O drama dos refugiados cantado por Cora Coralina.

CORA-CORALINAA poesia, a boa poesia, tem estas características: atemporalidade e universalidade.

Nestes versos de Cora Coralina podemos trocar facilmente 1945 por 2015 (guerra não falta), judeus por haitianos, sírios, libaneses, curdos, Afeganistão, congoleses, nigerianos, líbios e tantos outros que, de repente, veem seu mundo desaparecer num trovejar de bombas e povos que nunca terra tiveram. Não há perda poética, nem triste verdade.

 

Barco sem rumo

 

Há muitos anos,

No fim da última guerra,

Mais para o ano de 1945,

Diziam os jornais de um navio-fantasma

Percorrendo os mares e procurando um porto.

 

Sua única identificação:

-drapejava no alto mastro uma bandeira branca.

Levava sua carga humana.

Salvados de guerra e de uma só raça.

Incertos e sem destino,

Todos os portos se negaram a recebê-lo.

 

Acompanhando pelo noticiário do tempo

O drama daquele barco,

Mentalmente e emocionalmente

Eu arvorava em cada porto do meu País

Uma bandeira de Paz

E escrevia em letras de diamantes:

Desce aqui.

Aceita esta bandeira que te acolhe fraterna e amiga.

 

Convive com o meu povo pobre.

Compreende e procura ser compreendido.

Come com ele o pão da fraternidade

E bebe a água pura da esperança.

Aguarda tempos novos para todos.

 

Não subestimes nossa ignorância e pobreza.

Aceita com humildade o que te oferecemos:

Terra generosa e trabalho fácil.

 

Reparte com quem te recebe

Teu saber milenar,

Judeu, meu irmão.

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