, não dribla e não faz gol.

Tudo trabalha contra a locomotiva brasileira. Está certo que a máquina é impulsionada à lenha, mas, segundo as grandes sumidades à la José Serra, FHC, mesmo assim carrega os outros federados nas costas.

No entanto, alguém acha que este trem poderia ser impulsionado por outro combustível se o maquinista é o mesmo há vários anos? E, ainda por cima, o diretor da companhia é o típico funcionário que só sabe por a culpa em terceiros e é avesso a qualquer novidade?

Até Deus, que deveria estar longe desses problemas mundanos, foi chamado à xinxa: Pô Deus! Vê se acerta a pontaria e faz chover onde precisa caramba! Disse o presidente da SABESP, ameaçando o paraíso com um choque de gestão.

São Paulo definitivamente assumiu a cara dos tucanos. Parou no tempo. Ficou sem graça, como um picolé de chuchu.

É uma monotonia só. As novidades são cópias, ou melhor, falsificações de obras de terceiros.

O governador do estado mais rico da união não é chamado a dar opinião em nenhum assunto considerado relevante. Também, pra quê, se nada vai acontecer, nem a audiência irá aumentar, não é verdade?

São Paulo com toda sua pujança mais parece uma cidadezinha do interior. Aquelas que têm uma praça com coreto, uma farmácia, uma lotérica e, claro, uma igreja.

Só lembramos de que estamos em uma  cidade grande devido ao trânsito, à violência, à saúde e à corrupção. Fora isso, os tucanos vendem, com ajuda e complacência da mídia,  imagem de que os paulistas vivem na Suíça.

E o algo de errado que por acaso surja não é, novamente, culpa do governador. E nunca será. A educação vai mal? Culpa dos imigrantes (nordestinos). Violência, culpa do governo federal que não controla o contrabando de armas na fronteira. Falta água, a culpa é das pessoas perdulárias. E do divino.

E por aí vai.

E também vamos dar crédito ao azar para essa letargia. Já que Geraldo Alckmin foi democraticamente reeleito.

São Paulo não teve a sorte de contar com juízes do naipe de um Sérgio Moro ou de um Joaquim Barbosa, por isso os casos de corrupção em São Paulo não vão pra frente. Não chegam às barras da justiça. Os excelentíssimos daqui são indolentes. Não tem dedicação, garra pra varrer do estado o malfeito.

Os delegados da polícia federal de Sampa parecem lobotomizados. Enquanto os do DF e do Paraná são ativos, dedicados, correm atrás dos ladrões, investigam  qualquer pista, qualquer informação (mesmo  que esses informações partam de notórios bandidos)  os nossos policiais não querem nada com nada. Vivem apenas a contar os  dias para aposentadoria. Não façam ondas.

A mídia foi outra que se deixou influenciar pelo ambiente de calma, paz e, por que não dizer, mesmice que o estado vive. Seus  jornalistas investigativos, por mais que tentem, não  conseguem achar nenhum defeito ou crime cometido pelo tucanato. São Paulo não dá notícia. Por isso a Veja está falindo. A TV globo perdendo audiência.

Os jornais  Estado de São Paulo e a Folha vão pelo mesmo caminho.

Também, pudera, os governantes paulistas são todas príncipes. Pessoas ilibadas.

A Suíça, a verdadeira, ousou acusar as autoridades estaduais de corrupção, no caso alcunhado  de “trensalão”, envolvendo o Metrô e  CPTM. A resposta foi imediata: o STF arquivou a acusação.

Tá pensando o que seus suíços? Aqui é PSDB na veia. Gente honestíssima.

E, todos sabemos da reputação dos suíços. Eles são conhecidos mundialmente como moleques, irresponsáveis, mentirosos e levianos, não é mesmo?

Bem, ironia à parte, São Paulo precisa acordar. E combater os atos ilícitos cometidos neste estado. 

Ladrão covarde acuado fala o que lhe vier à cabeça.

Fernando Brito vemos algo que beira a irracionalidade, pois no fim este ladrão, este canalha, este covarde sairá livre, rico e herói da nação. Isto é: se os inconformados com a vitória do PT conseguirem o objetivo mor: golpe em cima da Dilma .

Do site Tijolaco.com.br

 

As razões de um canalha contra o Brasil

13 de fevereiro de 2015 | 13:34 Autor: Fernando Brito

O Globo oferece espaço ao ladrão Paulo Roberto Costa, hoje, para atacar a decisão da Petrobras de construir navios e sondas de petróleo no Brasil.

Diz ele que a decisão foi “política”, não técnica.

É claro que foi: foi uma decisão de política industrial que privilegia a produção nacional, o emprego nacional e a capacidade tecnológica nacional.

Ou seja, que privilegia o Brasil.

Pode ter havido desvios em contratos? Pode e deve ser apurado.

Mas, da mesma forma, pode-se desviar – e até com mais facilidade, pois o dinheiro já está lá fora – na compra ou no afretamento destes equipamentos no exterior, se o contratante é um ladrão.

Diz o jornal:

“Em um dos depoimentos de sua delação premiada, divulgado na quinta-feira, Costa afirmou que a decisão de produzir navios para a Petrobras no Brasil “foi política e não técnica”, elevando os custos da estatal. Segundo ele, era muito mais barato e vantajoso encomendar de estaleiros da Coreia do Sul, por exemplo.”

Eu, particularmente, acho que teria sido “mais barato e vantajoso” ter mandado o senhor para a Coreia, mas a do Norte.

Mas, senhor ladrão, permita-me uma pergunta:

A sua decisão de roubar foi técnica ou  política?

Assim como poderia ter saído mais barato comprar um navio lá fora, não teria sido mais barato fazer contratos como os que o senhor fez sem embutir a propina?

O senhor, senhor ladrão, ignora os milhares  de encomendas, de empregos, de renda para os trabalhadores brasileiros que isso gerou – e gera ainda, apesar do que o senhor fez – e para suas famílias?

Porque a família dos operários não conta, se o senhor locupletou sua mulher, filhas e genros – todos perdoados no atacado pelo ínclito juiz Sérgio Moro –  com o dinheiro proveniente de sua roubalheira?

Só num país onde a imprensa se acanalhou um bandido como o senhor tem espaços nos jornais para deitar regras sobre o que seria uma decisão “técnica”.

O senhor é um ladrão, e ainda haverá quem lhe diga isso com todas as letras e sem temor, porque este estigma está em sua testa, por mais que o fantasiem de “salvador do país” e  “esperança dos honestos”.

Porque é ladrão e ladrão da pior espécie, o ladrão público, que o senhor é.

Por maiores que sejam seus arreglos com a Justiça e com a mídia, por mais que se acovardem os que devem enfrentá-lo, não há como tirar esta marca do senhor, nem em mil anos.

E em algum lugar há de haver gente capaz de chamá-lo assim, como o que o senhor é: ladrão.

 

Todo juiz tem o réu que merece, por Millôr Fernandes.

Millôr FernadesNesses tempos em que juízes viram heróis (ou vilões, dependendo do que mídia quer que a população acredite). Tribunais, verdadeiros palcos. Julgamentos, programas de auditórios. Leis e teorias, um joguete. Réus, em honestíssimos cidadãos. Nada melhor do que relembrar Millôr Fernandes e suas tiradas pra lá de espirituosas sobre a justiça.

 

Frases extraídas do livro Millôr Definitivo.

Juiz

  • Todo juiz tem o réu que merece.

Julgamento

  • Mais grave do que julgar um homem pelas aparências é julgá-lo à revelia.
  • O que é mais errado: julgar uma pessoa pelo que ela não é ou exatamente pelo que ela é?
  • Por que será que a gente sempre se julga pelas propostas e sempre julga os outros pelo resultado?
  • Horas de julgamento / E o réu pede licença / Pra ir na latrina / Em busca, pelo menos, / Da justiça divina.

Jurídico

  • Justiça tem a ver com a busca da verdade. Lei trata do comércio com a mentira.

Justiça

  • A justiça brasileira se moderniza. Agora as becas são de jeans.
  • A justiça é igual pra todos. Aí já começa a injustiça.
  • A justiça não é apenas cega; sua balança está desregulada e a espada sem fio.
  • A justiça pode ser cega: mas que olfato!
  • A justiça, todo mundo sabe, é a busca da Verdade. Ao contrário da Lei, que, como ninguém ignora, é o encobrimento da Mentira.
  • Generalizando-se a corrupção, restabelece-se a Justiça.
  • Pode ser até que que tenhamos alguns direitos iguais. Mas nossa Justiça faz questão de manter os deveres bem diferentes.
  • A justiça começa em casa. A injustiça não sai de lá.
  • A justiça é cega – mas quando vê um pobre-diabo por perto baixa a bengala branca nele.
  • A justiça tem que ser urgentemente ilegalizada.
  • Acredito que a posteridade fará justiça ao meu trabalho. Mas aí já estarei seguro.
  • Imaginem o horror de um mundo em que tribunais fossem a única maneira de se conseguir justiça. É o em que vivemos.
  • Justiça – loteria togada.
  • Se a tua causa é justa, o melhor é dar no pé.
  • Justiça poética? Nunca vi. Pra mim toda justiça é uma prosa. Quase sempre palavrões.
  • Livrai-me da justiça, que dos malfeitores me livro eu.
  • O problema é que o crime é perto. E a justiça mora longe.
  • Tenho certeza de que o mundo está se aproximando de uma era de verdadeira justiça e estabilidade social em que todas as boas ações serão devidamente punidas.

Represa não possui descarga, portanto a água não sumiu de uma hora para outra.

Inspirado na música de Zé Geraldo - Dando Milho aos Pombos - por Edison Brito

cantareira secaO PSDB estágovernando São Paulo faz 24 anos. Serra ou Alckmin se alternam no poder. Mas essa turminha manda por essas paragens há bem mais tempo. Desde a época do Franco Montoro, na década de 80. Quando todos pertenciam ao PMDB.

Alckmin caiu de paraquedas na política. Mario Covas, seu mentor, necessitava de um sujeito que não lhe fizesse sombra, que não lhe incomodasse no seu projeto de chegar à presidência. Ninguém melhor do que alguém com o perfil de Geraldo pra ser seu eterno vice. O Sancho Pança paulista.

Mas o destino pregou uma peça em Mário  Covas. Ele veio falecer vitimado por um câncer. Infelizmente,  deixando de legado a figura do governador atual. Um triste legado.

É sabido e sentido por todos que São Paulo vive um momento de crise de falta de água. E é diante da crise, quaisquer que seja ela, que o governante, ou mesmo…

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