Ninguém faz um papel tão patético quanto Nelson Motta.

Nelson MottaArtigo publicado originalmente no Diário do Centro do Mundo. Por Kiko Nogueira.

 

“De todos os sub jabores que surgiram nos últimos anos, poucos desempenham um papel tão patético quanto Nelson Motta.

Sem formação política, ex-escada de Paulo Francis no Manhattan Connection (onde era chamado por Francis, de maneira indulgente, de “Nelsinho”), o jornalista tem uma coluna no Globo há décadas.

Migrou da resenha de música para a detonação de qualquer coisa ligada a Dilma, PT, Lula etc, o que dá mais ibope. Em seu artigo mais recente, conseguiu tratorar um inimigo perigosíssimo: a mulher de Lula, Marisa Letícia.

Baseado no que lê de terceira mão sobre as supostas desavenças entre Lula e Dilma em torno da operação Zelotes, Motta escreve que “em oito anos de lulato ela [Marisa] nunca abriu a boca (cada vez maior) em público”.

“No núcleo duro lulista, sabe-se que ele morre de medo da ‘Galega’, e uma vez chegou a se queixar a jornalistas que, por desobedecê-la em alguma decisão política, estava sofrendo uma greve sexual em casa e, sabe como é, Lula não passa sem um sexozinho”, continua.

“Imaginem as opiniões da eminência loura sobre o atual momento do Brasil e da família Lula da Silva.”

Chutando a esmo, Motta chama uma mulher que nunca viu e que, até onde se sabe, não cometeu nenhum crime, de vaidosa viciada em plásticas, burra, manipuladora e corrupta.

Tudo bem? Claro que sim — porque com Lula e família vale tudo. Mas só nesse caso, porque Motta é um mestre da bajulação de poderosos, um puxa saco de primeiríssima classe.

Há uma blague segundo a qual não existe documentário musical no Brasil sem um depoimento dele. Por inércia e ignorância dos produtores, Nelson acaba entrando em qualquer coisa porque, desde os anos 60, pega carona em artistas da MPB ou roqueiros. É um personagem marginal que se vende como protagonista.

Vem faturando com biografias de mortos repletas de invenções e conjeturas. Em “A Primavera do Dragão”, sobre Glauber Rocha, trocou o nome de um grande amigo do cineasta, o “Bananeira”. O resultado: páginas e páginas de histórias atribuídas a outro cidadão. Além disso, a atriz Sonia Pereira, do filme “Mandacaru Vermelho”, é identificada como Sonia Coutinho. Sem contar os demais erros.

Biógrafos sérios de Glauber classificaram a empreitada de “picaretagem editorial”.

Valente de ocasião, se deixa subjugar também por figuras como Roberto Carlos. O filme sobre Tim Maia tinha uma cena tirada de seu livro em que um assistente de Roberto atira uma nota de dinheiro amassada para um suplicante Tim.

Roberto reclamou, a sequência foi eliminada da versão para a TV — e o próprio Nelsinho saiu em defesa do rei, desmentindo a si mesmo.

“O Roberto, acho que era tranquilo com ele, porque sabia o valor que o Tim tinha como cantor e compositor, tanto que levou o Tim para a Jovem Guarda. O Roberto fez o que pôde”, disse o incrível Nelsinho na Globo.

Nelsinho já pensou se fizessem com ele o que ele faz suas vítimas? E se alguém descrevesse, digamos, as sessões de botox de suas ex Marília Pera, Costanza Pascolato, Marisa Monte? E se alguém tecesse considerações sobre a capacidade intelectual de suas filhas Joana, Esperança e Nina?

Caetano Veloso apontou que Nelson Motta foi o único crítico musical que fez carreira sem falar mal das pessoas. Seria preciso acrescentar “algumas pessoas” a essa descrição.

O grande talento de Nelsinho é o de ser um sicofanta seletivo. Um doce de coco com gente como Caetano, uma hiena maldosa e desonesta com quem não tem como se defender”.

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