Cartunista Laerte e o Estatuto da Família.

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Falta água em São Paulo e o governador ganha prêmio de Gestor Hídrico. É um absurdo.

sem águaAbsurdo dos absurdos é o prêmio de concedido ao governador Geraldo Alckmin na categoria “Gestão Hídrica” pela câmara de deputados. Indicação do tucano João Paulo Papa.

Esse deputado só pode ser um gozador mal intencionado. Gozador porque ele mesmo deve rir de seu gesto no sozinho do banheiro. A indicação bisonha do nobre não tem o menor cabimento.

Mal intencionado porque ele deve estar amaciando a carne do Geraldo para as próximas eleições presidenciais.

A falta d´água é culpa exclusiva da má gestão hídrica dos PSDBistas. Eles são os culpados, únicos culpados, pelo racionamento cruel imposto aos moradores do estado. Não há por onde fugir de sua responsabilidade.

Pois os tucanos voam sobre esta comarca há 35 anos. Começaram a construir seu ninho com Franco Montoro, na década de 80, e desde então veem se revezando no comando do estado. Covas, Geraldo, Geraldo, Serra, Serra, Geraldo, Geraldo, Serra, Serra e por aí vai, com raras aparições de outros, tipo Maluf, Lembo, Goldman.

Há muito o sistema de abastecimento vem dando sinais de esgotamento. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) alertou, por várias vezes, a Secretaria Estadual de Recursos Hídricos sobre a escassez de água se não houvesse um plano de contingenciamento.

E o que os gestores estaduais fizeram? Bem, pra não dizer que não fizeram nada, eles, seguindo a receita neoliberal, recheada de Ricardos e Adam Smiths, privatizaram a SABESP. E o “agraciado com o premio” deu a maior riqueza da humanidade pros gringos explorarem. Caramba! O que os americanos têm a ver com nossa água? Por que eles merecem ganhar dinheiro às custas de nossos recursos?

Infelizmente a SABESP virou uma companhia capitalista e água deixou de ser um bem comum transformando-se numa mercadoria.

Alguém acha que a empresa, visando lucro, iria dizer angelicamente: população poupem água. Comprem menos o nosso produto, ou seja, bebam menos água, tomem menos banho, lavem menos roupa, deem menos descarga e etc.?

Não tem por onde, os capitalistas são predadores por nascença. A consciência ambiental se resume em dividendos. Exploram, exploram até o esgotamento final.

O que dizer de grandes empresas de São Paulo que têm desconto na conta quanto mais consomem? Lucro, lucro e lucro.

Por mais que a mídia esconda e manipule as informações sobre o racionamento hídrico de São Paulo o problema sempre vem à tona e expõem mais um a vez a incapacidade do PSDB de se levar a sério e de levar a sério o Brasil, o povo e a democracia.

Os tucanos, diante da pequenez moral de seus principais membros, não tomam o famoso“si mancol”.

Olha só o que disse o governador Geraldo: “modéstia à parte, é merecido” ganhar o prêmio. Tá maluco? Numa frase dois erros: para se por à parte governador é preciso tê-lo, e o excelentíssimo nunca teve modéstia. E merecido fica por conta de seus puxa-sacos. Aliás, apenas medíocres precisam de baba-ovos.

O roteiro do premio é digno de pertencer á corrente do chamado Teatro do Absurdo.

Tem todas as características.

  • Retratação de temas relacionados a aspectos e fatos inesperados do cotidiano. 
  • Apresentação de personagens com comportamentos estranhos e bizarros.
  • Enredos absurdos, muitos deles sem possibilidades de existirem na vida real. 
  • E apresentam temática fútil.

Os principais representantes desta corrente são Samuel Beckett, Arthur Adamov, Eugène Ionesco e Jean Genet.

E agora, sem querer ofender estes ilustres escritores, temos um candidato patético a tomar parte deste grupo, se bem que ele é extremamente fraquinho: o nobre deputado tucano João Paulo Papa. O mentor do disparate tucano.

Que tal premiá-lo com o Innovare? Fecha-se o ciclo de bestialidade, não é mesmo?

Absurdo.

adj. Contrário à razão, ao senso comum: intenções absurdas. Que fala ou age de maneira irracional; estúpido; disparatado; tolo. S.m. Tolice, asneira, disparate: cair no absurdo. Por absurdo, falando de uma demonstração, diz-se do raciocínio que prova a verdade de uma proposição, provando o absurdo da proposição contrária.

Mino: quem mereceu impeachment foi FHC.

Editorial originalmente publicado em CartaCapital. Por Mino Carta.

Eterno Golpismo

Na esteira do Cruzado 1, em outubro de 1986 José Sarney cometeu estelionato eleitoral logo após a vitória peemedebista nas eleições para os governos estaduais, Congresso e Assembleias, ao lançar o Cruzado 2 e arrastar o País para uma crise econômica de grande porte. A situação, complicada pelo fracasso da moratória do começo de 87, perdurou até o fim do mandato de Sarney.

Nem por isso se cogitou, em momento algum, do impeachment do ex-vice-presidente tornado presidente pela morte de Tancredo Neves, em claro desrespeito a qualquer regra do jogo pretensamente democrático.

Ao lançar o olhar além-fronteiras, temos o exemplo recente de Barack Obama, atingido em cheio pela explosão da bolha financeira de 2008, a mergulhar os Estados Unidos em uma crise de imponentes proporções. Obrigado a enfrentar a queda progressiva do valor do dólar, assoberbado pelas habituais pressões e ameaças das agências de rating, vítima de índices de aprovação cada vez mais rasos, Obama acabou sem o apoio da maioria parlamentar. Nem por isso sofreu o mais pálido risco de impeachment, mesmo porque hipóteses a respeito seriam simplesmente impensáveis aos olhos dos parlamentares americanos, mesmo republicanos.

Se a ideia já teve no Brasil razão de vingar, ao menos de ser aventada, foi em relação a Fernando Henrique Cardoso: comprou votos para se reeleger e comandou privatizações que assumem as feições inequívocas das maiores bandalheiras-roubalheiras da história pátria, realizadas às escâncaras na certeza da impunidade. Praticante emérito do estelionato eleitoral, fez campanha para a reeleição à sombra da bandeira da estabilidade para desvalorizar o real 12 dias depois da posse para o segundo mandato.

FHC é recordista, conseguiu quebrar o Brasil três vezes. Ao cabo, entregou a Lula um país endividado até a raiz dos cabelos e de burras vazias. Ao longo da sua trajetória presidencial, jamais se imaginou a possibilidade do seu impeachment.

O príncipe dos sociólogos, outrora encarado como elemento perigoso por quantos hoje o veneram, tornou-se xodó da mídia nativa e dos senhores da casa-grande. Favor irrestrito e justificado: nunca houve alguém tão capacitado para a defesa dos interesses do reacionarismo na sua acepção mais primitiva.

Hoje em dia, FHC arca com o papel de oráculo da política brasileira com invulgar destemor. Tudo dentro dos conformes, a desfaçatez, a hipocrisia e o oportunismo tucanos não têm limites. O enredo é típico, assim como já é clássico o caso de Fernando Collor, que se retirou antes de sofrer impeachment. Exemplar entrecho, de todos os pontos de vista, que vivi de perto por mais de dois anos, quando dirigia a redação de IstoÉ.

Para mim a história começa 25 anos atrás. O então repórter da IstoÉ Bob Fernandes tocaia por dois meses o operador do presidente, PC Farias. Chega a hospedar-se por algum tempo no apart-hotel, onde em São Paulo vive o tocaiado. Enfim a revista publica uma reportagem de capa sobre as façanhas do PC, em que se relata tudo aquilo que o irmão de Collor diria a Veja um ano e meio depois, com exceção dos supositórios de cocaína.

Eis aí, neste roteiro, um aspecto ineludivelmente brasileiro. Quando da reportagem, a mídia cuidou de não lhe dar eco e seguimento, ao contrário do que se daria em qualquer país democrático e civilizado.

Até então, a casa-grande suportava que o presidente cobrasse pedágios elevadíssimos em relação a obras feitas e ainda assim o imaginava adequado ao cargo de propiciador de benesses. Fora a Veja, aliás, que popularizara a definição de Collor como “caçador de marajás”.

Com o tempo, a cobrança collorida passou a ser considerada insuportável e se entendeu que valeria submeter o cobrador a um aperto sério, embora comedido. Foi a hora da entrevista do irmão, esta sim imediatamente repercutida.

A CPI convocada para cuidar do caso moeu meses de sessões inúteis à falta de provas. Não fosse IstoÉ, daria em nada. A sucursal de Brasília da revista, dirigida por João Santana, foi capaz de demonstrar a ligação entre a Casa da Dinda e o Palácio do Planalto, e o encaminhamento do impeachment foi inevitável.

A Globo prontificou-se a chamar para as praças manifestações bastantes parecidas àquelas que pipocam de dois anos para cá, frequentadas, sobretudo, por burguesotes festeiros, enquanto a Veja ganhava o Prêmio Esso de Jornalismo, remota invenção alienígena destinada a consagrar o jogo corporativo, festival do compadrio da mídia nativa.

Há quem diga que estamos a transitar por uma conjuntura similar àquela, e se engana, está claro, por hipocrisia ou ignorância. O impeachment de Dilma Rousseff é totalmente impossível à luz da Constituição. Se quiserem mandar as aparências às favas, seria golpe mesmo, conforme conhecimento até do mundo mineral. Mas golpismo é inerente ao país da casa-grande. Editoriais, colunas, artigos e reportagens dos jornalões recordam, cada vez mais, os textos de 51 anos atrás.

A deputada Cristiane Brasil ou o Dr. Noah (do filme Cassino Royale) tupiniquim.

cristiane brasilA imagem de Luís Inácio Lula da Silva assombra as noites da oposição. É o bicho-papão, o curupira, o saci pererê dos tempos de criança.

A oposição quer exorcizar esse fantasma até 2018. Já fizeram de quase tudo. Tentaram, e continuam tentando, envolver o nome do ex-presidente no caso Lava Jato. Partiram para mentira descarada, capitaneados pela imprensa. O semanário Veja e mais recentemente a revista Época, sem respeito aos seu leitores, mentiram e manipularam informações. O Instituto Lula reagiu contra essas atitudes dignas de cafajestes. Desmentindo e processando.

Pois bem, o receio é tão grande, e o desespero também, de que Lula volte a exercer a presidência, que, recentemente a deputada Cristiane Brasil (PTB), filha do ex-deputado Roberto Jefferson, protocolou uma PEC, cujo texto proíbe a ‘reeleição por períodos descontinuados para cargos do Executivo’, desde prefeitos até presidente da República. Ou seja, esse Projeto de Emenda Constitucional tem o claro objetivo de garantir que Lula não poderá ser candidato novamente.

Mais explícito de que isso só se a nobre deputada redigisse o texto do projeto da seguinte maneira: fica proibido a reeleição por períodos descontinuados de pessoas nordestinas, que tenham comandado sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo e que tenham apenas 4 dedos em uma das mãos, seja ela esquerda ou direita (só pra dar um toque de imparcialidade).

Aonde chega a insanidade e a covardia de certos políticos e políticas. O menino Aécio que dar um golpe branco. O fascista do Bolsonaro deseja arrebentar a Dilma. O Caiado dar um fim no PT. O Agripino prender todos os corruptos, desde que sejam do Partido dos Trabalhadores. E a deputada pensa que descobriu a pedra filosofal. Naturalmente ela acha que a oposição a carregará em júbilo. Será que ela percebeu que com essa PEC da forma como está escrita põem fim ao reinado do PSDB em São Paulo e em vários outros estados comandados pela oposição?

Bem, mas isso não vem ao caso. Eles que se digladiem.

O que a marcará será este casuísmo esdrúxulo.

Esse absurdo de PEC da Cristiane Brasil é do quilate de armação que o personagem do Dr. Noah, no filme Cassino Royale, de 1967, quis fazer .

Na película  Noah , interpretado por Wood Allen, produziu um bacilo para exterminar todos os homens mais atraentes do que ele; solto na atmosfera, ele transformaria todas mulheres em belas fêmeas e exterminaria todos os homens com mais de 1,55 m, transformando-o no único homem alto e desejável do mundo.

E somente a nobre deputada é esperta, certo?

O drama dos refugiados cantado por Cora Coralina.

CORA-CORALINAA poesia, a boa poesia, tem estas características: atemporalidade e universalidade.

Nestes versos de Cora Coralina podemos trocar facilmente 1945 por 2015 (guerra não falta), judeus por haitianos, sírios, libaneses, curdos, Afeganistão, congoleses, nigerianos, líbios e tantos outros que, de repente, veem seu mundo desaparecer num trovejar de bombas e povos que nunca terra tiveram. Não há perda poética, nem triste verdade.

 

Barco sem rumo

 

Há muitos anos,

No fim da última guerra,

Mais para o ano de 1945,

Diziam os jornais de um navio-fantasma

Percorrendo os mares e procurando um porto.

 

Sua única identificação:

-drapejava no alto mastro uma bandeira branca.

Levava sua carga humana.

Salvados de guerra e de uma só raça.

Incertos e sem destino,

Todos os portos se negaram a recebê-lo.

 

Acompanhando pelo noticiário do tempo

O drama daquele barco,

Mentalmente e emocionalmente

Eu arvorava em cada porto do meu País

Uma bandeira de Paz

E escrevia em letras de diamantes:

Desce aqui.

Aceita esta bandeira que te acolhe fraterna e amiga.

 

Convive com o meu povo pobre.

Compreende e procura ser compreendido.

Come com ele o pão da fraternidade

E bebe a água pura da esperança.

Aguarda tempos novos para todos.

 

Não subestimes nossa ignorância e pobreza.

Aceita com humildade o que te oferecemos:

Terra generosa e trabalho fácil.

 

Reparte com quem te recebe

Teu saber milenar,

Judeu, meu irmão.

Estamos numa época sui generis: qualquer bandido tem mais credibilidade do que gente honesta.

henfil-sem povoTudo do mesmo. O STF autorizou abertura de inquérito dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Edinho Silva (Comunicação Social) e do senador Aloysio Nunes (PSDB).

Normal, estamos numa época sui generis em que qualquer bandido tem mais credibilidade do que gente honesta. Claro, desde que o marginal fale o que eles querem ouvir.

Quem são eles? Um bando de pessoas inconformadas com o resultado das urnas. Não aceitam a derrota. Capitaneado pelo moleque Aécio, ficam enchendo-o-saco do governo. Sem pudor, falam qualquer besteira. O que der na telha. A presidenta é isso, é aquilo. Inventam: pedalada, propina nas doações, Petrobrás. E o que for. Como disse o indiciado Aloysio Nunes, que Paulo Henrique Amorim chama de Aloysio 300 mil, vamos fazer a presidenta sangrar.

Dilma foi eleita democraticamente, numa eleição limpa. Mas na democracia imaginado por esses tacanhos o resultado não vale. Só reconhecem o resultados se os candidatos deles vencerem. Então, ficam alimentando a ideia do golpe, do impeachment, da renúncia, do suicídio.

Com discurso fácil desses políticos porta de congresso qualquer imbecil, com tendências a imbecilidade, se acha forte o bastante pra derrubar o governo, até o menino Kim, que recém tirou a fralda, vira um intelectual e proclama o fim do governo do PT.

A Dilma teve culpa no surgimento desses grupelhos estilo revoltados, brasil livre, cansei e outras boca-de-porcos. Ela se mostrou fraca quando os abusos começaram contra sua pessoa. Durante a copa do mundo gritaram a uma só voz: ei Dilma vai tomar no cu. E o que as autoridades fizeram? Nada, absolutamente nada! Depois a chamaram de puta, e novamente o governo se calou. Aí os cretinos ganharam asas. Virou um festival de sandices. Adesivo com a presidenta de pernas abertas sendo estuprada por um bocal de abastecimento de combustível. E culminou agora com covardes, tipo o energúmeno do Matheus Sathler, jurando a presidente da morte. Logo quem? Um burguesinho, criado a leite ninho, querendo matar. Dorme com um barulho desses.

A mídia trabalha para o fiasco de governo Rousseff. Todos esses movimentos pró golpe são pautadas por ela. Fora da imprensa os proto-fascistas não têm vida própria. Precisam de luzes. De ideias. Tanto que o menino Kim, em resposta ao pedido de entrevista do DCM, o máximo que conseguiu pensar foi mostrar a bunda. Os americanos do norte são os campeões em mostrar as nádegas, então o garotinho Kim resolveu copiá-los. Vai ver que com este gesto o analfabeto político se sentiu pertencente ao primeiro mundo.

Mas esse jornalismo hegemônico não é só do mal. É também da parcialidade. Quando se trata de banditismo por parte dos tucanos… Mãe de Deus! Os caras os protegem de todas as maneiras. Tem gente aqui em São Paulo que fala mal da Dilma, depois critica o prefeito Haddad. Passam batidos pelo governo estadual. É como se por essas paragens não tivéssemos governador.

Geraldo Alckmin. Um ser perfeito. Quase um santo. A capacidade de gestão é inquestionável. Falta água? E daí? O importante é esculhambar as hidrelétricas. Não importa se estamos bebendo água podre. Não importa que o TCE tenha cobrado investimentos na área hídrica desde 2004. ALSTOM, CPTM, Metro ? Nada disso vem ao caso, como diz o juiz Moro. A praga é o PT, não é mesmo Geraldo? Quero ver madame paneleira com lata d´água na cabeça. Ou mandando Maria, ou Tereza.

Aloysio Nunes foi indiciado, a Globo tratou de lhe dar voz e o bicho aproveitou. Não tenho nada a ver com UTC. Minhas contas foram aprovadas pelo TSE. O que aconteceu foi que a Constran se associou com a UTC, à época, e fez a doação. Pronto se explicou, a jornal passou como verdade absoluta. O senador não tem nada com esse rolo da Lava Jato e mudou de assunto. Fim. Os coxinhas compraram imediatamente a informação. Esse indiciamento é coisa do PT. Querem mudar o foco. E começam a disparar a metralhadora de impropérios.

Agora em relação aos dois ministros de Dilma o viés foi diferente. Não lhes deram voz. Como o ancora do jornal disse: em nota os ministros disseram que as contas foram aprovadas. E olha para câmera com o olhar de “acredite se quiser”. Ó miséria humana. Quanta falta de vergonha na cara.

O José Dirceu apodrecerá na prisão. Sei que é o desejo de poucos. Que a mídia transforma em muitos. Mas há quem acredite que o ex-ministro sabedor da perseguição que lhe é imposta, aproveitou a prisão domiciliar pra montar um quadrilha e roubar a Petrobrás. E mais, há quem jure de pés juntos que empresários, mesmo sabendo da vigilância constante sobre Dirceu, se juntaram a ele pra ladroar. E que JD chamou a filha de canto e disse: vamos roubar a Petrobrás tesouro? E ela: claro, papai. E não satisfeito, meteu irmão e sócio no balaio. A explicação que os promotores deram aos jornalistas foi de uma simplicidade interiorana. Mamãe a senhora me viu na televisão? Pergunta o promotor fanfarrão, evangélicão.

José Dirceu tá lascado. Foi combater os oligopólios, deu nisso: transformaram um guerreiro pelas causas democráticas, em um simples ladrão contumaz. Não ficarei surpreso se a justiça mandar derrubar sua casa e jogar sal.

E enquanto isso o Aécio brinca de ser honesto. Blindado pela mídia. E os coxinhas vão fabricando bonecos. Já tem miniaturas de Lula e Dilma. Alguns foram dados a políticos com uma “capivara” imensa. E tome foto promocional. Logo estará à venda nas melhores casas do ramo. E os líderes desses movimentos golpistas encheram o rabo de dinheiro. Vão tirar o pé da lama a custa da imbecilidade alheia.

A mídia, o Aécio, o FHC, o Serra, o Paulinho da Força, o Eduardo Cunha, o Caiado e tantos outros não merecem respeito. Eles não têm respeito pelo povo brasileiro, pela nação brasileira e pelo país.

Sobre Hélio Bicudo: começou à direita, foi para a esquerda e não se entende aonde acabou.

helio-bicudoEditorial de Mino, de Carta Capital.

Só mesmo por aqui

É fato inédito que a mídia em bloco atire contra um líder para impedir, ou enfraquecer, sua eventual candidatura 3 anos depois

Em qual país do mundo civilizado e democrático, a mídia, praticamente em bloco, se uniria para envolver um importante líder político em um escândalo das proporções da Lava Jato? Sem serem convocados, os meus botões assumem a cadência do coro grego e declamam: não há país democrático e civilizado em que um fenômeno deste porte pudesse verificar-se.

Colhido de surpresa, argumento: mas é o que acontece no Brasil neste exato instante. Retrucam: e haveria como comparar o Brasil com países como Grã-Bretanha, França, Estados Unidos, Alemanha etcétera? Cabisbaixo, silencio. O coro grego insiste: a mídia nativa porta-se qual fosse a própria oposição, igual a um partido disposto, para alcançar seu alvo, a forjar pretensas provas. A inventar, omitir, mentir.

Provoco: e a reportagem de capa da revista Época da semana passada? Diz que o ex-presidente Lula intermediou negócios da Odebrecht em Cuba. Até apresentam documentos secretos… Patética reportagem, decreta o coro, embora tenha assumido o tom da velha tia. Revelam-se informados, de todo modo, a respeito do assunto. A chefe de Comércio Exterior do BNDES, Luciene Ferreira Monteiro Machado – dizem pausadamente – esclarece que o financiamento do banco às obras do porto cubano de Mariel já estavam em andamento antes da viagem de Lula a Cuba em 2011, à qual Época se refere. Acrescenta dona Luciene: qualquer pressão do ex-presidente seria impossível, porque os contratos necessitam da aprovação de diversas equipes e comitês do BNDES.

Estranho, comento: João Roberto Marinho foi a Brasília para garantir que a Globo quer, de alguma forma, acalmar os ânimos, e até o Jornal Nacional baixou a bola. E eis que Época, semanal global se sai com essa capa, e além disso, para o horror dos seus leitores, revela que Dilma é amiga de Cuba. Ora, ora, intervêm os botões, o problema Dilma não é o problema Lula, e este, na perspectiva, é muito mais inquietante.

O objetivo de envolver Lula na Lava Jato, ou em outro escândalo qualquer, tornou-se obsessão febril. Um caso patológico, define o coro, de volta à cadência inicial. O motivo é do conhecimento até do mundo mineral: pretende-se, se não inviabilizar, ao menos enfraquecer uma candidatura do ex-presidente em 2018. Vara curta: pela primeira vez em cinco anos longe da Presidência, Lula admite a possibilidade da sua candidatura ao próximo pleito. Se for para impedir uma ascensão tucana.

Quem ganha espaço na mídia, cedido com simpatia e apreço, é um ex-petista de denominação de origem controlada e garantida, o veterano Hélio Bicudo. Salvo melhor juízo, desinteressado da conciliação em andamento, renova a ideia do impeachment de Dilma Rousseff por “crime de responsabilidade”.

Aos meus olhos, a postura de Bicudo configura uma situação peculiar. Na minha mocidade, enxergava nele um conservador, sem, com isso, experimentar irritação. Tempos de ditadura, ele exerceu com honra o papel de tribuno contra os esquadrões da morte. Logo tornou-se petista no começo dos anos 80 ao fazer profissão de fé esquerdista. Não duvidei da sua sinceridade.

Ao longo da existência, sempre desprezei quem começa à esquerda e descamba para a direita, a par de que trafega pela vida com o propósito de amealhar fortuna. Ao abandonar o PT à época do chamado “mensalão”, Bicudo deu crédito a acusações em boa parte mal formuladas e inequivocamente hipócritas, mas seu gesto poderia ter sido ditado por um impulso moral.

Agora não me arrisco a insinuar que Bicudo guinou mais uma vez. Não deixo, porém, de apontar para uma situação nova em relação à minha resistente ojeriza. Começou à direita, foi para a esquerda e não se entende aonde acabou.