“A libertinagem informativa não tem nada a ver com a liberdade de expressão; ao contrário, é seu exato oposto”

A que se deve o fato de o mundo inteiro ter chegado a pensar aquilo que todos os ditadores sempre quiseram inculcar nos povos que subjugam, ou seja, que a política é uma atividade vil?”.

Não sei quanto aos outros países, mas no Brasil a ideia de que política é uma atividade vil, e unicamente vil, parte da mídia.

Além de noticiar somente o que há de errado e de malfeito, e de esconder o bem feito, os avanços e as conquistas,  a imprensa  manipula as informações  segundo interesses próprios. Sem escrúpulos filtra, inventa, mente e edita informações, deturpando-as completamente. Portanto o cidadão comum, senão for atrás de outras fontes, não terá como escapar dessa armadilha midiática. Para ele, a politica e os políticos não prestam.

Como escreveu Llosa: “Em nossa época,  esses aspectos negativos da  vida pública foram amplificados, frequentemente de maneira exagerada e irresponsável pelo jornalismo marrom, com o resultado de que a opinião pública chegou à convicção de que política é atividade de pessoas amorais, ineficientes e propensas à corrupção”.

E qual o interesse dos barões de sedimentar essa imagem não só de vileza, como também do caos? O interesse primeiro desse pessoal é derrubar o governo do PT. E eles sabem que para retirá-los do poder, já que pelo voto não conseguiram,  precisam contar com apoio de parte da população. Então se portam desse modo, desonesto.

Para Mario Vargas  “Quando consideráveis parcelas de uma sociedade devastada pela inconsequência sucumbem ao catastrofismo e  à anomia cívica, o campo fica livre para os lobos e as hienas”.  E esses inescrupulosos não são mais dos que lobos e hienas.

Por que derrubar o governo? Porque esses senhores feudais temem que privilégios políticos, econômicos e sociais de décadas sejam extintos. Acostumados a mandar, a fazer-e-desfazer sem maiores explicações veem seus projetos obscuros ameaçados pelo  governo  democrático de Dilma Rousseff.

Pois, “O sistema democrático não garante que a desonestidade e o embuste desapareçam das relações humanas; mas estabelece alguns  mecanismos para minimizar seus estragos, detectar, denunciar e punir quem quer que se valha deles para atingir altas posições ou enriquecer, e – o que é mais importante- para reformar o sistema de tal maneira que esses delitos acarretem cada vez mais riscos para quem os cometer”.

Em vez de manipularem as informações da operação “Lava Jato” fazendo com que incautos, inocentes ou simplesmente maldosos odiassem a Dilma e o PT aponto de pedirem golpe, melhor seria usar este poder de influência em causas mais democráticas  e exigir a reforma política de modo honesto, não é mesmo? Sei,  é querer demais…

Mas não! A imprensa, digo A Globo, fez da operação “Lava Jato” sua tábua de salvação, já que o “mensalão” vazou água. Une o útil ao agradável.

O útil é o golpe e o agradável é destruir a Petrobrás. Entregando os mais de um trilhão de dólares em reservas de óleo para empresas parceiras. Geralmente norte-americanas. Agora, calculem os lucros astronômicos que eles terão. É o lucro total, e sem a contrapartida de ter que investir na educação e na saúde. A revista  Forbes terá que criar mais uma divisão, a dos trilhardários.

Mas, para que a Globo atinja esse objetivo essas pessoas precisam comprar certos produtos culturais, do tipo: O PT é uma quadrilha. A Dilma é corrupta. O Brasil está à beira do abismo. O fim do mundo está  próximo. E outros penduricalhos fascistas.

É a Globo criando o indivíduo egoísta, maldoso. O sujeito morto-vivo.

“Ao contrário, a publicidade e as modas que lançam e impõem os produtos culturais em nossos tempos são um  sério obstáculo à criação de indivíduos independentes, capazes de julgar por si mesmos o que apreciam, admiram, acham desagradável ou horripilante em  tais produtos. A cultura-mundo ( ou a Globo), em vez de promover o indivíduo, imbeciliza-o, privando-o de lucidez e livre-arbítrio, fazendo-o reagir à cultura dominante e de maneira condicionada e gregária, como os cães de Pavlov à campainha que anuncia comida”.

E mesmo conhecedor desse fato, quando se clama pela regulamentação da  mídia os imbecilizados bradam: é censura, é mordaça, é ditadura, é comunismo,  é bolivarianismo, é o fim da liberdade de expressão. E saem orgulhosos, como cachorros abanando o rabo, desfilando sua idiotice.

“A libertinagem informativa não tem nada a ver com a liberdade de expressão; ao contrário, é seu exato oposto”.

Textos destacados extraídos do livro “A civilização do espetáculo” de Mario Vargas Llosa.

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