Liguei a TV Senado, mas o que vi foi a “Escolinha do Professor Raimundo.

prof.raimundoPor Alex Solnik., do brasil247.com.br

Fiquei surpreso, ontem. Liguei a TV Senado, mas o que vi foi a “Escolinha do Professor Raimundo”. Pensei: será que a TV Senado resolveu sair do traço e investir em programas de humor? Mas fiquei preocupado: e se a Globo abrir um processo por plágio? A TV Senado tinha autorização?

   Se Chico Anysio estivesse vivo tenho certeza que contrataria muitos daqueles personagens.   O “professor” Raimundo Lyra abandonava a mesa a toda hora, provavelmente para cochilar um pouco porque suas pálpebras ameaçavam se fechar.

    O “aluno” Romário também seria contratado na hora. Lembrou muito aquele personagem que sempre pergunta quando é a hora da merenda, ao afirmar textualmente:

   “Presidente, só uma pergunta. Eu sou o décimo primeiro dessa lista. O senhor pode me dizer, mais ou menos que hora que eu vou poder falar? Quanto mais tarde, melhor, porque eu sobressaio”.

   Também seriam cogitados para o humorístico “alunos” tais como Cássio Cunha Lima, ex-governador da Paraíba cujo mandato foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba por ter distribuído 35 mil cheques a cidadãos carentes durante a campanha eleitoral de 2006; Ronaldo Caiado, acusado pelo ex-senador Demóstenes Torres de receber doações de campanha a deputado federal do contraventor Carlinhos Cachoeira ou Zezé Perrela, acusado pelo Ministério Público de Minas Gerais de improbidade administrativa por enriquecimento ilícito e lesão ao erário por ter recebido, quando ainda deputado estadual, entre 2007 e 2010, R$ 1,3 milhão em ressarcimento de gastos com atividades parlamentares, por atividades particulares ou por serviços não comprovados que davam insistentes lições de moral e de ética na turma e exaltavam a “aula” da “aluna” Janaína.

   Ela se superou. E tem a vantagem de dispensar redator. Basta abrir a boca para a plateia se esbaldar de rir.

   Quando pediram para ela explicar as pedaladas, por exemplo, a “aluna” Janaína respondeu:

   “Tem um capítulo todo na denúncia sobre isso. A denúncia narra crimes que vem até de 2010. Mas nós focamos muito em 2014, 2015. Porque 2014 era ano eleitoral. E a presidente precisou criar uma ficção de que tinha dinheiro pra dar continuidade aos programas. Ela já sabia que não tinha dinheiro. Por isso é que ela mandou os bancos públicos que estão proibidos de pagar as coisas do tesouro, mandou os bancos públicos pagarem – isso é pedalada, é a proibição, vai pagando, vai pagando. São milhões de pedaladas! Milhões de pedaladas e não é para o povo pobre! É para empresário grande e rico que investiu nosso dinheiro para pegar com juros pequenos e ganhar em cima com juros grandes! Ela baixou o decreto porque não queria cortar despesas. Ela precisava de dinheiro pra poder gastar e conseguir se reeleger. Então ela baixou decreto na casa dos bilhões porque precisava segurar por um período a maquiagem que foi feita na eleição. Nós tínhamos um superávit de bilhões, de repente caiu no buraco. Ninguém entendeu! Que mais que V. Excia perguntou? Não sei se respondi tudo. Respondi? Tá faltando alguma coisa”?

   Ela também mostrou que pode ser aproveitada nas novelas, tanto faz rir como chorar com extrema facilidade:

   “Tá todo mundo desiludido… ricos e pobres… mas eu tenho mais pena dos carentes”.

   Seu campo de atuação, segundo ela, não vai se restringir ao impeachment:

   “Depois daqui eu vou cuidar do problema da merenda em São Paulo… as crianças estão passando fome”.  

   Uma das “alunas” que raciocinava avisou à dona Janaína que ela tinha viajado na maionese, pois a denúncia do impeachment só diz respeito a duas denúncias referentes a 2015, como manda a constituição, e não a fatos anteriores. Mas ela não se deu por vencida, talvez porque somente essas não dariam para encher as 75 páginas que ela escreveu e pelas quais ganhou 45 mil reais do PSDB:

   “Eu não abri mão de petrolão e não abro. Se a presidente não é alvo de um inquérito, deveria ser. Primeiro, pelo dinheiro que mandou sigilosamente para ditaduras parceiras que na época eu achei que era por ideologia, mas não era. É porque essas ditaduras não são transparentes, excelência. Tá escrito tudo aqui, pelo amor de Deus! Agora, se eu não tenho competência pra explicar o que eu escrevi, o povo não tem culpa! Não sei se esclareci”.

   “O Dr. Miguel deveria estar aqui”, alegou a “aluna” que raciocinava, sentindo a falta do parceiro do impeachment de Janaína, que tinha, intempestivamente, abandonado a “aula” momentos antes.

   Dona Janaína mais uma vez tinha a resposta na ponta da língua:

   “O dr. Miguel é um homem de 72 anos de idade… a família mora no Sul, ele teve que se deslocar…nós somos um grupo, uma equipe… o dr Helio tem problemas no coração… se V.Excias quiserem ir lá ele pode receber V.Excias na casa dele. Eu sou a mais nova, com mais saúde. A Maria Lúcia tá cansada, eu já falei: Maria Lúcia, vai pra casa! Então é assim. Eu não presto? O Dr. Miguel teve que ir.  Não sei se eu esclareci”.

   Dona Janaína aproveitava todas as deixas para animar o show. Outro bom motivo para Chico Anysio contratá-la: economizaria na claque:

   “V. Excia não vai acreditar, mas no caminho até aqui eu recebi um e-mail de uma senhora pedindo, por favor, para eu pentear o cabelo! Ela acha meu cabelo feio. O que que eu posso fazer”?  

   Mais adiante, cada vez mais hilária, ela advertiu que esse era apenas o começo de uma cruzada que não se restringe ao Brasil:

   “Eu falei no Largo de São Francisco: vamos libertar as mentes e as almas. Disseram que eu estava bêbada! Eu nunca estive tão lúcida na minha vida. Eles têm aquela ideologia da dominação. Se você é companheiro, você fica. Se você não é companheiro, você sai. E se você não sai nós vamos te infernizar. Dezesseis anos vai fazer, se V.Excias não tirarem. De perseguição. Essas pessoas querem permanecer no poder a todo custo. No Brasil e na América Latina.   Temos que libertar primeiro o Brasil para depois cuidar dos outros irmãos na América Latina. Vocês estão pensando que eu vou parar por aqui? Não vou, não”.

   E o salário: ó.

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A deputada Luiza Erundina mostrou o caminho. O povo deve sentar na cadeira presidencial.

erundina tira o cunhaA deputada Luiza Erundina mostrou o caminho.

Quarta-feira não suportando mais uma das tentativas de golpe do Cunha. Erundina e outras deputadas subiram à mesa diretora e ocuparam o lugar que era do presidente da casa. Ao mesmo tempo que outras congressistas ocupavam os púlpitos, impedindo discursos. Paralisando a sessão.

O Motivo do ato foi o seguinte: estava sendo montada uma comissão em que se discutiria os direitos das mulheres. O presidente da câmara não gostou da composição da comissão na primeira votação. Então, através de manobras, pôs em votação o mesmo assunto diversas vezes até que a comissão fosse formada pela maioria dos seus asseclas.

Daí a revolta, a comissão em que se discutiria os direitos das mulheres não contaria com a participação da ala feminina. É estúpido, claro, mas é a cara do Cunha.

Bem, vamos trazer este exemplo para o caso do golpe de estado.

Chegará o dia que o senado votará a admissibilidade das denúncias contra Dilma. Se aprovada, a presidenta será afastada por seis meses. O golpe será consumado.

Então façamos igual a Erundina.

Nós, o povo, sentaremos na cadeira presidencial. Vamos gritar não ao golpe. Proteger a democracia. Será um grande ato simbólico. Nem a Globo poderá esconder este evento.

O mundo verá o quão digno somos nós, os brasileiros.

Diremos: Temer não entra, Dilma não sai.

Portanto, em vez de se concentrar em frente ao congresso, fiquemos em frente ao palácio do planalto. Dilma estará lá, assim espero.

Assim que Renan, presidente do senado, declarar o impedimento da Dilma nós ocuparemos o palácio.

É de difícil concretização, mas não impossível.

Não pode ter medo. E tem que ser muito bem articulado.

Serão necessários milhares de manifestantes. Muitos mesmos. A briga será feia. Pra entrar. Pra se manter.

Devemos lembrar que a partir do aceite do relatório o golpista Temer será o presidente e chefe das forças armadas.

Mas é o jeito. E depois? O dia a dia nos dará as respostas.

Se quisermos preservar a democracia, as conquistas, os avanços e, principalmente, não entregar o Brasil aos quadrilheiros do Cunha, Temer, Aécio, Serra, Aloysio, FHC e Globo temos que radicalizar as manifestações.

A Dilma Rousseff tem que ser valorosa. Corajosa, como Salvador Allende, e determinada como só os injustiçados sabem ser.

O golpe é um ato criminoso. Praticado por criminosos. E são criminosos porque são psicopatas. E psicopatas não se sensibilizam com a situação dos outros.

Os protestos têm que continuar. Cada vez mais incisivos. Talvez, como a pensa Ciro Gomes, consigamos barrar o golpe no senado.

Se o golpe é fato, a resistência é um dever

Se o golpe é um fato, a resistência é um dever.

diga não ao golpeSe o golpe é um fato, a resistência é um dever.

2014, eleita Dilma Rousseff. Apesar de todos os esforços dos conservadores e da Globo o projeto de poder fez água.

Aécio, o chato, não se conformou. Derrotado, não aceitou. E desde primeiro minuto trabalhou contra a democracia. Pela derrubada da Dilma. Esta atitude mesquinha já era esperada. A dignidade, honradez e coragem passa longe desse sujeito.

A Globo no mesmo dia do resultado iniciou sua campanha de ódio absoluto.

Dividiu o Brasil em dois. Pintou o Brasil de duas cores. Sul/Sudeste/Centro-Oeste de azul, os que votaram no Aécio, o chato. De vermelho, Norte/Nordeste, os que votaram na Dilma.

Aproveitando do preconceito histórico de que o nordestino é burro, preguiçoso, vendido e alienado novamente dividiu os cidadãos: azul os que sabem votar, vermelho os que não sabem.

Aí foi só deixar os preconceituosos, fascistas e conservadores se manifestarem.

O diretor mor da Globo Ali Kamel lançou o livro-piada “No Brasil não há racismo”.

Rapidamente os midiotas concluíram: quem inventou o racismo no país foi o Lulopetismo.

Lula estabeleceu cotas raciais nas universidades.

Os pretos alcançaram lugares antes só ocupados por branco.

A classe média, tão acertadamente chamada de velhaca por Mino Carta, babou de raiva. Explodiram situações constrangedores de preconceito.

A Globo começou a boicotar os projetos sociais.

O Bolsa Família foi o primeiro. Pois, os irmãos marinhos achavam que o PT só era eleito porque comprava voto através BF.

Colocou todos seus telejornais e articulista a trabalharem na desconstrução do programa. Foi um festival de atrocidades.

Os coxinhas rapidamente compraram as estupidezes: bolsa esmola, bolsa vagabundo.

Resumidamente: Lula e Dilma deram visibilidade a grande parte da população. Tiraram da extrema miséria 40 milhões de pessoas.

Os reacionários alopraram. Os fascistas desabrocharam.

O combate a corrupção foi incentivado. Lava Jato só existe porque o governo da presidenta deu ampla autonomia.

A Globo calhordamente comprou juízes, procuradores e delegados. Deu prêmios.

Os vazamentos seletivos inverteram a ordem. Os corruptos eram todos do PT e apenas eles. José Dirceu virou chefe dos bandidos. Lula o chefão; Dilma ladra.

Outra vez a classe média comprou a sandice: nunca se robou tanto neste país. O lulopetismo inventou a corrupção.

A globo dividiu a população entre pessoas de “bem” e, obviamente, pessoas do “mal”.

E deu cores. Amarelo os inteligentes e de bem. Os de vermelho os burros e facínoras.

O golpe está quase a ser concluído.

A imprensa hegemônica trabalha agora para apaziguar a nação. Não as agressões gratuitas contra quem usa vermelho. Contra quem não pensa em verde-amarelo. Somos um povo de paz e etc.

Não Globo, não será como você quer. Passaram anos disseminando o ódio agora querem que as pessoas voltem a adormecer. Não será assim dessa vez.

Resistiremos. De todas as formas e com as armas que dispusermos.

Não noticiam as manifestações contra o golpe, mas elas existem e vão aumentar.

O Povo colocou, só o povo tira.

Se o golpe é fato, a resistência é um dever.

Não ao Golpe. Não aos quadrilheiros que querem se apoderar do país.

O que o STF ainda espera para dar sequência ao julgamento que deverá, evidentemente, defenestrar Cunha? Que os brasileiros percam a paciência?

stfArtigo publicado originalmente no site brasil247.com.br. Por Alex Solnik

 

Assim não é mais possível. Eu imaginava que na Câmara dos Deputados é que se concentravam todos os cínicos, indecentes, desqualificados e hipócritas do nosso país, mas, oh surpresa, no Senado não é muito diferente.

   Acabo de saber que o senador escolhido para ser o relator do impeachment, o tal de Antonio Anastasia, com aquela cara de Bebê Johnson’s, e modos educados, não só foi o dono da mais cara campanha ao Senado de todo o Brasil, 18 milhões, segundo o TSE, como também recebeu 11% do total de empresas altamente suspeitas, todas investigadas e algumas já condenadas na Lava Jato.

   A saber: Andrade Gutierrez, OAS, Odebrecht, Queiroz Galvão e o Banco BTG.

   Estão tirando um sarro da nossa cara. O sujeito que deveria ser investigado é o investigador-mor! Meus sais, por favor!

  Todas as empreiteiras que doaram para sua campanha milionária receberam 1 bilhão de reais para construírem a Cidade Administrativa de Belo Horizonte quando ele foi governador de Minas Gerais. Se isso não foi um toma lá dá cá, não sei mais o que é um toma-lá-dá-cá. Talvez Miguel Falabella saiba!

   Ora, senhores! Brincadeira tem hora. Um pouco de compostura, por favor. Não é aceitável que esse indivíduo aparentemente dócil, meigo e inofensivo ocupe o posto mais importante do mais delicado processo que corre no país e que pode tirar do Planalto uma presidente que não cometeu nenhum dos dois crimes imputados no processo de impeachment.

   Se ele próprio não teve a dignidade de ficar na moita e se abster de participar desse conluio indecente, cabe aos senadores arrancá-lo de lá e pedir urgente comissão de ética para ele.

   Ainda que ele tenha sido “eleito” para esse cargo, isso não é uma cláusula pétrea, revogue-se a eleição, julgue-se o pretenso julgador.

   Acumulam-se motivos para esse processo de impeachment ser anulado, não só por seu mérito, que é nenhum, mas pelo demérito dos que o comandam.

   Começou com o notório Cunha, que não sei como ainda tem a coragem de se sentar naquela cadeira no alto da tribuna sendo diariamente chamado de bandido, ladrão, canalha e outros epítetos quetais por vários deputados, sem mexer um músculo do rosto e fazendo de conta que não é com ele, tais são as provas contundentes contra ele que os bancos suíços já mostraram ad nauseum, tendo fechado suas contas por entenderem que se tratava de milhões de dólares com origem espúria.

   O que o STF ainda espera para dar sequência ao julgamento que deverá, evidentemente, defenestrar Cunha? Que os brasileiros percam a paciência?

   Nós, brasileiros, somos um povo pacífico, mas tem uma hora que é humanamente impossível aguentar tantas cusparadas na cara!

   Ontem mesmo eu vi vários deputados senadores e deputados vociferando contra as cusparadas do ator José de Abreu em pessoas que o ofenderam publicamente, num restaurante, como se eles tivessem alguma coisa que ver com isso, já que nem cuspiram, nem foram cuspidos.

   Fiquei mais estarrecido ainda ao ver os deputados pedindo que a TV Globo dê direito de resposta ao casal no qual José de Abreu escarrou.

   Ora, onde esses deputados pensam que estão? Viraram agora a reserva moral da nação e se acham no direito de legislar, pobres coitados, não só nos seus domínios, mas também na TV Globo?

   O impeachment, ao que parece, está afetando o bom funcionamento de algumas, ou muitas cabeças que deveriam se preocupar com o seu próprio nariz, com a sua própria história, mas têm a desfaçatez de tentar impor suas posições em lugares totalmente alheios à sua jurisdição.

   Não sei se há psicanalistas suficientes para atender a esse sanatório geral já previsto por Chico Buarque numa conhecida canção.

A questão da discriminação, que vem sendo ressaltada desde a vitória de Dilma, é um dos pontos do golpe.

Do Jornal do Brasil

Em uma publicação do jornal Le Monde desta terça-feira (26), o historiador Laurent Vidal analisa a atual crise brasileira. O especialista relembra fatos do passado do país para explicar o contexto atual e afirma que a solução vai além da saída da presidente do poder.

Ao jornal francês, Laurent Vidal, que leciona na Universidade de La Rochelle, explica que a crise que o Brasil enfrenta desde a reeleição de Dilma Rousseff, em outubro de 2014, revela a sociedade brasileira de hoje, que longe de ser o “país do futuro”, está ligada ao presente e capturada por seus demônios do passado. Um dos primeiros demônios, segundo o professor, é a questão da discriminação, que vem sendo ressaltada desde a vitória de Dilma. Para ele, um dos estopins foi a mídia nacional, que logo após os resultados, divulgou mapas do Brasil onde era possível ver claramente uma divisão da nação: de um lado, na metade superior, os estados do norte e nordeste, pintados de vermelho, que teriam uma maioria de votos para a presidente e, do outro, pintados de azul, os estados que de onde viriam a maior parte dos votos do rival Aécio Neves. 

Historiador analisa crise brasileira de acordo com sua história, desde os tempos da corte portuguesa
Historiador analisa crise brasileira de acordo com sua história, desde os tempos da corte portuguesa

“Esse retorno dessas duas faces do Brasil esconde principalmente uma forma de desprezo social, que se instalou no coração dos brasileiros. O excluído hoje não é apenas aquele que sofre das carências materiais, mas também aquele que não é reconhecido como sujeito digno de se pronunciar sobre uma escolha política e social”, analisa o professor nas páginas do Le Monde.

Vidal também chama atenção para o fato de que “a luta contra a corrupção, reivindicada pelos adversários da presidente, é um elemento clássico da história do país”. Ele lembra que, em 1808, o primeiro jornal brasileiro já falava dos danos que ela provocava na corte portuguesa exilada no Brasil, conclui. 

“O impeachment não resolverá a crise profunda que atravessa o país, pois não é o futuro que divide os brasileiros, e sim o súbito ressurgimento de um passado doloroso. Enquanto esse passado não for exorcizado, vai ser difícil imaginar um projeto de futuro capaz de integrar a diversidade desse país e de restaurar a confiança e o respeito entre os brasileiros”, finaliza o historiador ao Le Monde.

Para ler matéria na íntegra, clique aqui:

http://www.lemonde.fr/idees/article/2016/04/26/destituer-dilma-rousseff-ne-resoudra-rien_4908530_3232.html?xtmc=dilma&xtcr=4

Juiz espanhol que prendeu Pinochet critica “espetáculo oferecido por procedimento contra Dilma”.

Artigo extraído do Jornal do Brasil

 

O juiz espanhol Baltasar Garzón escreveu artigo no jornal El País no qual analisa o cenário político brasileiro. Ele alerta que “a luta contra a corrupção é vital e deve ser prioritária em qualquer democracia, mas é preciso estar atento aos interesses daqueles que pretendem se beneficiar da “cegueira” que supõe a luta em si mesma”, e acrescenta ainda que “o povo brasileiro nunca perdoará o ataque frontal à democracia e ao Estado Democrático de Direito.”

Garzón condenou o ex-presidente do Chile Augusto Pinochet pela morte e tortura de cidadãos espanhóis, na ditadura chilena. Ficou conhecido na história da Espanha como “super-juiz” 

No artigo, ele reforça ser “capaz de perceber o espetáculo oferecido pelo procedimento de juízo político que está em curso contra a Presidenta Dilma Rousseff e que guarda semelhanças com outros que foram vivenciados por países como Paraguai e Honduras”

 

Ética Política e Justiça no Brasil

Partindo da consciência crítica de quem pertence a um país que em algum momento histórico exerceu o férreo poder do colonialismo atualmente em debate entre mil contradições e contrariedades, mas também partindo da firmeza democrática e da convicção de defender valores universais como justiça, liberdade e democracia, quero compartilhar com vocês meus sentimentos e algumas reflexões que tenho feito diante da difícil situação que vive institucionalmente o Brasil.

Sinto profundo pesar em observar que pessoas que são referências da boa política, defensores dos direitos sociais, de trabalhadores e daqueles que são os elos mais fracos da cadeia humana estão na mira das corporações que, insensíveis aos sentimentos dos povos, estão dispostas a eliminar todos os obstáculos que se lhes apresentem para consolidar posição de privilégio e controle econômico sobre a cidadania com consequências graves para o futuro. Nessa dinâmica perversa, os grandes interesses não hesitam em eliminar política e civilmente aqueles que o contrariam na defesa dos mais frágeis que sempre foram privados de voz e de palavra para decidir seus próprios destinos.

Mesmo partindo da perspectiva de quem não vive o dia-a-dia da política brasileira, devo dizer que sou capaz de perceber o espetáculo oferecido pelo procedimento de juízo político que está em curso contra a Presidenta Dilma Rousseff e que guarda semelhanças com outros que foram vivenciados por países como Paraguai e Honduras, forjados institucionalmente por parte daqueles que somente estavam interessados em alcançar o poder a qualquer preço.

A interferência constante do Poder Judiciário com o fim de influenciar nesses processos deve cessar. Por experiência, sei os riscos que representam os jogos de interesses cruzados, não tanto em favor da justiça e sim com o objetivo de acabar como o oponente político instrumentalizando a um dos poderes básicos do Estado e fazendo-o perder o equilíbrio que deve preservar em momentos como este, tão delicados para a sociedade. O judiciário deve prosseguir suas atuações sem midiatização política de nenhum tipo, sem prestar-se a jogos perigosos em benefício de interesses obscuros, distantes da confrontação política transparente e limpa.

A perda das liberdades e a submissão da Justiça a interesses espúrios pode custar um preço excessivo ao povo brasileiro. O Poder Judiciário e seus componentes devem resistir e defender a cidadania frente às tentativas evidentes e grosseiras de instrumentalização interessada. O objetivo não parece ser, como dizem, acabar com o projeto político do Partido dos Trabalhadores e seus máximos expoentes, mas submeter à população de forma irreversível a um sistema vicarial controlado pelos mais poderosos economicamente.

A luta contra a corrupção é vital e deve ser prioritária em qualquer democracia, mas é preciso estar atento aos interesses daqueles que pretendem se beneficiar da “cegueira” que supõe a luta em si mesma. A justiça deve manter os olhos completamente abertos para perceber o ataque ao sistema democrático que é perceptível na realização de uma espécie de juízo político sem consistência nem base jurídica suficiente para alcançar legitimidade e que somente busca tomar o poder por vias tortuosas desenhadas por aqueles que deveriam defender os interesses do povo e não os próprios. Ou ainda daqueles que nunca disputaram eleições e que pretendem substituir a vontade das urnas, hipotecando o futuro do povo brasileiro.

A indignação democrática que sinto ao acompanhar os fatos do Brasil, país pelo qual tenho imenso apreço, me provoca profunda dor e ao mesmo tempo me compele a expressar esses sentimentos diante daqueles que não têm pudor em destruir as estruturas democráticas que tanto tempo levaram para serem erguidas, aqueles que não hesitam em interferir na ação da Justiça em benefício próprio.

Ninguém conquista um reino para sempre e o da democracia deve ser conquistado e defendido todos os dias frente aos múltiplos ataques e isso se faz desde os mais recônditos lugares do país, de uma mina, uma pequena fábrica, do interior da Floresta Amazônica já tão atacada e deteriorada por interesses criminosos, das redações dos periódicos ou plataformas televisivas que servem de tentação à submissão corporativa, das ruas das cidades e dos púlpitos das igrejas, das favelas e dos conselhos de administração das empresas, das universidades, das escolas, em cada casa da família brasileira é preciso lutar diuturnamente pela democracia. E é obrigação de todas e todos fazer isso não somente em seu país, mas também fora, em qualquer lugar, porque a democracia é um bem tão escasso cuja consolidação é missão do conjunto de toda a comunidade internacional.

Tanto o presidente Lula da Silva, a quem conheço e admiro, como a presidenta Dilma Rousseff, com quem nunca estive pessoalmente, representaram o melhor projeto em termos de política social e inclusiva e que, caso tenham incorrido em irregularidades, merecem um juízo justo e direito básico à ampla defesa e não um julgamento ilegítimo em praça pública realizado por quem não tem direito nem uma posição ética para fazê-lo. O povo brasileiro nunca perdoará o ataque frontal à democracia e ao Estado Democrático de Direito.

Madrid, 24 de abril de 2004

Dilma! Não entregue o país a essa corja golpista. Lute. Queremos democracia. Sempre e mais.

Dilma Rousseff“Não posso terminar as palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. É um grande país, com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Não tenho dúvidas de que saberá impedir quaisquer retrocessos”, declarou a presidente. No fim, ela se disse “grata” aos líderes que expressaram solidaridade a ela.

Dilma não sei mais o que dizer, falar ou escrever.

Fico na expectativa. Espero sempre mais de quem se acha injustiçada. Uma palavra decisiva. Uma força. Um alento. Um grito. Um griiiiiiiiiiiitooooooooooo!

A vida nossa, a nossa vida particular, o respirar, o sentir, o rir, o chorar, o falar, o sonhar é breve. Acaba. O Lula tem 70 anos. Quanto mais ele viverá? O Chico Buarque a mesma coisa. Do que eles podem ter medo? De ser preso? De ser mal visto? De perder a vida?

Dilma o bonito é o desapego às futilidades de estar vivo.

Daqui a pouco estaremos mortos.

O Jango poderia ter lutado. Se acovardou, Desculpe pelo uso dessa palavra. Até hoje não sei a verdade. Mas aprendi que ele era “fraquinho”, “mulherengo” e “comunista”. Só agora se reescreve a história.

Olha o que acontece com o José Dirceu. Está preso. Aliás, reepreso.

Te juro, esperava mais. Muito mais dele. Parece que não tem noção da brevidade da vida. Mesmo estando livre, leve e solto um dia morrerá. Como todos. O que ele está esperando?

O que ele vislumbra? Que o Moro ponha a mão na consciência e fale: estamos diante de um homem injustiçado. Deixem-no livre.

Óbvio que não acontecerá.

Pergunto: por que mesmo sendo injustiçado ele não faz nada? Eu faria greve de fome. Mas não. O Dirceu trata seu algoz como senhor. E responde tecnicamente. Será que ele se acha eterno?

Porra Dirceu! Temos limite de tempo. Acabou. O Moro é um imberbe perto de você. É um adolescente. Não sabe que a vida é breve.

É pela família? Esquece. Depois de consumado o seu fim a sua esposa, a sua filha, a sua família perderão importância.

Dilma, por este comportamento do Dirceu concluímos o seguinte: ou ele é realmente um idiota e não tem noção de sua dimensão histórica ou é um criminoso. É dessa forma que você deseja ser reconhecida?

Dilma, meu blog é pequenininho. Tenho poucos leitores. Talvez cheguem a três. Sou ridículo. Escrevo mal. E de tão mal que escrevo poucos dão importância. Não chegarei a lugar algum.

Mas uma coisa eu sei: sou sincero, honesto no que expresso e procuro não ter medo.

Por favor seja humana. Fale. Denuncie. Faça ao contrário do que a mídia e os bandidos golpista querem. Não é pra falar? Fale. Não é pra escrever? Escreva.

Esse pessoal não presta. Eles tão pouco se lixando para o país.

Dilma nós estamos lutando. Não vá renunciar. Nem em nome e respeito ao povo brasileiro e outras coisas mais.

Nós queremos luta. Nós queremos que você termine o mandato.

Não renuncie! Queremos que você respeite o nosso voto. Jânio Quadros outra vez, não!

Dilma os golpistas são bandidos, criminosos. Eles estão lutando para ficarem impunes. Por isso querem o poder.

Pelo amor de Deus! Não vá entregar o país a essa corja. Lute. Estamos com você. E queremos democracia. Sempre e mais.

Esqueça os chamados coxinhas. Eles estão sendo enganados. Você sabe disso. O mundo sabe da putaria que assola o país.

Lute! Sempre.

É o que espera o digitador desse bloguinho.