Programa “Água para Todos”, do governo federal, beneficia milhares de brasileiros.

 

O programa “Água para todos”, do governo federal, já é uma realidade. Beneficiando milhares de pessoas do semi-árido, solucionou problema histórico da seca. Da miséria persistente. De doenças. E da fome.
Do site brasil.gov.br
“Programa já permitiu a construção 1,1 milhão de cisternas para atender famílias de baixa renda; Desde 2011, 823 mil foram construídas


   Portal Brasil publicado: 29/04/2015 15h20 última modificação: 29/04/2015 15h20

Na última década, o programa Água para Todos, do governo federal, promoveu uma revolução na vida de milhões de brasileiros que vivem na região do Semiárido, no Nordeste e Sudeste. Desde 2003, 1 milhão e 100 mil cisternas foram construídas em 10 estados da região, garantindo o abastecimento de água para o consumo e a produção de alimentos de mais de 5 milhões de pessoas que vivem em zonas rurais carentes.

 

Segundo dados do Ministério da Integração Nacional (MI), pasta hoje responsável pela coordenação do projeto, de 2011 a março de 2015, foram construídas mais de 823 mil cisternas voltadas para o consumo. O número corresponde a 13,1 bilhões de litros de água em capacidade de armazenamento. No mesmo período, outras 110 mil foram construídas para a produção de alimentos. O investimento é de R$ 4,2 bilhões, segundo o MI.

O sertanejo Raimundo Rodrigues Pessoa, de 48 anos, morador de Itapipoca, no Ceará, viu a vida da família mudar em 2010, quando uma cisterna para consumo foi construída em casa. Acostumados a passar por longos períodos de seca, os filhos e a mulher sofriam com o consumo de água contaminada. “Hoje minha água mineral é a minha cisterna”, diz a esposa de Raimundo, Maria das Dores Soares, de 44 anos.

Dois anos depois, uma cisterna para a produção alimentar abriu as portas para Raimundo plantar e vender abacaxi, cebolinha, chuchu e banana. A renda da família aumentou para mais de R$ 1 mil por mês. Com a melhora nas condições de produção, Raimundo também passou a criar porcos e galinhas. “Nunca imaginei um quintal com tanta comida”, conta o agricultor.

A tecnologia é simples e de baixo custo: a água da chuva é captada do telhado por meio de calhas e armazenada nas cisternas construídas com placas de cimento, permitindo que uma família de até cinco pessoas possa ter água para beber e comer por até oito meses.

“Se uma pessoa usar um satélite e abrir o mapa daqui, ela vai ver que está cheio de pontos verdes. Esses pontos são plantações no meio do Semiárido. Isso só foi possível por causa das cisternas”, atesta o agricultor familiar Abelmanto Carneiro de Oliveira, de 42 anos, em depoimento ao Portal Brasil. Morador de Riachão do Jacauípe, na Bahia, Abelmanto afirma que a construção das cisternas mudou a rotina da região e a ajudou a reduzir o êxodo rural. “Vejo agricultores voltando para o campo com liberdade para trabalhar naquilo que mais gostam”, diz ele.

Casado e pai de uma menina, Abelmanto foi contemplado com a construção de uma cisterna para produção alimentar em 2008. De lá para cá, apostou na diversificação. “Garanto uma alimentação saudável para minha família e vendo a produção excedente. Aqui eu planto cebolinha, alface, coentro, quiabo, beterraba, cenoura, melancia, manga… A lista é grande”, brinca ele. A família também cria 47 cabras e ovelhas e 45 galinhas.

O Programa tem duas diretrizes. Pelo Primeira Água, são construídas cisternas de 16 mil litros para captação e armazenamento de água para consumo. Participam famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa ou renda total de até três salários mínimos. Já o Segunda Água amplia a captação de água para 52 mil litros por unidade e atende a produção do pequeno agricultor que atua no Semiárido. Fazem parte do programa apenas famílias beneficiadas pelo Primeira Água.

Segundo o titular da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS (Sesan), Arnoldo de Campos, as tecnologias de água para produção são prioridade do Água para Todos. “Com essa tecnologia os agricultores garantem o sustento da própria família e também podem comercializar o excedente, gerando renda. Para Campos, as cisternas são fundamentais para a produção da agricultura familiar. “Precisamos avançar mais na construção desses reservatórios e integrar essa ação a outras políticas de apoio”, observa Campos.”

O projeto faz parte do Plano Brasil Sem Miséria e foi concebido a partir da necessidade da universalização do acesso e do uso da água para populações carentes e o reforço da segurança alimentar. Integram o programa os ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e do Meio Ambiente (MMA), com o apoio da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), da Fundação Banco do Brasil (FBB), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Petrobras, da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF), do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e os Estados.”

Info cisternas II

Fonte:
Portal Brasil 

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A verdade é imediatista, a Rede Globo continua golpista.

 

 

roberto marinha e figueiredoReproduzo abaixo parte do artigo da jornalista Angela Carrato explanando sobre 10 razões, pelo menos, do porque repudiar a Globo nos seus 50 anos  de existência.

Acrescento outros motivos:

– o senhor Galvão Bueno silenciou o microfone proposidadamente, antes do jogo da seleção, e amplificou  o som ambiente para que todos escutassem as vaias e o “Dilma vai tomar no c…”.

– Pela maneira sórdida de como foi feita a cobertura das manifestações de 15 de Março e, praticamente, escondida a de 13 do mesmo mês

– pelo modo torpe com que seus jornalistas conduzem as entrevistas, quando o assunto e governo federal.

– por esconder, ou criminalizar os movimento sociais.

– por atiçar e pressionar o judiciário nas suas decisões.

– por trabalhar descaradamente pelo golpe.

– por apelidarem seus telespectadores de “Home Simpson”.

– por trabalhar apenas por seus  interesses mesquinhos, contra a pluralidade e a verdade das informações.

– por influenciar no resultado das eleições de modo descarado.

por  sonegar impostos. (compra dos direitos de transmissão da copa do mundo 2002)

– por ,covardemente, descontruir imagens e reputações de quem não segue sua cartilha.

 

10 razões para que os setores comprometidos com a democratização da mídia no Brasil não tenham nada a comemorar neste cinquentenário.

1. Canal 4 estava prometido à Rádio Nacional

Em meados de 1950, Roberto Marinho era apenas um entre os vários empresários da comunicação no país. O magnata da época atendia pelo nome de Assis Chateaubriand e detinha a maior cadeia de jornais, rádios e duas emissoras nascentes de televisão. A rádio líder absoluta de audiência e mais querida do Brasil era a Nacional, a PR-8 do Rio de Janeiro, de propriedade do governo federal. O sucesso da Nacional era tamanho que animou seus dirigentes a solicitar que o então presidente da República lhe concedesse um canal de TV. Constava do currículo da Rádio Nacional já ter feito experiências pioneiras na área, ao ocupar o canal 4 para televisionar (como se dizia na época) dois dos seus programas.

O presidente da República era Juscelino Kubitschek, que considerou justa a reivindicação, uma decorrência natural da liderança da emissora. Na publicação de final de ano em 1956, a direção da Rádio Nacional anunciava para “breve” a entrada no ar da sua emissora, a TV Nacional, canal 4, conforme compromisso assumido por Juscelino. As concessões de canais de rádio e TV eram atribuições exclusivas do ocupante do Executivo Federal.

Os meses se passaram e Juscelino ”esqueceu-se” da promessa. No final de 1957, para surpresa da direção da Rádio Nacional, o canal 4 que lhes fora prometido acabou concedido para a inexpressiva Rádio Globo, de Roberto Marinho. A decisão foi condicionada por pressões diretas de Chateaubriand, que aceitava qualquer coisa menos que a Rádio Nacional ingressasse no segmento televisivo, temendo as consequências disso para seus negócios. Neste contexto, o canal ir para Roberto Marinho era um mal menor.

O Brasil perdeu assim a chance histórica de ter, no nascedouro, duas modalidades de televisão: a comercial, representada pelas emissoras de Chateaubriand, e a estatal voltada para o interesse público como seria a da Rádio Nacional.

2. Acordo com a Time-Life feriu interesses nacionais

Ao contrário da Rádio Nacional, que dispunha de todas as condições para colocar no ar sua emissora de TV, a de Roberto Marinho precisou aguardar alguns anos. Para a implantação da TV Globo, a partir de 1961, foi decisivo o apoio do capital internacional, representado pelo gigante da mídia norte-americana Time-Life. A emissora começou a operar de forma discreta em 26 de abril de 1965 e seus primeiros meses foram um fracasso em termos de audiência.

Em junho de 1962, Marinho passou a ser apoiado com milhões de dólares, num episódio que a emissora ainda hoje sustenta que se tratou apenas de “um contrato de cooperação técnica”. A realidade, fartamente documentada por Daniel Herz, em sua obra já clássica A história secreta da Rede Globo (1995), prova o contrário. Roberto Marinho e o grupo Time-Life contraíram um vínculo institucional de tal monta que os tornou sócios, o que era vedado pela Constituição brasileira. Foi este vínculo que assegurou à Globo o impulso financeiro, técnico e administrativo para alcançar o poderio que veio a ter.

A importância da ligação com os norte-americanos, nos primórdios da emissora, pode ser avaliada pela declaração do engenheiro Herbert Fiúza, que integrou a sua primeira equipe técnica: “A Globo era inspirada numa estação de Indianápolis, a WFBM. E o engenheiro de lá foi quem montou tudo, porque a gente não sabia nada”.

Chateaubriand, que antes havia ficado satisfeito em inviabilizar o canal de TV para a Rádio Nacional, percebeu o risco que suas emissoras passavam a correr. Tanto que dedicou ao “Caso Globo/Time-Life” nada menos do que 50 artigos, todos atacando Roberto Marinho e acusando-o de receber, na época, US$ 5 milhões, repassados em três parcelas, o que representava “uma ofensiva externa contra os competidores internos” (Morais, 1994, p.667).

A repercussão dessas denúncias foi tamanha que a CPI criada pelo Congresso Nacional para apurá-las acabou descobrindo que a TV Globo mantinha não um, mas dois contratos com o grupo Time-Life. Em um deles, os norte-americanos tinham participação de 49%. Em outras palavras, não se tratava de contrato, mas de sociedade. A CPI pôs fim à sociedade. Mas, ao invés de sair penalizada do episódio, a Globo foi duplamente beneficiada: Roberto Marinho ficou com o controle total da emissora e os militares, então no poder, não tomaram qualquer providência contra ela. A TV Globo poderia ter tido sua concessão cassada.

3. O apoio à ditadura militar (1964-1985)

Nos anos 1960, o Brasil era visto pelos Estados Unidos como sua área de influência direta. E a TV Globo foi fundamental para trazer para cá o way of life norte-americano juntamente com o seu modelo de televisão. A TV comercial, um dos tipos de emissora existentes no mundo, adquire aqui o status de única modalidade de TV. Não por acaso, Murilo Ramos (2000, p.126) caracteriza o surgimento da TV Globo como sendo “a primeira onda de globalização da televisão brasileira”, que, concentrada num único grupo local, monopolizou a audiência e teve forte impacto político e eleitoral ao longo das décadas seguintes.

Durante quase 20 anos, TV Globo e governos militares viveram uma espécie de simbiose. Os militares, satisfeitos por verem nas telas da Globo apenas imagens e textos elogiosos ao “país que vai para a frente”, retribuíam com mais e mais benesses e privilégios para a emissora. A partir de dezembro de 1968, com a edição do AI-5, o país mergulhou no “golpe dentro do golpe”, com prisão e perseguição a todos os considerados inimigos e adversários do regime e a adoção de censura prévia aos veículos de comunicação.

A TV Globo enfrentou alguns casos de censura oficial em suas telenovelas, mas o que prevaleceu na emissora foi o apoio incondicional de sua direção aos militares no poder e a autocensura por parte da maioria de seus funcionários.

Ainda hoje não falta quem se recorde de situações patéticas em que o então apresentador doJornal Nacional, Cid Moreira, mostrava aos milhares de telespectadores brasileiros cenas de um país que se constituía “em verdadeira ilha de tranquilidade”, enquanto centenas de militantes de esquerda eram perseguidos, presos, torturados ou mortos nas prisões da ditadura. Some-se a isso que a TV Globo sempre se esmerou em criminalizar quaisquer movimentos populares.

4. O combate permanente às TVs Educativas

Desde 1950 que as elevadas taxas de analfabetismo vigentes no Brasil eram uma preocupação constante para setores nacionalistas e de esquerda. Uma vez no poder, algumas alas militares viram na radiodifusão um caminho para combater a subversão e, ao mesmo tempo, promover a integração nacional. O resultado disso foi que, em 1965, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) solicita ao Conselho Nacional de Telecomunicações a reserva de 48 canais de VHF e 50 de UHV especificamente para a televisão educativa.

O número era dos mais significativos e poderia ter representado o começo de canais voltados para os interesses da população, a exemplo do que já acontecia em outras partes do mundo. Pouco depois do decreto ser publicado, Roberto Marinho começa a agir para reduzir sua eficácia. E, na prática, conseguiu seu intento. O decreto-lei nº 236, de março de 1967, se, por um lado, formalizava a existência das emissoras educativas, por outro criava uma série de obstáculos para que funcionassem. O artigo 13, por exemplo, obrigava essas emissoras a transmitir apenas “aulas, conferências, palestras e debates”, ao mesmo tempo em que proibia qualquer tipo de propaganda ou patrocínio a seus programas. Traduzindo: as TVs Educativas estavam condenadas à programação monótona e à falta crônica de recursos.

Como se isso não bastasse, o artigo seguinte fechava o cerco a essas emissoras, determinando que somente pudessem executar o serviço de televisão educativa a União, os estados, municípios e territórios, as universidades brasileiras e alguns tipos de fundações. Ficavam de foram, por exemplo, sindicatos e as mais diversas entidades da sociedade civil.

Dez anos após este decreto-lei, apenas seis emissoras educativas tinham sido criadas no país, número muito distante dos 98 canais disponíveis. As emissoras educativas não conseguiam avançar, esbarrando na legislação que lhes obrigava a viver exclusivamente do minguado orçamento oficial, ao passo que as televisões comerciais, em especial a Globo, experimentavam crescimento sem precedentes. Crescimento que contribuiu para cristalizar, em parcela da população brasileira, a convicção de que a emissora de Roberto Marinho era sinônimo de qualidade.

5. O programa global de telecursos

Oficialmente, o projeto tinha o nome de Educação Continuada por Multimeios e envolvia um convênio entre a Secretaria de Cooperação Econômica e Técnica Internacional (Subin) da Secretaria de Planejamento da Presidência da República, o BID, a Fundação Roberto Marinho (FRM) e a Fundação Universidade de Brasília (FUB). Aparentemente, o seu objetivo era nobre: “O atendimento à educação de população de baixa renda do país, mediante a utilização e métodos não tradicionais de ensino”.

Na versão inicial, o convênio tinha 15 cláusulas, com a FRM assumindo a condição de entidade executora e a FUB a de sua coexecutora. Na prática, o convênio ficou conhecido como Programa Global de Telecursos e atendia exclusivamente aos interesses da FRM. Através dele, a FRM pretendia, sem qualquer custo, apoderar-se do milionário “negócio” da teleducação no Brasil. Para tanto, esperava contar com recursos nacionais e internacionais inicialmente da ordem de US$ 5 milhões embutidos em um pacote de U$S 20 milhões solicitados pela Subin ao BID, no início de 1982.

A parceria com a FUB era importante por ela ser uma entidade voltada para o ensino público e estar isenta de impostos para a importação dos equipamentos necessários à montagem de um centro de produção televisiva a custo zero. Em outras palavras, a FRM pretendia tornar-se a administradora da verba (nacional e internacional) destinada às televisões educativas no Brasil, geridas pela Funtevê, entidade governamental. Imediatamente, a Funtevê deixou nítido que o convênio exorbitava as competências da FRM e da própria UnB. É importante assinalar que pela UnB um dos raros entusiastas deste convênio era o seu então reitor, capitão de mar-e-guerra José Carlos Azevedo.

A discussão em torno deste convênio e da tentativa das Organizações Globo de apropriarem-se dos recursos destinados às TVs educativas brasileiras ganham a imprensa nacional no final de 1982 e início de 1983. Matéria publicada pelo jornal Folha de S.Paulo (17/04/1983), sob o título de “Globo poderá monopolizar teleducação”, tratava o assunto em forma de denúncia. O “tiroteio” entre os jornais Globo e Folha de S.Paulo durou vários meses e o convênio, que acabou não sendo assinado, só foi sepultado três anos depois, com o fim do regime militar. Sem muita cerimônia, o então secretário-executivo da FRM, José Carlos Magaldi, chegou a admitir que “é óbvio que não fazemos teleducação por patriotismo”.

Esta não foi a primeira e nem a última tentativa das Organizações Globo de se apoderarem da teleducação no Brasil. Aliás, a FRM tem, nos dias atuais, representado o Brasil em vários fóruns internacionais sobre educação e teleducação. O MEC sabe disso?

6. O caso Proconsult e o combate a Leonel Brizola

Antes dos petistas, Leonel Brizola foi um dos políticos brasileiros mais combatidos pela TV Globo e por seu fundador, Roberto Marinho. Marinho nunca o perdoou pelo fato de ter comandado a Rede da Legalidade, nome que receberam as emissoras de rádio que, quando da renúncia de Jânio Quadros à presidência da República, em 1961, passaram a defender a posse de seu vice, João Goulart. Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, era cunhado de Goulart.

Com a vitória do golpe civil-militar de 1964, Brizola foi para o exílio e só pode retornar ao Brasil com a anistia, em 1979. Político com fortes compromissos populares, em 1982 disputou o governo do Rio de Janeiro, pelo PDT, partido criado por ele.

O caso Proconsult foi uma tentativa de fraude nas eleições de 1982 para impossibilitar a vitória de Brizola. Consistia em um sistema informatizado de apuração dos votos, feito pela empresa Proconsult, associada a antigos colaboradores do regime militar. A mecânica da fraude consistia em transferir votos nulos ou em branco para que fossem contabilizados para o candidato apoiado pelas forças situacionistas, Moreira Franco, do então PDS.

As regras da eleição de 1982 impunham que todos os votos (de vereador a presidente da República) fossem em um mesmo partido. Portanto, estimava-se um alto índice de votos nulos. Os indícios de que os resultados seriam fraudados surgiram da apuração paralela contratada pelo PDT à empresa Sysin Sistemas e Serviços de Informática, que divergiam completamente do resultado oficial. Outra fonte que obtinha resultados diferentes dos oficiais foi a Rádio Jornal do Brasil. Roberto Marinho foi acusado de participar no caso.

A fraude foi extensamente denunciada pelo Jornal do Brasil, na época o principal concorrente deO Globo no Rio e relatada posteriormente pelos jornalistas Paulo Henrique Amorim, Maria Helena Passos e Eliakim Araújo no livro Plim Plim, a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral (Conrad Editores, 2005). Devido à participação de Marinho no caso, a tentativa de fraude é analisada no documentário britânico Beyond Citizen Kane, de 1993. A TV Globo, por sua vez, defendeu-se argumentando que não havia contratado a Proconsult e que baseava a totalização dos votos daquela eleição na totalização própria que O Globo estava fazendo.

Em 1994, Brizola venceu novamente Roberto Marinho e a TV Globo ao obter, na Justiça, direito de resposta na emissora. Em 15 de março, um constrangido Cid Moreira (que por 27 anos esteve à frente da bancada do Jornal Nacional) leu texto de 440 palavras que a Justiça obrigou a TV Globo a divulgar em seu telejornal mais nobre.

Foram cerca de três minutos nos quais Cid Moreira, a cara do JN, incorporou Leonel Brizola, então governador do Rio de Janeiro, no mais célebre e então inédito direito de resposta, que abriu caminho para que outros cidadãos buscassem amparo legal contra barbaridades cometidas  pela mídia brasileira.

7. Ignorou as Diretas-Já

O PMDB lançou, em dezembro de 1983, uma campanha nacional em apoio à emenda do seu deputado Dante de Oliveira (MT) que restabelecia as eleições diretas no país com o slogan “Diretas-Já”. O primeiro grande comício aconteceu em São Paulo, em 25 de janeiro do ano seguinte, e coincidiu com o 430º aniversário da cidade. A TV Globo ignorou o comício que reuniu milhares de pessoas na Praça da Sé. Reportagem do Fantástico sobre o assunto falava apenas em comemorações do aniversário de São Paulo. Omissões semelhantes aconteceram em relação a outros comícios pelas Diretas-Já em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador.

De acordo com o ex-vice-presidente das Organizações Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, em entrevista ao jornalista Roberto Dávila, na TV Cultura, em dezembro de 2005, foi o próprio Roberto Marinho quem determinou a censura ao primeiro grande comício da campanha pelas Diretas-Já. Segundo Boni, àquela altura “o doutor Roberto não queria que se falasse em Diretas-Já” e decidiu que o evento da Praça da Sé fosse transmitido “sem nenhuma participação de nenhum dos discursantes”. Para Boni, aliás, no caso das Diretas-Já houve uma censura dupla na Globo: “Primeiro, uma censura da censura; depois, uma censura do doutor Roberto”.

A versão de Boni é diferente da que aparece no livro Jornal Nacional – A Notícia Faz História, publicado pela Jorge Zahar em 2004, e que representa a versão da própria Globo para a história de seu jornalismo. O texto não faz referência alguma a uma intervenção direta de censura por parte de Roberto Marinho. Aliás, a Globo vem tentando reescrever a sua história e, ao mesmo tempo, reescrever a própria história brasileira. Isto fica nítido, por exemplo, quando se compara a história brasileira com a versão que é publicada pela Globo através dos verbetes do Memória Globo. Pelo visto, a emissora aposta na falta de memória e na pouca leitura da maioria dos brasileiros para emplacar a sua versão dos fatos. Foi a partir da campanha das Diretas-Já que teve início a utilização, pelos diversos movimentos populares, do bordão “O povo não é bobo. Abaixo a Rede Globo”.

8. Manipulação do debate Collor x Lula

Na eleição de 1989, a primeira pelo voto direto para presidente da República desde 1964, a TV Globo manipulou o debate entre o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva e o do PRN, Fernando Collor. O debate era o último e decisivo antes da eleição. No telejornal da hora do almoço, a TV Globo fez uma edição equilibrada do debate. Para o Jornal Nacional, houve instruções para mudar tudo e detonar Lula. Foram escolhidos os piores momentos de Lula e os melhores de Collor. Ainda foram divulgadas pesquisas feitas por telefone segundo as quais Collor havia vencido. Além disso, o jornalista Alexandre Garcia leu um editorial nitidamente contra Lula e o PT.

Desde então, pesquisas e estudos sobre este “caso clássico de manipulação da mídia” têm sido feitas no Brasil, destacando-se as realizadas pelo sociólogo, jornalista e professor aposentado da UnB Venício A. Lima.

Apesar dos esforços da TV Globo para manter a versão de que a edição deste debate foi equilibrada, novamente seu ex-diretor José Bonifácio Sobrinho contribuiu para  derrubá-la. Depois de abordar o assunto em entrevistas à imprensa, por ocasião do lançamento de seu livro de memórias, o ex-dirigente global deu entrevista à própria GloboNews, canal pago da emissora, na qual admitiu, para o jornalista Geneton Moraes Neto, que, durante os debates da campanha presidencial transmitidos pela Globo em 1989, tentou ajudar o candidato alagoano. Para muitos, Boni só fez esta “revelação bombástica”, que quase todos já sabiam, para tentar promover seu livro.

9. Contra a democratização da mídia

Todos os países democráticos possuem regulação para rádio e televisão. Na Grã-Bretanha, por exemplo, a mídia e sua regulação caminharam juntas. O mesmo pode ser dito em relação aos Estados Unidos, França, Itália e Japão. Nestes países, tão admirados pelas elites brasileiras, nunca ninguém fez qualquer vínculo entre regulação e censura, simplesmente porque ele não existe. No Brasil, onde a mídia em geral e a audiovisual em particular vive numa espécie de paraíso desregulamentado, toda vez que um governo tenta implementar o que existe no resto do mundo é acusado de ditatorial e de querer implantar a censura.

Quando, em 2004, o governo do presidente Lula enviou ao Congresso Nacional projeto de lei criando o Conselho Nacional de Jornalismo, uma espécie de primeiro passo para esta regulação, foi duramente criticado pela mídia comercial, TV Globo à frente. Desde sempre, as Organizações Globo foram contrárias a qualquer legislação que restringisse o poder absoluto que desfruta a mídia no Brasil. Prova disso é que os dispositivos do Capítulo V da Constituição brasileira, que trata da Comunicação Social, continuam até hoje sem regulamentação.

Entre outros aspectos, o Capítulo V proíbe monopólios e oligopólios por parte dos meios de comunicação, determina que a programação das emissoras de rádio e TV deva dar preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas. O capítulo enfatiza, ainda, que as emissoras e rádio e TV devem promover a cultura nacional e regional, além de estimularem a produção independente. Todos esses aspectos mostram como a TV Globo está na contramão de tudo o que significa uma comunicação democrática e plural.

Aliás, os compromissos dos mais diversos movimentos sociais brasileiros com a regulação da mídia foram reafirmados durante o 2º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação, promovido pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, de 10 a 12 de abril, em Belo Horizonte. O evento reuniu 682 participantes entre ativistas, estudantes, militantes, jornalistas, estudiosos, pesquisadores, representantes de entidades e coletivos de todo o Brasil. Presente ao encontro esteve também o canadense Toby Mendel, consultor da Unesco e diretor-executivo do Centro de Direitos e Democracia.

A carta final do encontro, intitulada “Regula Já! Por mais democracia e mais direitos”, disponível na página da entidade (www.fndc.org.br), reafirma “a luta pela democratização da comunicação como pauta aglutinadora e transversal, além de conclamar as entidades e ativistas a unirem forças para pressionar o governo a abrir diálogo com a sociedade sobre a necessidade de regular democraticamente o setor de comunicação do país”.

10. Golpismo

Para vários pesquisadores e estudiosos sobre movimentos sociais no Brasil, a mídia, em especial a TV Globo, tem tido um papel protagonista nas manifestações contra a presidente Dilma Rousseff e o PT. Alguns chegam mesmo a afirmar que dificilmente essas manifestações teriam repercussão se não fosse a Rede Globo.

Em outras palavras, a Rede Globo, tão avessa à cobertura de qualquer movimento popular, entrou de cabeça na transmissão destas manifestações e, no domingo 15 de março, por exemplo, mobilizou, como há muito não se via, toda a sua estrutura com o objetivo de ampliar a dar visibilidade a esses atos. Quase 100% de seus jornalistas estiveram de plantão. Durante o programa Esporte Espetacular, exibido tradicionalmente nas manhãs de domingo, o esporte deu lugar para chamadas ao vivo sobre os protestos, que, em tom de convocação, passaram a ocupar a maior parte do tempo.

Nas entradas ao vivo em todas as cidades onde aconteciam mobilizações, os microfones da emissora captaram gritos de guerra contra o atual governo e xingamentos contra a presidente. Em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, foi possível ouvir inclusive palavrões. A título de comparação, as manifestações de 13 de março, que também aconteceram em todo o Brasil e defenderam a reforma política, não mereceram cobertura tão dedicada do maior conglomerado midiático da América Latina.

Erick Bretas, diretor da Rede Globo que há poucas semanas defendeu abertamente o impeachment da presidente Dilma nas redes sociais, voltou a se pronunciar sobre os atos do dia 15, utilizando uma frase de Bob Marley para convocar, através de sua página no Facebook, o povo às ruas: “Get up, stand up”.

Não se sabe se Bob Marley apoiaria a postura de Bretas, mas, sem dúvida, é fato que entre os princípios editoriais da TV Globo não consta nem a “isenção” e muito menos o equilíbrio que tanto prega. Por isso, talvez o melhor resumo sobre a realidade desses protestos e a empolgação da transmissão feita pela TV Globo seja a do professor Gilberto Maringoni, ex-candidato do PSOL ao governo de São Paulo. Segundo Maringoni, “a manifestação principal não está nas ruas. Está na TV”.

Nas redes sociais, internautas repudiaram a cobertura feita pela TV Globo e alcançaram, durante 48 horas ininterruptas, para a hastag#Globogolpista, a primeira posição entre os assuntos mais comentados do Twitter. Novos protestos estão previstos para o dia 26/4. Razão pelo qual este promete ser o pior aniversário da TV Globo em toda a sua história.

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Ângela Carrato é jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG. Este artigo foi publicado no blog Estação Liberdade

Emprego se recupera em Março.

 

empregos em marçoA caravana passa, e os cachorros ladram. É sempre dessa forma.

Informação extraída do site brasil.gov.br

A geração de empregos com carteira assinada apresentou uma recuperação em março, interrompendo uma sequência de três meses em queda. Houve um saldo (diferença entre contratações e demissões) de 19.282 novos postos de trabalho no mês passado em todo o Brasil, um resultado superior às 13.117 vagas surgidas em março de 2014.

A estimativa do Ministério do Trabalho é que a tendência positiva continue em abril e ajude a reverter o número de 50.354 empregos a menos no primeiro trimestre de 2015. No mês passado, o saldo de vagas foi puxado pelo setor de serviços, sobretudo na área de ensino, e pelo desempenho econômico nas cidades do interior.

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, disse que o País está começando a se recuperar da crise. “No nosso entendimento, estamos vivendo uma crise política que também impacta a economia. Isso posterga a compra de um automóvel, de um apartamento e o investidor deixa de investir”, afirmou, ao divulgar o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

“O que nos mostra o resultado de março é que nós começamos uma recuperação e abril será melhor do que março”, acrescentou o ministro.

Serviços

As oportunidades de trabalho surgiriam mais em serviços e no comércio, com um saldo mensal de 53.778 novas vagas e 2.684, respectivamente. O resultado nesses segmento compensou as perdas que são mais sentidas na indústria de transformação (queda de 14.683 postos no mês) e na construção civil (18.205 a menos).

As regiões mais dinâmicas foram os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que tiveram saldos positivos. As perdas de empregos ocorreram no Norte e Nordeste. Este último, segundo o ministério, teve a efeito de queda por conta do setor de álcool e açúcar –Pernambuco registrou o fechamento de 11.862 vagas no mês passado.

O estado que mais criou empregos no mês passado foi São Paulo, com 12.907 vagas. Em seguida, aparecem Rio Grande do Sul (12.240) e Paraná (10.174). Segundo dados do ministério, as cidades do interior concentraram a geração de postos de trabalho: 22.517 em março. Por outro lado, as regiões metropolitanas fecharam 2.595 empregos.

Jovens

O mercado de trabalho terá, em 2015, um ano de pressões com o nível de atividade mais fraco na economia e a maior procura por emprego pelos jovens e pessoas mais velhas. “Há uma tendência de retorno desses grupos de pessoas ao mercado, o que não ocorreu em ano recentes”, avalia Clemente Ganz Lucio, diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

 Segundo ele, a desvalorização do real frente ao dólar beneficia a indústria que pode estimular as exportações e assim estimular a geração de empregos. “Tudo depende de quanto vai durar o atual ajuste na economia. E o emprego industrial é muito importante para toda a economia”, afirmou o diretor do Dieese.

Vamos descomemorar os 50 anos da Globo.

 

50 anos da globo

Informações do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, o FNDC:

Companheiros e companheiras de luta pela democratização da comunicação,

No próximo dia 26 de abril, a Rede Globo de Televisão completa 50 anos de fundação. Trata-se de uma data simbólica para as organizações da sociedade civil, porque é o momento de denunciar o monopólio do sistema de comunicação do Brasil e de questionar o papel dessa empresa na própria histórica política do país, desde o apoio ao regime militar até a parcialidade de suas coberturas, inclusive nos dias atuais, exaltando poderosos e criminalizando ou tornando invisível a luta dos movimentos sociais.

Entidades o organizações ligadas aos Comitês do FNDC em diversos estados estão preparando atividades para os próximos dias. São atos de rua, debates e ações coordenadas nas redes sociais. Reiteramos a importância do envolvimento do FNDC, seus comitês e entidades filiadas na construção e promoção dessas atividades, uma tarefa que foi tirada como prioritária na plenária final do 2º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (ENDC), em Belo Horizonte, no dia 12 de abril.

A seguir, algumas sugestões e orientações para todos/as os/as ativistas que estão participando ou pretendem construir ou participar dos atos de descomemoração dos 50 anos da TV Globo:

TEXTOS: Está circulando o manifesto “50 anos da TV Globo: vamos descomemorar” (em anexo), assinado por dezenas de entidades e movimentos sociais de todo país. É preciso dar amplo conhecimento a este manifesto e, se possível, distribuir cópias dele nas atividades previstas.  Alguns estados elaboram outros textos, panfletos e manifestos que também se somam nesse conjunto de documentos. Estes textos podem e devem ser usados como panfletos, base para matérias nas mídias alternativas ou para mera divulgação nas listas de discussão, redes sociais, sites e blogs.

AUDIOVISUAL: Há um conjunto de vídeos sobre a Rede Globo e sua relação com o poder e a hegemonia no sistema de comunicação do país, que recomendamos às/aos militantes que possam ser compartilhados no processo de agitação e mobilização em torno dos atos, podendo ser usados tanto nas ações públicas, quanto nas redes sociais:

Sonegação da Globo – https://www.youtube.com/watch?t=535&v=dZLHlio62O4

Globogolpe Remix – https://www.youtube.com/watch?v=-fzrO_P0Z3M&feature=youtu.be

Levante sua voz – https://www.youtube.com/watch?v=KgCX2ONf6BU

Muito além do Cidadão Kane – https://www.youtube.com/watch?v=049U7TjOjSA

Don Quixote no cérebro da Globo – https://www.youtube.com/watch?v=9ZRibgkHUfk

Outros vídeos e materiais produzidos com este tema, e em fase de edição final, também serão incluídos nesta lista, posteriormente.

Ainda esta semana, a ARCO-RJ/MNRC vai disponibilizar spots/vinhetas de áudio, com foco neste tema, para ampla veiculação das rádios comunitárias, públicas e rádios web.

REDES SOCIAIS: Precisamos intensificar a ação nas redes sociais ao longo de toda a semana e na seguinte. A sugestão de hashtag unificada é: #Globo50AnosdeDitadura. Estimulamos a criação e compartilhamento de posts, sempre associados a esta hashtag, bem como divulgação dos vídeos e vinhetas sugeridos acima.

COLETA DE ASSINATURAS: Os atos de descomemoração dos 50 anos da TV Globo são oportunidade de coletar assinaturas e debater o Projeto de Lei da Mídia Democrática. Para baixar o formulário de coleta bem como todos os materiais da campanha, acesse: http://www.paraexpressaraliberdade.org.br/?p=900

PARLAMENTO: A ideia é estimular que parlamentares comprometidos com esta luta façam pronunciamentos nos espaços legislativos das três esferas da Federação (Senado, Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores), nas semanas que antecedem e sucedem o 26/04. Uma carta-modelo a ser enviada aos parlamentares segue em anexo.

ATOS, DEBATES E PANFLETAGENS: Aonde for possível, orientamos os comitês e frentes estaduais e locais, e suas entidades, a organizarem debates, panfletagens e mesmo atos de rua, na semana que antecede a data do aniversário, na própria data do aniversário da Rede Globo (26/04) ou na semana subsequente.

Saudações e boa luta à todos e todas!

Coordenação Executiva do FNDC

DO Jornal GGN: vejam “a capivara” dos defensores da ética.

Jlistao_da_capivara_aornal GGN – Lideranças de partidos de oposição ao governo receberam, na quarta-feira (15), alguns dos agitadores dos protestos dos dias 15 de março e 12 de abril – entre eles, Rogério Chequer, do Vem Pra Rua. Durante o encontro, figurões como Agripino Maia (DEM), Ronaldo Caiado (DEM), Mendonça Filho (DEM), Paulinho da Força (SD), Aécio Neves (PSDB) e Roberto Freire (PPS) tiveram a oportunidade de esbravejar contra os casos de corrupção que desgastam o PT e a gestão Dilma Rousseff.

Chama atenção, entretanto, a ficha dos defensores da ética e do combate indiscriminado à corrupção. Associação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, prisão por fraudes e desvios em grandes obras, contas em paraísos fiscais em nome de familiares, recebimento de propina, recursos de campanha questionados na Justiça e até falsificação de documentos para criação de partido fazem parte do histórico de acusações e dos relacionamentos intrigantes que envolvem as estrelas políticas do encontro em tela.

O GGN fez uma breve seleção:

1 – Aécio Neves (PSDB)

O neto de Tancredo Neves que construiu um aeroporto de R$ 14 milhões no terreno do tio-avô já foi questionado na Justiça sobre o paradeiro de mais de R$ 4 bilhões que deveriam ter sido injetados na saúde de Minas Gerais. O caso Copasa contra o ex-governador foi engavetado, por manobras jurídicas. Destino semelhante tiveram as menções a Aécio na Lava Jato. O tucano foi citado por Alberto Youssef como beneficiário de propina paga com recursos de Furnas. Para o procurador-geral da República, isso não sustenta um inquérito. Rodrigo Janot também cuida de outro escândalo que leva a Aécio, sob a palavra-chave Liechtenstein (um principado ao lado da Suíça). Investigando caso de lavagem de dinheiro, procuradores do Rio de Janeiro chegaram a uma holding que estava em nome da mãe, irmã, ex-mulher e filha do tucano. Esse inquérito está parado desde 2010 – época em que Roberto Gurgel era o PGR.

2- Agripino Maia (DEM)

Presidente do DEM, Agripino Maia foi dono das expressões mais sugestivas de defesa da luta contra a corrupção. “Chegou a hora de colocar o impeachment [de Dilma Rousseff]”, disse no encontro com os manifestantes anti-governo. O senador tem em seu currículo a acusação de receber R$ 1 milhão em propina, em um esquema que envolvia a inspeção de veículos no Rio Grande do Norte, entre 2008 e 2011. Coordenador da campanha presidencial de Aécio, o democrata, em 2014, teve seu caso arquivado no MPF pelo ex-procurador-geral da República Roberto Gurgel. Mas foi reaberto há sete meses por Janot, e agora está sendo investigado no Supremo Tribunal Federal (STF).

3- Ronaldo Caiado (DEM)

O senador Ronaldo Caiado (DEM) é associado ao bicheiro Carlinhos Cachoeira por supostamente ter recebido verba ilícita nas campanhas de 2002, 2006 e 2010. Cachoeira foi denunciado por tráfico de influência e negociava propinas para arrecadar fundos para disputas eleitorais. O bicheiro foi preso em 2012 por operação da Polícia Federal que desbaratou esquema de adulteração de máquinas caça-níquel. Caiado foi citado nesse contexto, recentemente, por Demóstenes Torres. Ele teria participado de negociação entre Cachoeira e um delegado aposentado que queria ampliar esquemas de jogo ilegal. Até familiar do democrata já foi alvo de denúncia. O pecuarista Antônio Ramos Caiado, tio de Caiado, está na lista suja do trabalho escravo. 4- Roberto Freire (PPS) Uma das principais acusações que pesam contra o presidente nacional popular-socialista é de envolvimento com o Mensalão do DEM. A diretora comercial da empresa Uni Repro Serviços Tecnológicos, Nerci Soares Bussamra, relatou que o partido praticava chantagem e pedia propina para manter um contrato de R$ 19 milhões com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, comandada pelo deputado Augusto Carvalho. Freire teria sido beneficiado no esquema. 5- Paulinho da Força (SD)

O presidente do Solidariedade, segundo autoridades policiais, participou de esquema de desvio de recursos do BNDES. Um inquérito foi aberto no STF para investigar o caso. Em 2014, a Polícia Federal também indiciou a sogra e outras duas pessoas ligadas ao deputado federal sob suspeita de falsificarem assinaturas para a criação do Solidariedade. Gilmar Mendes conduzirá, ainda, a apuração em torno da suposta comercialização de cartas sindicais (uma espécie de autorizações do Ministério do Trabalho para a criação de sindicatos) por Paulinho, dirigente da Força Sindical. Consta nos registros que cada carta era vendida carta por R$ 150 mil.

6– Mendonça Filho (DEM)

Em fevereiro de 2014, Mendonça se envolveu em uma polêmica por querer indicar deputado acusado de duplo homicídio pelo Supremo Tribunal Federal para presidir a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Julio Campos (DEM), ex-governador do Mato Grosso, afirmou que Mendonça teria dito que a indicação era uma “homenagem”. O deputado federal de Pernambuco já foi preso pela Justiça eleitoral sob acusação de fazer carreata no dia de votação, mas o STF decidiu que não houve crime eleitoral. Um documento da Operação Castelo de Areia citava contribuição suspeita de R$ 100 mil da Camargo Correa a Mendonça, para sua tentativa de ser prefeito do Recife. Ele admitiu que recebeu R$ 300 mil da empresa, mas alega que foram doações dentro das conformidades.

7- Carlos Sampaio (PSDB)

O deputado mais votado da região de Campinas (SP) recebeu R$ 250 mil de uma empreiteira envolvida no esquema de corrupção da Petrobras investigado na Operação Lava Jato. Sua última campanha arrecadou, oficialmente, R$ 3 milhões. Não há comprovação sobre a lisura da doação. Sampaio, coordenador jurídico do PSDB e autor do pedido para que Aécio fosse empossado no lugar de Dilma Rousseff, teve reprovada a sua prestação de contas referente às eleições para a Assembleia de São Paulo, em 1998, e às eleições municipais de Campinas, em 2008.

8- Luiz Penna (PV)

O presidente do PV também aparece um tanto escondido na fotografia. Irregularidades já remetidas à prestações de contas do partido incluem seu nome. Em 2006, por exemplo, boa parte dos R$ 37,8 mil gastos em passagens aéres e R$ 76,8 mil com diárias de campanhas eleitorais foram atribuídos a José Luis Penna. Na época, servidores do TSE apontaram ausência de documentos que comprovassem os gastos e uso de notas frias, indicando empresas fantasmas que teriam prestado os serviços. O corpo técnico do Tribunal sugeriu a rejeição das contas do partido de 2004, 2005 e 2006. O deputado federal respondeu a dois processos judiciais, um pelo TRE-SP, rejeitando a sua prestação de contas à eleição de 2006, e outra pelo TSE reprovando as contas do PV de 2004.

 

9- Flexa Ribeiro (PSDB) O hoje senador já foi preso pela Polícia Federal em 2004, na Operação Pororoca, por fraude em licitações de grandes obras realizadas no Amapá. Foi acusado de corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, tráfico de influência, peculato, prevaricação, usurpação de função pública e inserção de dados falsos em sistema de informações. 10- Antonio Imbassahy (PSDB) O deputado federal tucano era prefeito de Salvador em 1999, quando contratos suspeitos foram assinados com as empresas Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Siemens, que formavam o consórcio responsável pelo metrô da capital baiana. O Ministério Público Federal investiga o superfaturamento nas obras, que gira em torno de R$ 166 milhões. Até agora, dois gestores indicados por Imbassahy à época e duas empresas foram indiciadas. O tucano é o vice-presidente da CPI da Petrobras, que investiga desvios de verbas da estatal, onde diretores da Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa também aparecem como réus. Imbassahy foi acusado pelo PT de se aproveitar do posto na CPI para pedir documentos à Petrobras e vazar para a imprensa.

11- Beto Albuquerque (PSB)

Ex-colaborador do governo Tarso Genro (PT) no Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque (PSB) foi envolvido na intriga que rendeu a queda do então diretor-geral do Departamento de Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) José Francisco Thormann. Thormann se antecipou a uma demissão após a imprensa local ter revelado que ele viajou à Suiça às custas de uma empresa privada subcontratada para fazer obras no Estado. Em nota de defesa, Thormann afastou suspeitas sobre o fato, e revelou que Beto Albuquerque, quando secretário de Infraestrutura do Estado, também fez viagens ao exterior bancadas por empresas que detinham contratos com o poder público. Quando a notícia surgiu, Beto já não era secretário – tinha deixado a gestão petista para reforçar a bancada do PSB na Câmara Federal.

Aécio Neves em mais uma denúncia envolvendo a navegação aérea.

aecio neves 1O grupo Globo, através do site da revista Época, fez denúncia contra a pessoa do histérico/mimado/inconformado Aécio Neves, líder do projeto “Fora Dilma”. Um milagre. E, ainda por cima, o jornalista a deu uma cutucada no senador. Outro milagre.

Escreve o repórter Leandro Loyola:

“Senador Aécio usou helicóptero do governo de Minas para escapar de engarrafamento”

O senador tucano Aécio Neves voou em helicópteros do governo de Minas Gerais por cinco vezes para se deslocar em Belo Horizonte e pegou carona num avião – também do governo – para viajar da capital mineira até Brasília. Os passeios começaram logo após Aécio deixar o governo de Minas e se estenderam até 2012. Aécio diz que está tudo dentro da normalidade. Ao menos ele não voou até o aeroporto em Cláudio – aquele que foi desapropriado em seu governo nas terras do tio dele. 17/04/15

Aécio, preste atenção no recado da mídia embutido na notícia:

Senador pare com essa loucura! Deixe de ser “moleque”. O senhor não vai conseguir dar o “impeachment” na Dilma, isso é coisa pra gente grande e tarimbada no mundo do golpismo. Deixe que a mídia cuide disso.

Inúmeras vezes mandamos esse recado. Mas parece que o senhor não entende. Ou o ódio está lhe cegando.

Por favor, antes de iniciar a explanação, não vá imaginando que o senhor foi abandonado por nós da mídia. Que cortamos o apoio, ou algo parecido. Não, não é isso! Jamais, volto a repetir, jamais esqueceremos as verbas milionárias despejadas na imprensa enquanto governador. A gratidão é o mais nobre dos sentimentos, já disse alguém, que não me lembro agora. E também não vem ao caso.

Outra coisa, o grupo Globo não abandonou o projeto ”golpe”. Como pode notar, estamos diuturnamente desconstruindo a imagem de Lula, do Dirceu, da Dilma, do Haddad e do PT. Mais do que isso, só se passarmos do limite da irresponsabilidade. Não concretizamos ainda o golpe porque falta um delator com “culhão”, no caso Lava Jato, pra envolver diretamente o Lula. E cá entre nós, mesmo com o simbolismo do premio “Faz Diferença” o Sérgio Moro não deslancha. O que ele tem de exibicionista, lhe falta em inteligência…

Mas voltemos ao assunto principal: o recado por trás da notícia.

Continuando. E falando francamente. Publicamos este “furo” para lembrar-lhe que lhe falta o principal para derrubar o governo Dilma, ou seja: moral.

Se realmente esqueceu este pequeno detalhe estamos te lembrando. Quem tem telhado de vidro não atira pedra no quintal alheio, certo?

Pois é, no afã de derrubar a qualquer custo a presidenta o nobre congressista vai acabar inviabilizando candidaturas com muita mais chance do que a sua de chegar ao poder. Geraldo Alckmin, José Serra e Marconi Perillo estão na boca. E antes que chore, sabemos que eles também têm telhado de vidro. Estão atolados até o pescoço na lama de falcatruas. No entanto eles são sutis, ardilosos, dissimulados, obedientes e calmos. Sabem o momento de atirar.

Você não. É tão atabalhoado que só lhe restou esse bando de fascistas ressuscitados para liderar. E um Lobão aqui, e outro acolá. São esses lunáticos que clamam por sua presença nas passeatas. Alias, manifestações essas que estão morrendo, apesar de todo nosso esforço de reportagem.

E agora como vai agir? Vai pedir intervenção militar? Tirar a roupa na avenida? Fazer “selfie” com a PM? Empunhar cartaz escrito em “ingres”: USA, SALVE US OF THE COMUNISM?

Bem, senador conforme-se com a derrota: o senhor é carta-fora-do-baralho. E reze pra não ser preso. A coisa tá feia pro seu lado. Mesmo nós da mídia, escondendo e manipulando informação a seu respeito, não podemos salvar o seu pescoço eternamente: sossega o facho.

A praia no Leblon está liberada para o banho. Por favor, não leve sabonete.

O recado está dado: pare! Imediatamente.