Anúncio solicitando uma escrava para baba. Ano 2015.

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Anúncio solicitando baba, Belém PA

Quando afirmo que a sociedade brasileira ainda não exorcizou os fantasmas da escravidão alguns acham exagero de minha parte. Mas nenhum país passa incólume a 300 de anos de escravidão. Resquícios, costumes, preconceitos, racismos estão entranhados no nosso dia-a-dia.

Costumo dizer: não ser racista requer um patrulhamento contínuo de nossa parte. Sem culpa, sem pudores.

Não é pra menos, pessoas nasceram, cresceram, procriaram e morreram dentro deste mundo escravocrata. Não imaginavam um mundo sem pretos a servi-los. Ter um ser humano como objeto de pertencimento era sinal de status.

Pequenos agricultores, comerciantes, funcionários públicos e até ex-escravos tinham o seu escravo. A cultura da escravidão foi transmitida de geração em geração.

O racismo, na forma como conhecemos, surgiu e se disseminou fortemente após o fim da escravidão. O domínio legalizado pode ter terminado, mas nada impediu que brancos continuassem a tratar os pretos com desdém, asco, ódio e com menosprezo. Não houve discussão ou debate, por parte das elites da época, sobre que destino dar aos milhões de libertos. Simplesmente foram jogados na rua. Sem amparo legal nenhum.  Nem tentativa de integração desta massa na sociedade houve.

Intelectuais e autoridades ligadas à educação nunca se preocuparem em implementar estudos sobre as consequências da escravidão no Brasil. O máximo que vi sobre este assunto foi um preto com as algemas partidas rindo de felicidade, com todos os dentes na boca.

Em não se estudando de maneira imparcial e séria o problema muitos cidadãos não conseguem se por no lugar do outro para entender o que é ser discriminado, portanto ficam insensíveis ao outro, porque ou outro não é outro, é ainda, na visão tacanha eternizada pela falta de conhecimento, um nada.

Só recentemente, coisa de 12 anos, o Brasil começou a discutir e combater firmemente este comportamento “senhorial” dos brancos em relação aos afrodescendentes. Aí começou a despontar o racismo de maneira mais veemente. Percebam a rejeição da classe média em relação às cotas nas universidades. Ou a mulher, ou ex, do José Serra criticando o bolsa-família e afirmando que com este tipo de “esmola” elas, as madames, teriam dificuldades em contratar “criadas”. Tudo esses disparates são frutos da ignorância.

Aliás, a classe das empregadas domésticas se sobressaem quando o assunto é discriminação e racismo. Este tipo de trabalho é um fóssil vivo dos tempos escravocratas. Até hoje, no congresso, se discute os direito delas.

E este pensamento persiste.

Recentemente em Belém, PA, colocaram o  anúncio que abre este artigo.

Quando li fiquei algum tempo sem entender. Isso é verdade? Não é uma pegadinha, brincadeira ou sei lá mais o quê?

Não, não é sacanagem é verdade.

A sem noção levou ao expoente máximo o índice de ignorância. E acha que esta fazendo o bem.

Se aproveitando do estado de vulnerabilidade da alguma família tenta contratar uma baba. E a besta-fera ainda acha que está fazendo um favor ou alguma bondade bíblica. É muita cara-de pau. Além de processada esta coisa deveria ser internada para tratamento contra preconceito e racismo. Os pastores não apregoam a “cura gay”, então por que não propõe uma profilaxia ou cura para este tipo de comportamento também?

Sabe qual a diferença do anuncio acima para este abaixo?

 

anuncio de escravoO tempo. Aproximadamente cento e cinquenta anos, só isso. A essência é a mesma.

Este casal é apenas um exemplo típico do exposto acima.

E eles não estão só vejam mais esse.

 

anuncio-no-FB-trab-infantilSó punição e esclarecimento para acabar com essas aberrações. A escravidão é um episódio que tem que vir à tona. Ser mais cutucado, até exorcizarmos todos os fantasmas. Todos

Reportagem completa no site da CartaCapital: http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2015/05/04/precisa-se-de-meninas-para-trabalho-infantil-e-escravo/

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